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3. Algorithm Overview

3.3 Auctioning Tasks

No capítulo 2 foi apresentada uma figura com a rede viária da cidade do Porto para se mostrar a dimensão espacial da informação. Neste capítulo considerou-se interessante dar a conhecer o número de interseções existentes na cidade do Porto. A figura 4.1 foi elaborada no âmbito de uma dissertação de Mestrado Integrado de Engenharia Civil de José Manuel Barbosa de 2008 [25] onde foram identificadas as interseções existentes na rede viária através de um sistema de informação geográfico, o que resultou em 4439 interseções. No presente trabalho foram identificadas 963 interseções com pelo menos 1 acidente o que equivale a cerca de 27% de interseções com acidentes registados no período em análise.

Figura 4.1: Total de interseções existentes na rede viária do Porto (Fonte: [25]).

Para determinar os locais que foram alvo de observação, inicialmente procedeu-se à análise do ficheiro com o registo dos acidentes (ficheiro Excell). Esta primeira análise focou-se nos registos de acidentes ocorridos em interseções por tipologias, designadas no presente trabalho como interseções tipo, tendo em conta o tipo de sinalização (interseções de prioridade à direita, interseções com prioridade, e interseções de sinais luminosos), e consistiu em localizar cada acidente registado na rede viária do Porto. O acidente, quando ocorrido numa interseção, é registado com associação a pelo menos 2 ruas onde ocorreu o acontecimento. Com isto, para cada acidente ocorrido foi necessário uma localização, verificação e eventual correção, para definir quantos ramos constituiam a respetiva interseção. Este passo foi concretizado com recurso ao programa Google Earth, 2012.

Para constituir o conjunto de interseções, alvo de aplicação dos métodos pretendidos, e assim definir as interseções de maior risco da rede viária do Porto, foram assumidas algumas considerações, as quais tinham função de exclusão de acidentes que não correspondessem ao âmbito do estudo e como tal não pertencentes ao futuro grupo de estudo. O ficheiro obtido é relativo a todos os acidentes ocorridos entre Janeiro de 2008 e Dezembro de 2011, resultando no registo de 20.513 acidentes. De forma a reduzir este grupo de estudo, centrou-se a análise aos acidentes dentro da localidade, para tal assumiu-se o limite de velocidade como um fator indicativo, eliminando todas as estradas onde é possível circular com uma velocidade superior a 50km/h, como autoestradas e estradas nacionais (por exemplo, via de cintura interna, avenida AEP, via norte, etc). Como já foi referido, a exclusão dos acidentes ocorridos fora das interseções tipo mencionadas foi também um critério, obtendo-se o registo de 5.423 acidentes (foram excluídos os acidentes quando o local foi registado no Excell como kilómetro, bloco de habitação, poste, parque de estacionamento, rotunda, café, posto de abastecimento), relativamente ao período de 2008 a 2011. Devido ao tempo disponível, foram localizados 4.350 acidentes na rede urbana do Porto, o que corresponde a 963 interseções.

De forma a perceber melhor o nível de número de acidentes do grupo de interseções identificadas, não fugindo ao propósito da presente dissertação, foi elaborada a figura 4.2. Através da qual se pretendeu ilustrar a distribuição percentual das interseções quanto ao número total de acidentes registados nas mesmas. Com o intuito de facilitar a leitura da figura e também devido à larga amplitude do número

de acidentes, a distribuição percentual é referente a um determinado intervalo de número de acidentes, e não um número de acidentes.

Como se pode constatar pela figura 4.2, das 963 interseções identificadas na rede viária do Porto 68,2% apresentaram no máximo 4 acidentes no período total de estudo (4 anos). Pode-se assim dizer que grande parte das interseções identificadas (657 interseções) apresenta uma frequência baixa de acidentes. A segunda percentagem mais alta, 20,1%, representa a fração de interseções onde se registaram no mínimo 5 acidentes e no máximo 9, inclusivé. A percentagem mais baixa (0,2%) corresponde às interseções com as maiores frequências de acidentes. Note-se, que as interseções com 30, 31, e 32 acidentes representam 2,8%.

Figura 4.2: Distribuição percentual das interseções considerando o número total de acidentes.

Conclui-se que, em termos de total de acidentes, as interseções da rede urbana do Porto estudadas não apresentam números muito elevados de acidentes e também que a grande maioria das interseções identificadas é caraterizada por uma frequência baixa de acidentes. Assim, a maior parte dos acidentes estão distribuídos por um número elevado de interseções. Note-se, no entanto, que devido a erros em todo o processo de registo até ao tratamento de dados estes números poderão estar sobdimensionados. De facto, é de referir as dificuldades e obstáculos encontrados nesta fase. Ao localizar os acidentes na rede foi perceptível a incorreção de alguma informação, como alguns registos que apresentam, em vez do nome da rua, um ponto de referência, por exemplo um posto de abastecimento. Em Portugal, o acidente é registado no Boletim Estatítico de Acidente de Viação e na Participação do Acidente (formulários estandardizados). No entanto, constatou-se que o campo referente ao número de polícia (o qual serve para identificar concretamente o local onde ocorreu o acidente), na maioria dos registos de acidentes, não foi preenchido. Também se confirmou que alguns registos de acidentes têm registo de vítimas mas não têm informação relativa a elas, noutros casos a informação está presente no ficheiro mas não está visível, tendo de ser trabalhado primeiro o ficheiro. Por último, o ficheiro fornecido não tinha dados relativos aos meses de Julho e Agosto de 2010. Para colmatar esta falha, foi necessário pedir a informação à minha colega Vânia. Todo este processo é moroso e incompatível com

68,2% 20,1% 6,6% 2,8% 1,0% 0,4% 2,8% 0,2% % de interseções [1; 5[ [5; 10[ [10; 15[ [15; 20[ [20; 25[ [25; 30[ [30;33[ [33; 36]

o tempo disponível, tendo em conta que o objetivo do trabalho é a aplicação de uma metodologia e não o tratamento dos dados.