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AUahou Akbar

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A fenomenologia para além de método de investigação e também uma doutrina filosófica. Corrêa (1997), demonstra uma linha de percurso inicial:

 1764 - Lambert usou pela primeira vez a palavra fenomenologia que, inicialmente foi compreendida como teoria da aparência, visão falsa da realidade;

 1804 – Fichte usou a fenomenologia num sentido diferente de Lambert, porém mantendo a idéia de teoria da aparência, que para ele era a manifestação de algo real, verdadeiro, uma revelação;

 1807 – Hegel que se dedicou ao estudo do movimento do espírito, tornou a fenomenologia como método e filosofia.

Contudo, a fenomenologia passa a ser amplamente conhecida a partir da corrente filosófica fundada por Edmund Husserl no alvorecer do nosso século, e desenvolvida por Heidegger, foi ainda utilizada por filósofos existencialistas, como Marleau-Ponty, Marcel entre outros da segunda metade do século XIX e do século XX, surgindo assim o movimento fenomenológico (Fortin, 2009).

Caracteriza-se por três fases: a fase preparatória, a fase Alemã e a fase Francesa (Streubert & Carpenter, 2002).

Os grandes motivadores da fase preparatória foram Franz Brentano (1838-1917) e Carl Strumpf (1848-1936). Para eles a fenomenologia era uma forma de descrever e apurar as experiências humanas, antes de estabelecer explicações causais. Foi ainda nesta fase que foram concebidos os conceitos de “intencionalidade” e “percepção pessoal”, além disso foi verificado o rigor científico da fenomenologia através do seu trabalho (Streubert e Carpenter 2002).

Em 1956, Merleau-Ponty esclareceu que a perceção interior é impossível sem perceção exterior, o mundo enquanto vinculação de fenómenos é antecipado na consciência do meu ser interior, “é o modo como compreendo a mim mesmo na consciência” Streubert & Carpenter (2002, p.52). A hermenêutica, ramo da fenomenologia interpretativa na qual deu significado e interpretação às descrições originais, advém de Heidegger, discípulo de Husserl.

Edmund Husserl (1857-1938) e Matin Heidegger (1889 – 1976), foram os impulsionadores da fase Alemã, sendo que Husserl foi considerado o pai da fenomenologia. Ainda nesta fase, o movimento fenomenológico se desenvolveu com grande vigor onde também foram desenvolvidos os conceitos de “essência”, “intuição” e “redução fenomenológica” Streubert & Carpenter (2002). Para Husserl, a fenomenologia é definida como uma “volta às coisas mesmas”, portanto, um retorno aos fenômenos, sendo este aquilo que aparece à consciência, que ocorre como objeto intencional (Terra et al, 2006).

Silva e colaboradores (2008. p. 255.), referem que Heidegger, acredita que “o fenômeno não se mostra diretamente, e sim, se mantém velado frente ao que se mostra; ao mesmo tempo, mostra-se diretamente de modo a constituir o seu sentido”.

Já na fase Francesa, temos o desenvolvimento dos conceitos de “incorporação” e “ser-no- mundo”, que se remetem à crença de que todos os atos são alicerçados sobre a perceção ou consciência de algum fenômeno (Streubert & Carpenter, 2002). Seus principais pensadores são Gabriel Marcel (1889-1973), Jean-Paul Sartre (1905-1980) e Maurice Merleau-Ponty (1905-1980).

Polit, et al (2004, p.368) refere que as escolas de fenomenologia desenvolveram diferentes abordagens para a análise dos dados. Na enfermagem, três métodos de análise de dados são frequentemente usados para a fenomenologia descritiva, que são os métodos de Colaizzi (1978), Giorgi (1985), e Van Kaam (1966), todos da escola de fenomenologia de Duquesne e baseados na Filofia de Husserl. O resultado básico dos três métodos é a descrição do significado de uma experiência, muitas vezes através da identificação dos temas essenciais. Porém existem diferenças a serem destacadas:

 O método de Colaizzi, é o único que pede uma validação final dos resultados, com o retorno aos participantes do estudo;

 A análise de Giorgi depende somente do pesquisador. Sua visão é de que é tão inapropriado retornar aos participantes para validar os achados quanto usar juízes externos para revisar a análise;

 O método de Van Kaan exige que a concordância intersubjetiva seja atingida com outros juízes especializados.

Oportunamente, Queiroz (2007), nos revela que há bastante semelhança na estratégia de colheita de dados e na apresentação dos resultados da pesquisa fenomenológica, qualquer que seja o particular autor que o investigador resolva privilegiar como quadro teórico metodológico. O mesmo autor nos mostra a linhagem estratégica de abordagem em comum no método fenomenológico, para a colheita de dados que são: “a) entrevista: os participantes descrevem verbalmente as suas experiências; b) descrição escrita de experiências pelo próprio participante; c) relatos autobiográficos, na forma escrita ou oral; d) observação participante: aqui, o pesquisador parte das observações do comportamento verbal e não verbal dos participantes, de seu meio ambiente, das anotações que ele mesmo fez quando no campo, de áudio e vídeo gravações disponíveis, etc” (Queiroz, 2007 p.7; Gil, 2010 p.9).

Uma segunda escola de fenomenologia é a escola de Utrecht. Os fenomenologistas que usam a abordagem holandesa combinam características da fenomenologia descritiva e da interpretativa.

A fenomenologia destaca o aspecto humanizador da ciência e a sua importância para a enfermagem, uma vez que sua prática é com o homem, precisando compreendê-lo no seu mundo vivido. O cuidar, finalidade da enfermagem, implica a coexistência e a participação na compreensão da vivência de estar doente, de estar são, de estar em equilíbrio, de estar vivendo. (Carvalho e Valle 2002).

Resumindo, a proposta da fenomenologia surge como uma excepcional perspectiva de olhar o fenômeno humano no sentido da descoberta e o desvelamento dessa particular realidade subjetiva (Andrade & Holanda 2010). O amor à sabedoria, ao conhecimento, fez com que a fenomenologia progredisse década após década, quer como filosofia, quer como percurso metodológico. Por ter uma característica dinâmica, atraí diversas áreas do conhecimento humano para ser desvendada em seus delineamentos.

Realizar uma meditação sobre os caminhos que a fenomenologia direciona para a prática da pesquisa em saúde é um desafio que nos seduz e nos estimula a interrogar o que se almeja para o futuro das pesquisas na área da enfermagem. Prosseguir o significado que o movimento fenomenológico vem despertando em investigadores das mais diferentes áreas do conhecimento é um outro importante desafio que se apresenta, especialmente quando se pretende verificar as contribuições para uma determinada profissão e/ou disciplina. (Terra et al 2006).

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