Forme(s) & récit(s) : indétermination
2. Atlas Group : des archives augmentées par la fiction
Apresentam-se neste capítulo as limitações e conclusões deste trabalho, além de sugestões para estudos futuros.
7.1. Considerações finais
Como conclusão deste trabalho cita-se que o objetivo inicial de “Compreender e avaliar o processo de adoção, seleção e implementação de ERP Livre” foi atingido. Os objetivos específicos de “Propor, aprimorar e aperfeiçoar um modelo de ciclo de vida para ERP (livre e proprietário)” e “Identificar e discutir características especiais dos processos de adoção, seleção e implementação de ERP livre” também foram atingidos, conforme o modelo final apresentado no capítulo 6 e as características especiais apresentados no quadro 5.7.
Esta dissertação foi dividida em 2 partes, a primeira composta dos capítulos introdução, fundamentação teórica e metodologia, fortemente embasadas na bibliografia, e a segunda, onde mais acentuadamente apresenta-se a contribuição do autor é composta dos capítulos modelo inicial, trabalho de campo e modelo final.
Na época da realização do estudo de campo na atividade de mapeamento de sistemas ERP livres, dos mais de 300 sistemas ERP internacionais inicialmente mapeados, nenhum deles apresentou a localização brasileira (processos legais, fiscais, etc.) na distribuição original. O Compiere e o Adempiere, os 2 sistemas pré- selecionados no mapeamento, também não apresentam esta localização em sua distribuição original. Uma empresa de consultoria nacional desenvolveu uma localização Brasil para o Compiere, mas não disponibiliza a mesma em nenhum site repositório e não deixa claro se entrega a mesma como software livre (com o código fonte), apesar da licença GPLv2 do Compiere obrigar que este desenvolvimento seja software livre. A imaturidade jurídica brasileira também é importante fator a se avaliar na adoção de um ERP livre.
Como conclusões resultantes deste trabalho, apresentam-se fatores críticos que podem suportar as empresas na avaliação para a adoção, seleção e implementação de um ERP livre:
• Empresas com necessidade de sistemas com características de ERP: Necessitem de sistemas de gestão com informações centralizadas em uma única base de dados eliminando redundâncias de
informação, substituição de diversos sistemas “ilhados” por um sistema integrado, que possua funcionalidades orientadas a processo, entre outras características típicas de sistemas ERP descritos na figura 2.3. Os ERP proprietários e livres possuem estas características.
• Empresas com processos altamente personalizados: Normalmente este perfil de empresa pouco utiliza das “melhores práticas” existentes nos sistemas ERP proprietários. Estas melhores práticas são uma das justificativas ao alto custo de aquisição inicial de um ERP proprietário. Os ERP livres estudados possuíam somente os processos básicos de melhores práticas, que sofrem pouca alteração, além do custo de aquisição inicial ser baixo. Como exemplo deste tipo de empresas pode-se citar empresas seguradoras e universidades;
• Necessidade de Framework para personalização: Ao mesmo tempo, devido ao alto grau de customização e personalização, essas empresas necessitam de um framework, ferramenta de desenvolvimento provido tanto por sistemas ERP proprietários quanto livres. Nos ERP livres há a vantagem de normalmente o Framework trabalhar com linguagens abertas como JAVA e PHP por um baixo custo de aquisição.
• Empresas em crescimento: Empresas que apresentam restrições a elevados investimentos iniciais na aquisição de sistemas ERP, mas pretendem crescer no futuro próximo.
• Opção ao desenvolvimento interno: Empresas que podem utilizar o ERP como um framework em opção ao desenvolvimento interno. • Empresas que buscam o estado da arte da tecnologia: Normalmente
os sistemas ERP livres apresentam o estado da arte da tecnologia, como as mais modernas linguagens de programação e independência totais de escolha softwares agregados como sistemas operacionais e banco de dados.
Como resultado deste trabalho apresenta-se também que as principais distinções do software livre encontram-se no processo de adoção e seleção, já que o método de implementação apresentou-se igual em sistemas ERP proprietário ou livre.
Uma limitação decorrente da aplicação do método foi o fato de que no trabalho de campo estudado a opção de ERP proprietário ter sido excluída do processo de seleção em etapa anterior a da comparação das alternativas. Apesar de o modelo proposto ser baseado em modelo já validado para seleção de sistemas ERP proprietários, a falta de comparação de alternativas compondo os dois modelos pode trazer algum questionamento ao modelo final proposto.
Outra limitação também deste trabalho a não apresentação no trabalho de campo de comparação da TOC (Total Ownership cost), ou custo total de propriedade. Esse critério não foi definido pelo grupo de estudos como critério para seleção das alternativas, justificado pelos custos do projeto para o Portal terem se limitado inicialmente a compra do Hardware. Os serviços de implementação e as licenças tiveram custo de aquisição baixo. Na fase de utilização, suporte, estabilização e manutenção, com a finalidade de desenvolver novos relatórios, abriram-se concorrências para fornecimento de serviços no ERP livre, e os valores das horas tem se mostrado similar a de qualquer ERP proprietário. Conforme apresentado no capítulo 2.1, como os custos dos serviços podem representa no mínimo 2/3 do custo total de propriedade, qualquer ganho inicial com a adoção do ERP livre pode ser diluído ao longo do tempo.
7.2. Sugestões para estudos futuros
A seguir, apresentam-se questionamento e oportunidades identificadas no decorrer deste trabalho que podem motivar estudos futuros:
• Verificação destes sistemas na fase de utilização, estabilização, suporte e manutenção: Este trabalho concentrou-se nas fases de adoção, seleção e implementação de um ERP livre. Um estudo a ser realizado e o estudo após a implementação destes sistemas;
• Aplicação a empresa de maior porte e diferentes segmentos: Este trabalho apresentou um estudo de caso único em pequena empresa
do terceiro setor. A aplicação em empresas de diferentes portes e segmentos pode fortalecer o modelo de ciclo de vida;
• TI como serviço x software livre: Nicholas Karr, de Harvard, defende o uso da TI como serviços, similar a luz elétrica, citando empresas como Google como exemplo, defendendo o fim do modelo baseado em vendas de licença de uso. Algumas empresas de software ERP proprietário tem iniciado as vendas neste modelo, denominando o mesmo como SaaS (Software as a Service), ou software como um serviço. Qual o futuro do ERP livre num cenário como este?
• Comparativo de ERP proprietário e Livre: Apesar de estudos comparativos encontrados em dissertação defendida no exterior, nenhuma pesquisa foi encontrada sobre esta comparação com as particularidades do país;
• Análise destes sistemas para e-gov: Pesquisa do uso de sistemas ERP livres para uso na administração pública.
• Desenvolvimento de um modelo sustentável para ERP Livre no Brasil: As iniciativas de ERP livre no Brasil são pontuais e independentes. Não foi encontrado um modelo construtivo de desenvolvimento deste modelo de software onde as empresas colaborem de maneira sustentável.