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A análise dos fluxos migratórios conjugadas com as principais características socioeconômicas dessa população, contempladas nos quesitos: idade, sexo, estado civil (arranjos familiares), nível de instrução, trabalho/ocupação e renda; possibilitou um delineamento do perfil do migrante. Portanto, foi contemplada neste estudo ape- nas a população compreendida no fluxo migratório dos Censos Demográficos de 2000 e 2010.

Os indivíduos que migram tendem a apresentar algumas características comuns, conforme se verifica em Castiglioni (1989, p. 14, tradução nossa):

Os indivíduos reagem de forma diferente aos fatores que causam a migra- ção. Aqueles que respondem a esses estímulos têm algumas característi- cas comuns que os diferenciam daqueles que não reagem. Estas caracte- rísticas são especialmente relacionadas com a idade, educação e especiali- zação, estado civil, aspirações e sexo.

Para compreender melhor as características dos migrantes analisou-se o quesito idade (em anos completos) em grupos quinquenais de modo a tornar mais acessível o entendimento da mesma por meio das faixas etárias; uma análise por idade unitá- ria tornaria esse procedimento fastidioso e pouco producente. Na sequência, o que- sito sexo foi combinado com o quesito idade possibilitando visualizar o comporta- mento migratório dos grupos etários por sexo.

No quesito estado civil do migrante data fixa foram consideradas aquelas pesso- as de 10 anos ou mais de idade classificadas como casado(a); desquitado(a) ou se- parado(a) judicialmente; divorciado(a); viúvo(a); ou solteiro(a); de acordo com o

questionário dos Censos Demográficos; o que permitiu identificar e quantificar as categorias migrantes.

Quanto aos quesitos trabalho/ocupação e rendimento, cumpre algumas conside- rações pertinentes.

O aporte teórico e conceitual das migrações aponta que as questões econômi- cas tem íntima relação com os movimentos populacionais, remetendo nossa análise para questões ligadas ao mercado de trabalho, por isso, localizar e posicionar espa- cialmente a capitalização financeira apresenta-se como um indicativo fiável a este estudo. Dessa vertente depreenderam-se análises relativas ao setor de atividade (agropecuário, indústria, comércio e serviços) das categorias sócio-ocupacionais buscando-se compreender o papel e a influência desses setores na dinâmica produ- tiva e do processo de trabalho no município.

Para captar esses aspectos à luz das informações disponibilizadas pelos censos analisou-se o quesito Ocupação16, de acordo com a Classificação Brasileira de Ocu- pações Domiciliar (CBO-Domiciliar para o Censo 2000 – Tabela 7 e CBO 2002 para o Censo de 2010 – Tabela 8), e o quesito Atividade17

, de acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas Domiciliar– (CNAE versão 1.0 para o Censo 2000 – Tabela 9 e 2.0 para o Censo 2010 – Tabela 10), ambos para pessoas de 10 anos ou mais de idade.

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Trata-se da ocupação do trabalho principal. Considerou-se como ocupação a função, cargo, profis- são ou ofício exercido pela pessoa. As ocupações foram classificadas utilizando-se a Classificação de Ocupações para Pesquisas Domiciliares - COD, que foi desenvolvida pelo IBGE para as pes- quisas domiciliares, tendo como referência a International Standard Classification of Occupations - ISCO-08, da Organização Internacional do Trabalho - OIT. A COD mantém-se idêntica a ISCO-08 no nível mais agregado (grande grupo) e reagrupa alguns subgrupos principais, subgrupos e gru- pos de base, considerando as especificidades nacionais e as dificuldades de sua captação com precisão nas pesquisas domiciliares. (IBGE, 2010c, p. 45)

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A CNAE é a classificação de atividades econômicas oficialmente adotada pelo Sistema Estatístico Nacional e pelos órgãos gestores de cadastros e registros da Administração Pública do país. (IB- GE, 2007, p. 11).

As atividades foram classificadas utilizando-se a Classificação de Nacional de Atividades Econômi- cas Domiciliar - CNAE-Domiciliar 2.0, que é uma adaptação da Classificação de Nacional de Ativi- dades Econômicas - CNAE 2.0. A CNAE-Domiciliar 2.0 mantém-se idêntica à CNAE 2.0 nos níveis mais agregados (seção e divisão), com exceção das divisões do comércio em que não se distingue o atacado do varejo, e reagrupa classes onde o detalhamento foi considerado inadequado para as pesquisas domiciliares e desagrega algumas atividades de interesse para as pesquisas domicilia- res. A CNAE 2.0 tem como referência a International Standard Industrial Classification of all Eco- nomic Activities - ISIC, 4ª revisão, das Nações Unidas. (IBGE, 2010c, p. 48-49).

Tabela 7: Classificação Brasileira de Ocupações Domiciliar (CBO-Domiciliar) Censo 2000

Código Titulação

0 Membros das Forças Armadas, Policiais e Bombeiros Militares

1 Membros Superiores do Poder Público, Dirigentes de Organizações de Interesse Público e de Empresas, Gerentes

2 Profissionais das Ciências e das Artes

3 Técnicos de Nível Médio

4 Trabalhadores de Serviços Administrativos

5 Trabalhadores dos Serviços, Vendedores do Comércio em Lojas e Mercados

6 Trabalhadores Agropecuários, Florestais, Caça e Pesca

7 Trabalhadores da Produção de Bens e Serviços Industriais

8 Trabalhadores da Produção de Bens e Serviços Industriais

9 Trabalhadores de Reparação e Manutenção

Fonte: Comissão Nacional de Classificação. Disponível em:

<http://concla.ibge.gov.br/estrutura/ocupacao-estrutura>. Acesso em: 27 out. 2016.

Tabela 8: Classificação Brasileira de Ocupações Domiciliar (CBO 2002) Censo 2010

Código Titulação

1 Diretores e Gerentes

2 Profissionais das Ciências e Intelectuais

3 Técnicos e Profissionais de Nível Médio

4 Trabalhadores de Apoio Administrativo

5 Trabalhadores dos Serviços, Vendedores dos Comércios e Mercados

6 Trabalhadores Qualificados da Agropecuária, Florestais, da Caça e da Pesca

7 Trabalhadores Qualificados, Operários e Artesãos da Construção, das Artes Mecânicas e Outros Ofícios

8 Operadores de Instalações e Máquinas e Montadores

9 Ocupações Elementares

0 Membros das Forças Armadas, Policiais e Bombeiros Militares

0000 Ocupações Mal Definidas

Fonte: Censo Demográfico IBGE (2010)

Tabela 9: Estrutura da Classificação Nacional de Atividades Econômicas Domiciliar (CNAE-Domiciliar) – Censo 2000

Seção Divisões Descrição CNAE

A 01 a 02 Agricultura, Pecuária, Silvicultura e Exploração Florestal

B 05 a 05 Pesca

C 10 a 14 Indústrias Extrativas

D 15 a 37 Indústrias de Transformação

E 40 a 41 Produção e distribuição de eletricidade, gás e água

F 45 a 45 Construção

G 50 a 53 Comércio; Reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos

H 55 a 55 Alojamento e Alimentação

I 60 a 64 Transporte, Armazenagem e comunicações

J 65 a 67 Intermediação Financeira

K 70 a 74 Atividades Imobiliárias, Aluguéis e Serviços Prestados Às Empresas

L 75 a 75 Administração Pública, Defesa e Seguridade Social

M 80 a 80 Educação

N 85 a 85 Saúde e Serviços Sociais

O 90 a 93 Outros Serviços Coletivos, Sociais e Pessoais

P 95 a 95 Serviços Domésticos

Q 99 a 99 Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais

R 00 a 00 Atividades mal especificadas

Fonte: Comissão Nacional de Classificação. Disponível em:

<http://www.cnaedom.ibge.gov.br/estrutura.asp?TabelaBusca=CNAE_100@CNAE%20Domiciliar>. Acesso em: 27 out. 2016.

Tabela 10: Estrutura da Classificação Nacional de Atividades Econômicas Domiciliar (CNAE-Domiciliar 2.0) – Censo 2010

Seção Divisões Descrição CNAE

A 01 a 03 Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aqüicultura

B 05 a 09 Indústrias Extrativas

C 10 a 33 Indústrias de Transformação

D 35 a 35 Eletricidade e Gás

E 36 a 39 Água, Esgoto, Atividades de Gestão de Resíduos e Descontaminação

F 41 a 43 Construção

G 45 a 48 Comércio; Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas

H 49 a 53 Transporte, Armazenagem e Correio

I 55 a 56 Alojamento e Alimentação

J 58 a 63 Informação e Comunicação

K 64 a 66 Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados

L 68 a 68 Atividades Imobiliárias

M 69 a 75 Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas

N 77 a 82 Atividades Administrativas e Serviços Complementares

O 84 a 84 Administração Pública, Defesa e Seguridade Social

P 85 a 85 Educação

Q 86 a 88 Saúde Humana e Serviços Sociais

R 90 a 93 Artes, Cultura, Esporte e Recreação

S 94 a 96 Outras Atividades de Serviços

T 97 a 97 Serviços Domésticos

U 99 a 99 Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais

V 00 a 00 Atividades Mal Definidas

Fonte: Comissão Nacional de Classificação. Disponível em:

<http://www.cnaedom.ibge.gov.br/estrutura.asp?TabelaBusca=CNAE_200@CNAE%20Domiciliar%20 %202.0>. Acesso em 27 out. 2016.

Do quesito Ocupação o IBGE considera a relação de trabalho existente entre a pessoa e o empreendimento em que trabalhava e define cinco categorias para a mesma, quais sejam: empregado; conta própria; empregador; não remunerado e trabalhador na produção para o próprio consumo. Dessas categorias pôde-se abs- trair a posição na ocupação e categoria do emprego no trabalho principal (único tra- balho que a pessoa tinha na semana de referência).

No quesito Atividade considerou-se “[...] a finalidade ou ramo do negócio da or- ganização, empresa, ou entidade em que a pessoa trabalhava. Para os trabalhado- res por conta própria a classificação foi feita de acordo com a ocupação exercida.” (IBGE, 2010c, p. 48). Isso permitiu identificar e quantificar a expressividade dos se- tores por atividade econômica.

Por meio desses dois quesitos é possível verificar especificamente em qual setor produtivo a população residente trabalhava ou estava ocupada no período conside- rado, permitindo depreender quais setores atraiam, ou não, mão de obra.

No que tange aos rendimentos o IBGE possui algumas categorias para classifi- car os mesmos, aos quais consideramos neste estudo apenas rendimento nominal mensal da pessoa de 10 anos ou mais de idade, a soma do rendimento nominal

mensal de trabalho com o proveniente de outras fontes (IBGE, 2010c, p. 51). Além disso, optou-se por analisar os rendimentos em números de salários mínimos à épo- ca de realização dos censos, classificando-os em faixas de rendimento, de modo a tornar a apreciação dos resultados mais clara possível. Esse quesito levantado no censo é passível de várias críticas por parte dos estudiosos, sendo analisado com demasiada cautela. De acordo com Barros e outros (2012, p.1, 2):

Sabe-se que esta variável [rendimento] é de difícil captação, e isso ocorre por diversos motivos: i) principalmente no caso dos Censos Demográficos que são operações muito rápidas, uma única pessoa declara as informa- ções de todas as outras do domicílio na maioria dos casos, e nem sempre consegue declarar os rendimentos com a precisão desejada (ou simples- mente os desconhece); ii) o próprio informante pode declarar um valor que não corresponde à realidade (por constrangimento ou medo de que estas informações sejam disponibilizadas a outros órgão públicos, como a Receita Federal), ou mesmo se recusar a prestar tal informação; e iiI) pode ainda haver algum erro na hora do preenchimento do quesito (mesmo com todos os controles existentes no PDA).

Não obstante, ao fim que se propõe neste estudo a análise dessa variável apre- senta-se praticável na visualização dos rendimentos por parte da população residen- te no município em tela.