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Astrophysical false positives in direct imaging for exoplanets:

8.2 The NaCo Large Program (NaCo-LP)

8.2.3 Astrophysical false positives in direct imaging for exoplanets:

Ao considerar Desenvolvimento como um campo de investigação científica, fica implícita a necessidade de formulação conceitual sobre mudança. Nesta perspectiva, como assinala Overton (1998), podem ser identificados dois tipos de mudança:

1) Mudança Transformacional – envolve transformações e mudanças relativas a forma, padrão, ou organização. Portanto, é uma mudança morfológica, estrutural, ou seja, uma mudança de estrutura, onde novas formas resultarão. Conseqüentemente, é uma mudança transformacional que envolve a emergência ou o surgimento do novo. Desta forma, trata-se de uma mudança em que o surgimento de um elemento novo amplia e modifica todo o conjunto de elementos (concepção holística).

Para esse tipo de mudança, desenvolvimento implica na noção de sistema, processos em uma estrutura e a noção de um conjunto seqüencial de mudanças em um sistema relativamente permanente ou estável, mas com novos incrementos, não só apenas em suas estruturas, mas também nos seus modos de operações ou funcionamento.

2) Mudança Variacional – se refere ao grau ou extensão em que a mudança varia de acordo com um padrão assumido.

Pode ser entendida como uma mudança quantitativa por natureza - um aumento ou diminuição dentro de um padrão estabelecido ou qualitativa em termos de diferenças específicas entre as variáveis. Nos dois casos (quantitativa ou qualitativa), o complexo de mudanças variacionais é freqüentemente pensado em termos aditivos de elementos que mudam sem a noção de sistema ou uma concepção holística.

As mudanças transformacionais são associadas a conceitos de irreversibilidade, descontinuidade (no sentido de não-aditividade), seqüência e direcionalidade. Quando são considerados sistemas físicos e sistemas de vida, as mudanças transformacionais são identificadas com a noção de tempo irreversível (OVERTON, 1998).

Por sua vez, as mudanças variacionais são associadas a conceitos de reversibilidade, continuidade e de ciclos. Quando são considerados sistemas físicos e sistemas de vida as mudanças variacionais são identificadas com a noção de ciclos de

tempo. (ibidem, 1998).

Através desses tipos de mudanças podem ser configuradas premissas diferentes, de acordo com cada uma delas, que darão base para determinação de caminhos metodológicos a serem seguidos, possibilitando a formulação de específicos modelos de metodologia científica, dentre os quais destacamos: Modelo Desenvolvimental Relacional e Modelo de observação Desenvolvimental em Separado (Split).

Estas proposições do autor citado acima indicam duas posições epistemológicas diferentes, pois o tipo de Mudança Desenvolvimental em Separado (Split) que, geralmente, contempla as Mudanças Variacionais está relacionado às concepções positivistas e

objeto, dentro e fora, objetivo e subjetivo, organização e adaptação, forma e processo, biológico e social-cultural. Trata os elementos individualmente, de maneira segregada, os quais geralmente são comparados e concebidos como variáveis numa relação de causa e efeito, excluindo a idéia de sistema, contexto, inter-relações e conjunto.

Já o tipo de Mudança Relacional se contrapõe ao modelo anterior por contemplar a relação do indivíduo/sujeito com ambiente, possibilitando a emergência do novo e a contextualização histórica do fenômeno estudado; a concepção de sistema, caracterizado de forma holística, podendo ainda considerar sistemas biológicos, psicológicos e sócio- culturais numa perspectiva relacional e não excludente.

A formulação de um quadro conceitual foi proposta por Overton (1998, p 124), o qual foi denominado de “The Relational Developmental Metanarrative”, justificando que um esquema conceitual é necessário para dar suporte a uma definição inclusiva de

Desenvolvimento que contemple aspectos de mudanças formais (transformacionais) e

funcionais (variacionais). E acrescenta ainda que uma abordagem para realização dessa tarefa pode ser construída a partir da teoria dos sistemas de auto-organização (theory of self-organizing systems) que vem utilizando importantes regras heurísticas nos domínios das ciências biológica, física, sociológica e psicológica.

Usando a teoria de auto-organização dos sistemas como base, torna-se possível abstrair uma coerente e integrada metanarrativa sobre evolução e outras mudanças desenvolvimentais, abrangendo uma variedade de conceitualizações das áreas de estudo, tais como: a biológica, a sócio-cultural e a psicológica com todas as suas variedades e similaridade de definições de objeto, os quais podem ser abordados de forma relacional (ibdem, 1998).

Ao abordar as questões relativas aos Sistemas Desenvolvimentais, Valsiner (2006), em uma de suas análises, destaca a proposição de que, “Um aspecto crucial para qualquer

compreensão de Desenvolvimento é considerar que dentro de um sistema ou entre sistemas, em ambos, a variação (a mudança ) é o fenômeno e não um erro”

trajetória descrita no nível do dado, forma famílias de trajetórias similares. Para chegar a tal família de descrições, o caso individual –trajetória individual do desenvolvimento – é a característica crucial do dado. Generalizações nesta perspectiva são feitas a partir de um caso singular para um funcionamento genérico de um sistema personalizado” (LAMIELL,

2003 apud VALSINER, 2006, P.183).

Desta forma, a tarefa empírica do pesquisador é de primeiro analisar o funcionamento sistêmico de um caso singular e, a partir do momento em que esse caso singular é explicado, agregam-se depois conhecimentos das formas em que o sistema funciona através de pessoas dentro de um modelo genérico (MOLENAR et al., 2002; THORNGATE, 1986, 1992 apud VALSINER, 2006).

O surgimento da Ciência do Desenvolvimento foi observado por Valsiner (2006, p.169), como segue: “No final do século vinte e no começo do século vinte e um, nós

testemunhamos o crescimento de uma nova disciplina: Ciência Desenvolvimental. Ela transcende as fronteiras da psicologia da criança e lança questões sobre desenvolvimento em geral. Seu foco esta nas relações entre pessoa-contexto.” (tradução nossa)

É interessante destacar que nesta declaração o estudo do Desenvolvimento está sendo tratado como ciência e que não se restringe apenas ao estudo da Psicologia do Desenvolvimento.

Portanto, para finalizar esta seção, vale enfatizar a definição de Ciência do

Desenvolvimento, feita por Valsiner J. (2006, p. 169): “Ciência Desenvolvimental é uma denominação que traz um significado conjunto do renascimento intelectual de uma perspectiva geral que é orientada na direção do estudo de processo de desenvolvimento”.