3. GENERALITES
3.6. Assurance Qualité
A implantação de um estabelecimento de ensino numa localidade representa, por si só, um expressivo ganho social, cria diversas possiblidades para o público ao qual se destina e consubstancializa uma eminente via de acesso ao conhecimento. É um tanto redundante afirmar que o acesso ao saber tem grandes probabilidades de transformar vidas, criar e alimentar expectativas de superação e representar para uma imensa maioria da população uma das poucas formas de ascensão social digna, revestida de legitimidade e reconhecimento.
Se em qualquer comunidade a criação de uma escola traz em seu bojo uma série de adjetivos positivos e abre novas fronteiras, até então indevassáveis para muitos dos membros da estrutura comunitária contemplada, bem mais significativo se torna tal ato quando realizado numa comunidade rural, ou, convém dizer, situada em espaço com predomínio dos apanágios peculiares à ruralidade.
As atribuições de uma escola em meio rural se iniciam com o trabalho de alfabetização, mas não se limitam a ele em absoluto. Ao contrário, transcendem-no em várias situações nas quais o espaço escolar transmuta-se em palco de ações sociais que atingem e contemplam um mosaico comunitário composto não apenas por discentes e docentes. Reiterando uma constatação já anunciada nos limites desse trabalho, a escola inserida no contexto rural é, necessariamente, dotada de uma polivalência, possui uma multifuncionalidade que faz dela um elemento central, imprescindível e inexorável para os sujeitos sociais que a ela têm acesso, seja de forma direta e convencional, seja por meios indiretos que fogem aos padrões consuetudinários de um estabelecimento de ensino.
Não basta à escola, particularmente àquelas fundadas em áreas nas quais ocorre o predomínio do rural, inserir as pessoas na dinâmica das letras e dos números. Além de ler e interpretar, somar, dividir, subtrair e multiplicar, esse espaço deve proporcionar a interação
societária, necessita também promover diferentes sociabilidades, muitas vezes contemplando não apenas aqueles oficialmente matriculados, mas abraçando uma ampla gama de indivíduos que, embora conscientes do valor e da necessidade da escolarização, em função de vicissitudes variadas e circunstâncias diversas não foram beneficiados com o acesso à escola na condição de alunos, e que por tal razão adentram a ela em circunstâncias pontuais, movidos por necessidades ora individuais, ora coletivas, por vezes familiares e ocasionalmente comunitárias. Não obstante os motivos distintos e as múltiplas razões a impulsionar tais atores sociais a recorrerem ao cenário da escola, ela, impreterivelmente, tem que a todos acolher.
As tentativas de dimensionar a amplitude social que uma escola pode atingir no seio de uma determinada comunidade têm se mostrado uma tarefa bastante complexa, ademais a argumentação construída terá um forte elemento subjetivo, por meio do qual se dá a percepção e a própria elaboração da análise. A despeito de incorrer em evidentes riscos, a imersão nessa empreitada compôs um desafio que consideramos necessário enfrentar. Afinal, elucidar algumas contribuições de uma instituição que se encontra na iminência de completar um centenário de existência, possuidora de um percurso histórico opulento e instigador, são ambas razões minimante suficientes para lançar-se numa tentativa de recompor, mesmo que forma fragmentada, alguns aspectos dessa história.
O estudo sobre uma instituição de ensino se insere no âmbito da pesquisa histórica, em especial no campo das pesquisas referentes à história da educação, onde particularmente têm se destacado as pesquisas sobre a história das instituições escolares caracterizando uma renovação e um crescimento do campo de estudo.
Acreditamos que as pesquisas em torno das instituições de ensino podem agregar muito para a compreensão da história da educação no Brasil. Tais instituições podem ser entendidas como células do sistema educacional e unidades básicas de uma estrutura muito complexa. Enaltecendo a importância das pesquisas empreendidas na esfera da história da educação em geral e das instituições escolares em específico, Magalhães (1996) ressalta características necessárias para a prática da pesquisa referente instituições escolares:
Compreender e explicar a existência histórica de uma instituição educativa é, sem deixar de integrá-la na realidade mais ampla que é o sistema educativo, contextualizá-la, implicando-a no quadro de evolução de uma comunidade e de uma região, é por fim sistematizar e (re)escrever-lhe o itinerário de vida na sua multidimensionalidade, conferindo um sentido histórico (MAGALHÃES, 1996, p. 2).
As reflexões propostas por Magalhães (1996), vem ao encontro de ideias anteriormente defendidas e aqui reiteradas, especialmente no que se refere à percepção da instituição de
ensino, compreendida dentro dos contextos diversificados que a envolvem. Além disso, reitera também as multifacetadas atribuições que incidem sobre a instituição de ensino no espaço comunitário.
A análise empreendida em exemplares do jornal Correio de Uberlândia publicados entre os anos de 1962 e 1985 mostra que na maioria das vezes em que há uma menção ao distrito de Martinésia, nas páginas do referido noticioso, existe uma referência alusiva à escola. Observemos o quadro 11 para melhor compreendermos a questão.
Quadro 11: Matérias Jornalísticas Publicadas no jornal Correio de Uberlândia com alusões ao distrito de Martinésia entre os anos de 1962 e 1985 (Continua)
Nº Título Assunto Data de
Publicação
Referência à Escola
1 Martinésia terá duas professoras
Contratação de professoras para a escola do
distrito de Martinésia 31/01/1964 Sim
2
Lei nº 1.252 (Diário oficial do município)26
Concessão de auxílio financeiro às caixas
escolares 27/11/1964 Sim
3 Anúncio da caravana
de campanha política Presença de candidatos e políticos no distrito 29/09/1965 Não 4 Distritos pelo telefone Notícias sobre os distritos de Uberlândia 11/05/1966 Sim 5
Lei nº 1.445 (Diário oficial do município)
Concessão de auxílio financeiro às caixas
escolares 22/12/1966 Sim
6 Vacinação nas escolas
rurais Campanha de vacinação antivariológica 07/03/1968 Sim 7 Prefeitura Abandonou
nossos distritos
Denúncia de descaso da administração
municipal com os distritos de Uberlândia 27/01/1971 Não 8 Distritos vão ter água
canalizada
Informe sobre as ações da Prefeitura Municipal
de Uberlândia nos distritos do município 05/03/1971 Não 9 Curso ginasial para
nossos distritos
Estudo sobre implantação do curso ginasial
nos distritos 24/10/1971 Sim
10
Prefeito diplomou alunos das escolas rurais
Solenidade de entrega de diplomas a alunos
das escolas rurais 12/12/1971 Sim
11 2.600 lanches na semana da Criança
Distribuição de lanches especiais na semana da
criança. Escola Estadual Rural de Martinésia 10/10/1972 Sim 12
Martinésia e Tapuirama sem escolas
Informações sobre o atraso do início do ano letivo nas escolas dos distritos de Martinésia e Tapuirama 29/05/1974 Sim 13 Vacinação em Martinésia e Cruzeiro dos Peixotos
Anúncio sobre vacinação contra o tétano,
dupla tríplice e sabin 16/09/1975 Sim
14
Em julho Plano de Assistência Integrada à população da zona rural
Anúncio de plano para promover a saúde, melhorar o nível de educação e bem-estar social da população marginalizada, carente, principalmente os trabalhadores e as crianças de escolas da zona rural
06/05/1977 Sim
26Nesse período, o diário oficial do município de Uberlândia era publicado pelo jornal Correio de Uberlândia em páginas específicas.
Nº Título Assunto Data de Publicação Referência à Escola 15 Secretaria da Educação do município prepara plano de trabalho para executar projeto
Notícias sobre projeto da prefeitura municipal de Uberlândia que visa transformar a escola em polo irradiador do desenvolvimento comunitário
23/06/1978 Sim
16
Escolas municipais vão passar por reformas
Informativo sobre reformas a serem
implantadas nas escolas municipais. 06/06/1969 Sim 17
Alunos das escolas municipais rurais concluem o 1º Grau
Solenidade de conclusão do 1º Grau 22/23/12/1979 Não 18 Escolas rurais
encerrando atividades
Informe sobre o encerramento do ano letivo
nas escolas rurais 12/12/1980 Sim
19 Manhã ruralista no distrito de Martinésia
Informe sobre a programação do evento que visa preparar a população para o melhor aproveitamento da terra
30/31/05/1981 Sim
20 Mobral nos distritos
Comunicado sobre a intenção da Comissão Municipal do Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) de levar essa modalidade de ensino para os distritos
30/09/1981 Não 21 Secretaria de educação vai promover vacinação na zona rural
Informe sobre a realização da vacinação anti-
pólio na zona rural de Uberlândia. 23/10/1981 Não
22
Saúde animal vai promover vacinação na zona rural
Informe sobre a realização de mais uma etapa
da campanha de vacinação de cães e gatos 31/10/1981 Sim
23
Hoje é dia nacional da vacinação contra a Poliomielite
Informe do Centro Regional de Saúde de Uberlândia sobre a instalação de postos de vacinação espalhados pela cidade nas escolas dos distritos e outros pontos da zona rural
12/06/1982 Sim
24
Postos de vacinação contra a paralisia infantil
Divulgação da relação de postos de vacinação
na zona urbana e rural 14/08/1982 Sim
25
Vacine seu filho contra a paralisia: a saúde é um direito de todos
Campanha de vacinação em massa contra a paralisia infantil. Divulgação dos postos de vacinação na área urbana e rural
11/06/1983 Sim
26 Para Martinésia Zaire já é o melhor prefeito
Entrevistas com moradores do distrito de Martinésia sobre a gestão do prefeito do município de Uberlândia Zaire Rezende
15/06/1983 Não
27
Distrito de Martinésia ganhou um posto de saúde
Notícia sobre a inauguração do posto de saúde
no distrito de Martinésia 28/06/1983 Não
28
Distritos vão ganhar melhoramentos: o anúncio é do
administrador Durval Garcia
Anúncio do Professor Durval Garcia, administrador dos distritos na gestão do prefeito Zaire Rezende, sobre obras a serem realizadas nos distritos
09/08/1983 Não
29 Prefeito inaugura praça em Martinésia
Notícia sobre inauguração da Praça São João
Batista e área de lazer no distrito de Martinésia 09/09/1983 Não 30
Folia de reis em Cruzeiro dos Peixotos e Martinésia
Matéria sobre a tradicional Festa de Santos
Reis ocorrida nos distritos de Uberlândia 07/01/1984 Não
31
Expressões de crianças mostram a alegria contagiante das Férias nos Distritos
Matéria sobre o Projeto Férias nos Distritos, por meio do qual a prefeitura promovia ações recreativas para crianças
Nº Título Assunto Data de Publicação Referência à Escola 32 Martinésia viverá amanhã 58 anos de fundação
Notícia sobre as comemorações do aniversário do distrito de Martinésia e divulgação do cronograma de atividades previstas
26/09/1984 Não
33
Distrito de Martinésia comemorou ontem 58 anos de fundação
Notícia sobre as festividades comemorativas
do aniversário do distrito de Martinésia 28/09/1984 Sim
34
Muita música, folclore e animação no aniversário de Martinésia
Mais detalhes sobre as festividades relativas ao
aniversário do distrito de Martinésia 02/10/1984 Sim
35
Alunos do Primeiro Grau Visitam os Distritos
Informe sobre visita de alunos de escolas urbanas nos distritos de Cruzeiro dos Peixotos e Martinésia
01/11/1984 Sim
36
Administração
Municipal entrega hoje melhorias e ampliação da escola de
Martinésia
Matéria de Capa da edição do jornal Correio de Uberlândia, com anúncio da entrega das obras de reforma e ampliação da escola do distrito de Martinésia 19/06/1985 Sim 37 Administração Municipal inaugurou reformas na escola de Martinésia
Matéria de capa da edição do jornal Correio de Uberlândia informando sobre a inauguração das obras de reforma e ampliação da escola do distrito de Martinésia 21/06/1985 Sim 38 Nucleação beneficiará mais de 40 alunos da região de Martinésia
Matéria de capa da edição do jornal Correio de Uberlândia, informando sobre o início da nucleação na escola de Martinésia
06/12/1985 Sim
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de pesquisa no acervo do jornal Correio de Uberlândia disponível no Arquivo Público de Uberlândia.
A análise das informações dispostas no Quadro 11 evidencia que, entre os anos de 1962 e 1985, foram publicadas um total de 38 notícias ou matérias jornalísticas que, direta ou indiretamente, fazem menção ao distrito de Martinésia. Desse total, 26 fazem alusão à escola primária pública instalada no distrito. Desse modo, em 68,42% das vezes em que o distrito de Martinésia foi alvo de uma publicação jornalística é possível identificar referências claras à instituição de ensino nele existente, sendo que em três oportunidades a escola não foi apenas mencionada no jornal, mas foi a manchete principal da publicação em suas edições publicadas, respectivamente, em 19 e 21 de junho e 06 de dezembro de 1985. Em 12 matérias ou anúncios publicados no jornal, o que equivale a 31,52%, não foram identificadas menções diretas à escola. De todo modo, fica evidenciado um notório indicativo da relevância social que a instituição de ensino possui no contexto da comunidade do distrito, bem como é ressaltada sua centralidade naquele espaço comunitário.
O caráter multidimensional da escola também é reiterado por um de seus ex-alunos por nós entrevistado, que identicamente reafirma a centralidade da instituição escolar no contexto comunitário do distrito, sobretudo ao recordar de ações desenvolvidas por meio de parcerias entre a escola e outras instituições, em que muitas vezes o direcionamento das atividades não
era voltado exclusivamente para os alunos da instituição, na medida em que contemplava também membros da sociedade local, segundo suas observações,
Eu me lembro da época, a EMATER, os técnicos da EMATER, envolvendo aqui com algumas lideranças e a comunidade, como um todo né! Mas algumas lideranças tomando mais frente, nessa..., nesses primeiros benefícios, que eu te falo que quando foi, quando se construiu um galpão que era coberto com folha de bacuri trançada e tal, né! E aí isso já foi um benefício e um despertar para os alunos né! E, por exemplo, além da aula que acontecia naturalmente, sempre num... meio que consorciado né! [...]
Eu não sei em que ano, mas me lembro que era muito importante, porque naquela época né! Hoje a coisa evoluiu muito. Mas voltando a falar da EMATER e da parceria. E tudo o que acontecia, todos os eventos no distrito, ou eram na igreja, quando tinham um sentido religioso, mas na maioria das vezes na escola, qualquer reunião com qualquer autoridade, com qualquer segmento (J. G. P., 2019, p. 2-3).
A escola assumia a condição de espaço público bastante utilizado e muito frequentado pelos diferentes setores da comunidade. Em muitos casos, representantes comunitários se reuniam na escola por razões muito plurais, como podemos observar no relato do entrevistado acima referido. Conforme ele afirma, havia no distrito dois polos de aglutinação social, um deles representado pela igreja e outro concretizado na escola. Entretanto, o entrevistado enfatiza que os eventos desprovidos de um caráter religioso mais significativo eram, em sua maioria, direcionados para o espaço escolar. Há, nesse aspecto em particular, um destaque relacionado às parcerias estabelecidas junto a escola, normalmente propostas por outros órgãos do governo municipal, bem como do governo estadual.
A construção de um galpão coberto com folhas de bacuri27 trançadas mencionada pelo ex-aluno é citada também em outros depoimentos de ex-alunos e ex-funcionários, o que, a nosso ver, indica um momento importante na história da instituição de ensino, sendo unanimemente apontada como uma destacada benfeitoria para a estrutura da escola. Mesmo sendo uma construção simples, é necessário observar uma alteração na arquitetura do espaço escolar a partir desta edificação.
Importantes considerações sobre a arquitetura das instituições escolares foram tecidas por Buffa e Nosela (1996), Buffa (2002), Faria Filho (2014) e Petitat (1994), autores que percebem a utilização do espaço escolar, sua caracterização, bem como a descrição do espaço físico e do acabamento das escolas como importantes categorias de análise para aqueles interessados em pesquisar o quadro histórico no qual se estabelecem as instituições escolares.
27 Tipo de palmeira muito comum na região Centro-Oeste do Brasil. Podendo atingir alturas estimadas em até dez metros, a palmeira produz folhas muito espessas que quando devidamente trançadas podem ser utilizadas na cobertura de construções simples, geralmente sem paredes de alvenaria.
A respeito da pesquisa sobre as instituições escolares, Buffa (2002) evidencia que, em suas concepções, algumas preocupações metodológicas devem direcionar os estudos: a primeira diz respeito aos nexos existentes entre trabalho e educação, a segunda considera as argumentações em voga relativas às visões generalizadas e às descrições do particular e, por último, mas não menos relevante, a produção de história das instituições escolares que não seja meramente descritiva e que consiga estabelecer interpretações. Sobre esse terceiro aspecto a autora propõe as seguintes observações:
Uma história das instituições escolares não apenas factual nem apenas descritiva, mas também interpretativa é a terceira característica metodológica de nossos estudos. De fato, encontram-se nas histórias que escrevemos dessas escolas nomes, datas, fatos interpretados à luz de uma concepção filosófica. Isso se deve, certamente, à confluência de duas sensibilidades ou especializações teóricas de seus autores, uma de cunho filosófico e outra de cunho histórico. Essa confluência é possível quando se acredita que a filosofia é filha da história (BUFFA, 2002, p. 27).
Em consonância com as observações apresentadas acima, manifestamos pleno acordo com o pensamento alusivo à necessidade de se elaborar uma história interpretativa e não simplesmente descritiva quando se pesquisa as instituições de ensino. Seguindo essa direção, é pertinente afirmarmos que, no caso particular da escola primária pública do distrito de Martinésia, a construção de um pátio, ainda que rústico e resultante de uma ação coletiva da comunidade, viabilizada por meio de uma parceria com a instituição de extensão rural do estado de Minas Gerais, representou um significativo ganho para a instituição mencionada. Na esteira dessa última afirmação, sublinhamos o fato referente à menção a essa construção, ou a criação deste pátio aparecer nos depoimentos de ex-alunos, muito provavelmente encantados com o novo espaço a eles oferecido, proporcionando-lhes momentos de lazer e diversão, sobretudo durante os recreios.
Ademais, o referido galpão, concomitantemente, criava um novo espaço para eventos comunitários tais como: reuniões de caráter variado, cursos, palestras e demais eventos que promovessem uma aglutinação de pessoas. Como se trata de um espaço de uso público, não é exagerado observar que tal obra significou um ganho para toda a comunidade.
A EMATER encontra-se entre as entidades de maior destaque quando se observa as ações do governo mineiro voltadas para as populações rurais do estado. Como já salientamos, a escola pública primária do distrito de Martinésia estava instaurada num cenário com notório predomínio do rural, tanto que ela foi tratada em diferentes momentos como uma escola rural e, sendo assim, a instituição atendia uma expressiva parcela da população da zona rural na qual
se estendia a sua abrangência. Tendo em vista este cenário, fica patente que a realização de parcerias, bem como o desenvolvimento de projetos e ações dirigidos para a população rural local, percebessem na escola um espaço fundamental para viabilizar práticas que pudessem atingir não apenas os alunos e seus familiares, mas que, provavelmente, poderiam irradiar informações e conhecimentos perante outros membros da comunidade.
Propor uma ação a partir da escola era uma das maneiras mais eficazes, naquelas circunstâncias históricas nas quais a comunicação não se dava com a mesma agilidade, eficiência e velocidade observadas atualmente. Além de núcleo social e ponto de referência comunitária, a escola rural torna-se também um centro de disseminação de informações dotado de grande confiabilidade e ao qual os proponentes de ações governamentais recorriam com uma certa regularidade.
Um exemplo bem evidente da utilização do espaço escolar para o desenvolvimento de atividades destinadas à comunidade de forma ampla, isto é, sem visar apenas o conjunto de alunos e professores, é narrado em entrevista por um ex-aluno para o qual tais experiências foram significativas, particularmente por se tratar de ação iniciada na escola que ultrapassou os limites da mesma, promovendo atividades que possibilitavam a busca do conhecimento e o acesso à informação em outros espaços. Em situações dessa natureza, era a partir da escola que tudo tinha início, pois a instituição transformava-se em núcleo impulsionador na direção de vivências diferentes e novas práticas, rompendo com a rotina cotidiana. É nesse sentido que o ex-aluno J. G. P. (2019) compartilha suas memórias, enfatizando de forma simultânea as parcerias estabelecidas com a escola, bem como a polivalência do espaço escolar no meio comunitário.
E eu me lembro de uma parceria muito boa, voltando a falar da EMATER, que tinha o Clube de 4S né! E que foi muito importante esse trabalho nesse Clube 4S, numa parceria EMATER e escola, com a comunidade através da