Os testes mostraram a presença de alcalóides, antraquinonas, cumarinas agliconas, flavonóides, terpenóides e saponinas e ausência de naftoquinonas na casca e folha de Pseudobombax marginatum (ST – Hil ). Também foi observado que as folhas possuem um perfil fitoquímico mais complexo em relação à casca, sendo detectada a presença de antocianinas, antraquinonas agliconas, antraquinonas glicosídicas e lignanas. Em contra- partida, apenas a casca apresentou cumarinas glicosídicas. As cascas de P. marginatum demonstraram a presença de compostos fenólicos, (flavonóides e taninos), cumarinas, derivados antracênicos, lignanas, terpenóides (mono, sesqui, diterpenos e triterpenos) e esteróides. As folhas de P. marginatum apresentaram antocianinas, antraquinonas agliconas e glicosídicas, compostos fenólicos (flavonóides, taninos e ácidos fenólicos), cumarinas, e terpenóides (mono, sesqui, di e triterpeno) e esteróides. Não foram detectados alcalóides gerais, naftoquinonas, saponinas e xantinas nas duas amostras (Tabela 2). Os grupos que mais se destacaram em diversidade foram os terpenóides e compostos fenólicos.
Tabela 1. Caracterização fitoquímica das cascas e folhas de Pseudobombax marginatum (St.-Hil.) Robyns coletadas em Soleade/PB.
Grupo metabólico Cascas Folhas
Alcalóides gerais - - Antocianinas - + Antraquinonas agliconas - +++ Compostos fenólicos +++ +++ Flavonóides +++ ++ Cumarinas ++ ++ Derivados antracênicos ++ + Lignanas + -
Mono, sesqui e diterpenos +++ +
Naftoquinonas - -
Saponinas _ -
Triterpenos e esteroides +++ +
Xantinas - -
- = ausente; + = fraco; ++ = moderado; +++ = forte.
Toxicidade seletiva frente A. salina Leach.
Meyer et al. (1982) estabeleceram uma correlação entre o grau de toxicidade e a concentração letal média (CL50), apresentada por extratos de plantas sobre larvas de A. salina,
sendo considerado tóxico até 500 μg/ml, moderadamente tóxico de 500-1000 μg/ml e atóxico acima de 1000 μg/ml.
Após análise descritiva dos dados, onde foi considerado a mediana como melhor representante da tendência central para ambos os extratos, foi aplicado o teste não- paramétrico Kruskal-Wallis. No entanto, foi observado para ambas que as diferenças nos valores medianas entre os grupos de tratamento não são significativas o bastante
para excluir a possibilidade de que a diferença é devido à variabilidade de amostragem aleatória, afirmando, então, que não há uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos expostos em relação a concentração dos extratos da folha (P = 0,343) e da casca (P = 0,129).
Dolabela (1997) criou um critério de classificação dos solventes hidroetanólicos, com base nos níveis de CL50 frente às larvas de A. salina, e estabeleceu uma correlação entre o
limite de toxicidade para A. salina e a ação anti-tripanossômica onde a maioria dos extratos com ação frente às larvas de A. salina exibiram toxicidade moderada ao protozoário. Nossos resultados estão de acordo com os obtidos por Estevão et al. (2008), que ao avaliarem a toxicidade do extrato etanólico da entrecasca de Pseudobombax marginatum (ST – Hil ) frente as larvas de A. salina, verificaram moderada toxicidade, com CL50 inferior a 1.000
μg/mL. Um estudo realizado com o extrato etanólico a 95% da casca de Pseudobombax marginatum (ST – Hil ), na concentração de 1.000 µg/ml, revelou baixa ação larvicida frente ao mosquito Aedes aegypti e alta toxicidade frente as larvas de A. salina, com um total de 83% de óbitos ao término do experimento (Luna et al. 2005).
Avaliação da capacidade antioxidante dos extratos
A atividade antioxidante foi avaliada pela capacidade de sequestro do radical DPPH. A quantificação do sequestro do radical DPPH ocorre pela redução do radical, que passa da cor lilás para incolor.
Na Figura 1 são apresentados os dados da porcentagem de atividade antioxidante das amostras das folhas e cascas de Pseudobombax marginatum (ST – Hil ) e padrões.
FIGURA 1. Curva de calibração construída com 2,2-difenil-1-picrilhidrazil (DPPH) no
intervalo de 1,0-40,0 µg/mL usada para realizar o estudo da atividade antioxidante quantitativa.
Os resultados de sequestro do radical DPPH observados com o extrato bruto de hidroalcoólico 80% (v/v) de Pseudobombax marginatum (A.St.-Hil., Juss Cambess) A. Robyns, estão representados na Tabela 2. O cálculo para obtenção da CE50, dose que elimina 50% dos radicais livres, foi realizada a partir dos dados obtidos pelas curvas de percentual de capacidade de sequestro do radical DPPH pela concentração de extrato e do composto. O ácido ascórbico foi testado apenas para se verificar a atividade antioxidante de um composto padrão.
Tabela 2: Atividade Antioxidante e concentração eficiente média (CE50) das cascas e folhas de Pseudobombax marginatum (St.-Hil.) Robyns.
Nome popular / Local Parte usada CE50 ± DP (µg/mL)
Embiratanha Soledade/PB
Cascas 66,96 ± 1,70
Folhas 108,20 ± 7,53
VICENTINO e MENEZES (2007) citaram em seu trabalho a CE50 da capacidade de sequestro do radical DPPH de extratos etanólicos de algumas plantas, conforme indicadas na Tabela 3.
TABELA 3: Atividade antioxidante (CE50 em ug/mL) de algumas plantas medicinais.
PLANTAS MEDICINAIS CE50 (ug/mL)
Hamamelis virginiana 0,13 Ginkgo biloba 38,91 Matricaria chamomilla 78,22 Hydrocotile asiática 87,61 Mentha pullegium 155,04 Aesculus hippocastanum 165,00 Melissa officinallis 245,84
Fonte: Adaptação do trabalho de VICENTINO; MENEZES (2007).
Os resultados da atividade antioxidante CE50 (CE50 = 108,20 ± 7,53 µg/mL) para folhas e
cascas ( CE50 = 66,96 ± 1,70 µg/mL), respectivamente. Estes resultados estão abaixo dos
padrões ácido ascórbico (CE50 = 13,95 µg/mL) mas para um extrato bruto se aproximam de
forma considerável dos resultados da rutina (CE50 = 40,48 µg/mL).
CONCLUSÃO
Este estudo teve como importância observar que os teores de metabólitos presentes nas folhas são superiores aos presentes nas cascas, sendo assim, a substituição do uso popular das cascas pelas folhas (fonte renovável), poderia constituir uma atitude importante para a preservação da espécie. Observou-se também a presença de metabólitos secundários na espécie estudada ainda não foram mencionados na literatura.
A utilização do bioensaio de letalidade da A.salina na avaliação de extratos brutos das cascas e folhas de Pseudobombax marginatum (ST – Hil ) foi simples e eficiente revelando resultados interessantes, os quais foram considerados atóxicos.
REFERÊNCIAS
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