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UNE ASSOCIATION MULTI GESTIONNAIRE EN ANJOU : L’ASSOCIATION PETITE ENFANCE (APE)

A assessoria de imprensa do Observatório Nacional fica a cargo de uma empresa terceirizada, a Cellera Comunicação, contratada por meio de licitação. Fundada em 2001, a empresa atende ainda outros clientes, embora tenha uma equipe designada exclusivamente para tratar do instituto. Atualmente, três profissionais atuam na comunicação do ON. Eles ficam no escritório da empresa, mas se deslocam com frequência até a sede, em São Cristóvão. A responsável e uma das sócias, Ana Costa, concedeu uma entrevista para este trabalho em abril de 2014.

Antes de vencerem a licitação, em 2003, a empresa havia prestado serviço de assessoria de imprensa para um evento específico do ON, relacionado à indústria do petróleo. Ana Costa diz que, após o sucesso do trabalho, o instituto decidiu criar um espaço permanente para a comunicação com a mídia. Até então, o trabalho era feito por servidores não especializados do departamento de educação.

Pelo contrato, o serviço é apenas de assessoria de imprensa, mas ela afirma que, na prática, acaba tendo bem mais atribuições.

Acaba que a gente não faz só assessoria. Pelo contrato, é só assessoria, mas a gente entende que comunicação não é uma coisa só, tem de abarcar todos os aspectos. Quando dá para entrar, propor e meter a mão na massa, a gente faz. Muitas vezes a gente acaba revisando um monte de coisas que não têm nada a ver conosco, só para não deixar passar algo que possa comprometer o trabalho.

Formada em jornalismo em 1997, Ana Costa trabalhou em jornais cariocas na cobertura especializada de ciência e saúde. Fez parte da equipe do suplemento Vida, que tratava do assunto no Jornal do Brasil, além de trabalhar na revista Pais e Filhos. Como assessora de imprensa, ela chegou a trabalhar para algumas farmacêuticas e em um congresso mundial de cardiologia. Em 2001, abriu sua empresa, a Cellera Comunicação. Atualmente, ela é aluna de mestrado na UFF (Universidade Federal Fluminense), com um projeto de pesquisa sobre a gentrificação da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro.

- Sugestões de pauta

Além de atender às demandas da imprensa, a assessoria do ON tem um trabalho intenso de sugestão de pautas exclusivas para a imprensa especializada, bem como o envio de press releases sobre atividades do instituto. Atualmente, há uma pessoa que está sempre dedicada ao atendimento reativo (dos pedidos feitos pelos jornalistas). No entanto, segundo a assessora, eles costumam dividir a responsabilidade pelo atendimento pelo tema.

Astronomia e astrofísica têm mais assuntos e um público mais disposto a falar. Já o geofísico tem um perfil muito diferente, gosta de ficar no campo. Bicho do mato, gosta de ir pesquisar. Às vezes eles dizem que as pesquisas ainda estão incipientes, para eles nunca está bom o suficiente para divulgar. Tem de ter um trabalho de convencimento. Ali é sempre mais difícil da gente divulgar, porque eles sempre acham que precisa melhorar a pesquisa, que tem poucos dados.

A assessora diz que a equipe se divide entre as áreas do observatório para fazer um levantamento frequente das possíveis pautas, incluindo reuniões com os departamentos para saber o que faz parte da rotina do pesquisador: artigos, projetos de pesquisa, participação em congressos etc.

“A gente tem de ficar muito em cima, porque, mesmo ficando, às vezes ainda tem coisa que a gente não consegue ver. Imagina se deixar na mão dos cientistas? Eles não vão falar mesmo”, diz ela.

Ana Costa afirma que o contato com a assessoria de imprensa para a divulgação de um trabalho dificilmente é uma prioridade para o pesquisador. Por isso, é importante que

os profissionais de comunicação estejam por dentro das agendas, o que permite ter uma margem maior de manobras sobre as sugestões de pauta.

- Escolha das fontes

Por estar há bastante tempo na comunicação do observatório, Ana Costa diz que acaba conhecendo relativamente bem as áreas de atuação dos cientistas, o que facilita na hora de designar quem deverá falar com a imprensa. Além disso, ela diz que há reuniões periódicas para tratar do trabalho de relacionamento com a mídia, embora a maioria dos participantes, segundo ela própria admita, sejam pesquisadores que já são interessados nesse tipo de contato.

A assessora diz também respeitar o nível de envolvimento com a divulgação científica de cada pesquisador, sem tentar forçar a participação daqueles que não se sentem tão à vontade com o contato com a mídia.

- Relacionamento

Há uma rotina bem estruturada de reuniões periódicas entre a equipe da assessoria de imprensa e os cientistas do observatório. Pelo menos uma vez por mês a equipe se reúne com a direção do ON e com a coordenação de cada área. As reuniões são abertas à participação dos outros cientistas, mas nem sempre têm a presença dos pesquisadores.

Quem frequenta [essas reuniões] já gosta. São pessoas que, como se abriram em momentos anteriores para terem trabalhos divulgados, experimentaram os resultados da divulgação. Elas experimentaram e se abriram para isso. A divulgação aconteceu e na sequência veio um resultado positivo. Elas experimentaram o sucesso do trabalho de assessoria de imprensa, e isso foi determinante para que elas seguissem e fossem acreditando e se envolvendo.

Além disso, pelo menos uma vez a cada seis meses alguém da comunicação faz um contato presencial com cada cientista. "Passamos em todas, absolutamente todas as salas", explica.

Segundo Ana Costa, a comunicação entre os cientistas e a imprensa costuma ocorrer sem grandes problemas, mas é difícil fazer uma avaliação geral, uma vez que há uma grande diferença entre os profissionais especializados e os de cobertura geral.

Embora não exista uma política de fazer com que todo contato entre pesquisador e jornalista seja mediado pela assessoria, os cientistas são orientados a avisar quando são procurados por algum veículo.

Nosso trabalho existe para dar autonomia, para que eles não precisem o tempo inteiro direcionar para gente. Eu não preciso filtrar tudo. Até porque, se você ligou direto para ele, é porque em algum momento da vida você já teve contato com esse pesquisador. O que acontece é que às vezes é ele encaminha alguma demanda para mim porque ele não entende da área dele. Acontece. Porque o jornalista tem na agenda dele “astrônomo ON”. Na correria, liga para ele, mas nem sempre a pessoa vai saber falar.

- Media training

Em oito anos, já foram feitos dois treinamentos desse tipo. Mas, de acordo com Ana Costa, ainda existe uma resistência interna em relação ao treinamento para lidar com a imprensa. E, mesmo participando dos cursos, muitos não rendem o esperado.

Eles não aceitam muito serem dirigidos, e a gente também respeita muito esse limite. Quando você está numa empresa privada, você leva a turma do primeiro escalão para um media training porque a empresa mandou e ponto. É assim que funciona. Num órgão público, o cara até vai, mas às vezes a gente não consegue arrancar o que precisa dele. E nem colocar na cabeça dele o que importa.

- Blogs e redes sociais

O tratamento de blogueiros e administradores de páginas em redes sociais é o mesmo destinado à imprensa. Eles ainda são poucos, mas fazem parte a lista de contatos para quem são enviadas as sugestões de pauta e também recebem convites para coletivas de imprensa.

Já a atuação do ON nas redes sociais não fica a cargo da assessoria de imprensa. Atualmente, é a equipe relaciona às atividades educacionais que toca o perfil no Facebook. Segundo Ana Costa, há uma discussão interna se essas atividades devem ou não fazer parte das atribuições da assessoria. Ela diz que gostaria de se responsabilizar também por essa área.