• Aucun résultat trouvé

Association between histone marks and plant defence genes

3. Histone modification changes at early stage of rice infection with Meloidogyne

3.3. Materials and methods

3.4.6. Association between histone marks and plant defence genes

6. CONCLUSÃO GERAL

A herança emergiu nesta investigação como um ponto focal na história e na dinâmica das famílias envelhecidas, central para a reorganização das relações familiares e para o desenvolvimento individual na velhice. A conclusão geral procura conjugar os resultados dos estudos apresentados, lançando uma visão reenquadradora da herança enquanto processo (normativo) na vida das famílias envelhecidas: processo de transmissão; dimensões da herança na vida familiar (instrumental, relacional e simbólica); valores e significados da herança; implicações para a intervenção familiar.

6.1. A TRANSMISSÃO DA HERANÇA MATERIAL NA FAMÍLIA ENVELHECIDA: UM PROCESSO AO LONGO DA VIDA

Um dos aspectos mais significativos desta investigação para a compreensão do processo de herança e seu papel na dinâmica das famílias envelhecidas é evidenciar a sua extensão (e continuidade) ao longo do tempo. A concepção legal da herança situa-a na morte do doador (Campos, 2008), porém os resultados dos estudos dos capítulos 2, 3 e 5 sugerem tratar-se de um processo que se estende no tempo e começa em vida dos doadores. O processo de herança na família envelhecida inclui a criação, gestão, transmissão e recepção de um legado material e simbólico (ainda em vida do doador) e representa um desafio normativo no fim da vida (figura 2.1.). Ou seja, trata-se de uma tarefa que os idosos e suas famílias enfrentam inevitavelmente, necessária para prosseguir o desenvolvimento individual e a evolução familiar (capítulo 2).

O tema da herança é intrínseco à vida familiar (Prieur, 1999) mas trata-se de um desafio que é desencadeado de forma manifesta pelo confronto com o envelhecimento, doença ou morte de elementos da geração mais idosa da família (capítulo 2 e 5). Esses acontecimentos suscitam novas necessidades emocionais e instrumentais (práticas) na família às quais é necessário responder. Com a assunção da herança, doadores e herdeiros (geralmente pais e filhos) passam a integrar esses novos papéis e a reorganizar as suas funções familiares, em particular quanto a: reorganização dos recursos

155

financeiros, transmissão do testemunho financeiro e suporte da geração mais idosa. A tarefa implica, também, que doadores e herdeiros decidam que bens transmitir, a quem, quando, e como enfrentar emocionalmente os motivos dessas decisões. Então, desencadeia-se o processo de planeamento e transmissão (formal ou informal) da herança. Este processo contribui para que o idoso e a sua família reorganizem a sua estrutura para responder e se adaptarem às transições relacionais e emocionais deste período (Carter & McGoldrick, 1999, Schaie & Willis, 2002). Ou seja, como é sugerido nos capítulos 3 e 5, a herança associa-se à transformação dos papéis geracionais e, em simultâneo, permite enfrentar a ideia de perda e morte.

No entanto, os resultados sugerem que as decisões e mudanças qualitativas e funcionais envolvidas neste processo têm implicações emocionais e relacionais significativas na vida das famílias envelhecidas. A resolução da herança pode ser bem sucedida, com consequências positivas para o funcionamento familiar, mas pode também não ser bem sucedida. Neste caso, podem emergir ressentimentos e conflitos entre doadores e herdeiros e/ou entre herdeiros (capítulos 3 e 5), cujo valor afectivo é fortemente negativo e que tendem a ser prolongados. Numa resolução positiva (satisfatória), a passagem dos bens pode ser sentida como um alívio e um apoio significativo (para ambas as gerações). Para o doador, a criação de um legado constitui um motivo de contentamento e satisfação pessoal; ao mesmo tempo, para o herdeiro, receber o legado também desperta sentimentos de reconhecimento e valorização pessoal. Os resultados sugerem que, em ambos os casos, se associa à satisfação de duas motivações básicas da personalidade: a valorização pessoal e o contacto e união com os outros (capítulos 3 e 5) (Hermans &Hermans-Jansen, 1995). Trata-se de um contributo fundamental do processo de herança, pois para famílias envelhecidas (e para o idoso), os sentimentos de união e coesão familiar são essenciais para alcançar a integridade (King & Wynne, 2004).

Os resultados dos capítulos 3 e 5, apoiados na revisão da literatura (Schaie & Willis, 2002) sugerem ainda que podem ser delineadas fases ou momentos diferenciados no processo de transmissão, ao longo do tempo:

uma primeira fase, implica decisões de carácter mais prático, tomadas para reorganização dos recursos materiais, prestar cuidados à geração mais idosa e

preparar a transmissão post-mortem (é possível que neste momento os herdeiros ainda necessitem da ajuda material dos pais idosos);

uma segunda fase, de carácter mais emocional, implica a revisão das opções anteriores (por exemplo, reanalisar o testamento), esclarecer decisões e equilibrar o desejo de reparar e ser justo na relação com os herdeiros;

uma terceira fase poderá ainda emergir, por exemplo, quando a idade dos doadores é muito avançada (situação comum com o aumento da longevidade) em que os doadores poderão, ainda em vida, desligar-se emocionalmente do seu papel de doadores, esperando que os herdeiros assumam (simbólica ou objectivamente) este papel.

Os resultados desta investigação apoiam a ideia já veiculada noutros estudos (Prieur, 1999) de que a herança material é um processo cíclico na vida familiar; isto é, inicia-se em vida do doador e prolonga-se para além da sua morte (capítulos 3 e 5). Com a morte do doador, os herdeiros sobem um degrau geracional, assumindo o papel de futuros doadores, e o processo avança ciclicamente no tempo familiar. O estudo apresentado no capítulo 5 indica uma ligação emocional significativa entre as experiências afectivas na posição de herdeiro e de doador. Deste ponto de vista, a resolução e integração emocional da tarefa podem fechar um ciclo de reciprocidade para a geração idosa mas (re)inicia um novo ciclo para a geração seguinte de doadores e herdeiros. Neste processo, o sistema de valores e significados individuais e familiares detém um papel fulcral na organização da experiência e dos padrões transaccionais (capítulos 2, 3, 4 e 5).

157

Figura 2.1 Transmissão da herança material: um processo normativo no ciclo da vida familiar

6.2. VALORES E PAPEL DA HERANÇA MATERIAL NA DINÂMICA DAS FAMÍLIAS ENVELHECIDAS: INSTRUMENTAL, RELACIONAL, SIMBÓLICO

A transacção de valores entre os principais intervenientes da herança, doadores e herdeiros, é crucial para entender o processo e os factores que enquadram as suas interacções (Papp & Imber-Black, 1996) (figura 2.1.). A herança parece alicerçar-se num conjunto de valores que salienta: continuidade e imagem da família (honra), união e a lealdade (confiança) entre os diversos elementos, igualdade (de tratamento entre herdeiros) e reciprocidade da ajuda familiar. Estes valores da herança escoram a família na resposta a desafios centrais na fase final da vida (transformação dos papéis, redefinição relacional e construção de legado e sentido), mas podem despoletar, quando desafiados, conflitos duradouros e perturbadores do bem-estar emocional de ambas as gerações (capítulos 2, 3, 4 e 5).

Os resultados desta investigação sugerem-nos que estes valores se estruturam em torno de três dimensões: instrumental (ou prática); relacional e simbólica.