3. The Methodology
3.2 Assessing the functional role of national courts: from Apology to Judicial Activism
Esta pesquisa dissertativa assume como base metodológica a perspectiva qualitativa\interpretativa, pois procuramos abstrair os sentidos construídos pelos atores sociais (atores tecnossociais) em interação mediante a atuação em contextos sociais específicos (redes sociais virtuais). Diante do tipo de objeto de estudo (discurso violento nas redes virtuais), o espaço de circulação desse objeto (mundo virtual) e os tipos de atores sociais (atores
tecnossociais), descrevemos a pesquisa como um estudo de caso do tipo etnográfico, já que focamos nossas ações sobre um determinado local para retirada do material para as análises linguísticos-discursivo e sociocognitivas. A escolha do método de estudo de caso etnográfico se deu pela possibilidade de aplicar vários tipos de técnicas de análise e instrumentos linguísticos para a geração de dados de modo a garantir o soerguimento de resultados o mais próximo das implicações e motivações que levam à construção do discurso violento nas redes sociais.
A abordagem de estudo etnográfico, utilizada pelas Ciências Humanas, especialmente, por antropólogos, para erguer informações e conhecimentos sobre as culturas dos variados agrupamentos humanos, significa “descrição de cultura” ou “descrição cultural”. Deste modo, o método nos ajudará a entender a cultura implicada na produção de “discurso violento” ou “difamação de grupo” já que, segundo Geertz (1978, p. 20), possibilita erguer “uma descrição densa”, ou seja, permite apresentar detalhadamente as percepções dos sujeitos individualmente envolvidos na produção e difusão de discurso violento. Com isso, os sentidos construídos por atores tecnossociais não são vistos como eternos e imutáveis, mas são considerados como algo em constante formação. Bogdan e Biklen (1994) explicam que a abordagem qualitativa-interpretativa defende que a experiência humana é mediada pelo ato interpretativo e, deste modo, múltiplas são as formas de interpretar a experiência humana e os atos de linguagem produzido pelos atores tecnossociais em interatividade em ambiente virtual. No nosso estudo de caso etnográfico, a preocupação central é descrever os fatores linguístico-discursivo e sociocognitivos e os sistemas de crenças implicados na produção de discurso violento que tem ganhado espaço no ambiente virtual, assim, é intuito desta pesquisa descrever o comportamento de atores tecnossociais e os significados atribuídos aos atos discursivos e à interatividade virtual (SPRADLEY, 1979). Para o nosso estudo de orientação linguística, focaremos no contexto das interações sociais em ambientes virtuais e nos discursos que emergem dessas interações, com isso vamos observar (i) os fatores linguístico-discursivos e sociocognitivos envolvidos na construção do discurso violento e (ii) as implicações dos sistemas de crenças na construção de modelos mentais situacionais implicados no discurso violento.
A opção pela abordagem do estudo de caso etnográfico se deve pela natureza do objeto de estudo (Fanpage Folha de São Paulo espaço de interatividade entre atores tecnossociais) que possui uma natureza plural por ser um espaço de troca de informação entre sujeitos de várias formações discursivas, sistemas de crenças, escolaridades, idades e gêneros; por ser um espaço singular, tal método oferta princípios e métodos da etnografia. Bassey (2003)
diz que o estudo de caso coloca em destaque a necessidade de compreender os atores sociais do caso e oferece explicações sobre os padrões causais ou estruturais que não são claros para os participantes.
Esta dissertação assume o princípio básico da etnografia: relativização. Dauster (1989) diz que o pesquisador deve ver a sociedade descentrada de si e colocar o eixo de referência no mundo observado. A relativização nos faz olhar o nosso objeto de estudo com olhos de espanto/estranhamento, visto que o espaço das redes sociais, em especial, o Facebook, tem um status de onipresença, que confere a si uma presença na vida e na ação humana, além de alterar os rumos de alguns eventos no espaço real da vida. Não será nosso intuito reconstruir uma verdade ou expor os prejuízos do discurso violento, mas antes possibilitar um entendimento dos fatores linguístico-sociocognitivos e dos sistemas de crenças envolvidos na produção e compreensão do discurso.
3.2. Delimitação do universo da pesquisa
Dentro da variabilidade de Redes Sociais Virtuais (RSI), optamos por observar o Facebook, que se define como um produto/serviço que tem por missão dar às pessoas o poder de criar comunidades e aproximar o mundo, assim procuramos dar ênfase aos atores tecnossociais e no modo de compartilhamento de informações e levá-los a construir um mundo mais aberto e interligado (FACEBOOK, 2018). Entretanto como se trata de um estudo de caso etnográfico, focamos em apenas uma fanpage, pois tomar a RSI seria inviável, visto que essa ferramenta de comunicação apresenta várias funcionalidades, desde sistemas de troca de mensagens, mural público (entretanto pode ter variações de visualização, podendo ser deixado visível apenas para um único indivíduo), formulação de perfil pessoal público.
Grimmelmann (2009) diz que a homepage (página inicial) exibe todas as informações relacionadas ao utilizador de modo centralizado com um espaço para visualizar as histórias de amigos ou fanpages, um calendário de eventos e aniversários, atalhos para fanpage e jogos, um feed de notícias, onde os contributos mais recentes dos amigos do utilizador são mostrados por ordem cronológica. O ator tecnossocial pode postar fotos e textos, marcar outros atores tecnossociais em suas fotos e usar hashtag. Segundo Fletcher (2010), a rede social virtual é o primeiro do ranking entre websites destinados a partilha de imagens, com 48 milhões de imagens únicas.
Mediante essa infinidade de questões que podem ser observadas a luz da pesquisa etnográfica, linguístico-discursiva e sociocognitiva, optamos por observar uma fanpage, por ser