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“sistema”, depende de uma série de procedimentos que garantem a entrada, processamento e saída do objeto do sistema, no caso, da água em seus diferentes estágios (bruta, em tratamento ou tratada).

De acordo com Tsutiya (2006) a concepção de um sistema de abastecimento de água deverá estender-se aos seus componentes, compõe as partes do sistema de água: o manancial, a captação, as estações elevatórias, as adutoras, a estação de tratamento de água, os reservatórios e a rede de distribuição.

No entendimento geral das entidades gestoras de água tratada em Santa Catarina, conforme manifestação de seus diretores em Assembléia Geral realizada em 2009, um sistema de abastecimento de água é

composto por: mananciais, captação, adutoras de água bruta, estações elevatórias, estações de tratamento, reservatórios de água tratada, adutoras de água bruta, redes de distribuição, ligações prediais e economias.

Nem todos os sistemas de abastecimento de água utilizam todos os componentes citados anteriormente, isso depende de algumas variáveis.

Para a concepção escolhida deverá ser elaborado o projeto hidráulico-sanitário das unidades do sistema. [...] De modo geral, as concepções de sistemas de abastecimento dependem principalmente do tipo de mananciais, da topografia da área e da população a ser atendida (TSUTIYA, 2006, p. 15).

Para efeitos dessa pesquisa, são considerados como componentes de um sistema de abastecimento de água: mananciais (reserva de água bruta), captação (estrutura para retirada da água bruta), adutoras (tubulação por onde é transportada a água bruta ou tratada para outro local do sistema de abastecimento), estações elevatórias (depósitos de água bruta entre a captação e o tratamento), estações de tratamento (estrutura onde é tratada a água bruta), reservatórios (depósito de água tratada), redes de distribuição (tubulação que leva a água tratada até bem próximo do consumidor), ligações prediais (tubulação que liga a rede de distribuição ao imóvel) e economias (distribuição de água no imóvel entre os consumidores).

A Figura 3 representa as etapas do sistema de abastecimento, separando em etapas onde permanece a água bruta e onde já existe a água tratada.

Durante todo o processo de captação, adução, tratamento e distribuição de água, são alocados gastos que posteriormente são repassados ao consumidor, através da cobrança de tarifas pela utilização deste serviço, o que será considerado como preço de venda da água tratada.

A partir da saída da água tratada das estações até o efetivo recebimento pelo consumidor final, podem ocorrer perdas, podendo ser chamadas de perdas reais (físicas), assim entendida a perda de água entre o reservatório de água tratada e as ligações prediais, ou perdas aparentes (não-físicas), assim consideradas as perdas ocorridas nas ligações prediais ou após elas.

As perdas no sistema de abastecimento são de dois tipos: as perdas físicas, que ocorrem em todo o sistema, desde a ETA até as ligações domiciliares, e as perdas não físicas. As perdas físicas representam a água que efetivamente não chega ao consumidor, devido a vazamentos, ao uso da água utilizada na operação para lavagem de filtros e reservatórios e na manutenção durante a reparação de avarias. As perdas não físicas correspondem ao volume de água que é consumido e que não é medido, utilizada nos chafarizes, na irrigação de praças, jardins públicos, em órgãos públicos que não possuem medidores e também a água desviada para as ligações clandestinas. (GOMES, 2004, p. 21). Nesta pesquisa são consideradas apenas as perdas reais (físicas), as quais são medidas pela diferença entre o volume de água tratado que saí da estação de tratamento e o volume de água que chega até às ligações prediais, resultando na perda ocorrida durante o caminho.

Para verificação do volume de água tratada que sofre perda real, é necessário uma série de controles operacionais internos, de modo a possibilitar a medição do volume de água que é tratado, do volume de água que é utilizado no consumo interno (limpeza de equipamento e consumo) e do volume de água que chega até às ligações prediais. São necessários além de equipamentos de medição, pessoal para efetuar a

leitura destes medidores, agrupar as informações, calcular as perdas e interpretar os resultados.

As entidades que pleiteiam recursos junto ao Ministério das Cidades para melhoria no sistema de saneamento, precisam ter esses controles para levantar os dados que são encaminhados, anualmente, a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, que verifica a situação atual e acompanha as melhorias no sistema através desses dados.

Conforme informações repassada por empresas especializadas em detecção de vazamentos nas redes de água, atualmente os serviços de água não possuem instrumentos de medição que possam ser utilizados na rede de distribuição, para detectar precisamente um vazamentos, sem que se escave até a exposição da tubulação, o que torna inviável a manutenção de programas de redução de perdas nesse sentido. Em alguns sistemas de distribuição, é utilizada a medição da vazão em alguns pontos, de modo a supor que existe um vazamento, se a vazão em um ponto é menor que a do ponto medido anteriormente.

A convivência com perdas físicas elevadas explica-se, entre outros fatores, pela falta de regulação do serviço que, se existente, poderia levar os operadores de sistemas a uma maior ênfase em seu controle. Na atualidade, é possível que análises estritamente econômico-financeiras e disponibilidade de linhas de crédito sinalizem aos operadores ser mais vantajoso o investimento na expansão ou implantação de sistemas do que em controle de perdas. (NASCIMENTO; HELLER, 2005, p. 10).

O volume de perdas é um dos indicadores operacionais de água, estabelecidos pela Associação Internacional de Águas, conhecida como IWA (International Water Association ), para medir o desempenho. Esses índices possuem fórmulas próprias e são reconhecidos como indicadores também pelo governo brasileiro, para fins de avaliação de desempenho e obtenção de financiamentos nacionais e internacionais para saneamento. Esses índices podem ser obtidos no site da IWA ou no site do Ministério das Cidades, onde além destes, existem vários outros indicadores operacionais e financeiros, que compõem o cadastro nacional dos sistemas de abastecimento de água e esgoto, denominado também de SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento). O maior desafio dos gestores de sistemas de recursos hídricos, segundo Azevedo e Porto (1998), é fornecer quantidades adequadas de

água, com qualidade apropriada, no momento certo, para atender os diversos usuários. Aparentemente, não há grande dificuldade em se integrar o gerenciamento de quantidade e qualidade, mas na prática, a integração representa um grande obstáculo para a operação eficiente de sistemas e a utilização racional do recurso hídrico.

3.3 ENTIDADES GESTORAS DO SISTEMA DE ABASTECIMENTO