Partie III Robotique médicale
Chapitre 3 Compensation de mouvements physiologiques 91
3.4 Compensation de mouvements cardiaques
3.4.2 Asservissement visuel
Considerando a realidade da sociedade de classes, baseada na propriedade privada dos meios de produção, do Estado capitalista burguês, em particular no Brasil, de capitalismo atrasado, do ponto de vista do desenvolvimento das forças produtivas, e que a política pública e social se constrói e efetiva a partir das disputas de projetos antagônicos de classe ou projeto histórico, no interior do Estado, projetos que se diferenciam por uma dada concepção esporte e de política, portanto de direção da formação humana e do modo de organizar a vida. Assim, esses antagonismos e contradições se expressam na produção de conhecimento sobre as políticas públicas sociais de esporte que a move direcionando suas formulações ora para o interesse de uma classe, ora para outra classe, ora criticando, ora se conformando, ora se distanciando, ora se aproximando da realidade tal qual como ela é. Ao mesmo tempo em que o conhecimento reflete (de forma mais ou menos fidedigna) a realidade da qual se propõem conhecer, ele também é uma fator de transformação dessa realidade, no que lhe cabe, quando consegue apontar não só as tendências, mas também possibilidades superadoras.
Ao discutir o conhecimento sobre as políticas públicas de esporte, localizado no Grupo de Trabalho Temático (GTT) de Políticas Públicas do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE) em particular, e em especial da produção de conhecimento desse GTT sobre política de esporte, partirmos do pressuposto materialista dialético da ideia e portanto de conhecimento e ciência.
Para o pensamento idealista a matéria é a manifestação exterior da ideia, isto é a ideia cria a natureza, a matéria e a história. Enquanto que para os materialistas a matéria antecede a ideia e a ideia é o reflexo ou imagem da matéria no pensamento. Com as contribuições da dialética hegeliana, que considera concatenações entre os objetos, que a realidade deve ser compreendida também em seu processo de nascimento e caducidade, e, portanto, em constante movimento e desenvolvimento no decorrer da historia, e com a contribuição do materialismo, Marx e Engels deram um salto inaugurando a concepção materialista da
história. Com isso, estes autores ultrapassaram não somente o pensamento idealista, mas também o materialismo meramente metafísico e exclusivamente mecânico.14
Segundo Marx (2008, p.48) a consciência não pode ser explicada pela consciência, mas pelas contradições da vida material:
O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e intelectual. Não é a consciência dos homens que determina seu ser; ao contrario, é o seu ser social que determina sua consciência. [...] Do mesmo modo que não se julga o individuo pela ideia que de si mesmo faz, tampouco se pode julgar tal época de transformações pela consciência que ela tem de si mesma. É preciso, ao contrário, explicar essa consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito que existe entre as forças produtivas sociais e as relações de produção.
Isso significa que toda ideia cumpre um papel na realidade , seja o de ocultar, negar ou criticá-la. Dessa forma, nem sempre haverá correspondência entre o real e a ideia que os homens e mulheres fazem dela. Assim, Marx e Engels (2007, p. 35 - 36, grifos nossos) justificam a existência do idealismo pela a divisão do trabalho na forma de divisão entre trabalho material e espiritual. Esta divisão, segundo eles, possibilita que a consciência imagine ser outra coisa diferente da consciência da práxis existente, represente algo realmente sem representar algo real. Desse momento em diante, afirmam que a consciência está em
condições de se emancipar do mundo real e lançar – se na construção da teoria, a filosofia e teologia, a moral ‘puras’. Essas construções teóricas entram em contradição com as relações
sociais existentes somente porque essas relações sociais estão em contradição com as forças de produção.
Os estudos empreendidos e o conhecimento elaborado pelos percussores da concepção materialista e dialética da história, Marx e Engels, buscavam compreender a realidade do modo de produção capitalista, a partir de suas tendências contraditórias, conexões internas e externas, seu caráter histórico, com o sentido de transformá-lo em uma sociedade igualitária e justa, isto é, comunista. A concepção materialista da história não é apenas uma teoria do conhecimento, mas também um instrumento, um guia para a ação política dos únicos interessados em conhecer e transformar a realidade, o conjunto da classe trabalhadora.
Segundo Andery et al (2012, p.13)
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Esse debate sobre o materialismo, idealismo, dialética e metafísica pode visto de forma mais detalhada nas seguintes obras de Marx e Engels: Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã, Do Socialismo Utópico ao Socialismo Cientifico, A Ideologia Alemã.
Dentre as ideias que o homem produz, parte delas constitui o conhecimento referente ao mundo. O conhecimento humano, em suas diferentes formas (senso comum, cientifico, teológico, filosófico, estético etc.) exprime as condições materiais de um dado momento histórico.
Esses mesmos autores afirmam que o conhecimento científico caracteriza-se como uma atividade metódica para explicar racionalmente a natureza, buscando formular leis que, em última instância permita a ação humana. Ao buscar conhecer a realidade, o homem o faz procurando realizar ações passíveis de serem reproduzidas. É, portanto, uma atividade humana especial que busca a verdade sobre o mundo. É possível conhecer a realidade em sua verdade provisória. (ANDERY et al, 2012).
Segundo estes autores, todas as transformações que aparecem como marcas da ciência no século XX, são na verdade o resultado de sua característica principal: ser uma força produtiva direta. No atual estágio de desenvolvimento do capitalismo, a ciência está colocada a serviço do aparato produtivo, atendendo suas exigências e antecipando-as. Esta ligação encontra-se tão estreita que sofre uma mudança qualitativa: em muitos casos a ciência também impõe transformações na produção, cuja origem extrapola a própria produção. Assim, há uma ligação estreita entre ciência e capital determinando a direção do empreendimento científico. A ciência, ao se antecipar à produção, o faz para atender as exigências do capital. Por isso que diferentes ramos desenvolvem-se desigualmente. Nessa lógica, diferentes ramos da ciência desenvolvem-se em função de suas possibilidades econômicas de aproveitamento. As ciências que geram tecnologia mais imediatamente passível de aplicação no processo produtivo são favorecidas por maior incentivo financeiro em detrimento de outras. Do outro lado, frequentemente o desenvolvimento científico- tecnológico fica aquém das reais possibilidades teóricas da ciência, retardando soluções, que apesar de relevantes a certas parcelas da população, não interessam o capital. (ANDERY et al, 2012, p. 432 -33).
Como vimos no capitulo anterior, a divisão do trabalho tem impactos na relação entre o trabalho e o capital, o trabalhador e seu patrão. A ciência entra como uma força produtiva que submete o trabalhador aos seus desígnios, e consequentemente ao poder do patrão.
Para Anderyet al (2012), essa divisão encontra na ciência um recurso valioso para sua reprodução, ao mesmo tempo que interfere na organização e nos rumos do trabalho científico. As explicações científicas são apresentadas como neutras e plenamente objetivas e usadas como critério avalizador, além de criador de ideias, valores e concepções tomados como
verdadeiros e universais, o que serve para que se justifique o maior poder que se atribui àqueles que, pretensamente, detém o conhecimento.
No que se refere aos impactos da divisão do trabalho na organização do trabalho científico, para esses autores, percebe-se o duplo movimento de referendar e negar aspectos essenciais do capitalismo. A atividade científica torna-se fragmentada, parcelada e hierarquizada. A atividade do cientista aborda parcelas progressivamente menores do real, levando-o a perda de visão da totalidade e controle do produto do seu trabalho, de forma que a própria ciência é dividida em áreas cada vez mais especializadas e fragmentadas. (ANDERY et al, 2012, p. 433 - 34).
Concordamos com os autores anteriormente citados quando afirmam a possibilidade do pesquisador produzir um conhecimento crítico das determinações mais gerais de suas condições de trabalho. Dessa forma, não negamos a ciência. Nosso esforço, como pesquisadores, ainda que em condições determinadas pela apropriação privada capitalista dos meios de produção e do conhecimento cientifico, é seguir na contramão, procurando produzir um conhecimento que tenha uma posição política clara: se posicionar em favor das necessidades e reivindicações da classe trabalhadora, sendo uma necessidade histórica a sua apropriação de conhecimentos, privada na sua formação, como forma de combater o domínio do capital.
Em decorrência disso, destacamos a nossa diferença e oposição com os defensores da neutralidade científica desde as concepções mais objetivistas até as subjetivistas/relativistas. Segundo Andery et al( 2012, p. 434), ao lado da concepção do conhecimento neutro e objetivo:
[...] mas, igualmente compatível com os interesses do capitalismo, encontra- se uma concepção que defende a impossibilidade de qualquer conhecimento objetivo, que o conhecimento é uma relação pessoal e intransferível do homem individual com o objeto do conhecimento e que o método é, em ultima instância, um ato de compreensão intuitiva do sujeito, tornando assim, o conhecimento incontestável. Ao retirar qualquer vínculo com as determinações materiais, ao retirar a possibilidade de crítica e de transformação da realidade, tal concepção aproxima-se daquela que defende a neutralidade do empreendimento científico.