4.3.4.1 Cuidados na execução dos trabalhos de campo
A realização das amostragens foi feita sempre às segundas, quartas e sextas feiras, mesmo sendo feriados.
A título de treinamento, o pesquisador participou da triagem dos materiais recolhidos na coleta seletiva através de PEVs, nas duas últimas semanas de julho de 2000, período que antecedeu a pesquisa, capacitando-se no reconhecimento dos componentes dos papéis, plásticos, metais, e vidros necessário à classificação.
Os dois operários da ULV, disponibilizados para a classificação dos materiais da coleta seletiva por PEVs durante o período em que durou a pesquisa, já eram bem treinados e acostumados à triagem manual, que prosseguiu sendo feita como de costume.
Em dias de ventos, alterou-se a ordem da classificação dos materiais, citada no item 2.5, que normalmente iniciava-se com os papéis e deu-se prioridade aos plásticos, pois no local a intensidade dos ventos aumentava com o passar das horas provocando perda de material. Este procedimento diminuiu a perda de componentes dos plásticos mais leves, que ocorria por arraste dos ventos.
Para identificação de alguns componentes dos papéis, dos plásticos e metais, muitas vezes foi necessário fazer o reconhecimento através do tato, do ruído característico de determinadas embalagens ao serem amassadas ou da forma como se apresentam ao serem rasgadas. Esta metodologia foi adotada para suprir a falta de identificação que deveria ser feita constar, por alguns fabricantes, nas embalagens de seus produtos. No caso dos plásticos, por exemplo, apesar da existência de simbologia específica para sua classificação, poucas são as indústrias no Brasil, que identificam as embalagens de seus produtos.
Para anotar os pesos dos componentes dos papéis, plásticos, metais e vidros, após a separação, foram preenchidas as planilhas, no mesmo molde daquelas utilizadas pela ULV, desde a implantação da Coleta Seletiva em outubro de 1998, procurando dar seqüência aos registros já existentes na ULV (ANEXO II).
Esta planilha veio sofrendo alterações, ao longo do tempo de existência da coleta seletiva por PEVs, em função das variações do mercado. Os nomes dos componentes dos papéis,
plásticos, metais ou vidros iam sendo acrescentados ou retirados da planilha, caso houvesse ou não mercado para cada tipo de material.
A planilha utilizada na pesquisa continha os nomes dos tipos de materiais comercializados pela ULV, à época da pesquisa, e não precisou ser alterada nenhuma vez.
O roteiro de coleta foi acompanhado por quantas vezes se fez necessário, com as seguintes finalidades:
• conhecer o roteiro e o sistema de retirada dos materiais dos PEVs; • observar e anotar as condições de localização de cada um dos PEVs;
• verificar, “in loco”, as anotações feitas, pelo funcionário da ULV durante as coletas, relacionadas ao nível de preenchimento dos compartimentos destinados aos papéis, plásticos, metais e vidros dos PEVs, antes de sua retirada;
• conhecer o volume ocupado pelos papéis e plásticos nos coletores e identificá-los, para determinação dos seus pesos específicos
O pesquisador participou de todo o sistema de triagem e posterior pesagem dos materiais em todas as trinta e nove campanhas.
4.3.4.2 Coleta das amostras
Durante o período de realização da pesquisa, 02/08/2000 a 30/10/2000, foram colhidas 13 amostras por mês, sempre às segundas, quartas e sextas-feiras, perfazendo um total de 39 amostras. Cada amostra correspondeu a todo o material coletado nos vinte PEVs e foi portanto, 100% representativa da produção gerada.
4.3.4.3 Procedimentos para determinação da composição gravimétrica primária dos RSU coletados nos PEVs
A compartimentação específica do PEV para as quatro classes de materiais, a conformação do caminhão de coleta, apropriada para a coleta seletiva e a ação disciplinada dos usuários e dos operários da coleta, propiciaram a ocorrência de uma prévia classificação primária dos materiais.
Na ULV, após a chegada e pesagem do caminhão, este era descarregado em um galpão coberto, tendo o cuidado para não se misturar os sacos contendo o material previamente
separado. Sempre por volta de meio-dia, às segundas, quartas e sextas feiras, imediatamente após a coleta tinha-se início a triagem, feita manualmente, sobre uma mesa classificadora. Para a classificação dos resíduos sólidos retirados dos compartimentos de papéis dos vinte PEVs, sacos vazios eram colocados em ensacadeiras em volta da mesa tendo-se um saco para receber cada um dos componentes dos papéis a ser comercializado: papelão, arquivo, misto, jornal e embalagens tetrapack e ainda outros dois, para receber os materiais efetivamente recicláveis dispostos inadequadamente nos compartimentos para papéis e aqueles materiais classificados como descartes.
Todo o material retirado dos compartimentos dos PEVs destinados aos papéis e acondicionados em sacos, após serem abertos, eram descarregados, sobre a mesa para proceder-se à separação manual.
Os materiais dispostos inadequadamente no coletor como, por exemplo, uma embalagem de refrigerante PET colocada no compartimento dos papéis, eram separados e posteriormente juntados aos de sua classe.
Para os componentes dos plásticos e dos metais o procedimento de triagem era semelhante. Os sacos contendo os vidros recolhidos nos PEVs, devido ao seu peso, eram despejados no chão do galpão, para que se procedesse à sua separação, por cores.
4.3.4.4 Procedimentos para determinação da composição gravimétrica secundária dos RSU coletados nos PEVs
Durante a triagem, a classificação dos materiais efetivamente recicláveis era feita conforme lista apresentada a seguir:
Papéis:
• Arquivo - folhas brancas para impressão, livros, cadernos, formulários de computador. • Misto – revistas, folderes, papéis coloridos para impressão, sacolas de pães.
• Jornal – jornais, embalagens de ovos, listas telefônicas, embalagens de hambúrguer. • Papelão – invólucros de produtos alimentícios, bebidos, embalagens de eletroeletrônicos,
caixas de sabão em pó.
• Descarte – embalagens de papel plastificadas, papel carbono, envelopes contendo papel celofane, matéria orgânica, trapos, madeiras entre outros.
Plásticos:
• Poliestireno – copos descartáveis, bandejas de iogurte, bandejas de alimentos industrializados.
• Polipropileno – embalagens de achocolatados em pó, xampus, vinagres, maionese, copos de água mineral, copos descartáveis, produtos lácteos.
• Polipropileno (água mineral) – garrafas de água mineral
• Polipropileno (margarina) – embalagens de margarina, manteiga.
• Polietileno Tereftalato – embalagens de refrigerantes, sucos de frutas, energético Gatorade.
• Polietileno Alta Densidade – embalagens de amaciantes de roupas, águas sanitárias, desinfetantes, xampus, condicionadores, óleos lubrificantes, detergentes, vasilhas plásticas.
• Polietileno Baixa Densidade filme – embalagens de arroz, açúcar, feijão, refrigerantes e cervejas, queijos.
• Descarte – embalagens de PVC, PET óleo de cozinha, PP água mineral verde, matéria orgânica, trapos, madeiras entre outros.
Metais:
• Latas ferrosas – latas de flandres
• Latas alumínio – latas de refrigerante, cerveja, energéticos e sucos. • Alumínio duro/mole – embalagens spray, panelas, bacias.
• Metal amarelo – torneiras
• Cobre – fios e cabos de cobre, baterias.
• Outros metais – carrinhos de brinquedo, baterias. • Descarte – pilhas, matéria orgânica, entre outros.
Vidros:
• Vidro incolor – embalagens de vidros sem cor (maioneses, perfumes, sucos, água, outros). • Vidro marrom – embalagens de vidros âmbar (cerveja long neck, outros)
• Vidro colorido – embalagens de vidros em cores (vinhos, licores, outros)
• Descarte – embalagens de vidro quebradas, cacos de vidro, espelhos, matéria orgânica, entre outros.
Ao terminar a classificação, os componentes das quatro classes de materiais efetivamente recuperáveis, acondicionados em sacos durante a separação, foram pesados separadamente, em balança tipo plataforma, e seus pesos anotados em planilha (ANEXO III).
A partir dos valores dos pesos dos materiais foi possível a determinação da composição gravimétrica secundária e também da primária, dos resíduos urbanos coletados nos PEVs, pois permitiu conhecer a participação de cada um desses componentes, em suas respectivas classes e no total de resíduos coletados (classificação secundária), bem como a participação de cada uma das classes e seus descartes, no total de materiais coletados através da CSV por PEVs (classificação primária).