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Les aspects humains dans la constitution d’un réseau documentaire

2.1 Une méthodologie de la mise en place d’un portail

2.1.2 Les aspects humains dans la constitution d’un réseau documentaire

Figura 3.1: Gr´afico de ψ(x) obtido a partir da re- solu¸c˜ao num´erica da equa¸c˜ao de Schr¨odinger uti- lizando o potencial 2x2, o valor da energia pr´opria do estado fundamental (obtido utilizando a ex- press˜ao te´orica (3.6)), e, as condi¸c˜oes de fronteira ψ(−5) = 0 e ψ0(−5) = 0.01. O estado n˜ao se en- O caso simples do po¸co infinito pode ser re-

solvido da forma descrita acima, no entanto, na situa¸c˜ao ligeiramente mais complexa do po¸co finito ou oscilador harm´onico quˆantico tal pro- cedimento deixa de ser pratic´avel somente de- vido ao facto que ψ diverge para um x suficien- temente grande. Isto ´e problem´atico pois esse valor de x, na maioria dos casos, encontra-se no interior do dom´ınio em estudo, como pode ser verificado na Figura 3.1. Quando se es- tuda esse sistema analiticamente, pode dizer-se que a constante associada ao termo respons´avel por essa divergˆencia ´e nula, resolvendo assim o problema. Numericamente n˜ao se tem essa op¸c˜ao. Para evitar esse problema, o dom´ınio em estudo (delimitado `a esquerda e `a direita por xmin e xmax); ´e dividido em duas par- tes, e a equa¸c˜ao ´e resolvida para cada uma

ψ(xmedio) `a esquerda e `a direita, e o outro ´e a diferen¸ca entre ψ0(xmedio) `a esquerda e `a direita, onde xmedio= |xmin− xmax|/2. A equa¸c˜ao esquerda ser´a resolvida utilizando as condi¸c˜oes de fron- teira ψ(xmin) = 0, e, ψ0(xmin) = a, onde a ´e um valor arbitr´ario. A equa¸c˜ao direita ser´a resolvida com as condi¸c˜oes de fronteira ψ(xmax) = 0 e ψ0(xmax) = ±a. A presen¸ca do sinal de mais ou menos deve-se ao facto de que o estado pr´oprio ψ(x) pode ser uma fun¸c˜ao par ou ´ımpar. Isto ´e apenas ver- dade se o potencial for sim´etrico em rela¸c˜ao ao eixo definido por x = xmedio, ou seja, se o potencial for uma fun¸c˜ao par dentro do dom´ınio especificado; caso contr´ario ψ0(x

min) 6= ±ψ0(xmax). ´

E poss´ıvel simplificar um pouco mais o esquema. Caso ψ(x) seja par, o valor de ψ(xmedio) ter´a o mesmo valor esquerda e `a direita, assim como, se ψ(x) for ´ımpar, ψ0(xmedio) ter´a o mesmo valor `a esquerda e `a direita, desta forma ´e apenas necess´ario utilizar um dos parˆametros de shooting. Se for assumido que o n´ıvel fundamental ´e sempre par e todos os n´ıveis subsequentes s˜ao alternadamente pares e ´ımpares, ´e sempre conhecida a paridade do pr´oximo estado pr´oprio, e, qual parˆametro de shooting deve ser testado.

Para alternar entre a procura estados pares e ´ımpares, estabelece-se a condi¸c˜ao de fronteira ψ0(xmin) = cψ0(xmax). Inicialmente, procura-se um estado par, ent˜ao c = −1 e,

∆ψl = |ψ0(xmedio)esq− ψ0(xmedio)dir|, (3.3)

´

e o parˆametro de shooting. Ap´os encontrar esse estado, o sinal de c dever´a ser trocado e o parˆametro de shooting ´e agora,

∆ψ = |ψ(xmedio)esq− ψ(xmedio)dir|, (3.4) e assim sucessivamente, onde ψ(xmedio)esq, ψ(xmedio)dir, ψ0(xmedio)esqe ψ0(xmedio)dirs˜ao os valores de ψ e ψ0 `a esquerda e `a direita de xmedio, respetivamente.

´

E necess´ario estabelecer qual ´e o limite a partir do qual se admite que se est´a perto de encontrar um estado. O limite ´e que ∆ψl seja menor ou igual que 0.3 do m´aximo de ψ0, ou, ∆ψ ser menor ou igual que 0.3 do m´aximo de ψ, respetivamente para estados pares e ´ımpares.

Da mesma forma, o limite que determina se o estado obtido ´e estado pr´oprio do sistema ´e como o descrito acima, mas as fun¸c˜oes dever˜ao ser menores ou iguais que 10−4 do m´aximo da fun¸c˜ao `a qual se comparam.

Al´em disso, ´e necess´ario ter em aten¸c˜ao que a maioria das vezes, a norma dos estados calculados n˜ao ser´a unit´aria. ´E necess´ario calcular a sua norma usando a express˜ao,

|ψ| = Z xmax

xmin

ψ(x)ψ∗(x)dx, (3.5)

onde ψ∗(x) ´e o complexo conjugado de ψ(x); e, dividir o estado pela sua norma ψnormalizado = ψ/|ψ|.

O algoritmo ´e ent˜ao:

1. Estabelecer c = −1 e ∆ψl como o parˆametro de shooting. Escolher uma energia inicial arbitr´aria com a qual se dar´a inicio `as computa¸c˜oes.

2. Resolver a equa¸c˜ao de Schr¨odinger utilizando condi¸c˜oes de fronteira designadas acima.

3. Se o estado encontrado for estado pr´oprio (o parˆametro de shooting for suficientemente pequeno), ent˜ao:

(a) Guardar o valor da energia numa lista designada para o efeito.

(b) Normalizar a fun¸c˜ao de onda e guard´a-la numa vari´avel designada para o efeito. (c) Trocar o sinal de c e estabelecer qual das fun¸c˜oes ∆ψl ou ∆ψ ser´a o novo parˆametro

de shooting.

(d) Se j´a tiverem sido obtidos tantos estados pr´oprios quanto se pretendia, parar as com- puta¸c˜oes.

(e) Se ainda n˜ao se tiver obtido tantos estados pr´oprios quanto se pretende, dar um passo de 30% da diferen¸ca entre as duas energias anteriores (ou 30% da energia anterior, caso ainda se tenha obtido apenas uma) e regressar ao passo 2.

4. Se n˜ao se estiver perto de encontrar um estado pr´oprio incrementar por um passo proporci- onal a√E e voltar ao passo 2.

5. Se se estiver perto de encontrar um estado pr´oprio, utilizar a express˜ao (3.2) para determinar a energia a usar na itera¸c˜ao seguinte e regressar ao passo 2.

Ser˜ao de seguida analisados alguns exemplos de forma a testar a efic´acia deste algoritmo.

Po¸co infinito

Utilizando este algoritmo para calcular as energias pr´oprias de uma part´ıcula num po¸co onde o potencial ´e nulo entre −5 < x < 5, com ~ = 1 e a massa m = 1, obtiveram-se as energias 0.04934801, 0.19739213, 0.44413229, e, 0.7895685 para os quatro n´ıveis de energia mais baixa.

A express˜ao obtida analiticamente para estas energias ´e E = 1 2m

nπ~ a

2

[4], onde a ´e a largura do po¸co, e, n pertence ao conjunto dos n´umeros naturais. De acordo com esta express˜ao os primeiros quatro n´ıveis s˜ao 0.04934802, 0.19739208, 0.44413219, e, 0.78956835. Verifica-se que o erro absoluto ´e da ordem de 10−8 para os primeiros trˆes, mas da ordem de 10−7 para o quarto. Conclui-se que, apesar do baixo erro relativo ( 1) este tem tendˆencia a subir com o aumento da energia. Ao calcular os n´ıveis de energias mais elevadas verificou-se que o quinquag´esimo n´ıvel apresenta um erro relativo de 10−5. Apesar do erro continuar muito menor que a unidade, aumentou em trˆes ordens de grandeza.

Oscilador harm´onico quˆantico

O oscilador harm´onico quˆantico coloca o problema de ter um dom´ınio infinito, o que n˜ao pode ser simulado com um m´etodo num´erico simples. A forma mais simples de lidar com o problema ´

e considerar o dom´ınio entre dois valores fixos de x. Desta forma a situa¸c˜ao f´ısica com que se est´a a trabalhar ´e um po¸co infinito, no fundo do qual, o potencial varia como o de um oscilador harm´onico. A aproxima¸c˜ao ´e suficientemente boa desde que a fun¸c˜ao de onda tenha valores muito pr´oximos de zero ( 1) nas imedia¸c˜oes das paredes do po¸co, ou seja, desde que ψ0  1 nas extremidades do dom´ınio em estudo. Caso contr´ario, a part´ıcula come¸ca a comportar-se como uma part´ıcula num po¸co infinito, e n˜ao como uma num oscilador harm´onico quˆantico. Nesse caso, ter-se-ia que alargar o dom´ınio em estudo.

Considere-se um potencial V = 0.5k2x2, com k = 2. Se este for colocado num po¸co entre −5 < x < 5, os quatro valores de energia mais baixa que foram obtidos pelo algoritmo s˜ao 0.99999939, 2.99999998, 5.00000096, e, 7.00000002 (novamente com a constante de Planck tra¸cada e a massa unit´arias).

De acordo com a mecˆanica quˆantica, tal potencial origina n´ıveis com energias dadas pela express˜ao [4]

E = ~k(n + 0.5), (3.6)

com n ∈ N0. A quatro menores energias s˜ao 1.0, 3.0, 5.0, e, 7.0. Verifica-se assim que o erro absoluto mant´em-se entre 10−7 e 10−8 para estes primeiros n´ıveis. No entanto, ao calcular os n´ıveis de mais elevadas energias, verificou-se que o erro rapidamente sobe, atingindo a ordem 1 no d´ecimo sexto n´ıvel (n = 16). Desta forma para calcular os n´ıveis de energia mais elevada com boa precis˜ao ter-se-ia de exigir que os parˆametros de shooting atingissem um valor mais baixo

Figura 3.2: Os primeiros quatro estados pr´oprios do oscilador harm´onico sob o qual age a per- turba¸c˜ao U = 0.1x4, obtidos pelo algoritmo.

Oscilador harm´onico quˆantico perturbado

Utilizando o algoritmo com o potencial V = 0.5k2x2+ 0.1x4 com k = 2 para −5 < x < 5, encontraram-se as energias 1.018000, 3.088101, 5.223598, e 7.419422.

Segundo a teoria das perturba¸c˜oes em segunda ordem a energia do n´ıvel perturbado n ´e [4]

En= En0+ hφn| ˆU |φni + X p6=n X i | hφi p| ˆU |φni |2 E0 n− Ep0 , (3.7)

onde ˆU ´e a perturba¸c˜ao, |φni ´e o estado pr´oprio do n´ıvel n n˜ao perturbado, e, En0 ´e a energia pr´opria do n´ıvel n n˜ao perturbado.

De seguida ´e necess´ario escrever a perturba¸c˜ao em fun¸c˜ao dos operadores de cria¸c˜ao e ani- quila¸c˜ao, usando a rela¸c˜ao [4]

ˆ x = r ~ 2mk(ˆa + ˆa †), (3.8)

onde ˆa ´e o operador de aniquila¸c˜ao e ˆa† o de cria¸c˜ao. Utilizando ~ = 1 e m = 1, obt´em-se a perturba¸c˜ao:

ˆ U = 1

160(ˆa

4+ ˆa†4+ ˆa2ˆa†2+ ˆa3ˆa+ ˆa2ˆaˆa + ˆa†2ˆa2+ ˆa†2ˆa+ ˆaˆa2+ ˆa†3+ ˆaˆa+ ˆa†2a + ˆˆ a†3ˆa+

+ ˆa†ˆa3+ ˆa†ˆaˆa†2+ ˆa†ˆa2ˆa†+ ˆa†ˆaˆa†ˆa) (3.9) As energias dos n´ıveis perturbados s˜ao 1.087305, 3.219961, 5.454688, e, 7.642522. Verifica-se que a diferen¸ca entre o resultado do algoritmo e o resultado da teoria de perturba¸c˜oes ´e da ordem de 10−2 para o n´ıvel fundamental, no entanto, rapidamente cresce para a ordem de 0.1. Para testar quais s˜ao os resultados mais apropriados, a equa¸c˜ao de Schr¨odinger foi resolvida com ambos os conjuntos de valores de energia encontrados.

A equa¸c˜ao foi resolvida em dois blocos (para x maior e menor que zero) de forma a que ψ(x) n˜ao divirja para um x menor que 5. Desta forma, caso a energia utilizada para a resolu¸c˜ao da equa¸c˜ao de Schr¨odinger n˜ao seja a energia pr´opria do sistema, ser´a discern´ıvel uma descontinuidade em x = 0 (quer de ψ(x) como de ψ0(x)).

Figura 3.3: Os primeiros quatro estados pr´oprios do oscilador harm´onico calculados utilizando as energias obtidas com a teoria das perturba¸c˜oes. S˜ao not´aveis as descontinuidades tanto de ψ(x) (nos n´ıveis 2 e 4) como de ψ0(x) (nos n´ıveis 1 e 3) em x = 0.

Ao analisar as Figuras 3.2 e 3.3 verifica-se que o resultado obtido pelo algoritmo fornece resultados mais precisos que a teoria de perturba¸c˜oes em segunda ordem.