As condições de sucesso de um projecto de construção estão tradicionalmente associadas ao tempo, custo e qualidade, sendo estes as principais medidas de desempenho associadas ao sector, Bassioni et al. (2005), a estas associam-se novas medidas de desempenho que têm por base a qualidade e a inovação, como uma forma de ir ao encontro dos requisitos e aspirações dos clientes, tendo por base, a sustentabilidade dos recursos.
3.3.1.1. As principais teorias da competição aplicadas à construção civil Segundo Best, apud Mochtar & Arditi (2001), a competição na construção civil é baseada em estratégias de orçamentação que têm por suporte o custo e o marketing. Algumas empresas utilizam só uma das estratégias enquanto outras utilizam as duas.
Porter (1980, 1985), refere que uma empresa, para competir no mercado deve adoptar a estratégia de competir com base nos custos, na diferenciação ou na focalização num determinado mercado, utilizando uma ou as duas alternativas anteriores.
As empresas de construção, utilizam estratégias diferenciadas na procura de contratos de construção. Umas dirigem a sua procura para determinados mercados públicos, outras para mercados de carácter particular. Estes dois tipos de clientes das empresas de construção, podem ter factores de escolha das propostas que podem ser diferenciados. No caso dos mercados públicos, a principal forma de escolha das propostas de execução, são baseadas no preço pelo qual uma empresa se propõe executar um determinado bem. No entanto o preço não é geralmente o único factor de análise de uma proposta, também são analisados outros factores, que dizem respeito à qualidade e aos recursos que a empresa tem. O Código dos Mercados Públicos francês (2006), na atribuição dos concursos, refere que esta atribuição deverá ser feita à proposta economicamente mais vantajosa e prevê os seguintes factores de análise da mesma: qualidade em termos técnico, estético e funcional e em termos de desempenho ambiental; custo global de utilização, incluíndo o funcionamento e manutenção; inovação; serviço pós-venda e; o prazo ou data de entrega do bem.
Segundo Cardoso (1996), o modelo de competição proposto por Porter, pode ser aplicado na construção civil e, com base neste modelo e no estudo de formas de competição das empresas francesas, diz que as formas de competição podem ser baseadas: no custo, com três distintas possibilidades apoiadas na engenharia simultânea, na racionalização sócio técnica e na racionalização da gestão e; na diferenciação com suporte na qualidade total, na redução do prazo de execução, na oferta de serviços e na racionalização comercial. Segundo este autor a qualidade, os custos e os prazos, são os elementos essenciais a que deve estar ligado o sistema de produção de uma empresa e as estratégias associadas.
Adoptar uma forma isolada de competição, a maioria com base no preço, pode não dar sustentabilidade. Segundo Chiang et al. (2001), as empresas que actuam no sector público, competem com base no preço, mas aquelas que o fazem só com base nesta forma de competição não conseguem obter vantagens competitivas sustentáveis.
As formas de competição entre as empresas de construção foram estudadas por Kale & Arditi (2002), que na revisão da literatura verificaram que havia várias formas de competição que eram apresentadas como adequadas para o sector da construção. Assim, aparecem as propostas de:
• Kim & Lim e Miller, que referem dois principais tipos de competição, sendo um baseado nos baixos custos de produção e o outro na inovação. Argumentam que as empresas que actuam em ambientes estáveis e que baseiam as suas estratégias na adopção de processos de produção que tem por objectivo a eficiência (baixo custo de produção), têm desempenhos superiores aos dos seus rivais. Por sua vez, as empresas que baseiam as suas estratégias na inovação, conseguem em ambientes turbulentos ter desempenhos superiores;
• Hill & Murray, para os quais o desempenho das empresas depende das características que estão relacionadas com o sector onde as mesmas se inserem, nomeadamente em termos de redução de custos, qualidade, inovação, heterogeneidade e sinergia entre os recursos da empresa;
• Milles & Snow, que referem que as empresas podem competir em termos de: qualidade, inovação e custo, e também, segundo Stalk, em termos de prazo.
Para Kale & Arditi (2002), as principais formas de competição na construção civil são aquelas que têm por base a qualidade, a inovação, o prazo e o preço.
3.3.1.2. Competição com base na qualidade
A competição com base na qualidade, no sector da construção, surge por influência do movimento pela qualidade que surgiu na indústria em geral. Para Cardoso (1996), a competição com base na qualidade, tem como objectivo fornecer ao cliente um produto de acordo com os requisitos que o mesmo definiu, mas também de acordo com as suas aspirações e necessidades, tendo em vista a satisfação de uma necessidade que o bem a produzir vai consumar. A competição com base na qualidade, impõe que a empresa tenha um sistema de controlo dos materiais e produtos, incluindo os fornecimentos de terceiros, responsabilizando-se directa ou indirectamente por toda a cadeia de produção.
Para Kale & Arditi (2002), a qualidade é o mais importante dos factores de competição e, geralmente, inclui os seguintes factores; desempenho, apresentação, durabilidade, capacidade de uso, estética, conformidade e qualidade percebida. Os autores, dizem que estes são os factores que os clientes das empresas de construção, geralmente têm em conta, quando analisam um produto da construção. Também para estes autores, uma boa determinação dos requisitos dos clientes é fundamental, assim como uma boa gestão das
interfaces, sempre com a finalidade de obter um produto final com qualidade, mesmo que o papel da empresa nalgumas das interfaces seja reduzido ou nulo.
A competição com base na qualidade de execução, pressupõe, segundo Warszawski (1996), que uma empresa de construção analise a sua qualidade de execução e que a compare com os concorrentes. Devendo a empresa ter um sistema de controlo da qualidade planeada e da executada e comparar com os seus concorrentes.
Associado à qualidade, uma empresa pode conseguir obter uma boa reputação no mercado e neste caso, a qualidade pode ser vista como um meio de obter mais uma fonte de vantagem competitiva, para além da qualidade em si mesma.
3.3.1.3. Competição pela inovação
A competição com base na inovação, é considerada actualmente uma das principais formas de competição. Segundo Kale & Arditi (2002), a competição é aquela que é baseada na inovação, através da introdução de novos produtos e/ ou novos processos no mercado e está limitada à aceitação que os clientes possam ter dos mesmos. Considerando que os clientes do sector da construção, são por natureza conservadores e necessitam de que exista um ambiente propício à introdução das inovações, especialmente quando estas introduzem grandes alterações ao produto.
A competição com base na inovação no sector da construção civil depende muito do segmento de mercado e das características das empresas que nele actuam, Kale & Arditi (2002). Alguns dos factores que influenciam a inovação são: a intensidade do capital; regulamentos; resistência à mudança; fragmentação do mercado; condições de trabalho; condições de segurança; aspectos ambientais; códigos de construção, sendo este, um dos principais factores que condicionam negativamente a inovação.
3.3.1.4. Competição pelo prazo de execução
Nem sempre o prazo, pode ser considerado um factor de competição na construção civil. Neste sentido pronunciam-se Kale & Arditi (2002), para os quais, o prazo é um factor que geralmente é indicado nos concursos só sendo um factor competitivo, para o cliente, se este valorizar o tempo de execução.
O prazo como factor de competição, na construção civil, manifesta-se, segundo Reinschmidt & Trejo (2006), se os investidores em projectos de construção estiverem interessados em reduzir o tempo de duração, concepção e construção dos mesmos como uma forma de obter benefícios mais cedo. Em geral, a redução do tempo de execução de
um projecto exige um número superior de recursos associados quer à concepção, quer à execução, o que origina um maior dispêndio de recursos, atribuídos a um projecto. No entanto este maior dispêndio, é compensado pelo aumento dos benefícios, uma vez que estes começam a fazer-se sentir mais cedo.
Reinschmidt & Trejo (2006), dizem que as reduções da duração do projectos, podem trazer largos benefícios económicos e que estes podem ser utilizados para o desenvolvimento e/ou a implementação de novas tecnologias.
3.3.1.5. Competição pelo preço
Para Kale & Arditi (2002), a competição com base no preço, ocorre porque as propostas são muito semelhantes em termos de características e leva, a que o cliente escolha, a proposta com menor preço. Algumas das características da competição com base no preço, estão relacionadas com: o método de determinação do preço, a natureza do produto final, as formas da procura e a natureza fragmentada do processo. A competição com base no preço, é importante na indústria de construção civil, mas não chega para obter vantagem competitiva. As empresas têm de ter vantagens de custo com base nos processos, ou seja inovar, para que a mesma possa competir com base no preço.
A competição com base no preço, está associada a uma gestão eficiente dos recursos necessários à produção de um determinado bem, o que por sua vez requer conhecimento e experiência das técnicas de produção.