Neste método os usuários não participam diretamente do sistema na avaliação. Os avaliadores, nesta ocasião, são especialistas que costumam basear- se em princípios estabelecidos antecipadamente a fim de identificar problemas de usabilidade que possivelmente afetam (ou afetarão) a interação entre usuário e sistema.
Inspeção de usabilidade formal – adaptada da metodologia tradicional de inspeção de software, esta modalidade inicia-se com a reunião de um grupo de avaliadores (em número de quatro a oito), sendo que cada um irá representar um papel específico (como moderador da discussão, projetista ou técnico do sistema, anotador e avaliadores propriamente ditos). Em seguida, repassa-se as instruções e distribui-se os formulários de registro de problemas e documentos de projeto para que cada um proceda individualmente com a avaliação. Estes irão assumir papéis de usuários específicos procurando realizar as tarefas descritas, detectando possíveis problemas e registrando-os nos formulários referidos. O grupo reúne-se novamente para discutir os dados obtidos e redirecioná-los aos responsáveis pelo sistema, para que estes possam proceder com sua correção ou exclusão do sistema.
Inspeção ou percurso pluralístico – através de reuniões entre os usuários, projetistas de sistemas e especialistas em usabilidade analisa-se os cenários das tarefas e avalia-se cada elemento da interação do usuário com o sistema. É importante considerar que os dados coletados com o método em questão são subjetivos, uma vez que pautam-se em opiniões ou preferências do grupo em discussão. Assim, discute-se cada tarefa-cenário, identificando-se possíveis problemas de usabilidade para reparação futura. A inspeção pluralística é bastante utilizada nas etapas iniciais de desenvolvimento de sistemas em virtude de suas características.
Inspeção de componentes – indicado para estágios intermediários de desenvolvimento de sistemas, esse tipo de inspeção analisa um conjunto de componentes, características ou módulos do sistema que estejam envolvidos na
execução de uma determinada tarefa. Assim, estabelece-se previamente um cenário, identificando-se e analisando-se os componentes do sistema a serem utilizados para realizar a tarefa proposta, buscando-se verificar a disponibilidade, facilidade de compreensão e utilidade dos componentes em questão. Sua confiabilidade ainda não foi registrada através de estudos.
Inspeção de consistência – também conhecido como “revisão de projeto”, este tipo de inspeção costuma ser empregado nas fases preliminares de desenvolvimento do sistema. Visa garantir a consistência de um conjunto de sistemas, relacionando-os a uma tarefa ou cenário e se dá a partir da reunião de membros de equipes de desenvolvimento que analisam pontos fortes e frágeis das interfaces dos sistemas, identificando melhores opções de implantação consistente no conjunto. O término da inspeção é marcado pela concordância plena entre os participantes quanto à compatibilidade dos sistemas do conjunto. Sua confiabilidade é desconhecida.
Inspeção ou percurso cognitivo – indicado para as etapas iniciais de desenvolvimento, a inspeção cognitiva é uma técnica de revisão na qual os avaliadores constroem cenários de tarefa a partir de um protótipo, percorrendo a interface como um usuário no primeiro contato com o sistema e analisando detalhadamente cada passo percorrido. Enfoca-se, aqui, a avaliação da facilidade de aprendizado que o sistema proporciona, além dos processos cognitivos em jogo na primeira vez que o usuário interage com o sistema.
Inspeção baseada em padrões – a fim de verificar conformidade do sistema em relação aos padrões da indústria, tal inspeção é adotada por especialistas em usabilidade que dominam o conhecimento de cada padrão específico. Assim, confronta-se cada elemento do produto com o padrão correspondente. A ISO 9241 é bastante utilizada para a avaliação de sistemas interativos, principalmente em suas partes 10, que trata de princípios de diálogo enquanto requisitos ergonômicos necessários ao trabalho de escritório em terminais de vídeo, e 11, que define a expressão usabilidade, além de outros conceitos. Tal modalidade de inspeção costuma ser empregada nos estágios intermediários de desenvolvimento do sistema.
Inspeção baseada em guias de recomendações e guias de estilo – geralmente empregada em associação com outros métodos de avaliação, como os
anteriormente expostos, os guias são empregados como conjunto de princípios a serem verificados no diagnóstico de problemas gerais e repetitivos do sistema que está se avaliando. É importante, ainda, diferenciar os guias de recomendação, que referem-se a “um documento publicado em livros, relatórios ou artigos, de caráter genérico e público, com recomendações geradas e validadas a partir de observações empíricas ou da experiência prática de seu autor” (DIAS, 2003, p. 55) dos guias de estilos, que “são publicações detalhadas de elementos interativos específicos de um sistema, tais como menus, janelas e caixas de entrada de dados” (DIAS, 2003, p.54).
Avaliação heurística – recomendada para ser empregada com três a cinco avaliadores (separadamente), esta proposta consiste num método de inspeção sistemático em que os avaliadores empenham-se em analisar o fluxo de interação necessário ao início e conclusão de tarefas reais, além do julgamento dos elementos interativos do sistema em relação a princípios reconhecidos de usabilidade, também denominados “heurísticas” (conjunto de métodos e regras que visam à descoberta, invenção ou resolução de problemas). Ao final das avaliações, agrupam-se os resultados num relatório final composto por uma lista de problemas de acordo com graus de severidade. Posteriormente, pode ser realizada discussão da avaliação, enfatizando-se também os pontos positivos do sistema, uma vez que a avaliação heurística atenta-se essencialmente aos problemas. Seus resultados estão relacionados ao conhecimento e experiência dos avaliadores, além do tipo de estratégia percorrida na interface.