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Aspects associated with burnup credit

5. SOURCE TERMS

5.5. Aspects associated with burnup credit

Como discute Sowa (1992), as primeiras redes de palavras apareceram com os estudos de Selz, em 1913, de redes associativas de palavras dentro do contexto explicativo de fenômenos psicológicos. Os seus trabalhos serviram de fundamento para a estruturação teórica das pesquisas de Quillian, que apenas em 1966 recuperou e desenvolveu o modelo de Selz, tendo sido responsável por introduzir a expressão “redes semânticas” na literatura científica. Através do desenvolvimento de tais redes, Quillian buscou demostrar como o conhecimento semântico poderia ser representado através do relacionamento entre objetos conceituais.

Segundo Brachman (1977,1979), os estudos de redes semânticas desenvolvidos por Quillian buscavam apresentar um esquema formal para os mecanismos associativos de significação das palavras, o qual deveria refletir a estrutura da memória semântica do cérebro humano. Nesse esquema, as palavras eram representadas por nós conectados por arestas, que representavam, por sua vez, as relações associativas entre os termos. Podemos então entender que as redes semânticas surgiram como uma tentativa de formalizar o modo através do qual o nosso conhecimento seria organizado pela memória, sendo explicitamente concebidas para o desenvolvimento de hipóteses relativas aos mecanismos cognitivos do cérebro humano. Assim, as

redes semânticas se desenvolveram inicialmente enquanto um instrumento de pesquisa das ciências cognitivas. A psicologia cognitiva, por exemplo, buscava modelos que representassem a arquitetura cognitiva a partir de conhecimentos declarados e as redes semânticas serviram aos seus propósitos, como podemos ver nos trabalhos de Shapiro e Woodmansee (1971) e Tulving (1972).

A afirmação de que as redes semânticas poderiam espelhar estruturas cognitivas internas ao domínio mental é muito forte, na medida em que nos leva além da ideia de um modelo, assumindo um isomorfismo entre as redes, como modelos, e a estrutura da mente que é, para dizer o mínimo, bastante discutível. Assim, é mais seguro entender as redes semânticas como ferramentas capazes de representar a estrutura semântica de um dado conteúdo declarado, o que indica o seu potencial enquanto uma ferramenta prática e sistematizada de análise de conteúdo. Como afirmam Hartley e Barnden (1997), constitui um consenso na literatura a ideia de que as redes semânticas são uma ferramenta de representação do conhecimento a partir de conceitos e das suas relações integrativas dentro de um texto. Este consenso tem permitido um deslocamento cada vez mais acentuado em relação aos ontologismos cognitivistas e promovendo a redescoberta das redes semânticas enquanto um modelo de representação do conhecimento; direcionando o foco para a estrutura semântica

do texto – sem comprometimentos fortes aos pressupostos relativos à

estruturação mental dos processos cognitivos do autor.

Ao serem incorporadas nos estudos de representação de sistemas complexos, as redes semânticas passaram a ser compreendidas enquanto entidades passíveis de serem interpretadas através de propriedades comuns às demais redes complexas. Segundo Lehmann (1992), uma rede semântica deve ser interpretada enquanto um grafo da estrutura do sentido, com a ideia básica de que é possível fazer para a compreensão do objeto que é representado através das relações que estruturam sua topologia. Como proposto por Sowa (2002), as redes semânticas podem ser simultaneamente utilizadas como representação e ferramenta de suporte para otimização de inferências heuristicamente orientadas sobre um dado conteúdo textual. À luz desses desenvolvimentos, podemos entender uma rede semântica como uma ferramenta computacional de representação do conhecimento que recompõe matematicamente, através de notação gráfica, a articulação da estrutura conceitual de um determinado conteúdo de texto (Sowa, 1991).

Para Caldeira (2005), um dado conteúdo textual corresponde, em sua composição estrutural, a um sistema complexo cujos elementos são as palavras. Desta forma, as palavras seriam os significantes que estariam articulados através de construções sintáticas (frases) na construção de sentenças, as quais corresponderiam à menor unidade de significado do texto, sendo este último formado pelo conjunto das sentenças que o compõem. Isso nos permite concluir que o texto consiste em um conjunto de significantes e significados que

compõem um sistema complexo. Dada a premissa da existência de uma ordem semântica subjacente, que determina regularidades espaço-temporais ou de padrões, o texto escrito pode ser analisado como um sistema complexo, visto que apresenta características topológicas passíveis de serem analisadas matematicamente.

O desenvolvimento de trabalhos sobre redes semânticas, usando métodos de análise empregados em estudos de redes complexas, que ampliaram as possibilidades dessa ferramenta computacional de análise de conteúdo, abriu espaço para elaboração de pesquisas com outros tipos de redes de palavras mais específicas. É o caso, por exemplo, das “redes conceituais”, empregados nesta tese. As redes conceituais que utilizamos em nossa pesquisa, ainda que sejam fundadas em relações semânticas, diferentemente de redes semânticas mais gerais que representam as relações estabelecidas entre todas as palavras que compõem um dado conteúdo textual, nos restringiremos às representações das relações estruturais entre conceitos específicos. Em particular, conceitos específicos dentro do domínio da biologia evolutiva, e sobretudo, aqueles que potencialmente estabelecem relações integrativas entre o internalismo e externalismo no pensamento evolutivo.

Trabalhos como os de Cancho e Solé (2001, 2004) foram desenvolvidos com o intuito de mostrar que a linguagem expressa em textos ou discursos pode ser objetivamente descrita através de grafos de interações entre as diferentes relações estabelecidas entre termos específicos, baseando-se nas mesmas características estatísticas de outros modelos clássicos de redes complexas. Numa rede conceitual, em particular, os vértices representam os conceitos e as arestas, as relações semânticas entre eles. Em uma rede conceitual, os diferentes contextos semânticos de aplicação em que os conceitos podem ser empregados são expressos por meio das conectividades que os conceitos estabelecem entre si. Estas conectividades permitem compreender as propriedades e os comportamentos dos conceitos dentro de uma determinada rede. Em especial, fornecem uma esquematização de como os conceitos estão estruturados semanticamente dentro do discurso representado. Nesses termos, as redes conceituais se constituem numa forma de análise e representação do conhecimento.

2.3 As ciências de redes complexas e seus impactos sobre as redes de