Chapitre 4 PROTOCOLE EXPERIMENTAL 64
3. ASPECT THERMIQUE DES BLOCS 123
A pesquisa foi realizada no período de 30 de julho a 2 de setembro de 2015 no Ambulatório de Oftalmologia do Hospital Universitário Onofre Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Foram considerados aptos a compor o corpus do estudo os sujeitos com acuidade visual no melhor olho de 20/200 e com idade compreendida entre 20 e 60 anos. Os pacientes que atendiam a esses critérios eram convidados a participar da pesquisa, os quais eram submetidos à apresentação formal do pesquisador, bem como a uma detalhada explicação sobre a pesquisa, seus objetivos e metodologia. Após essa apresentação, os sujeitos receberam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, assinando-o caso concordassem em participar. Depois se deu início a coleta dos dados.
As entrevistas foram realizadas pelo próprio pesquisador com os sujeitos participantes, os quais eram acompanhados eventualmente por familiar ou amigo, em uma sala anexa ao ambulatório. As entrevistas duraram de vinte a quarenta minutos. Foram gravadas, em formato mp3, com a autorização dos sujeitos e,
42 posteriormente, transcritas. As gravações e transcrições das entrevistas foram utilizadas para a análise e interpretação dos conteúdos.
O estudo piloto foi realizado com duas pessoas que obedeceram aos critérios de inclusão propostos, sem levar em consideração o critério de idade, para a testagem do instrumento de coleta e de sua aplicação. Tais sujeitos não integraram a amostra por terem idade inferior à estabelecida neste estudo. Em seguida, foram procedidos ajustes no questionário para melhor compreensão das perguntas pelos entrevistados.
Na fase de campo, foram identificadas 17 pessoas que atendiam aos critérios de elegibilidade, entretanto, um destes sujeitos recusou-se a participar por não dispor de tempo hábil para a entrevista. Ao final, foram selecionadas 16 pessoas que concordaram em participar da pesquisa e atendiam aos critérios de inclusão.
Na caracterização dos entrevistados, os mesmos foram identificados a partir da nomenclatura adotada, a qual atribuiu o prefixo S, de sujeito de pesquisa, seguida por número cardinal, considerando-se o sigilo dos entrevistados (vide Apêndice C).
Os dados foram analisados e interpretados, buscando-se a construção do conhecimento com base nos objetivos da pesquisa. Para tanto, foram confeccionadas categorias temáticas a partir das leituras e releituras das entrevistas, sob a ótica estruturante dos determinantes sociais de saúde, abarcados nas unidades de registro.
Para confecção de tais unidades, foi adotado como marco conceitual o modelo de determinação social da saúde, proposto por Dahlgren e Whitehead (1991), por sua fácil visualização gráfica, compreensão e interpretação (BUSS; PELLEGRINI FILHO, 2007; GEIB, 2012).
Por último, dentre os principais referenciais teóricos utilizados para a interpretação dos conteúdos textuais provenientes das entrevistas dos sujeitos pesquisados destacam-se: Canguilhem (2006), Goffman (1988), Küble-Ross (1981) e Amiralian (1997).
43 4.8 Caracterização dos sujeitos de pesquisa
Participaram do estudo 16 pessoas com deficiência visual, congênita ou adquirida, com idade compreendida entre 20 e 60 anos. Oito pessoas eram do sexo masculino (S3, S4, S6, S7, S8, S9, S10 e S12) e oito eram do sexo feminino (S1, S2, S5, S11, S13, S14, S15 e S16), conforme discriminados no Apêndice C. Das 16 (dezesseis) pessoas com deficiência visual que participaram desta pesquisa, um tinha deficiência visual congênita (S9) e os demais possuíam deficiência visual adquirida.
O tempo de início da deficiência visual variou de dois meses (S1) a 52 anos (S9). Quanto ao local de moradia, oito pertencem à região metropolitana de Natal (S1, S4, S7, S8, S10, S13, S15 e S16), cinco pertencem à mesorregião Agreste Potiguar (S3, S5, S6, S9 e S11), dois à Mesorregião Central Potiguar (S2 e S14) e 01 (um) à Mesorregião Oeste Potiguar (S12).
O nível educacional variou de analfabeto (S4) a ensino superior completo (S7), sendo que nove possuem ensino fundamental incompleto.
A ocupação dos entrevistados aponta para uma predominância de aposentados (S3, S4, S5, S9, S10, S11, S16) e pessoas em inatividade (S1, S2, S12, S13, S15).
Treze entrevistados apresentam renda média familiar entre um e dois salários mínimos. Apenas três deles possuem renda entre dois e três salários mínimos.
44 5 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Conhecer a saúde mental dos sujeitos que convivem com uma deficiência visual requer um olhar sensível frente ao contexto social em que estes sujeitos estão inseridos, como são tratados no meio social e a maneira pela qual são condicionados a agir.
Nesta abordagem, destaca-se a contribuição de fatores individuais e contextuais como determinantes da saúde mental e suas repercussões nos modos de ser e andar a vida, imersos em uma trama de relações intercambiáveis: saúde física, trabalho, condições econômicas, aspectos educacionais, interação social, lazer, autonomia, condições de acessibilidade e valores sociais.
Ao aproximar-se da realidade vivencial dos sujeitos com uma deficiência visual, observamos que certas características fazem parte do processo de determinação psicossocial: história de vida, organização social e familiar, aspectos culturais, aspectos financeiros, dentre outros, abarcados pelas múltiplas formas de viver com a deficiência.
Assim, é que a constituição do sujeito psicológico envolve as dimensões individual e coletiva. No âmbito individual, interações entre saúde física e mental são identificadas.
O diagnóstico e a assimilação de uma deficiência visual repercutem na subjetividade e antecipa novas realidades existenciais que por sua vez, requerem abordagens de enfrentamento.
Neste ínterim, o modo de instalação, idade do acometimento, presença de comorbidades ou de dor, o grau da deficiência e a capacidade de lidar com a adversidade são elementos chaves na maneira pela qual a perda visual é vivenciada.
Tendo como substrato os determinantes sociais de saúde, a partir dos discursos provenientes das entrevistas, foram delimitadas as seguintes categorias temáticas: Saúde e sofrimento psíquico, abordando da clínica individual às reações emocionais no encontro com o não ver; A autonomia e seus desafios cotidianos; Interação social e suas redes de pertencimento; Os valores e a cultura nos processos de normalização e estigmatização; A educação, seus limites e
45 possibilidades; A conjuntura do trabalho nos processos de inclusão e exclusão social.
Estas categorias foram construídas, buscando-se a compreensão dos modos de vida dos sujeitos da pesquisa, com direcionamento capaz de atender com maior fidedignidade possível aos objetivos propostos, contudo sem esgotar as múltiplas determinações de saúde, devido à incompletude quanto à abrangência conceitual extraída do material em análise.
5.1 Saúde e sofrimento psíquico no encontro com o não ver e seus modos de