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CHAPITRE 2 - PROPOSITIONS POUR UN MODELE GENERAL D’EVALUATION DE PERFORMANCES

2- Aspect temporel et définition du concept de défaillances «simultanées»

O zonamento interno em pegmatitos pode manifesta-se por variações texturais, ao nível da distribuição espacial do tamanho do grão, variações mineralógicas, caracterizadas pela abundância e representação de determinadas associações mineralógicas nas diferentes zonas pegmatíticas, bem como variações ao nível dos hábitos cristalinos dos minerais e do fabric da própria rocha.

Tendo em conta essas propriedades, é possível distinguir um zonamento interno em alguns corpos pegmatíticos, pelo que as principais características de cada zona foram detalhadamente descritas nos trabalhos de Cameron et al. (1949). Estes autores distinguem três unidades principais características de um pegmatito zonado, onde se destacam as zonas primárias, unidades de substituição e preenchimento de fracturas.

18 Na figura 2 encontra-se representado um esquema simplificado de um pegmatito com zonamento interno concêntrico, com as diferentes zonas primárias diferenciadas e explicadas de seguida.

Figura 2: Esquema simplificado de um corpo pegmatítico com zonamento interno concêntrico. Os diferentes níveis de corte mostram a evolução das diferentes zonas ao longo das diferentes posições do pegmatito. Adaptado de London (2008).

1. Zonas primárias – Camadas mais ou menos concêntricas em relação à porção nuclear do pegmatito. Possuem uma origem primária resultante da diferenciação e cristalização do magma/fluido pegmatítico. Na quadro 3, encontram-se resumidamente representadas as paragéneses minerais e texturas atribuídas a cada uma das zonas internas do pegmatito. Detalhadamente, reconhecem-se as seguintes zonas primárias:

a) Zona de bordadura Corresponde a uma fina auréola com poucos cm de espessura, que envolve o pegmatito e o individualiza da sua rocha hospedeira. Materializa a camada menos espessa e com menor importância de todas.

Exibe grão fino e textura hipidiomórfica granular de constituição granítica residual, podendo servir como base de nucleação de cristais de turmalina, moscovite, biotite, berilo ou feldspato K com dimensões centimétricas (London, 2008).

Geoquímicamente, não apresenta a mesma composição modal da massa total do restante pegmatito, dado o seu caracter primordial e pouco diferenciado.

19 b) Zona mural Esta zona nem sempre se encontra presente, podendo diferenciar-se directamente na zona intermédia. Corresponde a uma camada mais espessa que a porção exterior e apresenta geralmente cristais de grão mais grosseiro que a zona de bordadura.

Dentro das associações mineralógicas, são típicas as ocorrências de cristais de turmalina, berilo, mica e feldspato que apresentam, frequentemente, um crescimento centrípeto (Cameron et al., 1949).

c) Zona intermédia Embora se apresente muitas vezes homogénea, esta zona pode também exibir um sub- zonamento interno típico, podendo divergir em zona intermédia interna e zona intermédia externa, que diferem quer a nível textural, quer a nível mineralógico.

De um modo global e aplicável a ambas as zonas, verifica-se um marcado aumento no tamanho dos cristais que exibem granulometria grosseira/ muito grosseira, bem como em alguns casos um eventual desenvolvimento de cavidades miarolíticas.

A nível mineralógico são dominantes as fases monominerálicas ou associações minerais de massas de microclina pertítica, plagióclase, quartzo, espodumena, petalite, lepidolite ou ambligonite -montebrasite (Cameron et al., 1949; London, 2008).

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d) Núcleo Consiste na unidade mais interna de um pegmatito, tratando-se portanto da ultima a consolidar. Nela identifica-se a ocorrência de massas monominerálicas ou repetições de regiões com mineralogia idêntica, ocupando a mesma posição estrutural e sequencial.

Comparativamente, a proporção ocupada pelo núcleo em relação às outras camadas do pegmatito pode ser extremamente variável, tendo sido observados corpos de pequenas dimensões com uma grande proporção nuclear ou vice-versa.

Quanto às associações minerais identificadas, são conhecidos núcleos de quartzo monominerálicas e núcleos compósitos, onde se destacam combinações de quartzo, pertite, albite, aluminosilicatos de lítio e fosfatos (Cameron et al., 1949; London, 2008).

20 2. Unidades de substituição – Correspondem a unidades de origem secundária, por alteração ou sobreposição dos materiais pegmatíticos pré- existentes e de origem primária. São mais frequentes no núcleo e zonas intermédias, embora a sua ocorrência tenha também sido identificada em outras camadas (Figura 3) (Cameron et al., 1949; London, 2008).

Nem sempre são facilmente identificáveis, podendo tratar-se de processos generalizados e difusos, ou processos metassomáticos selectivos de determinado mineral, que por vezes geram alguma controvérsia quanto à origem secundária das associações mineralógicas em questão. A pseudomorfose de regiões substituídas por associações minerais de grão muito fino é um bom exemplo deste tipo de unidades (Cameron et al., 1949; London, 2008).

3. Preenchimento de fracturas – Tratam-se de unidades facilmente identificáveis, comuns em muitos pegmatitos. Os preenchimentos são maioritariamente compostos por quartzo, embora possam conter ainda material de outras zonas, que migrou pelas fracturas (Figura 3).

Este facto demonstra o caracter tardio destas unidades, formadas sempre em regime frágil, já posterior à consolidação do corpo pegmatítico (Cameron et al., 1949; London, 2008).

Figura 3: Estrutura modelo de um pegmatito com zonalidade interna primária (zona de bordadura; zona mural; zona intermédia e núcleo) e zonas secundárias, posteriores à consolidação do pegmatito (unidades de substituição e preenchimento de fracturas). Retirado e adaptado de Cerny (1991).

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Quadro 3: Associações paragenéticas características de cada camada pegmatítica interna, definida por Cameron et al. (1949). Extraído e adaptado de Simmons et al. (2003).

Zona Espessura Textura Minerais principais Minerais acessórios

Marginal Fina (cm) ou

inexistente Granulometria fina (aplítica)

microclina, plagióclase, quartzo, moscovite

berilo, turmalina negra, granada Mural Mais espessa que a

margem Granulometria grosseira

microclina, plagióclase, quartzo, moscovite, biotite

berilo, apatite, turmalina, granada In te rm éd ia Externa (variável) Zona mais espessa

em corpos de grandes dimensões e elevada diferenciação interna Granulometria mais grosseira, com possível

desenvolvimento de cavidades microclina e quartzo turmalina negra- elbaíte, plagióclase sódica, moscovite, fosfatos Interna

Aplítica a grosseira com cristais bem desenvolvidos. Presença de cavidades quartzo, microclina, plagióclase sódica, moscovite turmalina negra- elbaíte, fosfatos, berilo, niobiotantalatos e outros óxidos Núcleo (variável) Massa sólida de quartzo quartzo berilo, aluminossilicatos

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