Quando se propõe a pensar sobre o futuro dOs do Sutil, dois fatores chamam a atenção. Um é que a necessidade da comunidade é expressa seguida de sugestão ou reivindicação, o que pode ser percebido no tema mais forte: a saúde. Outro fator, no entanto, é a existência de um otimismo por parte de todos no sentido de depositarem confiança nas possibilidades que a comunidade apresenta, sobretudo, uma crença nas futuras gerações.
a) A questão da saúde
É relevante que se toque em assuntos da necessidade da comunidade que não se referem estritamente à educação. A importância do tema da saúde para Os do Sutil foi a insistência com que temas relacionados ao mesmo apareceram, tanto nas conversas informais, quanto nas entrevistas, as conversas sempre se estabeleciam no sentido de falar de alguém que adoeceu, por exemplo. Quando se trata sobre as principais necessidades dos moradores no Sutil, com facilidade se identifica a preocupação com a política de saúde. Isso pode ser observado na fala explicita dos entrevistados: “Aqui era bom se eles ponhasse um postinho, aqui que era bom. É que não tem né, fazer o que?” (Entrevistada 4)
Na fala a seguir o tema da saúde é retomado aparece como uma reivindicação, identificado como prioridade:
Olha a gente precisa de muitos benefícios. Eu acho que a saúde, a gente precisa de um postinho, e como você vê, é distante, o único postinho mais próximo, é o do Cará-Cará e do Guaragi. Nós temos nossa agente comunitária, mas ela também não consegue fazer milagres. Então, a gente tem que ir lá no Guaragi pra poder consultar, então é difícil a saúde é a prioridade aqui. Nós precisamos mesmo. (Entrevistada 6)
E quando o tema não é provocado ele aparece espontaneamente, a exemplo nas duas falas na sequência:
Eu preciso de muita vitamina, assim, um tratamento assim “pareio”, tá tomando remédio, porque o remédio sem o corpo tá forte não adianta, porque às vezes tem remédio forte que eu tomo aí, ele é mais pior do que não tomar nada, se ele cai no estômago, ainda mais comprimido, o estômago tá fraco, tá sem alimento, o que que faz? Prejudica a gente né. A gente tem que ser pareio, vamos tomar remédio e vamos se alimentar. Porque daí o remédio vai pra frente né. Mas a hora que você puder vim de novo trazer ele, se Deus quiser que eu endereite. Amanhã eu tenho que ir pro Guaragi ainda, e sexta-feira tenho que buscar remédio. O meu e o dele em Palmeira. (Entrevistada 5)
Também, só que foi meio pesado porque foi a época que ele ficou bem doente, daí eu não tive muita força eu tinha que atender dele né, mas dá pra mim ir vivendo. (Entrevistada 3)
A presença do tópico da saúde como tema recorrente nas conversas aponta para circunstâncias delicadas no que toca às necessidades básicas da comunidade, apresentando-se como uma das carências de infraestrutura mais severas. É evidente que problemas relativos à falta de acesso a medicamentos e atendimento médico apropriado repercutem em outros aspectos da vida social ao impor limitações às condições de vida da população. Mas, por outro lado, esses homens e mulheres parecem lidar bem com tais limitações e seguem projetando-se positivamente para o futuro.
b) O futuro
Nas falas das entrevistadas foi constante a referência ao futuro. Quando motivadas por perguntas a falar neste assunto foi forte a expressão de uma crença sólida nas possibilidades positivas para um futuro no Sutil. Com isso é possível se perceber que as ideias de “superávit de intencionalidade” de Rüsen e “inédito viável” de Freire se expressam. A mobilização da consciência dos do Sutil permite-lhes que coloquem a comunidade numa situação de projetar-se para o futuro. Denota-se esse sentimento conforme os depoimentos abaixo.
No momento da entrevista uma das alfabetizandas se encontrava cuidando de seus netos, aos quais se refere: “Eu espero muita coisa pra eles, pra frente aí. O futuro pra eles, é o que a gente espera né. Pros netos pros outro tudo né, a gente não pode pensar só em si né.” (Entrevistada 3). Aqui se coloca a gama de expectativas acerca das possibilidades que se apresentam para as vidas dos futuros adultos da comunidade. Isso constitui um impulso significativo para o desencadeamento de implementos positivos mais adiante, os quais não encontram condições de se manifestarem se não for antes expressa a esperança de sua viabilidade, expressando mais uma vez o “superávit de intencionalidade” de Rüsen e “inédito viável” de Freire.
Outra alfabetizanda também se projeta o futuro referindo-se ao seu filho. Neste caso a entrevistada demonstra um descontentamento com sua situação pessoal, de forma que nela não se vê a mesma empolgação que com outras entrevistadas, no entanto o que é interessante deste depoimento é a aposta feita na educação como possibilidade de um futuro melhor:
Ah, eu acredito né, se Deus quiser né. Daí às vezes ele não quer ir, [para a escola] daí ele diz, ‘não hoje eu não vou’. Tô cansado, mas eu digo tem que ir. Tem que ir pra escola né, vai ficar fazendo o quê aqui né? Nesse lugar não tem nada, você tem que estudar. Daí ele vai né, daí às vezes eu chego ir junto com ele no ponto né, ele pega o ônibus ali. Às vezes ele fala, ah mas eu tô cansado de ir pra escola. Mas eu digo: ‘cansado o quê?’ Pois, falei pra ele, se acha que se eu tivesse um estudo bom, você acha que eu tava aqui olhando pra esse mato aí. Em casa aí, fazendo o quê? (Entrevistada 4)
Eis aqui um exemplo de investimento por parte da comunidade, de compromisso com o processo educacional, centrado na ideia de que este venha a garantir a emancipação dOs do Sutil. A demonstração da alfabetizadora, ainda mais otimista, é de que o Sutil é o lugar da promessa, e nela há uma aposta. Trata-se dessa possibilidade de futuro, esse projeto que justifica a mobilização da consciência, no sentido de fortalecer a identidade do grupo e de criar possibilidades de que se tenha uma vida feliz:
Eu acredito. Eu acredito por isso que muitos perguntam: “por que você não vai fazer uma faculdade fora daqui?” eu posso morar fora, mas daqui eu não saio, meu futuro é aqui dentro. Eu nasci aqui eu vou morrer aqui. Então aqui tem muito futuro, muito muito mesmo. Então eu acredito muito, desde cresce muito, as pessoas crescerem como pessoas. (Entrevistada 6)
A organização dOs do Sutil ultrapassa os projetos individuais, assim se fortalece, se cria a ideia de pertencimento, ainda que a pós-modernidade proporcione um jogo com a identidade. Jogo que pode ser interpretado como estratégico de um grupo que, talvez, achasse no processo de afirmar-se ou negar-se a possibilidade de manutenção de sua existência. Para isso o desafio é sempre passado às novas gerações:
Então aqui eu vejo, eu sempre digo pras crianças que estão crescendo, eu digo pra eles não desistirem, não desistirem eu to ali colocando na cabeça deles porque o Sutil é eles. Eles vão fazer o Sutil, nós tamos lutando pelo nosso território pra nós termos pra eles, não pra nós. (Entrevistada 6)
Quando se vê, portanto, a difícil identificação por parte dos mais velhos enquanto quilombolas, conforme observado, talvez isso tenha sido estratégia de sobrevivência em suas juventudes. Entretanto, uma leitura possível é que isto permitiu a existência dos jovens de hoje que, munidos de novas estratégias, também contribuam para que os que hoje são crianças possam mobilizar as gerações futuras.
A expressão mais nítida dessa possibilidade de futuro é aparente na fala da alfabetizadora que expõe seu sonho de escola para o Sutil:
Ah, eu faria a escola quilombola, os nossos, nossa identidade mesmo, pra que quando alguém chegar aqui perguntar a gente soubesse tudo, sabe. Tudo sobre nós mesmos. Claro que não vamo ficar focado só naquilo, mas também saber a nossa identidade. Eu formaria uma escola quilombola. (Entrevistada 6)
Essa identidade, concebida como substância, afirma Hall, “fixa, essencial ou permanente”193
, encontra-se algo deslocada em meio à fragmentação das estruturas do sujeito e da “celebração móvel” que caracteriza uma pós-modernidade. Entretanto, esta conjuntura de mobilidades e constantes reformulações não impede a existência e manutenção dos sonhos nem o florescer da expectativa acerca das possibilidades que o futuro reserva.
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ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
As reflexões, leituras e coletas de dados desses dois últimos anos permitiram que algumas considerações fossem tecidas. Em todo o percurso até aqui buscou-se o cumprimento dos objetivos propostos no início do programa. Junto com os objetivos algumas expectativas foram criadas. É certo que o “objeto” estudado não corresponde aos desejos do pesquisador. Alguns dos dados que se esperavam não se concretizaram conforme o idealizado. Esperava-se que o programa fosse consistente, efetivo.
Quando se vê a propaganda governamental anunciando os índices de sucesso em relação à alfabetização, por um lado, mas se observa com maior atenção a realização do programa, por outro, vê-se que há uma distância entre o idealizado, o que se pensa, o que se tem como proposta, e sua efetivação. Os resultados e análises aqui descritos foram resultados de um momento importante da formação de um pesquisador. De certa forma, a inexperiência seja um bom trunfo para se pedir desculpas pela precariedade deste trabalho.
O que se esperava com a elaboração do projeto era a verificação e o entendimento de como se deu a implantação de um programa educacional governamental em uma comunidade específica. Neste caso, o programa escolhido foi o Programa Paraná Alfabetizado da Secretaria de Estado da Educação. A comunidade foi uma Comunidade Remanescente Quilombola: O Sutil. Os motivos que conduziram às duas escolhas foram vários, sobretudo pelo fato de que estas duas situações são referentes aos problemas sociais brasileiros: o analfabetismo e a situação da comunidade negra. Ademais, contou-se com outras influências, como a aproximação com as reflexões teóricas do programa de pós-graduação Mestrado em Educação da UEPG.
Ao iniciar a pesquisa foi possível constatar a confluência de três esferas no trabalho: a realidade de uma comunidade específica; a implantação de um programa governamental e as reflexões teóricas. Essa confluência permitiu a elaboração de uma pergunta central sobre a qual é possível desenvolver algumas reflexões, ainda que uma resposta definitiva esteja fora do alcance.
Quando do início da pesquisa se esperava que o objeto se comportasse de tal modo a corresponder às idealizações. Esperava-se que todo o programa governamental acontecesse conforme o anunciado pela propaganda oficial. Paralelamente à pesquisa foi possível acompanhar a veiculação de discursos e propagandas anunciando os “êxitos” promovidos pela política social do governo do estado, concomitantes às eleições estaduais.
Ao mesmo tempo, as leituras e reflexões teóricas apontaram para a discussão de um modelo de alfabetização de jovens e adultos. Percebeu-se que uma proposta de alfabetização não está restrita a uma técnica; antes, relaciona-se a um modelo em sentido mais amplo, está ligada às concepções filosóficas, teóricas da realidade, do mundo e do homem. Isso implica em decisões políticas, em direcionamentos das ações, tanto por parte dos membros da comunidade quanto por parte do gestor dos sistemas.
Uma primeira impressão a ser registrada é o descompasso entre o “modelo” anunciado e àquele que se efetiva nas relações cotidianas. O que se anunciou publicamente a respeito do Programa Paraná Alfabetizado (PPA) correspondia às reflexões teóricas suscitadas durante as leituras no programa de pesquisa. No entanto, essa correspondência não foi percebida quando da chegada ao campo.
O modelo de alfabetização anunciado pelo programa Paraná Alfabetizado pode ser identificado como um modelo de base teórica freiriana. Basicamente, em termos de método, isso corresponde a alfabetizar a partir de temas geradores, palavras que proporcionam a formação de famílias silábicas e a formação de novas palavras, conforme exposto. A novidade de tal método está em partir da globalidade e complexidade do mundo e de sua leitura para a sistematização em palavra escrita: a codificação e a leitura da palavra escrita, enquanto decodificação.
Tal modelo visa à substituição do método tradicional que parte de fragmentos para a construção do todo: a palavra. Uma alfabetização freiriana não é apenas uma mudança da técnica, da metodologia de alfabetizar. Indo além, a educação freiriana pressupõe uma mudança de concepção da relação do sujeito com o conhecimento e do processo de construção desse mesmo conhecimento.
Neste sentido, uma educação freiriana deve primar por uma relação de dialogicidade entre os que dominam o sistema de codificação e decodificação com
aqueles que possuem uma leitura de mundo que antecede a leitura da palavra. De modo geral, qualquer tentativa de implementação de ação educativa deve considerar este pressuposto, em prol da emancipação do humano.
No caso da CRQ do Sutil esta atitude dialógica foi percebida com deficiências. A começar pelo modo como se instalou uma turma de alfabetização na comunidade. A partir das entrevistas a impressão que se consolidou aos poucos é a de que a comunidade não foi ouvida ao ponto de se identificar as reais necessidades para a criação de uma turma de alfabetização. Essa impressão se intensifica com a percepção de uma falha no levantamento de informações sobre o número de analfabetos na comunidade. Viu-se que o IBGE não disponibiliza de um filtro que permita verificar a situação específica da comunidade, por exemplo.
As entrevistas também evidenciaram a existência de uma preocupação insistente do governo em abrir turmas de alfabetização em comunidades remanescentes. Isso pode ser lido como uma tentativa de resposta do próprio governo às cobranças de atendimento de grupos em vulnerabilidade social. Não há duvida de que os direitos desses agrupamentos tenham que ser atendidos, mas o que se coloca em questão aqui é o modo como o cuidado com estes mesmos direitos é efetivado.
Fica evidente uma preocupação com o anúncio de que o estado está cumprindo seu papel. Mas, como? Em que condições? Por outro lado, não se pode afirmar que deveria ser diferente, mas a comunidade tem aceitado todos os programas que possam reverter em algum benefício para seus membros. Ainda que por vezes tal interesse possa parecer particular.
Quando se deu início às propostas para entrar na comunidade com o intuito de acompanhar as aulas da turma de alfabetização imediatamente se verificou a resistência às observações. Vias alternativas foram tentadas até que se estabelecesse uma certa proximidade com alguns membros. Do que se observou durante todo o tempo da pesquisa, destacam-se fortes indícios de que o Programa Paraná Alfabetizado se realizou com várias deficiências.
No decorrer da pesquisa, impressionou as dificuldades de agendamento de visita; aos poucos em conversas isoladas, em entrevistas, revelou-se que não se tratava de uma dificuldade do tratamento da investigação proposta pelo observador,
mas de uma dificuldade enfrentada pela própria comunidade, a de justificar as falhas da efetivação do programa Paraná Alfabetizado. Não raras foram as vezes que se manifestou o sentimento de que o pesquisador possivelmente era visto como um fiscalizador. Se essa imagem se formou, obviamente não correspondia à realidade.
Essa situação aponta justamente para um dos pressupostos essenciais da educação de jovens e adultos, sobretudo de cunho freiriano: o diálogo. O estado não assumiu canais de comunicação ou espaços de diálogo em que a comunidade pudesse debater e refletir sobre o que estava acontecendo. A solução mais imediata era apresentar dados, listas e assinaturas que comprovariam que tudo ocorria conforme o planejado. Demonstração evidente das falhas da sistematização burocrática.
Com isso ficou evidente a falha, por parte do gestor público preocupado com índices e com anúncio de resultados, em promover um programa que efetivamente proporcionasse o domínio do código escrito. Que tornasse a vida dOs da comunidade do Sutil melhor, como lhes é de direito. Contentava-se com a técnica, ao invés de se promover um processo real de dialogicidade, em função da resolução dos problemas da realidade próxima dos alfabetizandos, fazendo com que o processo de alfabetização assumisse real sentido de mudança.
A comunidade, por sua vez, fez o que pôde. Compactuou com a ineficiência das políticas públicas e de seu gestor. As impressões que se formaram a partir das observações da comunidade do Sutil é a de que tal atitude corresponde a uma estratégica, como pode ocorrer em outros ambientes. No Sutil a situação talvez possa ser considerada mais aguda. É possível visualizar o Sutil como uma comunidade estrategista, mesmo que talvez todo agrupamento humano seja; porque uma leitura possível é que ali esta seria uma característica produzida pelo contexto histórico da formação da mesma. As dificuldades de manutenção da propriedade e a sistemática “invasão” das terras que pertenciam aOs do Sutil fizeram com que a comunidade estabelecesse diversas estratégias para a manutenção dos seus, de seus costumes e de sua identidade, nem que para isso a própria identidade tenha que se constituir em moeda de troca.
O Sutil parece ter percebido que concessões foram feitas em todos os momentos. Constataram ainda que muitas vezes “o de fora” precisa ouvir não o que
de fato se pensa entre eles. Nesses jogos de identidade, Os do Sutil parecem ter percebido o caminho mais curto para a resolução dos problemas. Esse pensamento estratégico pode ser percebido já no estabelecimento dos compadrios, narrados por Hartung, entre os antepassados dOs do Sutil e seus senhores, proprietários da Fazenda Santa Cruz.
Outro exemplo significativo refere-se ao fato de que muitos do Sutil se afirmaram no decorrer de sua história, católicos. Ora, essa pode ter sido a segunda aliança estratégica para a manutenção da comunidade. Chama atenção o depoimento de uma entrevistada afirmando que suas práticas religiosas eram restritas às praticas do catolicismo. Porém, essa mesma senhora, em conversa informal, demonstrou conhecimento de crenças, práticas e costumes não restritos às práticas católicas ortodoxas. O que chama atenção não é o cumprimento do rito ou não, ou a realização de outras práticas ou não, mas a divergência na resposta.
Percebeu-se que, dependendo de quem faz a pergunta e seu contexto, a resposta torna-se variável, ensaiada. As afirmações dadas em uma entrevista não asseguram a apreensão de um fato. Com isso, percebe-se que as informações dadas pelos sujeitos entrevistados não são informações puras, desprovidas de interferências. Os sujeitos envolvidos interferem ao aplicar sua compreensão do que está acontecendo. Tanto pesquisador, quanto pesquisado, não são isentos no processo de construção de dados. Talvez ela seja a demonstração de que a comunidade aprendeu que o que se diz para aquele que vem de fora não precisa necessariamente corresponder ao que se diz para outras pessoas ou em outras situações. Ou seja, na entrevista formal dá-se uma resposta, na conversa informal outros elementos se deixam emergir.
Quando ao “compadrio” ou aliança estabelecida com o poder laico institucionalizado, o Estado, a comunidade parece ter percebido que o caminho de estabelecer relações com seu mais novo e forte senhor não pode ser a via do confronto. A comunidade percebeu que o Estado lhes dá certos benefícios desde que se tenha em troca assinaturas, formulários, documentos, votos, etc.
Em três tempos a comunidade fez três grandes alianças: convidou os senhores para batizar seus filhos; construiu um templo e um cemitério para a efetivação da liturgia católica; por fim, aderiu aos programas e às burocracias do
Estado. Nas três alianças objetivou benefícios. Os do Sutil demonstram estar atentamente ligados aos acontecimentos e às relações do seu tempo. Talvez o caminho escolhido pelos seus membros não seja o mesmo caminho escolhido por outros grupos ou por algumas utopias. Com isso é possível que se evidencie o como Os do Sutil, em cada tempo, mantiveram-se modernos.
ALGUMAS PROPOSIÇÕES
Não se pode negar a boa intenção de se ter um Brasil e um Paraná alfabetizado. Sem dúvida é louvável uma gestão que se propõe a oferecer aos excluídos o acesso aos códigos de leitura e escrita. Porém, o modo como se