PART 7 - STANDING OFFER AND RESULTING CONTRACT CLAUSES
B. RESULTING CONTRACT CLAUSES
2. T ASK A UTHORIZATION
Para estabelecer relações entre os conceitos de representação coletiva e
representação social procurei partir do significado do termo representação, que no
Dicionário de Filosofia (Brugger, 1987) se apresenta da seguinte forma:
... em sentido filosófico nato, é toda espécie de apresentação intencional de um objeto, quer intelectual, quer sensorial, pertencente aos sentidos externos ou internos (…) Representação, em acepção psicológica estrita (…) é a operação pela qual tornamos presentes a nós mesmos dados sensoriais, em virtude, não de excitantes imediatamente operantes, mas de ‘vestígios’ de percepções anteriores. (Brugger, 1987: p.361)
O estudo das representações nas ciências sociais tem sua origem no final do século XIX, com Émile Durkheim, considerado o “pai” da Sociologia. Este criou o conceito de representação coletiva, no sentido de diferir dos conceitos científicos. A concepção de Durkheim procura situar as representações dentro de uma coletividade, mas tal coletividade não é especificada em grupos distintos, ou seja, como se imperasse um paradigma do consenso (Reigota, 2001).
Já entre os anos 1920 e 1930, as representações começavam a ser consideradas pela Sociologia do Conhecimento, por autores como Bachelard, Lukács, Mannheim, os quais buscavam em seus estudos as origens sociais do conhecimento. Nesse sentido, é admitido outro paradigma, o da contradição (Reigota, 2001). As representações são vistas dentro de determinados grupos sociais, ou seja, importando agora o contexto de ação coletiva, o qual se concretiza com base na luta social de classes.
O conceito de Representação Social de Moscovici surge nos anos 1960, com o seu trabalho A Representação Social da Psicanálise, sendo atualmente
considerado um dos conceitos-chave para a Psicologia Social. As representações sociais são vistas mais como fenômeno a ser estudado, e não somente um conceito, contribuindo assim, para os processos de formação de condutas e de orientação das comunicações sociais. Como uma versão contemporânea do senso comum, ou conhecimento do cotidiano, dinâmico, em constante processo de reorganização, e que favorece a compreensão da relação entre saberes imediatos e saberes sistematizados e constantemente lapidados, como no caso das ciências.
Quem conheça a história das ciências sabe que a maior parte das teorias e noções muito abstratas acudiu primeiro ao espírito de cientistas ou surgiu numa ciência sob um modo figurativo, prenhe de valores simbólicos, religiosos, políticos ou sexuais. (...) Somente por uma série de destilações sucessivas é que eles receberam uma tradução abstrata e formal. (Moscovici, 1978: p.66)
A Teoria das Representações Sociais reconhece como princípio a relação entre sujeito e objeto, ou ainda, entre os conceitos e as percepções, se consolidando como instrumentos de comunicação entre ciência e senso comum. Os conceitos já estabelecidos na Sociologia e na Psicologia, sendo alguns já apontados nesse trabalho, são comentados pelo autor à medida em que o mesmo explica as peculiaridades da representação social. Esta é comparada com noções de opinião (como a atitude e o preconceito) e de imagem. As noções psicossociais enfocadas por Moscovici têm em comum uma epistemologia que considera uma relação dinâmica entre sujeito e objeto, na interação social entre os sujeitos.
Os conceitos de imagem, de opinião e de atitude não levam em conta esses vínculos, a abertura que os acompanha. Os grupos são encarados a posteriori de maneira estática, não na medida em que criam e se comunicam, mas enquanto utilizam e selecionam uma informação que circula na sociedade. (...) as representações sociais são conjuntos dinâmicos, seu status é o de uma produção de comportamentos e de relações com o meio ambiente, de uma ação que modifica aqueles e estas, e não de uma reprodução desses comportamentos ou dessas relações, de uma reação a um dado estímulo exterior. (Moscovici, 1978: p.50)
Buscando uma distinção entre os conceitos de representação coletiva e representação social, Moscovici salienta que o primeiro refere-se a produções simbólicas institucionalizadas, que “articulam uma vasta classe de formas intelectuais”, como a ciência, a religião, os mitos (Moscovici, In: Forgas, 1982). Além
disso, tal conceito supria um contexto mais tradicional na abordagem do conhecimento, o qual estava mais restrito às classes privilegiadas, como as detentoras dos “saberes”, e por isso com poucas chances de se propagar rapidamente para a população em geral.
As representações sociais, ao contrário, surgem num contexto onde os meios de comunicação de massa já se expressam como potentes disseminadores de conhecimento, propiciando uma circulação entre os diversos saberes, e com isso, ampliando o acesso à população em geral. Além disso, os sistemas unificadores, como a ciência e a religião, expressam uma crescente incompatibilidade, salienta Moscovici. As representações coletivas são estáticas, ficando mais na esfera da sua detecção do que da sua explicação como fenômeno. As representações sociais buscam esclarecer, singularizar a generalização de Durkheim. Enquanto que as representações coletivas,
... são um termo explanatório que designa uma classe geral de conhecimentos e crenças (...) do nosso ponto de vista, elas constituem um fenômeno que precisa ser descrito e explicado. (...) As representações sociais são fenômenos que estão ligados com uma forma especial de se adquirir e comunicar conhecimento, uma forma que cria realidades e senso comum. (Moscovici, In: Forgas, 1982)
É interessante salientar que alguns textos sobre representações sociais voltados para a Educação acabam indicando as representações coletivas como sinônimo das sociais. Nesse sentido, ocorre que as distinções entre os contextos históricos de desenvolvimento de cada conceito acabam não sendo considerados, e por isso, ambos são colocados como iguais.
Após esse momento de esclarecimento conceitual, aponto alguns aspectos da Teoria das Representações Sociais, e as suas contribuições para a presente problemática de pesquisa.