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Articulation entre l’AIS et les théories de la moralité

Les capitalistes du monde sont unis

2.5 Articulation entre l’AIS et les théories de la moralité

Tendo em conta os objetivos do estudo, a escolha dos instrumentos e a população, utilizámos uma metodologia quantitativa para tratamento e análise dos dados. Este ocorreu em diversas fases, tendo em conta os vários estudos e que passamos a explicar.

Numa primeira fase, de estudo prévio, houve a necessidade de verificar se os instrumentos a utilizar se apresentavam válidos, fiéis e sensíveis, quando adaptados aos adolescentes. Para tal, procedemos à análise das características psicométricas de cada um dos instrumentos, como documentámos anteriormente, verificando a fidelidade de cada instrumento através do Coeficiente de Alpha de Cronbach e a correlação entre cada um dos itens e a escala total. Seguidamente, procedemos à análise factorial, através do Teste de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO), procedendo ainda à análise da validade convergente.

Definimos ainda como iríamos proceder ao tratamento estatístico do instrumento de recolha dos dados sociodemográficos, tendo agrupado as respostas do seguinte modo:

Quanto à idade, a resposta foi tratada de duas formas: por anos no geral e por unidades intervalares. Por anos, sem construirmos unidades intervalares, uma vez que a faixa etária a que nos referimos é restrita (entre os 10 e os 17 anos, neste caso) e por outro lado, um ano, pode representar, nesta faixa etária grandes diferenças em termos de desenvolvimento individual. No entanto, a esta faixa etária global, correspondem dois momentos distintos em que ocorrem grandes e específicas mudanças em características diferentes do nosso desenvolvimento: a puberdade ou pré-adolescência e a adolescência. Assim, optámos também por fazer o estudo de todas as variáveis utilizando duas unidades intervalares: [10- 12] e [13-17]. Estas unidades intervalares correspondem também (se o aluno teve sucesso escolar), ao 2º ciclo e ao 3º ciclo respetivamente.

Quanto à profissão dos pais (pai e mãe), o nosso interesse nesta resposta não se prende apenas com o contexto socioeconómico, que pode ser responsável por situações de vulnerabilidade mas também com outras situações quer mediadoras de proteção quer de vulnerabilidade enquanto indicadores da presença ou ausência e influência da figura paterna ou materna, que podem estar inerentes à situação profissional dos pais, nomeadamente o desemprego ou a perda de um ou de ambos os pais como situação de vulnerabilidade. Deste modo, optámos por não utilizar a Classificação Nacional das Profissões, dado que estas categorias não correspondem ao que pretendemos comparar em termos teóricos, com as características dos atores da Violência, com a Resiliência e a com a Cultura Organizacional da Família. Assim, constituímos sete categorias, tendo agrupado as profissões em: 1. desempregado(a), 2. desconhece/falecido(a), 3. empregado(a) rural, fabril ou pescador (categoria onde agregámos ainda as empregadas domésticas, os empregados de bar/ café/ restaurante, empregado(a) de supermercado), 4. funcionário público (categoria onde estão incluídos todos os funcionários públicos, à exceção dos que têm uma profissão de ajuda. Estes funcionários possuem, na sua maioria, um horário de trabalho fixo que pode ser coincidente com o tempo de ocupação escolar dos seus filhos), 5. funcionário público com profissão de ajuda (onde incluímos as profissões onde a ajuda aos outros é o objetivo, nomeadamente enfermeiros, médicos, psicólogos, professores, assistentes sociais, polícias e bombeiros. Para esta categoria tivemos em conta que a maioria destes profissionais trabalha por turnos, sendo muitas vezes o seu horário de trabalho completamente diferente dos horários de trabalho dos seus familiares e amigos, o que obriga muitas vezes a uma diminuição do contacto social. Podem ainda estar em situação de prevenção o que pode

significar uma ausência inesperada), 6. Empresário (que diz respeito às pessoas que constituíram o seu próprio emprego, formando a sua empresa), 7. Cargos de chefia.

Quanto às questões onde moras e como te deslocas para a escola, permitem averiguar não só em que meio contextual (meio rural ou meio urbano) o aluno mora como averiguar a distância entre a casa e a escola e ainda perceber se o aluno utiliza transportes públicos ou se os pais possuem carro próprio e condições para poderem levar o aluno até à escola. A distância entre a casa e a escola foi identificada por Pacheco & Jesus (2002) como um fator de stress para os estudantes do Ensino Básico, em que quanto maior a distância de casa à escola, maior a situação de stress a que o aluno é sujeito. Por outro lado, quanto maior a distância de casa à escola ou quanto mais tempo o aluno está sozinho a caminho para casa ou para a escola, maior a oportunidade para ser agredido ou agredir fora do recinto escolar. Também a forma como se desloca pode ser facilitadora de agressão, uma vez que, quando se desloca a pé ou de bicicleta, pode fazê-lo sozinho e estar por isso mais vulnerável.

Finalmente a questão onde nasceste, permite associar a resposta nas seguintes categorias: 1. Faro, 2. Portugal Continental, 3. Ilhas, 4. Ex-Colónias Portuguesas, 5. Europa, 6. Europa de Leste e 7. Resto do Mundo. Partimos dos pressuposto de que os alunos nascidos em Faro, se encontram perfeitamente integrados no local onde vivem, pois é o que conhecem desde sempre. No entanto, o facto de os alunos terem nascido fora do Concelho de Faro, implica para eles o conhecimento de mais do que uma realidade, sendo migrantes no seu próprio país. No que respeita aos alunos nascidos fora de Portugal, as categorias estabelecidas tentam esclarecer a adaptação dos alunos estrangeiros, partindo do pressuposto que os nascidos nas ex-colónias portuguesas (onde incluímos todos os países lusófonos), têm o conhecimento da língua falada, o que facilitará a sua integração. Por outro lado, os que vêm da Europa, Europa de Leste e do Resto do mundo, não possuem conhecimento nem da língua falada nem dos costumes, o que pode ser um óbice quer à sua integração, quer à aceitação pelos pares. Assim, podemos ainda perceber os fatores culturais (cultura) enquanto valores e crenças e o modo como podem influenciar situações de violência e vulnerabilidade e eventualmente, o desenvolvimento da resiliência.

Numa segunda fase, após a aplicação e validação dos instrumentos aplicados, contabilizámos 1361 alunos e suas famílias.

Para o tratamento estatístico utilizámos o programa informático SPSS (Statistical Package

Procedemos a um novo estudo das capacidades psicométricas das várias escalas e comparámo-las com os estudos anteriores, como podemos verificar no capítulo IV, subcapítulo 2.

Para decidir que tipo de testes usaríamos, procedemos ao estudo da normalidade dos instrumentos como podemos verificar mais aprofundadamente no capítulo seguinte, sabendo que, da literatura consultada, se verifica que em Ciências Sociais, a distribuição normal muito raramente é verificada pois a variável dependente resulta de um instrumento que mede atitudes e perceções (Hill & Hill, 2002; Maroco, 2003; Hill & Hill, 2005; Nave, 2009).

Deste estudo da normalidade que apresentamos aprofundadamente no capítulo seguinte, verificamos que a Escala de Violência entre Pares em Meio Escolar não é normal, apresentando uma distribuição assimétrica positiva. No entanto, uma vez que esta escala pretende medir a violência é compreensível porque é que a escala se apresenta enviesada à direita, uma vez que, apesar de se verificar cada vez mais violência, existe uma grande parte da população que não é sujeita a esta violência, pelo que não consideramos estranha esta distribuição.

No que respeita às escalas que constituem o Inventário da Resiliência, elas são aproximadamente normais, mas enviesadas à direita.

Quanto às escalas que constituem o Inventário da Cultura Organizacional da Família, são aproximadamente normais mas leptocúrticas.

Após termos feito o estudo das características da população, colocou-se-nos a questão de que tipo de testes utilizaríamos, em função da não normalidade. No entanto, atendendo à dimensão da população estudada (n=1361) e sabendo que quando a dimensão da amostra é grande o problema da não normalidade é minimizado (Nave, 2009), decidimos utilizar testes paramétricos no tratamento dos dados, visto que estes testes são mais potentes que os testes não paramétricos e têm maior probabilidade de diminuir o erro tipo I.

Para confirmar as hipóteses, verificando se as diferenças entre as variáveis são estatisticamente significativas, utilizámos para todos os testes um nível de significância (α= 0,05).

Assim, sempre que quisemos verificar as relações existentes entre as variáveis em estudo para confirmar ou infirmar as hipóteses, sempre que as variáveis sejam medidas pelo menos a nível intervalar, utilizámos a correlação de Pearson.

Para comparar as diferenças entre género sexual e o local de residência (ambas são variáveis dicotómicas e não quantitativas) nas variáveis em estudo, utilizámos o teste t de Student.

Para comparar as diferenças entre as restantes variáveis sociodemográficas e as outras variáveis em estudo quando não quantitativas e ordinais, utilizámos a análise de variância (One-Way – ANOVA).

Síntese

Neste capítulo procedemos às considerações metodológicas que nortearam a nossa investigação.

Inicialmente definimos o problema de investigação, após o que surgiram os objetivos do nosso estudo e a formulação das hipóteses a que queremos dar respostas.

Em seguida, procedemos ao desenho da investigação, demonstrando os procedimentos investigativos que seguimos quer na escolha e seleção dos instrumentos a utilizar, quer na escolha e seleção da população e dos condicionantes a esta seleção.

Demonstrámos ainda os procedimentos éticos e legais que tivemos em conta no prosseguimento da investigação.

Apresentámos depois o estudo prévio que permitiu validar a construção de uma escala e a análise das características psicométricas de todos os instrumentos selecionados.

Finalmente apresentamos o protocolo definitivo para a investigação e ainda, de forma resumida, o modo como procedemos ao tratamento e análise dos dados.