Andrea Nascimento17 tinha uma na vida corrida do mundo corporativo em São Paulo. Na época da gravidez ela trabalhava mais que o horário comercial pela qual foi contratava, ficando no expediente até as 20h. Ela não morava perto do trabalho. Após a licença
maternidade, ela retornou ao trabalho e passou a ter necessidade de sair do trabalho no horário em que foi contratada às 17h. Após isso ficava um horário tarde para ela buscar a filha na creche. Com isso, foi demitida. Um dia o chefe a convocou para uma reunião com o gerente do Recursos Humanos e comunicou que ela estava sendo desligada da empresa porque não estava cumprindo as metas, que o comprometimento dela estava diferente do esperado pela empresa. Ela atribuiu isso ao fato de começar a sair “mais cedo”, pois o ciclo das metas ainda não tinha sido fechado para avaliação profissional. Ela vivenciou o que Gomes, Guerra e Vieira (2011) identificou como uma das dificuldades que uma mulher enfrenta no mercado de trabalho após a maternidade é uma maior cobrança no que tange ao desempenho.
Ao contrário de muitas mulheres, ela entende o lado da empresa. Para Andrea, no capitalismo é complicado para uma empresa que tem fins lucrativos ficar distante de um profissional por 5 meses, ter de absorver um novo profissional e depois desta licença dispensar este colaborador que cobriu a lacuna. Ou então, aumentar o trabalho de outros funcionários. É uma situação difícil para as empresas. Ela compreende que ainda não se conseguiu achar um meio para que a licença maternidade funcione de tal forma a não deixar a empresa no prejuízo. Hoje, como empreendedora, ela se coloca no lugar do antigo empregador e percebe o quão complicado é essa questão para que atua com metas e fins lucrativos. “A lógica do capitalismo não faz muito sentido. A gente tem de entender que a empresa não é uma entidade social”, diz.
Andrea voltou para casa e começou a procurar novo emprego com restrição ao perímetro próximo à sua residência. Surgiram várias entrevistas, mas sempre a questionavam se tinha filhos, como ela faria se o filho adoecesse, se ela tinha alguém que se responsabilizasse por ele, pois precisavam de alguém que se dedicasse integralmente à empresa. Então ela decidiu não retornar ao mercado de trabalho.
A primeira iniciativa foi um blog que tratava sobre a maternidade. Através deste blog ela entrou em contato com o tema do empreendedorismo, pois conseguiu trazer de volta ao seu cotidiano uma amiga que já era empreendedora. Essa amiga a contagiou com o empreendedorismo. Então, surgiram ideias de como monetizar o blog, criar produtos para venda, além do conteúdo. Essa amiga precisou se afastar e Andrea passou a participar de congressos sobre empreendedorismo, se aproximou do tema empreendedorismo materno até chegar ao ponto de desejar abrir uma loja. Convidou uma outra amiga para ser a sócia para vender roupas através do e-commerce.
E assim foi iniciada a loja virtual que trabalha com roupas infantis. Esta loja tem como ideologia relacionamento com fornecedores que sejam brasileiros ou sejam empreendedoras maternas que fabriquem roupas que respeitem a infância, sem sensualização e com estampas que não tenham a questão do gênero muito marcada.
Andrea ressalta o SEBRAE para que sua empresa se tornasse viável. Ela fez todo o processo de planejamento com o antes de abrir o negócio, cursos como Canvas, fluxo de caixa, precificação. Somente após essa preparação que elas abriram a loja. Andrea era uma blogueira de maternidade que tinha um site com 33 mil seguidores, tinha tudo na mão. “Se apenas 1% desses seguidores se tornassem clientes a loja seria sucesso”, revela. Ocorre que ela não vendia nem para os amigos. Por ser diferenciado, o produto era caro. O preço não era tão competitivo como lojas de departamento, pois ela. Isso, por si só, já tem valor de mercado mais elevado. “A gente tem uma falsa ideia que é mais barato vender na Internet do que na loja física, pois ninguém bate na sua porta”.
Diante desse cenário ela resolveu perguntar para outras mães empreendedoras com loja virtual e que fossem experientes para dar dicas sobre o porquê dela não conseguia vender. Houve retornos positivos que a fizeram chegar a conclusão de que a Internet funciona ou com produto mais barato que o encontrado nas lojas físicas ou ofertando produtos que o cliente precise, que solucione um problema. Foi então que elas entenderam que precisavam achar um nicho. Decidiram que era necessário reavaliar todo o negócio, readaptar o planejamento que elas já haviam feito.
Hoje ela está se especializando em produtos específicos para desfralde. E isso começou a gerar vendas. Nesse momento ela que ela compreendeu o que é o e-commerce, que é “atuar em um nicho”, respondendo a uma necessidade do cliente. “Internet é o local de preço ou solução de problemas”. Andrea tinha o produto certo, mas na plataforma errada. Somente agora ela está chegando no ponto de equilíbrio do negócio e começando a ter lucro. As vendas começaram a deslanchar em bazares que as sócias participaram no final do ano de 2015, gerando muitas vendas. Através desses produtos de desfralde Andrea passou a vender as roupas, pois ambos os produtos estão no site. Percebe-se que essa empreendedora apresenta uma das características que Aidar (2007) destaca para os empreendedores bem-sucedidos, que é a disposição para mudar a estratégia rapidamente de modo a atender às novas exigências do mercado ou reposicionar o negócio. Para esta empreendedora, o comércio eletrônico tem papel relevante para a viabilidade e sucesso do seu empreendimento.
Andrea busca seguir uma rotina bem planejada. Pela manhã arruma a filha para a escola, faz academia e às 9h tem o foco no trabalho, onde permanece até as 16h. Nesse período ela vai atrás de fornecedor, correio, telefone, constrói conteúdo, precifica e se dedica ao blog. A sócia entra depois e fica até mais tarde.