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Article  C Raynaud et al., soumis à J Mol Struct

A etapa seguinte direcionou as questões para o conhecimento que os entrevistados têm sobre opções reais como método de avaliação de investimentos.

A maioria dos entrevistados afirmou não conhecer o método de opções reais. Apenas executivos das empresas 1, 5 e 8 conheciam esse método. É importante frisar que os executivos que afirmaram conhecer opções reais têm histórico acadêmico na área administrativa, em adição ou não à área de tecnologia de informação.

Em nenhuma das empresas, o método foi utilizado formalmente para justificar investimentos em TI. Tampouco, houve uma mensuração dos valores das opções existentes nos projetos.

Em seguida às questões sobre conhecimento e aplicação do método, para os executivos que declararam não conhecê-lo, foi dada uma breve explicação dos conceitos de opções reais e quando eles poderiam ser utilizados. Essa estratégia visou a permitir investigar se, mesmo não conhecendo formalmente o método, seus conceitos foram aplicados na decisão.

Os entrevistados das empresas 7, 8 e 9 registraram que mesmo os conceitos de opções reais não foram utilizados em decisões de investimento em TI. Já os entrevistados das demais empresas confirmaram que, em algum momento e em alguma medida, esses conceitos foram incorporados à análise.

Os executivos da empresa 1 comentaram que o conceito de opções reais foi usado na determinação do ERP, mas em menor escala. Como os benefícios esperados pelo investimento não foram somente de realização imediata, havia uma possibilidade de geração de valor posterior, o que se configurava como uma opção e não como um resultado determinado a priori. Nas discussões internas previamente à decisão, foram elencadas situações geradas pela implantação do ERP que tinham similaridades com decisões contingenciais.

Para um dos executivos da empresa 1, a utilização de opções reais atualmente nas empresas está para a utilização do método do valor presente líquido nas empresas há vinte anos. Segundo ele, talvez seja uma questão de tempo para que as empresas incorporem esta prática em seus métodos de orçamento de capital. A partir daí, a utilização em projetos de TI seria mais fácil, naqueles casos nos quais sua aplicação fosse possível.

Por último, foi pontuado que este método embute certo grau de dificuldade de mensuração. A identificação dos elementos e a projeção de valores das opções impõem um desafio aos avaliadores.

O executivo da empresa 3 confirmou esta utilização não formal para os projetos com características estratégicas. Segundo ele, os benefícios esperados de tais projetos não são facilmente determinados. No entanto, espera-se que esses projetos abram um leque significativo para gerar valor e aproveitar oportunidades criadas. Mais uma vez, fez referência a determinados projetos que, por sua natureza estratégica, não poderiam ser divulgados, mas certamente foram justificados, em parte, pelas características possíveis de serem mensuradas por opções reais.

O executivo da empresa 6 foi enfático ao afirmar que “em TI, faz todo o sentido a utilização de opções”. Em determinado caso, um projeto foi dividido em

três módulos, a fim de mitigar riscos intermediários e verificar como poderiam ser aproveitadas oportunidades surgidas pela sua implantação. Sem detalhar, afirmou que, se não fosse avaliado dessa maneira, o projeto talvez não tivesse sido aceito pelo comitê. Ressalta-se que não foram realizados cálculos para determinação do valor das opções embutidas nessa situação. Foram apenas discutidos possíveis impactos no fluxo de caixa da empresa, sem maior grau de precisão.

O executivo da empresa 8, apesar de registrar a não utilização de opções reais no processo decisório dos investimentos em TI, afirmou que a empresa já utilizou em investimentos de outras naturezas, tais como na avaliação de outras empresas a serem adquiridas. O processo de due diligence (investigação detalhada de uma empresa para permitir sua avaliação) seria uma forma de opção adquirida.

Ainda segundo ele, em princípio, para projetos de TI não seria viável por falta de cultura na avaliação quantitativa, pois, na empresa, a avaliação desses projetos ainda se dá predominantemente de maneira subjetiva. Além disso, ele registrou também uma possível dificuldade em mensurar, de forma apurada, os valores das opções nesses tipos de investimentos, haja vista que atualmente já existe uma dificuldade em prever fluxos de caixa passivos (sem a hipótese de flexibilidade gerencial).

6 ANÁLISE CONSOLIDADA

A presente pesquisa decorreu predominantemente da clara percepção de que a tecnologia de informação (TI) permeia cada vez mais o âmbito empresarial. Do ponto de vista operacional, parcela relevante das atividades desenvolvidas pelas empresas requer o suporte da TI. Do ponto de vista competitivo, muitas empresas ancoram parte de suas estratégias em tecnologias inovadoras. Do ponto de vista decisório, tal utilização requer um processo bem estruturado e alinhado aos objetivos traçados. Do ponto de vista financeiro, com essas circunstâncias, a TI requer investimentos maciços e recorrentes.

Por esses e outros motivos, analisar e avaliar adequadamente os investimentos em projetos de TI, a fim de verificar previamente sua viabilidade e tomar uma melhor decisão, são fatores importantes em uma empresa, principalmente se ela apresenta uma forte dependência da TI. Além de buscar subsidiar orçamentos de capital complexos, com algum grau de incerteza e com prazos longos de maturação, essas avaliações servem aos propósitos de maximizar o valor gerado pelos investimentos em TI, seja ele quantitativo ou qualitativo.

A presente pesquisa foi conduzida nesse sentido. Em linhas gerais, para um setor da economia cearense, buscou-se descrever, de maneira tão aprofundada quanto possível, a prática usada para avaliar e justificar ex-ante os investimentos em TI, considerando o contexto no qual essa decisão é tomada. Portanto, foram investigadas as categorias de projetos de investimento em TI, os tipos de benefícios esperados, os riscos assumidos e os métodos de avaliação empregados.

Em adição, buscou-se identificar se a abordagem de opções reais poderia ser adequada a esses casos, tendo como base a hipótese de existirem algumas características indicadoras dessa aplicação, tais como flexibilidade gerencial, incerteza nos resultados esperados e secção do projeto em etapas. A observância de tais características permite verificar se a abordagem sugerida é adequada.

Para tanto, utilizou-se como objeto de investigação, um setor produtivo proeminente na economia do estado do Ceará. A indústria alimentícia corresponde a uma notável parcela do produto interno bruto deste estado, bem como tem representantes com destacada participação nacional. Elas são também fortes empregadoras, além de serem intensivas em capital fixo.