Acerca dos procedimentos de análise de dados, as abordagens adotadas foram quantitativas e qualitativas.
Segundo Gil (2009) é nesta fase a pesquisadora utilizou a estatística e, particularmente, seu senso crítico para interpretações, conclusões e sugestões pertinentes ao enfoque do assunto investigado. Sendo assim, a abordagem quantitativa é fundamentada na compilação e na tabulação dos questionários, transformando-os em estatísticas para os questionamentos de perguntas fechadas.
Para Vergara (2004, p. 59), “a interpretação busca dar um sentido mais amplo aos dados coletados, fazendo parte entre eles e o conhecimento existente”. Com isso, os dados coletados por meio do questionário estruturado impresso foram então descritos estatisticamente num banco de dados no software Excel, versão 2013. A partir da base de dados, foram gerados gráficos, quadros e/ou tabelas, fundamentados em índices percentuais, para melhor visualização e interpretação pela pesquisadora.
A abordagem qualitativa relaciona-se, neste estudo, à entrevista, e às questões abertas do questionário. Nesse sentido, Sampieri, Callado e Lucio (2013, p. 373) explicam que “o processo qualitativo não é linear, mas interativo e recorrente, as supostas etapas são na verdade ações para que possamos penetrar mais no problema de pesquisa”. Portanto, a atividade de coletar e de analisar dados ocorre permanentemente e de maneira simultânea.
Com esse objetivo, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo, que, para Bardin (2009), possibilita agrupar os dados em categorias. A análise de conteúdo corresponde a um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que usa procedimentos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. Gomes (2003) complementa o pensamento ao dizer que as categorias são empregadas de tal forma que buscam estabelecer classificações, ou seja, trata-se do agrupamento de elementos ou de expressões em torno de um conceito que os representa.
A análise de conteúdo, segundo Chizzotti (2008), permite a interpretação da informação contida num texto, utilizando-se de normas sistemáticas para extrair os significados temáticos ou lexicais, a partir dos componentes textuais mais simples, relacionando a frequência da citação de alguns temas, palavras ou ideias de um texto
para mensurar o peso relativo combinado a um determinado assunto pelo seu autor. Ainda para Chizzotti (1998, p. 98), o objetivo da análise de conteúdo é o de “compreender criticamente o sentido das comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas”. No entanto, a definição do método mais apropriado é estabelecida a partir do documento a ser analisado, dos objetivos da pesquisa, bem como do posicionamento ideológico e social do analisador.
Por sua vez, Flick (2013, p. 291) ressalta que “a análise de conteúdo é um dos procedimentos clássicos para analisar o material textual, não importando qual a origem desse material”. Por sua vez, Gil (2009, p. 98) acrescenta que a análise de conteúdo pode ser recomendada para os propósitos a seguir:
auxiliar na identificação das intenções e outras características dos comunicadores;
identificar o status de pessoas ou de grupos;
revelar atitudes, interesses, crenças e valores dos grupos; identificar o foco de atenção das pessoas e grupos; e
descrever as atitudes e respostas aos meios de comunicação.
Bauer (2002) preconiza que a análise de conteúdo possibilita reconstruir indicadores, cosmovisões, valores, atitudes, opiniões, preceitos e estereótipos e compará-los entre comunidades. Em outras palavras, a análise de conteúdo permite uma análise das informações manifestadas de forma intencional ou não. É um conjunto de procedimentos especializados e científicos cuja finalidade é extrair o sentido de um texto por meio das unidades elementares, palavras-chave, léxicos, descritores, termos específicos, categorias, entre outros. Para esta pesquisa, foram utilizadas algumas palavras-chave, como: direito autoral, gestão do conhecimento, educação a distância etc. agrupadas após a entrevista e a aplicação do questionário, nos questionamentos abertos.
Nessa etapa do estudo proposto, adotou-se especificamente como um desdobramento da análise de conteúdo a técnica da análise categorial, descrita por Bardin (2009, p. 111) como “operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por agrupamento segundo o gênero (analogia), com os critérios previamente definidos”.
Para esta pesquisa, a escolha dessa técnica justificou-se em função da possibilidade de otimizar a organização das diferentes informações obtidas com as perguntas abertas. Ainda para Bardin (2009), a categorização é coerente para
circunstâncias nas quais os elementos de análise são respostas a perguntas abertas, entrevistas ou reuniões em grupos. Como sequência da análise, apresenta-se a seguinte proposta, conforme exposto na Figura 8:
Figura 8 – Fases da análise de conteúdo
Fonte: Adaptado de Bardin (2009).
Observando as etapas propostas por Bardin (2009), delineou-se um fluxo conforme será apresentado a seguir. Na primeira fase, pré-análise, foi realizada uma sistematização das ideias iniciais com vista a conferir as colocações feitas e seus significados, uso dos termos, de modo a estabelecer um padrão inicial. A segunda fase relaciona-se à exploração do material, com isso, é necessária a operacionalização da codificação fundamentada em regras precisas. Nesta pesquisa, os dados brutos do texto foram trabalhados por meio de recortes, agregação e enumeração, possibilitando alcançar uma representação do conteúdo. A terceira fase diz respeito ao tratamento dos resultados obtidos, inferência e interpretação.
Na sequência, a análise foi feita levando-se em consideração os objetivos propostos da pesquisa e ocorreu por meio da síntese e da seleção dos resultados. Para tanto, foram feitas inferências cujos sentidos foram extraídos dos dados coletados, permitindo o alcance da interpretação das situações investigadas de acordo com um rigoroso senso científico.
A transcrição da entrevista aconteceu nos dias 19 e 20 de novembro de 2018, destacando trechos relevantes da entrevista, visando atender as fases de análise de conteúdo. Após a transcrição, buscou-se sistematizar as ideias, fazendo os recortes necessários para então interpretar.
Quadro 4 – Síntese Metodológica da Pesquisa Objetivos Metodologia Caracterização da pesquisa Delimitação dos sujeitos de pesquisa Coleta dos dados Análise dos dados G eral
Identificar que tipo de ações podem contribuir
para melhorar o conhecimento organizacional sobre os direitos de autor, visando evitar violações e conflitos
na produção do material para EaD na SEDIS-UFRN.
Qualitativa Quantitativa Descritiva Estudo de caso Gestora da SEDIS Colaboradores do setor de produção do material didático Entrevista Questionário Observação participante Qualitativa (análise de conteúdo) Quantitativa (estatística) E s pe c ífi c os Descrever as etapas e os atores envolvidos na produção do material didático da SEDIS Colaboradores do setor de produção do material didático Avaliar os conhecimentos, habilidades e percepções dos colaboradores relacionados aos direitos autorais, na produção do material didático da SEDIS
Gestora da SEDIS Colaboradores do setor de produção do material didático Propor sugestões com vista
a capacitar os colaboradores e regulamentar os direitos autorais dos materiais produzidos, com foco na
GC, especificamente, na Teoria da Criação do Conhecimento Organizacional. Gestora da SEDIS Colaboradores do setor de produção do material didático
Fonte: Elaborado pela pesquisadora.
Depois de explicados as etapas e os procedimentos metodológicos, verificar- se-á, na seção a seguir, em detalhe, a análise dos dados coletados por meio dos métodos utilizados (entrevista semiestruturada e questionário), relacionando-a com as teorias destacadas no estudo.
6 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Nesta seção, apresentam-se as análises dos dados coletados com os colaboradores da SEDIS, com a finalidade de responder ao objetivo proposto pelo estudo, que busca analisar que tipo de ações pode contribuir para melhorar o conhecimento organizacional sobre os direitos de autor, visando evitar violações e conflitos na produção do material para EaD na SEDIS-UFRN. Para isso, definiram-se alguns objetivos específicos, quais sejam: descrever as etapas e os atores envolvidos na produção do material didático da SEDIS; avaliar os conhecimentos, as habilidades e as percepções dos colaboradores relacionados aos direitos autorais; e propor sugestões com vista a capacitar os colaboradores e regulamentar os direitos autorais dos materiais produzidos, com foco na GC, especificamente, na Teoria da Criação do Conhecimento Organizacional.
Esta seção encontra-se dividida conforme os objetivos específicos indicados, como se pode observar a seguir. Além disso, ao final desta seção, especificamente na subseção – Percepção da Gestão dos Problemas relacionados aos Direitos Autorais –, verificam-se os dados obtidos a partir da entrevista realizada com a gestora da SEDIS sobre a produção do material didático.