• Aucun résultat trouvé

A. Les (pro)neurotrophines et leurs récepteurs 15

II. Article 2 151

Uma nova consciência da transmissão da mensagem religiosa está se delineando sempre mais. Já em 1967, um sacerdote católico, abria caminhos para uma igreja mais voltada aos MCS. Pioneiro no Brasil, JOSÉ FERNANDES DE OLIVEIRA,conhecido no país como PE.ZEZINHO, Que

desbravou uma carreira eclesiástica midiática, pensa assim em relação à fé para além dos templos:

A Igreja precisa largar as torres, pequenas ou grandes, cheia de sinos e carrilhões, e no lugar delas, implantar torres de rádio ou de televisão e se, não as tiver, gastar dinheiro alugando horários, porque está na hora de pararmos de anunciar o Evangelho somente para o último banco da igreja; está na hora de assumirmos as palavras de Jesus - ‘ anunciar o Evangelho de cima de telhados’. Hoje anunciar o Evangelho de cima dos telhados é usarmos os meios de comunicação modernos. Porque a Igreja tem um discurso muito bonito a respeito, mas é muito tímida na hora de usar a Mídia. Ou porque os padres não têm preparo ou porque não querem gastar dinheiro com isso167.

Há, nos novos tempos, um novo espaço da religiosidade. Ou melhor, há uma busca de outros espaços e modalidades de oração, culto e atuação da fé. Novas esferas vem sendo palco da pregação religiosa, outrora atrelada ao interior dos templos, vinculadas aos tradicionais púlpitos de igrejas. Os púlpitos de hoje são diversos e multiformes, mais são amplos e acústicos. Há, em nossa

165

Expressão aqui usada de forma literal, tirada de Malaquias 3,10.

166

NETO, Antônio Fausto. Op.Cit., 2003, p.18.

167

cultura atual, uma nova forma de pensar religião. Pensa-se num novo jeito de construir a fé, uma nova maneira de se relacionar com Deus e obter uma experiência religiosa. A mídia revaloriza a religião. MARCOS DE BENEDICTO aponta a quebra novamente das fronteiras específicas de cada

área, onde acontece na religião a reconstrução de outras estâncias fracassadas. Afirma essa relevância da religião midiática, quando diz:

Hoje, com a surpreendente redescoberta da espiritualidade nos últimos anos, há uma tensão entre as forças de secularização e as de sacralização. Em certos casos, o próprio discurso político busca legitimidade na esfera religiosa. As fronteiras entre a ciência, a intelectualidade, a política e a religião estão sendo demolidas de novo. Nesse processo, a mídia revaloriza a religião, que tende a usar a mídia com mais intensidade. Eu arriscaria a prever que a editoria de Religião terá grande glamour e relevância168.

Na verdade, há uma nova mediação da experiência religiosa. O meio aqui se torna, na máxima de Mac Luhan, a mensagem, o instrumento próprio da celebração religiosa. O meio deixa de ser simples instrumento para ser um elemento básico, conforme afirma LUIZ IGNÁCIO SIERRA GUTIÉRREZ:

São as igrejas eletrônicas, particularmente pentecostais, carismáticas e apocalípticas que tem feito da mídia, sobretudo o rádio e a televisão, uma mediação fundamental do culto, do rito, da experiência religiosa. Assim, o meio deixa de ser simples instrumento e se converte em elemento básico de contato religioso, da celebração da experiência religiosa169.

Segundo MARTIN-BARBERO, a Igreja Eletrônica é mais ritual e moral e menos doutrinária170. Por isso, podemos perceber que há um destaque e acento especial nos programas religiosos pelo testemunho pessoal dos neoconvertidos, tornando a fé menos racional e teórica, mais concreta, real, sentimental e vivencial. A fé não mais explicada, mas testemunhada. Não é mais catequeticamente explicitada, mas comprovada pela mudança do fiel convertido e transformado. Ao invés de um conhecimento sobre Deus passou-se a uma experiência religiosa com ele, mais emocional do que intelectual, característica da contemporaneidade. Há uma tendência da fuga dos dogmas, que parecem ser sempre mais negligenciados pela sociedade pós-moderna e relativista.

168

BENEDICTO, Marcos de. http://www.canaldaimprensa.com.br, Artigo intitulado “Mídia e religião - Um vínculo paradoxal”, visitado em 24.01.07.

169

GUTIÉRREZ, Luiz Ignácio Sierra. Tese de doutorado “A Tele-fé – Estratégias de reconhecimento e

efeitos de sentidos religiosos dos telefiéis da REDEVIDA de Televisão em Porto Alegre”, UNISINOS,

São Leopoldo, 2006, p.71.

170

BARBERO, Martin. Secularización, desencanto y reencantamientos de la identidad. In: Diálogos de

Passa-se mais a conhecer Deus pela vida e transformação dela, por causa da fé, do que pelo conhecimento intelectual de preceitos e obrigações. Talvez esteja aí a causa do sucesso das igrejas neopentecostais e o declínio das igrejas cristãs tradicionais.

Nos encontros, o ensino dos dogmas e a reflexão dão espaço para as danças, a euforia e transes místicos. O foco está na experiência e não no conhecimento da divindade. A transcendência abre alas para a imanência. Puro pós-modernismo171.

A grande problemática, segundo NEIL POSTMAN, em Amusing Ourselves to Death, diz que

a inadequação da mensagem religiosa pela TV se deve não à mensagem, mas à natureza do meio televisivo. Para as religiões, o perigo não é que, conclui POSTMAN, "a religião se tenha tornado o

conteúdo dos espetáculos de televisão, mas que os espetáculos de TV se venham a tornar o conteúdo da religião" 172.

As “velhas igrejas” parecem depender agora muito mais das estratégicas de produção do sentido midiático173. A questão da fé midiatizada é tão preocupante que se criou, desde 1996, uma equipe especializa de estudos interdisciplinares, latino-americana, sediada em Houston, Texas, sobre a direção de Peter Horsfield e Adán Medrano, chamada Comissão Internacional de Estudos sobre Mídia, Religião e Cultura – ISCMRC. Possui o objetivo de analisar o impacto da cultura midiática eletrônica na fé e práticas cristãs174. O grupo mantêm um site na internet para o incentivo dos estudos realizados na área175. O site mesmo explica a finalidade do ISCMRC: o debate do impacto dos Meios Electrônicos e a cultura mediática na fé e prática Cristiana e a contextualização da fé cristã nesta nova cultura dos Meios176.

171

LIMA, Wendel. http://www.canaldaimprensa.com.br, Artigo intitulado “Ecumenismo da sensação, economia da razão, visitado em 24.01.07.

172

http://www.publico.clix.pt, visitado em 10.02.07.

173

GUTIÉRREZ, Luiz Ignácio Sierra. Op. Cit., p.62.

174 Idem, 63 e 64. 175 www.iscmrc.org. 176 http://www.iscmrc.org/spanish/spchristnmedia.htm, consultado em 26.01.07