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Un art de conter exquis

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II- Un art de conter exquis

Neste item, serão apresentados os resultados da pesquisa a partir dos principais aspectos identificados sobre os recursos culturais, tais como: constituição étnica, artesanato, representação do nordestino, ciclos festivos, gastronomia, manifestações populares, religiosidade e patrimônio histórico-cultural.

Grande parte dos portais e sites aponta para a importância da contribuição da cultura portuguesa, indígena e africana na constituição social, política e econômica dos Estados, sendo divulgada como fator primordial para a diversidade e riqueza cultural da Região. Em alguns Estados, como Alagoas, Bahia e Maranhão, a presença africana encontra-se presente de forma mais enfática do que em relação às demais etnias.

Alagoas apresenta-se como a “região dos quilombos”, sobretudo devido ao Quilombo dos Palmares, que figura como marco de liberdade e símbolo da resistência negra à escravidão no Brasil. Essa região, intitulada “Parque Nacional de Zumbi”, é divulgada como um dos roteiros turísticos em que é possível conhecer o “Povoado Muquém” habitado por remanescentes de escravos. Além disso, há também uma programação cultural divulgada no portal relacionada ao calendário de eventos do local.

Figura 22: Mapa da Região dos Quilombos no portal de Alagoas

Fonte: <http://www.visitealagoas.al.gov.br>. Acesso em: 10.ago.2005

Na culinária, Bahia e Maranhão se aproximam na representação de seus cardápios, que apontam para a intensa contribuição africana:

A culinária típica maranhense é variada, saborosa, com temperos e personalidade marcantes. As influências vêm de índios, portugueses e africanos. Mas muito mais dos africanos, que souberam dar vida e sabores novos a tudo que encontraram nestas terras (Disponível em: <http://www.turismo.ma.gov.br>. Acesso em: 20.ago.2005).

Figura 23: Culinária baiana

Fonte: <http://www.bahia.br>. Acesso em: 20.ago.2005

No caso da Bahia, o negro é percebido como um dos símbolos do Estado, sendo referência da riqueza cultural existente. É o destino onde se identifica maior ligação com a cultura africana, promovida pelo governo como fundamental na constituição cultural local. Nas manifestações folclóricas, os negros são apresentados como principais produtores, agentes e responsáveis pela manutenção das atividades culturais. Além disso, a influência africana conseguiu se inserir também no cotidiano dos baianos, em que costumes como “usar roupas brancas nas sextas-feiras” já se tornaram comuns no local, servindo inclusive para a promoção turística do Estado. Esse aspecto permite transmitir uma identidade cultural diferenciada, que se desprende da visão regional unificada do Nordeste, tornando a Bahia um Estado singular nesse aspecto.

A influência branca e indígena perpassa todos os portais e sites governamentais pesquisados, estando inserida nas mais variadas manifestações populares, porém sem necessariamente sobressair, como ocorreu com a contribuição africana.

A presença do artesanato nos portais foi intensa, sendo um elemento de considerável importância na promoção turística nordestina. Porém há algumas contradições existentes, pois, ao mesmo tempo em que há uma variedade de peças e materiais sendo divulgados, tem-se uma homogeneização de repertório entre os Estados.

Canclini (1983) declara que o turismo, ao lidar com o artesanato, tanto incentiva as diferenças como também busca a uniformidade confortável para os viajantes. Essa realidade foi constatada durante a pesquisa pela promoção padronizada existente, em que quase não há uma diferenciação da produção específica de cada Estado. Como o artesanato é mais um elemento identitário local, é necessário que os governos façam uma seleção do repertório para promover os tipos de artesanato mais representativos de cada destinação, buscando privilegiar as especificidades dos Estados.

Alagoas aparece como local que melhor apresenta o seu artesanato, exatamente por ter sabido identificar a sua singularidade – identificando-se como destino dos bordados e rendas feitos à mão. Sergipe inovou em outro aspecto, pois nenhum outro Estado acrescentou novas modalidades artesanais, optando pelo tradicional. O site sergipano trouxe o chamado “artesanato alternativo”, resultado de um trabalho de reciclagem que vem sendo desenvolvido, como segue abaixo:

No município de Cumbe, existe o primeiro grupo de produção de papel reciclado conhecido como Tudo Encaixa. O trabalho coletivo prioriza a reutilização das sobras de papel das instituições públicas, incluindo revistas e jornais velhos, que são transformados em objetos utilitários e decorativos (Disponível em: <http://www.visitealagoas.al.gov.br>. Acesso em 10.ago.2005)

Certamente os Estados nordestinos vêm desenvolvendo vários novos trabalhos artesanais, porém deixam de divulgar e conseqüentemente criar distinções da produção local, o que favorece a banalização da arte popular.

O artesanato hoje absorve novas funções, pois, além de manter as tradicionais, passa a agregar outras como atração turística e produto de consumo urbano por oferecer signos de distinção cultural. É, ao mesmo tempo, uma atração econômica e de lazer e instrumento ideológico promovido pelos órgãos oficiais como símbolo de identidade cultural.

Para Bonald Neto (1983), o artesanato inserido no contexto turístico representa a busca pela individualidade de cada lugar e o selo deixado pelas mãos do artesão local. São peças artísticas que fazem parte do mundo de recordação do viajante, tornando-se a evocação dos destinos turísticos visitados e que posteriormente irão alimentar a lembrança e imaginação. Caso essa distinção não seja percebida, há uma redução da primeira função do artesanato, que é a identitária.

As características comportamentais do nordestino são constantemente representadas nos portais e sites com adjetivos diversos, identificados como povo alegre, criativo, com intensa musicalidade e bastante receptivo, herdeiro do folclore, da diversidade cultural, dos ritos e crenças populares.

Os personagens típicos da cultura local são apresentados promocionalmente apenas pelo portal baiano. A baiana é o símbolo popular mais representativo do Estado, pois ultrapassa o aspecto estético da vendedora de acarajé com vestimentas tradicionais e passa a ser uma representação simbólica da religiosidade, culinária e receptividade.

Figura 24: Baiana em festa de Iemanjá

Fonte: <www.bahia.com.br> Acesso em: 22.ago.2005

O Maranhão apresenta, de forma tímida, alguns personagens comuns às ruas de São Luís, como os sorveteiros, verdureiros e carvoeiros. Porém os

personagens que melhor constituem o universo cultural nordestino são os brincantes das várias manifestações populares – presentes em grande parte dos portais e sites.

Quadro 5: Brincantes nordestinos

Fonte: <http://www.visitealagoas.al.gov.br>. Acesso em: 21.ago.2005

No tratamento imagético, há a manutenção da representação tradicional da população nordestina – espontânea, simples, pertencente às cidades interioranas e mantenedores das raízes locais. Não há uma identificação com o urbano, com a cidade e/ou com o cosmopolitismo.

O nordestino está representado também pelos diversos “filhos da terra” – como são chamados os intelectuais que contribuíram para a literatura brasileira. Esse conteúdo é encontrado nos Estados do Rio Grande do Norte, Alagoas, Bahia e Paraíba, com referência a Castro Alves, Augusto dos Anjos, José Lins do Rêgo, Aurélio Buarque de Hollanda, Graciliano Ramos, Luís da Câmara Cascudo, entre outros. A Bahia apresenta Caetano e Maria Betânia como símbolos culturais locais. Sergipe, diferentemente dos Estados já citados, optou por apresentar não os intelectuais, mas sim os artistas populares.

Os governos nordestinos preocuparam-se em apresentar seus intelectuais, mas não souberam relacioná-los aos espaços culturais ou mesmo cidades que tenham a ver com as suas histórias de vida e/ou das obras – o que permitiria estimular a curiosidade turística em visitar tais espaços e monumentos.

Alguns Estados, além de apresentarem as manifestações populares, também fazem alusão aos ciclos festivos (carnavalesco, quaresmal, junino e natalino). O carnaval, que, sobretudo, para os Estados da Bahia, Sergipe e Pernambuco aparece como a principal festividade, vem apresentando características distintas do São João. Além de ser visto pelo seu aspecto tradicional de vivência das heranças culturais, passa agora a receber um tratamento moderno da indústria cultural. O Estado que melhor representa essa realidade é a Bahia, que não só traz a relação entre o popular e o de massa, mas também influencia sobremaneira alguns eventos culturais de outros Estados nordestinos, por meio das “micaretas”, que são os carnavais fora de época distribuídos nas diversas cidades brasileiras. Essa influência foi identificada nos portais e sites de Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte, que as apresenta como mais uma festividade para ser usufruída pelos visitantes:

Carnaval fora de época, realizado em vários municípios de Sergipe, com destaque para o Coco Folia na Atalaia Nova (município de Barra dos Coqueiros) e as micaretas realizadas em Boquim, Itabaiana, Lagarto, Propriá e Nossa Senhora da Glória (Disponível em: <www.turismosergipe.net> Acesso em: 20.ago.2006).

Esse período se destaca por envolver muita folia nas ruas, com o já consagrado mela-mela, onde as pessoas vão atrás do trio elétrico se lambuzando de mel de engenho pelas ruas da cidade. Os bailes de rua de Macau são animados pelos trios elétricos ao estilo dos baianos, embora anteriormente existissem alegorias de blocos puxados por tratores, semelhante ao que já caracterizou, por muito tempo, o carnaval de rua de Natal36.

Figura 25: Micarande

Fonte: <http://www.paraiba.pb.gov.br>. Acesso em: 24.ago.2005

O carnaval baiano vem despontando no Nordeste e no Brasil como evento de massa, que agrega características capitalistas, modernas e tradicionais ao mesmo tempo. O tradicional pode ser encontrado nos grupos de cultura afro- brasileira, que ao lado dos trios elétricos, se apresentam no centro do carnaval de Salvador em perfeita harmonia, como ocorre com os grupos de afoxés. O moderno está representado pelo princípio capitalista, tecnológico e de massa que é dado ao evento, do qual empresas dos mais variados setores se inserem na festividade para divulgar e vender seus produtos e serviços.

Hoje, o carnaval da Bahia consegue estender mecanismos de consumo durante o ano todo, por meio de bandas musicais, carnavais fora de época, venda de kits de trios elétricos, shows e campanhas publicitárias dos artistas pertencentes a esse cenário. Trata-se de um carnaval de rua que agregou características da indústria cultural, movimentando grandes recursos e ajustando-se à realidade atual, criando modismos e tornando-se referência da relação do moderno com o tradicional.

O papel da gastronomia ou culinária peculiar de cada região ou localidade turística vem ganhado a cada dia mais importância na promoção governamental. Isso se deve sobretudo às mudanças que vêm se estabelecendo no cotidiano das sociedades urbanas, que têm na praticidade e universalização dos hábitos alimentares suas principais características. Além disso, há mudanças alimentares

que estão surgindo a partir da conscientização e busca de dietas equilibradas que proporcionem melhoria na qualidade de vida, acarretando muitas vezes o distanciamento de componentes comuns às diversas receitas tradicionais, fartos em elementos desaconselháveis para a saúde, que não são bem-vindos à vida diária.

No contexto turístico, a gastronomia passa a representar a busca dos traços culturais e a permissibilidade de usufruto de sabores pouco comuns ao cotidiano. Por isso, normalmente as destinações buscam identificar elementos da gastronomia que melhor refletem seu contexto histórico-cultural e natural. No caso dos Estados nordestinos, essa relação pode ser identificada a partir de características ligadas ao espaço, aos ciclos festivos e a contribuição étnica.

Espacialmente, tem-se a subdivisão da culinária litorânea, que traz em seu cardápio uma intensa variedade de peixes e crustáceos apresentados de diversas formas (ensopados, escaldados, cozidos ou fritos). Nas regiões interioranas, a ênfase é dada à culinária que deriva da pecuária, como a de bode, de carneiro, carne-de-sol, paçoca, queijo de manteiga e de coalho, sendo comum também o consumo de raízes e comidas de milho, além das frutas tropicais, que permitem a produção de sucos, sobremesas, sorvetes, licores e aguardentes.

Nos ciclos festivos, a culinária que melhor representa a Região é a do ciclo junino, que tem como base para seus principais pratos o milho, a macaxeira e o amendoim.

Figura 26: Culinária junina

Nos sites e portais nordestinos, a culinária representa um aspecto relevante na constituição da identidade cultural local, em que a influência histórica é determinante na construção dos doces, salgados e bebidas, sendo comuns à relação com a época dos engenhos, de suma importância para a produção da variedade culinária nordestina.

Na apresentação dos doces, por exemplo, percebe-se um significativo saudosismo diante de uma época de farto desenvolvimento econômico regional, que remete ao retorno à infância vivida, demonstrando a necessidade de ter o passado sempre inserido no discurso atual.

A influência indígena, portuguesa e africana – sempre lembrada – revela- se na da diversidade de elementos que compõem a culinária nordestina. Assim como o artesanato, não houve muita distinção na apresentação das opções gastronômicas, exceto nos Estados do Maranhão e Bahia, que trouxeram, além dos tradicionais elementos, outros aspectos que complementam a sua culinária.

Como o Maranhão situa-se em área de transição geográfica entre as regiões Nordeste e Norte, acaba por ser favorecido nesse aspecto, trazendo frutas distintas dos outros Estados, como o bacuri e o cupuaçu, comuns na região Norte. No caso da Bahia, são os temperos que exercem papel principal na diferenciação em relação à culinária nordestina, sendo promovidos como elementos indispensáveis na construção dos pratos. Nos textos, temperos como cominho, pimenta, azeite de dendê, gengibre e coentro são apresentados como elementos que realçam o sabor da culinária baiana.

Figura 27: Dendê baiano

Fonte: <http:www.bahia.com.br> Acesso em: 20.ago.2005

Na representação das bebidas, percebe-se uma forte presença da aguardente, característica da Região Nordeste, que, com uma estética moderna, traduz a riqueza de frutas que podem ser utilizadas no preparo das bebidas. Na imagem, as cores são fundamentais na representação da alegria, do calor dos trópicos e dos sabores provenientes da variedade de frutas da Região, utilizando-se também de um toque de sofisticação tão comum nas imagens turísticas. É o popular se adequando às exigências turísticas modernas, em que se produz uma imagem que atrai a curiosidade turística.

Figura 28: Bebidas tropicais nordestinas

Fonte: <http://www.bahia.com.br>. Acesso em: 20.ago.2005

Na relação da culinária regional com a internacional, há uma predominância da primeira. A cozinha internacional só aparece no item referente às opções de restaurantes, não sendo encontrada na área destinada à gastronomia. É o tradicional que prevalece na constituição e representação da culinária.

A diversidade das manifestações populares é notória. E é por isso que os governos promovem firmemente as danças, folguedos, ritos e eventos nos quais são apresentadas tais manifestações. Assim como em outros aspectos culturais, as especificidades dão lugar à diversidade, não havendo possibilidade de identificação das principais manifestações de cada Estado.

Só Alagoas concentrou a promoção das manifestações culturais nos folguedos, que se dividem em natalinos, religiosos e carnavalescos. E o Maranhão revelou-se como Estado que diverge um pouco mais dos outros, por concentrar-se

nas manifestações juninas. Os demais promoveram várias manifestações populares, sem haver a identificação das mais representativas. As mais freqüentes são o Bumba-meu-Boi, a Dança de São Gonçalo, os Bacamarteiros, Caboclinhos, Chegança, Coco, Maracatu e Reisado.

A influência da religião católica e afro-brasileira apresenta-se em várias

home pages por meio de elementos como gastronomia, festividades e

manifestações culturais. Os casos mais relevantes são os do Estado da Bahia, que retrata o sincretismo das regiões afro-brasileiras, e o do Ceará e Sergipe, que possuem uma relação intensa com o catolicismo.

Em toda a promoção das manifestações populares sergipanas estão presentes as influências religiosas, sobretudo no calendário de festas que tem relação direta com as comemorações católicas. Até mesmo festividades que se desvinculam do caráter religioso, como ocorre com o São João – promovido pelos demais Estados a partir das danças, músicas e culinária – não perdem o seu papel católico no site sergipano. Além disso, o Estado promove os “Roteiros de Fé”, como segue:

Acontecem durante todo o ano para homenagear os santos padroeiros. Procissões, novenas e missas atraem milhares de fiéis. Em Sergipe, os municípios considerados roteiro da fé são Divina Pastora, São Cristóvão e Carmópolis (Disponível em:<http://www.turismosergipe.net>. Acesso em: 20.set.2005).

O governo cearense trabalha a religiosidade, inserindo essa realidade como mais um atrativo cultural, por intermédio do turismo religioso. Isso se deve à presença de cidades dedicadas à devoção católica, como ocorre com os municípios de Juazeiro do Norte e Canindé, transformando o Ceará num dos principais destinos religiosos do Brasil e sendo a principal referência nordestina nesse aspecto.

Na Bahia, a cultura africana tem na promoção turística maior importância que a cultura branca e erudita. Algumas imagens e textos contidos no portal revelam o intenso sincretismo religioso encontrado na localidade, onde o catolicismo e o candomblé andam lado a lado.

Figura 29: Sincretismo religioso

Fonte:<http://www.bahia.com.br>. Acesso em: 25.ago.2005

Segundo Carvalho (2000), devido à secularização crescente das sociedades, que coloca à disposição dos indivíduos uma ampla gama de opções no campo religioso, há um rompimento da hegemonia do catolicismo no campo simbólico e estético, que é dominante muitas vezes em algumas manifestações culturais. No portal do governo baiano, esse aspecto está bastante claro, na medida em que se percebe que não é o catolicismo e sim o candomblé que se sobrepõe em termos de importância religiosa, ficando a primeira em segundo plano. O portal diariamente apresenta o orixá do dia, onde são encontradas explicações em termos de importância e característica, dando informações do santo católico correspondente, como segue nesta citação capturada: “Terça-feira saudamos

Ogum, senhor da guerra e da agricultura. No sincretismo, é Santo Antônio. Ogunhê!37”. Os terreiros são divulgados com a mesma importância que as igrejas,

sobretudo por serem uma referência na manutenção da religião negra. O candomblé, que por muito tempo foi perseguido pela Igreja e pelo Estado, hoje é reconhecido como crença e divulgado pelo governo como atrativo turístico. Os terreiros são apresentados como espaços culturais populares para serem apreciados e visitados turisticamente.

A principal representação da cultura erudita nordestina ocorre por meio do patrimônio histórico – representado sobretudo pelas igrejas que estão

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espalhadas em grande parte da Região –, composto por monumentos que evidenciam a presença da colonização portuguesa nos Estados.

Na promoção governamental, o erudito tem menos representatividade que o popular. A divulgação do patrimônio histórico ocorre também com imagens das ruas, praças e personalidades, que permite aos visitantes terem uma noção mais ampla dos acontecimentos que marcaram a história das localidades. As fortificações também são encontradas como componentes arquitetônicos de intensa freqüência nos portais e sites.

Os Estados que se destacam nesse aspecto são o Piauí, Maranhão e a Paraíba. O primeiro prioriza o patrimônio cultural na divulgação dos recursos culturais, representado pelas pontes, palácios, teatros, praças, entre outros.

A Paraíba traz uma leitura diferente dos outros Estados na representação dos recursos culturais, demonstrando que não é um destino formado apenas pela cultura popular, mas também pela erudita, utilizando-se de imagens da orquestra sinfônica do Estado, balé de dança contemporânea e interior do teatro Santa Rosa.

Figura 30: Paraíba – O popular e o erudito em equilíbrio

Fonte: <http://www.paraiba.pb.gov.br>. Acesso em: 24.ago.2005

Sabe-se que o tipo de patrimônio cultural divulgado pela Paraíba também pode ser encontrado nos outros destinos nordestinos. Mas o que há é uma promoção ainda pouco restrita e reducionista diante dos monumentos histórico-

culturais existentes nas cidades nordestinas, o que pode favorecer uma percepção estereotipada sobre a Região no que se refere a esse repertório.

O Maranhão traz em sua promoção do patrimônio cultural uma leitura sofisticada e diferenciada diante dos outros Estados. Ao divulgar seu acervo, centralizou o foco não só no popular, dando a mesma importância e espaço para o patrimônio histórico. Este último é apresentado pelas especificidades e não pela suntuosidade dos monumentos, com a identificação de elementos arquitetônicos que muitas vezes não são valorizados pelo olhar turístico, como azulejos, sacadas,

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