Ao conceituar incubadora é preciso nova contextualização porque há uma grande variedade de termos sinônimos. Pesquisa recente realizada pela Universidade de Brasília sob encomenda do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação mapeou, identificou e criou indicadores de parques tecnológicos em todo o Brasil. O texto, intitulado de Estudos de Projetos de Alta Complexidade: Indicadores de Parques Tecnológicos, ressalva que parque tecnológico significa o mesmo que incubadora, polos de tecnologia, tecnoparques, centros de alta tecnologia e cidades científicas (CENTRO DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO, 2014). Nos termos da Associação Nacional de Incubação de Negócios dos Estados Unidos, as incubadoras de empresa são entidades que “aceleram o desenvolvimento bem sucedido de empresas empreendedoras através de um conjunto de recursos e serviços de apoio às empresas, seja pela própria incubadora ou através da sua rede de contatos” (CHANDRA; FEALEY, 2009, p. 69).
Independentemente das denominações, há certo consenso entre os estudos de que as incubadoras são originárias da Universidade de Stanford, no estado da Califórnia, Estados Unidos, na década de 1950 (COOPER, 1971). Formadas a partir da interação entre a universidade e a iniciativa privada, as incubadoras têm o objetivo de promover uma
infraestrutura técnica, logística e de administração que propicie empresas privadas a desenvolver os produtos, aumentar a competitividade, favorecer a transferência tecnológica e a criação de um ambiente propício à inovação (BAKOUROS; MARDAS; VARSAKELIS, 2002).
Um estudo feito pela Universidade de Dublin conceitua incubadora como uma organização que acelera e sistematiza o processo de criação de empresas de sucesso, proporcionando-lhes uma gama abrangente e integrada de apoio, dentre eles serviços de apoio às empresas e redes de oportunidades (WALSH, 2002). Pesquisa do Banco Mundial acrescenta que os serviços que a incubadora possibilita às empresas nascentes variam desde questões administrativas, como contabilidade, passando por aconselhamento empresarial (mentoria), busca por recursos (empréstimos, financiamento e subsídios), networking, até orientações jurídicas (THE INTERNATIONAL BANK FOR RECONSTRUCTION AND DEVELOPMENT, 2010).
As primeiras incubadoras foram originalmente criadas para estrutura de apoio para assistir ao empreendedor (individual ou grupo) e para levar pesquisa avançada às firmas (EUROPEAN COMMISSION, 2002). Ademais, as iniciativas pioneiras constaram que boa parte das novas empresas falhava em virtude de três problemas comuns: falta de capital, pobres habilidades de gestão e insuficiente entendimento do mercado. O conceito de incubadora de empresas originou-se no setor imobiliário quando houve uma renovação e divisão de grandes espaços outrora ocupados por indústrias em locais para pequenas empresas. A transformação ocorreu não apenas em virtude da mudança no layout, mas também por meio de outras iniciativas, como (ETZKOWITZ; DE MELLO; ALMEIDA, 2005; LEWIS, 2001):
i. A experiência da Associação Nacional de Ciência dos Estados Unidos para fomentar o empreendedorismo e a inovação nas principais universidades norte- americanas;
ii. Os esforços independentes de empreendedores e investidores para formalizar a sua própria experiência e passar o conhecimento acumulado por meio de mentorias em grupo em espaços comuns.
A incubação em seguida atingiu novos horizontes, como a inovação na indústria, a partir de políticas de extensão das universidades e das necessidades do setor produtivo. Entre as preocupações estava elevar o nível tecnológico das empresas já concebidas, criar novas
unidades de negócios dentro das próprias companhias e incentivar o desenvolvimento dentro das redes das quais as empresas faziam parte. Incubadoras também contribuíram fundando firmas que preenchessem nichos de mercado em aglomerados industriais de baixa tecnologia e ainda criando consultorias, que fariam o papel de transferir conhecimento técnico e tecnológico para empresas de baixa tecnologia (GUIMARÃES, 2000).
Destarte, as incubadoras aos poucos mudaram o foco baseado na estrutura de apoio a negócios para enfatizar a missão educacional em contribuir com organizações em estágio inicial de formação, sejam elas cooperativas, organizações não-governamentais ou projetos comunitários. Dessa forma, assumiram relevante atribuição de integração às políticas sociais para o combate ao desemprego e à pobreza em cidades do terceiro mundo e regiões menos favorecidas dos países desenvolvidos para ensinar habilidades organizacionais e criar oportunidades de emprego para a população mais pobre (PEREIRA, 1998).
Outrossim, a incubação cresceu de forma exponencial e tornou-se um fenômeno mundial, parte de políticas regionais e nacionais de Ciência e Tecnologia (C&T) no âmbito dos países signatários da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e países não membros da OCDE (RICE; MATTHEWS; KILCREASE, 1995). Inclusive, a incubação cresceu muito no Brasil e na China, e mais lentamente em outros países. De acordo Chandra e Fealey (2009), havia mais de 500 incubadoras na China no começo da década, com mais de 600 mil pessoas empregados. O número é tão expressivo que perde apenas para os Estados Unidos, líder mundial, e a Alemanha. O Brasil vem logo depois da China no ranking mundial, impulsionado pelos incentivos governamentais e das empresas privadas, que viram nas incubadoras uma oportunidade de crescer. Dados de 2013 da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) indicam a existência de 384 incubadoras associadas (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE ENTIDADES PROMOTORAS DE EMPREENDIMENTOS INOVADORES, 2016; BRASIL, 2015a).
Segundo Cohen e Hockberg (2014, p. 5), “incubadoras foram desenhadas para nutrir negócios nascentes amortecendo-os de seu ambiente, provendo aos mesmos local para crescer em um espaço protegido das forças de mercado.” Ribeiro, Plonski e Ortega (2015) cita Phan et. al. (2009) para lembrar que o investimento público e privado em incubadoras surge a partir de demandas econômicas por competitividade, já que é intensa a concorrência entre startups. Assim, as incubadoras seriam locais apropriados para fornecer condições mais propícias de crescimento das empresas e aumentar as chances de sobrevivência dessas companhias (HACKETT; DILTS, 2004).
Dee et. al. (2011) ratifica a importância da incubadora como um local adequado para os empreendedores realizarem networking, aprenderem com a experiência de outras empresas incubadas e ainda serviços disponíveis apenas em ambientes controlado como uma incubadora. Dai a razão pela qual após o estágio inicial de criação e desenvolvimento de uma empresa de base tecnológica, é indicado que essas startups façam parte de aceleradoras, as quais formariam a segunda parte do ecossistema de fomento à inovação.