• Aucun résultat trouvé

Architectures   commerciales   des   systèmes   monopuce   multiprocesseur

Chapitre   2   :   Architectures   et   méthodes   pour   la   conception   des   systèmes   monopuce

5. Architectures   commerciales   des   systèmes   monopuce   multiprocesseur

Neste momento, fixamos o nosso olhar na liturgia sob a perspetiva que mais nos interessa realçar, de acordo com a nossa investigação. Assim, começamos por afirmar que a liturgia, do ponto de vista eclesial, «não é o produto da necessidade religiosa do Homem, mas um fruto da instituição divina»363. Tal como na dinâmica do jogo bíblico, segundo a

358 FERREIRA, José – A palavra e o rito. Liturgia e Pastoral da Fé. (1986) 65. 359 Cf. RODRIGUEZ, Pedro Fernandez – Introduccion a la ciencia liturgica, p. 62.

360 SCOLA, Angelo – Il rito: Tra rinnovamento e tradizione. In TERRIN, Aldo Natale (dir.) – La Natura

del Rito: Tradizione e Rinnovamento, p. 19.

361 Ibidem.

362 IGREJA CATÓLICA. II Concílio do Vaticano, 1962-1965 - Constitutio de Sacra Liturgia Sacrosanctum

Concilium, n. 27. AAS. 56 (1964) 113.

84

análise efetuada nos capítulos anteriores, a liturgia corresponde a uma obra «por excelência de Deus, sem deixar de ser a ação mais profundamente humana»364.

Na ação litúrgica encontramos necessariamente dois intervenientes – Deus e o Homem. Mas a quem é que se pode atribuir a primazia na ação litúrgica? Afirmamos que Deus é o primeiro ator365, pois é Ele quem tem sempre a iniciativa de se dar a conhecer e a criar possibilidade de relação e comunicação, porque «Deus, não obstante, é o actor principal da liturgia»366 e esta, segundo as palavras de Joseph Ratzinger, «pressupõe algo de concreto diante de nós [Deus], algo que se nos revela, indicando o percurso da nossa existência»367. O ‘não obstante’ que falava Hernández refere-se à ação do Homem.

A este respeito, trazemos à nossa reflexão as palavras de Maldonado que afirma: «a dramaturgia da ação litúrgica consiste numa representação composta por dois actos: o primeiro dedicado ao que faz Deus e o segundo consagrado ao que faz o Homem»368. Esta afirmação ajuda a melhor compreendermos que na ação litúrgica tudo acontece em presença de Deus e do Homem, ação comunicativa-relacional. Contudo, aqui trata-se de identificar de quem é a iniciativa na ação litúrgica para a determinação, ou não, da liturgia como lugar teológico.

De acordo com a nossa investigação, afirmamos que na liturgia existe verdadeiramente uma primazia de Deus, não só na ação de jogar (cf. Pr 8,30), mas também na ação para o povo (λειτουργια), pois ela (liturgia) «nasce da glória de Deus e da sua complacência; a glória de Deus é o Homem que vive por sua graça; a complacência divina é, como a criação, o jogo de Deus para a sua glória»369. É precisamente o atestar deste facto que nos permite afirmar que o jogo bíblico e liturgia são ambos lugares teológicos370, com sentido teleológico comum.

364 BOROBIO, Dionisio – Celebrar para a Vivir: Liturgia y Sacramentos de la Iglesia, p. 17.

365 Utilizamos o substantivo ‘ator’ enquanto sujeito de uma ação que reflete a Sua essência e não como interprete ou representante teatral.

366 HERNÁNDEZ, Aquilino de Pedro – Ministerio y Fiesta: Introducción general a la Liturgia, p. 52. 367 RATZINGER, Joseph – introdução ao espírito da liturgia, p. 15.

368 MALDONADO, Luis – La acción litúrgica, p. 113.

369 RODRIGUEZ, Pedro Fernandez – Introduccion a la ciencia liturgica, p. 53.

370 Segundo expõe Manuel Pinto, os 10 lugares teológicos foram pensados por Melchior Cano, no seu livro

De Locis Theologicis. Esta formulação fora, segundo clarifica Manuel Pinto, uma ampliação do que já

pensara São Tomás de Aquino no seu livro Summa Theologiae. Manuel Pinto afirma ainda que a prática moderna reduziu para apenas três as enumerações formuladas por Melchior Cano: Escritura, Tradição e Razão Teológica. Cf. PINTO, Manuel – O Valor Teológico da Liturgia, p. 66-71; GRILLO, Andrea –

Teologia Fondamentale e Liturgica: il rapporto tra immediatezza e mediazione nella riflessione teológica,

A liturgia é lugar onde coexistem liberdade e ordem, relação e comunicação, «é expressão e representação espácio-temporal»371, condição imprescindível para a sua realização. Isto vem de encontro ao que já foi analisado no capítulo I, acerca da dimensão espácio-temporal do jogo e que aqui fica reforçado. De facto, tudo o que envolve o Homem implica obrigatoriamente espaço e tempo. Neste sentido, a liturgia é verdadeiramente um lugar. Desde já confere-nos dizer, adiantando uma das conclusões da nossa investigação, que a liturgia não é um mero lugar, como um banco de madeira no qual nos podemos sentar e descansar, onde podemos suspender por momentos o ritmo do quotidiano. Pelo contrário, a liturgia, assim como o jogo bíblico, analisado no capítulo II, é lugar de dinamismo que inclui a totalidade da existência humana.

A liturgia é verdadeiramente um lugar privilegiado onde Deus se revela, se autocomunica e se faz relação para e com o Homem. É precisamente nesta factualidade que afirmamos a liturgia, com a sua dupla vertente de «culto a Deus e santificação do Homem»372, como lugar teológico373, pois ela é objeto da reflexão da teologia e esta

escuta-a como fonte de inspiração374.

Na verdade, a liturgia, enquanto lex credendi e lex orandi375, é ao mesmo tempo testemunho do dogma – lugar teológico – e autoridade reguladora (ordem) da celebração litúrgica376. É precisamente neste sentido que Paul de Clerck afirma a necessidade de se considerar a liturgia como lugar teológico377. Giorgio Bonaccorso dá à liturgia um sentido, podemos dizer, ontológico ao afirmar que «a celebração litúrgica constitui-se um ‘lugar teológico’ fundamental e fundativo para a consciência da fé da Igreja»378.

371 MALDONADO, Luis – La acción litúrgica, p. 15; Cf. RODRIGUEZ, Pedro Fernandez – Introduccion

a la ciencia liturgica, p. 51.

372 HERNÁNDEZ, Aquilino de Pedro – Ministerio y Fiesta: Introducción general a la Liturgia, p. 53. 373 Cf. PINTO, Manuel – O Valor Teológico da Liturgia, p. 65-72; GRILLO, Andrea – Teologia

Fondamentale e Liturgica: il rapporto tra immediatezza e mediazione nella riflessione teológica, p. 20-23.

374 Cf. CLERCK, Paul de – La Liturgie comme lieu théologique. In CLERCK, Paul de (dir.) – La Liturgie,

lieu théologique, p. 130;131.

375 Cf. HERNÁNDEZ, Aquilino de Pedro – Ministerio y Fiesta: Introducción general a la Liturgia, p. 85- 86; CLERCK, Paul de – La Liturgie comme lieu théologique. In CLERCK, Paul de (dir.) – La Liturgie,

lieu théologique, p. 129.

376 Cf. PINTO, Manuel – O Valor Teológico da Liturgia, p. 72; 137.

377 Cf. CLERCK, Paul de – La Liturgie comme lieu théologique. In CLERCK, Paul de (dir.) – La Liturgie,

lieu théologique, p. 130;134.

86