• Aucun résultat trouvé

Vers la conception d’une calculatrice générique Alpro

II. Architecture et langages d’une calculatrice

PE são, principalmente: o sistema nervoso central, o sistema cardiorrespiratório, o fígado, os rins, a vasculatura sistémica, o sistema de coagulação sanguínea e a placenta. O feto também se encontra em risco (19).

As complicações maternas podem dividir-se em agudas ou de longa duração (5).

1.3.1 Complicações Agudas

A eclâmpsia refere-se ao desenvolvimento de convulsões tónico-clónicas generalizadas de novo, na ausência de outras etiologias, correspondendo a uma das mais severas complicações da PE, principalmente em países em desenvolvimento. Ocorre em 3.2% das grávidas com PE de características severas e em 1.9% das grávidas com PE moderado, podendo ocorrer antes, durante ou após o parto. É mais comum em grávidas com idade superior a 30 anos, afroamericanas e naquelas sem acesso a cuidados pré-natais. A sua etiologia tem como base a hipertensão desenvolvida na PE que leva à vasoconstrição autorregulatória dos vasos cerebrais, com uma consequente hipoperfusão e isquemia local. Com isto ocorre uma progressiva disfunção endotelial e desenvolvimento de edema vasogénico/citotóxico, levando ao episódio convulsivo. As grávidas podem ser assintomáticas ou apresentar sinais premonitórios de irritação cerebral algumas horas antes do episódio, como: cefaleia frontal ou occipital lancinante, alterações visuais (escotoma, perda de visão temporária, visão turva ou fotofobia) e alteração do estado mental. Após a convulsão, é comum que o feto apresente bradicardia devido à hipoxia e hipercapnia materna, podendo ainda evoluir para taquicardia com algumas desacelerações transitórias. Contudo, após a estabilização materna, o feto volta à homeostasia. Ao exame físico, a grávida pode apresentar défices de memória, cognição e visão e alteração do estado mental. A maioria das grávidas com eclâmpsia desenvolve outras complicações como pneumonia de aspiração, edema pulmonar, descolamento da placenta, CID, acidente vascular cerebral ou paragem cardiorrespiratória. Podem ainda desenvolver síndrome encefalopática reversível posterior, quando a PE ou a eclâmpsia se encontram associadas a cefaleias, distúrbios visuais ou alterações da consciência. O dano cerebral decorrente de hemorragia ou isquemia é a causa mais frequente de morte nas grávidas com eclâmpsia (4,5,23).

A síndrome Hemolisys, Elevated Liver Functions tests, Low platelet counts (HELLP) é uma complicação grave da PE e não um distúrbio independente, caracterizando-se por hemólise microangiopática com enzimas hepáticas elevadas e trombocitopenia. Esta síndrome pode complicar 10 a 20% dos casos de PE de características severas e desenvolve-se mais frequentemente entre as 28 e as 36 semanas de gestação, podendo também ocorrer no 2º trimestre ou no pós-parto. A sua etiologia ainda não foi esclarecida, mas parece estar relacionada com uma placentação anormal e com uma maior inflamação hepática e ativação do sistema de coagulação. Tem como sintomas comuns a dor abdominal e sensibilidade

9 aumentada no epigastro e QSD, com hipertensão e proteinúria associadas na maioria dos casos. Podem também apresentar náuseas, vómitos e mal-estar geral. Os critérios para o diagnóstico da síndrome e que predizem a evolução para complicações são: anemia hemolítica microangiopática com presença de esquistócitos no sangue periférico; a bilirrubina indireta que pode estar elevada e a concentração de haptoglobina diminuída, sugerindo hemólise; a bilirrubina total que deve ser ≥ 1.2 mg/dL; a trombocitopenia que deve ser ≤ 100 000 cel/microL; LDH ≥ 600 IU/L; AST e ALT aumentadas duas vezes acima do limite superior do normal. As complicações mais frequentemente associadas a esta síndrome, e que podem mesmo ser fatais são: a CID, o descolamento prematuro da placenta, lesão renal aguda, edema pulmonar, síndrome de dificuldade respiratória aguda, hematoma hepático subcapsular ou descolamento da retina (2,4,14,19,24).

As complicações agudas podem ainda manifestar-se com o desenvolvimento de acidente vascular cerebral isquémico ou hemorrágico. A maioria das mortes maternas é devida a hemorragia intracraniana e o risco é maior no puerpério (5,14).

1.3.2 Complicações a longo prazo

A PE não apresenta gravidade apenas no momento do diagnóstico, mas também a longo prazo, constituindo um sinal de alarme para o desenvolvimento de várias complicações. Grávidas com início precoce de PE, com historial de parto pré-termo, PE recorrente, morte fetal in-útero ou atraso do crescimento fetal, são consideradas como de maior risco para o desenvolvimento de complicações (5,25).

A etiologia das complicações tardias parece estar relacionada com alterações fisiológicas da PE como: disfunção endotelial; resistência à insulina; atividade simpática aumentada; atividade pró-inflamatória e um perfil lipídico anormal que se mantém após o parto. Estas alterações parecem resultar em futuras complicações cardiovasculares, neurológicas, renais, metabólicas ou até em morte (16,26).

A Sociedade Portuguesa da Hipertensão e a ACOG afirmam que a PE constitui um indicador precoce de hipertensão e de outras doenças cardiovasculares como enfarte agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca congestiva. O risco de desenvolvimento de doença isquémica, acidente vascular cerebral e eventos venosos trombo-embólicos nos 5 a 15 anos após uma gravidez com PE é de aproximadamente o dobro da população obstétrica saudável (3,5,25).

As grávidas com antecedentes de PE apresentam ainda um risco aumentado de sofrerem depressão pós-parto, de diabetes, de diminuição da função tiroideia e de doença renal crónica (13,27–29).

Por fim, mulheres com história de PE de características severas e de início precoce, apresentam maior risco de desenvolver complicações obstétricas em gestações futuras como nova PE, principalmente se durante a primeira ocorrência apresentaram síndrome HELLP, eclâmpsia ou um parto pré-termo (30,31).

10

1.3.3 Complicações fetais/neonatais

As doenças maternas associadas a má perfusão uteroplacentária, como a PE e a eclâmpsia, são responsáveis por prematuridade, descolamento prematuro da placenta, asfixia intrauterina, RCIU, oligohidrâmnio ou até, morte fetal (4,32).

Um parto prematuro apresenta possíveis complicações neonatais associadas como: síndrome de dificuldade respiratória, apneia, icterícia, kernicterus, dificuldades na amamentação, hipoglicemias, convulsões, leucomalácia periventricular e hospitalização prolongada (13). Outra complicação fetal importante é a displasia broncopulmonar. Esta patologia desenvolve- se devido ao estado anti-angiogénico característico da PE, em que ocorre um anormal desenvolvimento da vasculatura pulmonar do feto (16).

Os filhos de pacientes com antecedentes de PE têm ainda uma maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares (como hipertensão arterial ou insuficiência cardíaca), diabetes ou intolerância à glicose na idade adulta. O risco destas doenças aumenta com o aumento do seu IMC (13,16).

Documents relatifs