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Chapitre 3 – Le triage de publications scientifiques guidé par des ontologies

3.2 L’exploration de données pour guider la curation

3.2.3 Architecture d’une plateforme de curation : neXtA 5

Nesta seção, discutimos o papel das representações na constituição identitária dos sujeitos. Iniciamos nossa reflexão sobre os conceitos de “identidade”, “diferença” e “representação”, a partir de uma perspectiva não essencialista. Para tanto, partimos dos postulados de autores que se inscrevem num paradigma pós-moderno, não estruturalista, tais como Hall (2000), Woodward (2000), Silva (2000), Rajagopalan (2002), dentre outros. A partir das visões desses autores, percebemos que os três conceitos estão intimamente ligados e, por esta razão, não deveriam ser percebidos como conceitos estanques. Assim, para falarmos sobre identidade, precisamos, necessariamente, falar também sobre diferença e sobre representação. Como nos mostra Woodward (2000, p. 39),

As identidades são fabricadas por meio da marcação da diferença. Essa marcação da diferença ocorre tanto por meio de sistemas simbólicos de representação quanto por meio de formas de exclusão social. A identidade, pois, não é o oposto da diferença: a identidade depende da diferença (grifos da própria autora).

Nesse sentido, Silva (2000) argumenta que, enquanto considerarmos a diferença como algo que deriva da identidade, tendemos a tomar a identidade como ponto de partida para nossas referências, e isto nos leva a: 1) tomar aquilo que somos como “a norma” e 2) a avaliar e a julgar, a partir dessa “norma”, aquilo que não somos. Silva acrescenta que todos esses sistemas (de representação, de marcação da diferença e de afirmação de identidades) acontecem via linguagem ou, como diz o autor, “...são o resultado de atos de criação lingüística”, e são também fabricados “...no contexto de relações culturais e sociais” (SILVA, 2000, p. 76).

Nessa corrente de pensamento não essencialista, nem a identidade e nem a diferença são concebidas como sendo “auto-referenciadas”. Ao contrário disso, os dois conceitos são percebidos como interdependentes. “Assim como a identidade depende da diferença, a diferença depende da identidade. Identidade e diferença são, pois, inseparáveis” (SILVA, 2000, p. 75).

Um outro aspecto a ser mencionado refere-se ao fato de que, nessa perspectiva não essencialista, a identidade, como nos mostra Rajagopalan (2002 a, p. 77), é vista como “um construto e não algo que se encontra por aí in natura”. O autor enfatiza também a idéia de que a identidade deve ser pensada como “algo em constante processo de (re)construção” e como algo a ser reivindicado”. Esses processos de (re)constituição e de reivindicação de identidades estão sempre ligados a sistemas simbólicos e a políticas de representação. Nas palavras de Rajagopalan, “é nesse sentido que a questão da política de representação adquire suma importância, pois é através da representação que novas identidades são constantemente afirmadas e reivindicadas” (RAJAGOPALAN, 2002 a, p. 86).

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A identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia. Ao invés disso, à medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar – ao menos temporariamente.

No que concerne à dimensão política das línguas, Rajagopalan (2003, p. 102) levanta questões que têm levado a muitas discussões e polêmicas. Para o autor, grande parte dos teóricos da linguagem não tem consciência nem do lado ético de suas atividades e nem do fato de que toda e qualquer teoria que defendemos sempre reflete anseios e posturas político- ideológicas que queremos defender em determinados momentos históricos. O autor propõe ainda que a própria noção de língua (e seu papel na sociedade) seja repensada e passe a ser vista como um instrumento político, a partir do qual os sujeitos se posicionam para denunciar ou reivindicar aquilo que for de seu interesse. O autor nos convida então a uma reflexão sobre “as conotações políticas que a linguagem carrega, principalmente para os falantes dos diversos idiomas” (RAJAGOPALAN, 2002b, p. 103). Em suas próprias palavras,

É fato que, com raríssimas exceções honrosas, poucos entre nós lingüistas paramos para pensar que as línguas, além de serem instrumentos de comunicação, atributo distintivo do ser humano etc., também são verdadeiras bandeiras políticas, atrás das quais se reúnem povos e em nome das quais muitos se dispõem a derramar o próprio sangue. Pois não será o caso de levar em conta que muitas das nossas consagradas teorias a respeito da linguagem estão despreparadas para o desafio de refletir sobre a política lingüística, em particular sobre o planejamento lingüístico de uma nação? (RAJAGOPALAN, 2002b, p. 102)

No que concerne especificamente à língua inglesa, assumir uma postura mais problematizadora e adotar um posicionamento político claro torna-se imperativo hoje, em qualquer contexto. Se, por um lado, é preciso admitir que a língua inglesa é hoje a língua de mediação entre os povos, nos mais variados contextos, é necessário reconhecer também a necessidade de se adotar uma política de apropriação dessa língua, de tal forma que ela possa estar a serviço dos sujeitos, e não o contrário. Por outro lado, não podemos ignorar o fato de

que a língua (de forma especial a língua inglesa), é, como nos mostra Tavares (2002, p. 92) “também a possibilidade de representar no registro simbólico o que está veiculado no imaginário e o que está interditado no real”. Assim, é preciso que se leve em conta, tanto as identificações dos sujeitos com a língua (e o que se encontra no plano do desejo), quanto a possibilidade de questionamentos sobre as relações (e identificações ou não) dos sujeitos com essa língua.

Apesar de concordarmos em parte com o pensamento de Rajagopalan, citado acima, acreditamos que as reflexões apresentadas sobre as dimensões ética e política da linguagem são importantes, mas também dependem da constituição identitária do sujeito. De forma específica, no que diz respeito a esta pesquisa, não temos a garantia de que professores formadores e em formação, dada sua constituição identitária, determinada pela sua constituição imaginária, partilha das considerações sobre ética e política relacionadas à língua inglesa, de que nos fala Rajagopalan. Mesmo assim, julgamos ser importante que se abram possibilidades para que discussões sobre esses temas ocorram no contexto de formação dos futuros professores de LI. Esse contexto, conforme vimos acima, envolve questões de subjetividade e, portanto não poderíamos prescindir de discutir os conceitos de “sujeito”, “identidade” e “identificação”, temas da próxima seção.