4. Experimental Extensions
4.1. Architectural Guidelines
Zilda Gomes Pena1,2, Débora Correia Rios1,2,3, Paulo César D'Ávila Fernandes1,4,
Herbet Conceição1,5, Carlos Maurício de A. de Assis6.
1. Grupo de Pesquisa Laboratório de Petrologia Aplicada a Pesquisa Mineral, Curso de Pós-Graduação em Geologia, Universidade Federal da Bahia
2. Bolsista Mestrado CNPq, [email protected]
3. Bolsista Produtividade em Pesquisa CNPq, [email protected], [email protected]
4. Universidade do Estado da Bahia, [email protected]
5. Núcleo de Geologia, Universidade Federal de Sergipe,
6. Geólogo – Yamana Gold Inc., [email protected]
RESUMO
Este artigo apresenta novos dados petrográficos e litogeoquímicos para rochas do Greenstone Belt do Rio Itapicuru (GBRI), na região da Mina Fazenda Brasileiro. O trabalho baseou-se principalmente em estudos nas rochas coletadas em subsuperfície, na área de afloramento da sequência Fazenda Brasileiro, um corpo de forma alongada, que se constitui em uma das maiores potencialidades de minério.
Os estudos petrográficos revelaram a presença de diversas texturas, tanto ígneas reliquiares, como texturas que indicam a atuação do metamorfismo (crenulação, lepidoblástica, nematoblástica, granoblástica) e que marcam a foliação descrita pela rocha. Foram identificadas associadas a esta sequência: (i) rochas máficas-ultramáficas, essencialmente basaltos, e (ii) lavas félsicas e intermediárias, variando em composição de andesitos a riolitos. Ambas são cortadas por TTGs Arqueanos e Paleoproterozóicos, representados pelos granitos
As Rochas Vulcanossedimentares do GBRI na area da MFB: Petrografia e Geoquimica Dissertacao de Mestrado - Zilda Gomes Pena
Araci, Barrocas e Teofilândia, e também pelo magmatismo alcalino potássico como, por exemplo, o corpo de Barroquinhas. Ocorrem ainda corpos intrusivos sub-vulcânicos, representados por riodacitos, quartzo-dioritos e gabros. Rochas metassedimentares, consistindo basicamente de metapelitos, metatufos e xistos grafitosos, todas associadas a carbonatos e muitas vezes mineralizadas em sulfetos e metais-base, são descritas intercaladas às demais litologias.
Nos furos de sondagens, ligados a um sistema de fraturamento preenchido por carbonatos, foram distinguidas zonas de concentração preferencial de minerais incluindo basicamente plagioclásio e actinolita-tremolita, além de quartzo, apatita, esfênio (leucoxênio), muscovita e minerais opacos, com maior representatividade por sulfetos e tendo como resultado da alteração/hidrotermalismo a clorita, carbonatos, albita, e biotita.
Devido a dificuldades na delimitação das litologias nas unidades e sequências clássicas da literatura preferiu-se estabelecer critérios litogeoquímicos para a descrição das amostras estudadas. As análises químicas mostraram a presença de dois conjuntos distintos: (i) toleiítico e (ii) cálcio-alcalino. Foi ainda possível identificar rochas com características sugestivas de um vulcanismo mais alcalino (shoshonítico) e distinguir rochas em campo descritas como sedimentares, as quais em verdade são rochas vulcânicas muito finas (cinzas, aglomerados) e alteradas.
Os dados aqui apresentados colaboram trazendo uma melhor compreensão das variações temporais e de caráter químico entre os diversos termos litológicos da MGB. O fato é que as rochas descritas como “Sequência Fazenda Brasileiro” estão relacionadas a eventos geológicos bem distintos, envolvendo diferentes pulsos de vulcanismo intercalados por sedimentação. As dificuldades na descrição das rochas do GBRI, na individualização dos pulsos vulcânicos, associada à confusão de nomenclatura, levam à proposição de inúmeros
complexidade relaciona-se a fatores que incluem: (i) a extensa evolução química de cada uma das series magmáticas identificadas, com a presença de termos ultrabásicos a ácidos tanto na série toleiítica quanto na cálcio-alcalina; (ii) a dificuldade de se obter uma idade mais precisa para os diferentes grupos de rochas em função da limitação das fases datáveis, e (iii) à pronunciada recristalização e o intenso fluxo de fluidos ligados ao processo de hidrotermalismo, metamorfismo e deformação, que mascaram e agravam a complexidade estrutural da área.
Palavras-Chave: Sequência Fazenda Brasileiro, Greenstone Belt do Rio Itapicuru, Petrografia, Litogeoquímica.
ABSTRACT
Keywords:
INTRODUÇÃO
As ocorrências de ouro na região do nordeste do Estado da Bahia são conhecidas desde o século 19 quando se iniciaram os garimpos ao longo do leito do Rio Itapicuru. Estudos sistemáticos realizados pela DOCEGEO (1976, 1982) confirmaram a potencialidade aurífera da região e do seu ambiente geotectônico. As minas de Maria Preta (Santaluz) e de Fazenda Brasileiro (Teofilândia) começaram então suas atividades, inicialmente a céu aberto e posteriormente em sub-superficie. Atualmente estes depósitos estão entre os mais importantes produtores de ouro do país. A mineralização está associada a um ambiente granito-greenstone, nas sequências vulcanossedimentares do Greenstone Belt do Rio Itapicuru (GBRI), tidas como de idade Paleoproterozóica (Pimentel & Silva, 2003).
As Rochas Vulcanossedimentares do GBRI na area da MFB: Petrografia e Geoquimica Dissertacao de Mestrado - Zilda Gomes Pena
Terrenos granito-greenstone similares aos do Itapicuru caracterizam crátons Arqueanos em todo o mundo. São nestes ambientes, onde predominam rochas vulcânicas Arqueanas e mineralizações de ouro, que surgiram as primeiras evidências para a existência de placas tectônicas no Arqueano. Essencial na caracterização destas importantes associações é a geoquímica de elementos traços em rochas vulcânicas e estudos geocronológicos de alta precisão (Thurston, 1994). Estas duas ferramentas são lacunas ainda existentes no banco de dados já disponível para o Itapicuru.
O importante depósito “Mina Fazenda Brasileiro” encontra-se localizado na denominada Faixa Weber, que corresponde à porção sudeste do GBRI. Nesta região as rochas vulcanossedimentares apresentam vergência E–W, correspondente a uma zona de cavalgamento. Isto resulta em uma posição estratigráfica invertida para as diversas unidades (Teixeira et al. 1982, Teixeira 1983, Kishida et al. 1991) que, de sul para norte, são compostas pelas seqüências: (i) Riacho do Incó, (ii) Fazenda Brasileiro, (iii) Canto e (iv) Abóbora. Além disto, enquanto na Mina Maria Preta a mineralização esta hospedada nos dioritos da unidade vulcânica félsica intermediária (UVF), na Fazenda Brasileiro o ouro encontra-se associado às rochas máficas da seqüência basal (UVM).
Este artigo objetiva, portanto, detalhar a petrografia e litogeoquímica de rochas atribuídas à Seqüência Fazenda Brasileiro, que ocorrem na região da mina homônima. Trazemos como aporte dados de elementos traços e ETR para rochas coletadas em profundidade a partir de furos de sondagem.