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3 C ARACTERISATION DE LA RESSOURCE EN EAU SUPERFICIELLE

Dans le document ÉTUDES QUANTITATIVES SUR LES TERRITOIRES (Page 21-98)

Metáforas ontológicas ocorrem, segundo Lakoff e Johnson (1980), porque "[...] a nossa experiência com objetos físicos e substâncias dão bases adicionais à compreensão." (LAKOFF; JOHNSON, 1980, p. 25). A metáfora ontológica usa coisas do cotidiano, como objetos e entidades para ajudar a explicar outros conceitos. Por fornecerem vínculos com aspectos da interação humana com o mundo, as metáforas ontológicas são muito práticas. Todos os seres humanos encontram as mesmas categorias básicas de existência, e todos eles têm conceitos similares sobre como certas coisas se comportam.

Por exemplo, considere o caso de ‘inflação é uma entidade’. Nesta metáfora, o conceito de inflação é identificado com o conceito de entidade12. Lakoff e Johnson (1980) encontraram evidências em frases

como "a inflação está prejudicando o nosso padrão de vida", "é preciso combater a inflação", e "a inflação está atrapalhando nosso crescimento." Essas frases tratam “inflação” como se fosse uma entidade real, passível de interação física e capaz de causar acontecimentos no mundo. A metáfora oferece uma maneira concreta de discutir o conceito de inflação. Lakoff e Johnson (1980) afirmam que esta também é a forma como as pessoas pensam sobre a inflação: elas

11Como Lakoff e Johnson (1980) apontam, a estruturação metafórica é, por natureza, parcial. Isso foi discutido no capítulo anterior, no qual se enfatizou que as metáforas são sempre incompletas. Em particular, haverá fatos sobre o veículo que não se aplicam ao teor, e haverá fatos sobre o teor que não são explicados pelo veículo (BARR, 2003).

12 Entidade f. Aquilo que constitui a existência de uma coisa. Existência, considerada independente do respectivo objeto. Individualidade. Ente. Aquilo que existe, real ou imaginariamente. Importância. (Lat. entitas) Definição do Novo dicionário da língua portuguesa. Cândido de Figueiredo. Disponível em <http://goo.gl/l5nFY>. Acesso em 2 out. 2013.

realmente consideram a inflação uma entidade no mundo, não apenas um conceito abstrato.

As metáforas ontológicas servem a muitos propósitos diferentes. Os autores sugerem que elas são usadas para se referir, quantificar, identificar aspectos, identificar causas, estabelecer metas e motivar ações (LAKOFF; JOHNSON, 1980, p. 27). Ao identificar conceitos com as coisas básicas da existência, tais como objetos e entidades, os seres humanos são capazes de ‘realizar mais facilmente os processos mentais’. Como exemplo, note que uma metáfora ontológica torna a quantificação possível porque os objetos físicos são exatamente o tipo de coisa que os seres humanos utilizam para quantificação. Isso leva à capacidade de quantificar conceitos abstratos, como quando alguém diz: “Eu tenho muito medo”.

Todos os seres humanos entendem a existência de objetos, entidades. Os objetos têm uma forma sólida, todos eles têm um peso, bem como ocupam espaço. Esses aspectos são constantes e, portanto, uma metáfora de objeto provavelmente vai evocar as mesmas propriedades em qualquer cultura em que for utilizada (BARR, 2003).

FIGURA 8 - Exemplo de metáfora ontológica usada para quantificar e definir localização na interface de usuário

Aplicação em interface do usuário

Metáforas ontológicas são usadas frequentemente em interfaces de usuário por serem muito comuns para a compreensão humana do mundo. Como um exemplo, considere a metáfora dos ‘documentos’, onde um conjunto de dados é considerado um documento. Os usuários podem ser instruídos a ‘mover o documento para o lixo’. Ao identificar o conceito do sistema como um objeto, torna-se muito mais fácil para o designer indicar sua presença no sistema. Enquanto um conceito por si só não tem presença real ou forma, um objeto tem, por definição, essas duas coisas.

A quantificação é crucial para a interação com hipermídias. Os objetos e as substâncias são duas coisas comumente quantificáveis em nosso cotidiano e, usando metáforas que identificam conceitos do sistema com objetos, o poder de quantificação é transferido ao domínio da interface. Como o exemplo de ‘arquivo é um objeto’, é possível falar sobre o arquivo como tendo tamanho, ou localização. Assim, conjuntos de dados tornam-se menos abstratos, e mais ‘reais’.

Considere a metáfora ‘um programa é uma entidade’, é importante notar que nas interfaces de usuário, os programas são descritos como entidades. Assim, como na figura anterior, uma caixa de diálogo informa ao usuário que o programa precisa adicionar algumas informações a uma pasta. Essa mensagem sugere que o programa seja uma entidade que precisa executar uma ação. Ao pensar o programa dessa forma, o usuário pode compreender de imediato os processos causais dentro da interface. A regra de ouro de Ben Schneiderman (1997), o ‘fechamento’, refere-se a isso. Essa regra diz que é necessário tornar o processo de uma interação aparente ao usuário, dando-lhe um começo, meio e fim (SCHNEIDERMAN, 1997). As metáforas ontológicas são usadas para isso, porque os conceitos do sistema podem ser identificados com objetos do mundo real e entidades que, por sua vez, são as causas de eventos do mundo real.

Ao identificar os conceitos dos sistemas como objetos ou entidades, torna-se possível para os usuários pensar de forma física sobre a causalidade (BARR, 2003). Por vezes, erros nos sistemas são tratados como objetos (um erro é um objeto). Nesse caso, é a qualidade física de um objeto que é utilizada na metáfora. Isso se encaixa em exemplos do mundo real, quando algo lhe incomoda e diz-se que ‘tem uma pedra no sapato’, por exemplo.

Como foi apresentado, as metáforas ontológicas são comuns em interfaces de usuário, e parece que seu uso é inevitável. Devido a essa questão, é importante que os designers de interface compreendam onde e como as metáforas ontológicas são utilizadas.

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