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Aquatic macroinvertebrate patterns in the lateral dimension of the floodplain

Large river floodplain restoration: predicting species richness and trait responses to the restoration of

HOW DO MACROINVERTEBRATES RESPOND TO LATERAL HYDROLOGICAL CONNECTIVITY AND ITS MODIFICATION INDUCED BY RESTORATION ?

6.2. Aquatic macroinvertebrate patterns in the lateral dimension of the floodplain

As relativas restritivas são as mais produtivas no corpus em análise. Perfazem aproximadamente 90% dos dados. Alguns exemplos são como:

(13) a. Os penedos ficam cá abaixo baixo, onde lhe eu disse que era a Pena de Anamão. (CTL 08)

b. Sabe. Dá-lhe as respostas que lhe nós damos. (CTL 03)

c. Detesto aquela pessoa (...) que lhe fuja com o valor a quem o tem. (CTL 44) d. ...eram então as pessoas que andavam na estantiga. (CTL 37)

O quadro geral de pronomes apresentados nas gramáticas normativas considera as seguintes possibilidades de ocorrências de pronomes relativos no português:

(14) a. Não diz nada que se aproveite, esse rapaz! (Cunha e Cintra, 2007, p. 346) b. A senhora a quem cumprimentara era a esposa do tenente-coronel Veiga (Cunha e Cintra, 2007, p. 350)

c. Clareava: uma luz baça, em neblina, através da qual apareciam serranias distantes e o mar liso, esbranquiçado, luzindo a trechos. (Cunha e Cintra, 2007, p. 348)

d. Sob o mar sem borrasca, onde enfim se descansa. (Cunha e Cintra, 2007, p. 351)

e. Em tudo quanto olhei fiquei em parte. (Cunha e Cintra, 2007, p. 351) f. Herculano é para mim, nas letras, depois de Camões, a figura em cujo espírito e em cuja obra sinto com plenitude o gênio heróico de Portugal. (Cunha e Cintra, 2007, p. 351)

No entanto, no corpus em estudo, as relativas restritivas só ocorrem com os pronomes onde, que e quem, como já apresentado nos exemplos em (13).

Em relação às relativas livres, sabemos de diversas possibilidades de realização do pronome, sobretudo na norma-padrão, como nos exemplos a seguir:

(15) a. O que João me deu foi isto

b. Quem comprou o livro foi Maria c. Onde é moro é alegre

d. Quando João partiu estava escuro e. Como João estava era muito alegre f. Quanto custou este livro foi 100 reais

Embora Cunha e Cintra (2007 p. 346) não chamem diretamente essas orações de relativas livres, falam brevemente sobre os pronomes relativos sem antecedente; contudo, apontam que apenas o quem e o onde podem realmente se apresentar de tal maneira, exemplificando com construções como “Quem tem amor,

e tem calma, tem calma... Não tem amor”. Assim, chamam a esses pronomes de indefinidos, interpretando que, no pronome quem, há um antecedente interno

correspondente a aquele que, fazendo com que a frase tenha o sentido de “Aquele

que tem amor...”.

As relativas livres são atestadas no corpus com alguns dos pronomes exemplificados em (15) acima:

(16) a. Levava o que fosse. (CTL 15)

b. ... mas de qualquer maneira ainda há quem caia (CTL 32) c. Ali foi onde me eu criei. (CTL 30)

Os exemplos mostram que, além do quem e do onde, há ainda o o que, como pronome utilizado em relativas livres. Do mesmo modo são encontradas sentenças com o desdobramento do pronome relativo indefinido, na conceituação de Cunha e Cintra (2007), como mostram os exemplos em (17a) e (17b):

(17) a. Aquele que for muito morto não dá nada (CTL 20)

b. Que é: as andorinhas eram aquelas que tinham um rabinho muito comprido e as ‘verdoguinhas’ eram ‘averdogadinhas’. (CTL 21)

Há usos do pronome onde em lugar do pronome quando, fato também comum no PB:

(18) a. E foi onde eu comecei a minha vida. (CTL 30)

b. Quando se apanham as uvas, não é?, em Setembro ou Outubro; em Outubro, que é quando se apanham - (...) e foi onde eu conheci o ouriço- cacheiro. (CTL 17)

Casos com o pronome que em lugar de quando também foram encontrados:

(19) Quando se apanham as uvas, não é?, em Setembro ou Outubro; em Outubro,

que é quando se apanham - (...) e foi onde eu conheci o ouriço-cacheiro. (CTL

17)

Observa-se que, embora o antecedente tenha valor temporal, seria estranho o uso do relativo quando no exemplo em (19).

(20) a. Havia um cepo - um carvalho que cortara - e fazia como uma mesinha. (CTL 13)

b. E depois, se deixavam ir lá, andavam então aqueles guardas da floresta -

que agora já há poucos - a multar. (CTL 26)

As relativas pied pipping, apresentadas anteriormente, foram encontradas no

corpus com baixa frequência:

(21) Detesto aquela pessoa(...) que lhe fuja com o valor a quem o tem. (CTL 44)

Mesmo assim, há variação com a cortadora, em contextos bem semelhantes:

(22) a. Eu vou para o médico para onde a Dom Albano". (CTL 15) b. A gente que fosse ao médico, onde ao tal Dom Albano (CTL 15)

Além desta variação, observa-se também oscilação no uso da preposição, como pode ser observado a partir da comparação dos dois exemplos em (23)

(23) a. Ali foi onde me eu criei (CTL 30)

b. Hoje, foram lá para cima (...) para o lugar donde me eu criei... (CTL 39)

Em (23a) o pronome donde, que agrupa a preposição de + o relativo onde, apresenta um uso curioso, desde que a regência do verbo criar requer a preposição

em, e não a preposição de. Em (24b), a relativa é realizada com o mesmo predicado

verbal, mas não há realização de preposição.

Há ainda um caso que poderia ter sido incluído dentre as relativas pied

pipping se tivesse sido inteiramente realizado pelo falante da comunidade. É o

exemplo (24):

(24) Eu já lhe contei essa história de que eu, claro... (CTL 44)

A falta do verbo na possível relativa nos impede de afirmar com certeza que a construção é de uma relativa pied piping. Nem mesmo a continuação do diálogo

entre o informante e o documentador nos permite fazer qualquer juízo acerca da construção, já que o tema em discussão não tem prosseguimento.

Ainda em relação às relativas cortadoras que, como já dito anteriormente, diferem das pied-pipping pela ausência de preposição, observa-se raros usos desta estratégia na comunidade aqui estudada. Os exemplos em (25) ilustram essas sentenças:

(25) a. Namorava com uma espanhola. E depois... Vocês (...) ao irem aos Portos, vêem o cruzeiro - que já hoje ali falaram outros. (CTL 08)

b. É claro, aprendi com dezoito anos. E depois, havia aqui um livro, havia um livro que lhe chamavam: "A Censura do Minho e Verdades". (CTL 18) c. que é o caso que a senhora perguntou (CTL 20)

As sentenças em (25) acima deveriam, como definido pela regência verbal, apresentar as preposições exigidas pelos seus respectivos predicados verbais. Em (25a), o verbo chamar pede um complemento com a preposição a (como revela o uso do pronome resuntivo lhe), que não aparece diante do que. Ou seja, no limite da sentença que lhe chamavam, podemos verificar tanto o uso do clítico lhe, comum no PE como objeto indireto, como opção para retomada da expressão nominal objeto indireto de chamar, o que caracteriza a existência da estratégia resuntiva, quanto a ausência da preposição a diante do que, exigida pela regência do verbo

chamar. Do mesmo modo, em (25b), o verbo falar exige um complemento iniciado

pela preposição com ou de ou sobre, e esta não é realizada pelo falante. Em (25c), também, a preposição exigida pelo predicado perguntar não é realizada antes do relativizador que. Todos os exemplos caracterizam, portanto, o tipo de relativa cortadora, pelo “corte” das preposições. Como observamos sobre o exemplo em (25a), as duas estratégias, a cortadora e a resuntiva, podem aparecer na mesma sentença.