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3-5. APPROXIMATION FAIBLE DES OPERATEURS MONOTONES

Dans le document M ÉMOIRES DE LA S. M. F. (Page 50-59)

Gnaisse Nova Guarita

Os corpos descritos para essa unidade encontram-se na cidade de Novo Mundo, nas proximidades da estrada para a cidade de Nova Guarita. Por essa razão, a sua nomeação em Gnaisse Nova Guarita. Seus afloramentos são constituídos por blocos e matacões ovalados, de dimensões métricas e dispostos em áreas de topografia arrasada com pequenos morrotes isolados (Fig. 4.2A).

O gnaisse é anisotrópico, de tonalidade bege a levemente alaranjada, de granulação média a grossa (Figs. 4.2B-C), fracamente magnético, de trama inequigranular, hipidioblástica a xenoblástica e com textura glomeroporfiroblástica (Fig. 4.2C). A textura inequigranular é representada por grande variação nas dimensões dos cristais, os quais exibem contatos

serrilhados, suturados e lobulados, enquanto a granoporfiroblástica (~10-15% volume da rocha) é definida por cristais alongados e orientados ao longo do bandamento composicional, a partir da recristalização de fenocristais de feldspato. Os granoporfiroblastos frequentemente exibem textura blastopoiquilítica denotada por inclusões de plagioclásio sub-euédrico, e raramente de microclínio.

Fig. 4.1. Diagramas de classificação Streckeisen (A) Q(A+P)M e QAP para o conjunto de amostras investigadas do setor leste da Província de Alta Floresta. Legenda: Q: quartzo; A: feldspato alcalino + plagioclásio com Na > 5%; P: plagioclásio (Na > 5%); M: minerais ferro-magnesianos.

A anisotropia é conferida por um bandamento gnáissico com alternância entre bandas ricas em quartzo e feldspato, e individualizado pela foliação impressa por biotita intersticial, recristalizada, de granulação fina a média e de forte pleocroísmo marrom. Nas porções ricas em feldspato observa-se arranjo xenoblástico entre os cristais, com articulações irregulares (contatos lobulados, serrilhados e bordas de reentrâncias). O quartzo segrega-se em finas bandas quartzosas ou quartzo-feldspáticas que podem engolfar cristais menores de feldspato. Contudo, por corresponder a uma anisotropia pouco desenvolvida, esse bandamento é irregular e descontínuo.

Fig. 4.2. Gnaisse Nova Guarita: (A) Ocorrência em blocos métricos sub-arredondados em região de topografia arrasada; (B) Rocha anisotrópica, de tonalidade alaranjada, granulação média e com característico bandamento gnáissico; (C) Bandamento gnáissico truncado por discreta zona de cisalhamento; (D) Textura hipidioblástica a xenoblástica com glomeroporfiroblastos de quartzo e minerais em contatos lobulados, serrilhados e côncavo-convexos; (E) Biotita sub-euédrica parcial a fortemente cloritizada; (F) A mineralogia acessória biotita + apatita + zircão comumente ocorre em paragênese. Notar o pleocroísmo amarronzado comumente associado à biotita deste litotipo. Fotomicrografias: D: polarizadores cruzados; E-F: luz natural. Legenda: (Ap) apatita; (Bt) biotita; (Mc) microclínio; (Or) ortoclásio; (Pl) plagioclásio; (Qtz) quartzo.

O gnaisse exibe associação mineral constituída por quartzo (34-39%), K-feldspato (33- 40%; ortoclásio ≥ microclínio), plagioclásio (20-25%), biotita (2-6%), a qual reflete composição sieno- a monzogranítica de natureza hololeucocrática (Fig. 4.1). As fases acessórias (~6%) são constituídas por titanita, apatita, zircão magnetita e rutilo, frequentemente em paragênese (Fig. 4.2E-F), além de fases hidrotermais representadas por sericita, muscovita, epídoto, clinosoizita, clorita, pirita e hematita.

O quartzo é anédrico, de granulação fina a média na porção quartzo-feldspática, porém, grossa na porção quartzosa. Em ambos os casos, exibe contatos serrilhados ou côncavo-convexos com forte extinção ondulante setorial e consequente individualização de sub-grãos, além de mostrar-se fragmentado ao longo da foliação. Independentemente da composição, o feldspato potássico é sub-euédrico a anédrico e usualmente exibe texturas micro- e mesopertíticas comuns, enquanto o plagioclásio forma cristais sub-euédricos a anédricos, com formas tabulares a sub- arredondadas, texturas simplectitíticas e por vezes em mosaico. A biotita frequentemente ocorre cloritizada e exibe hábito sub-blástico a xenoblástico (Fig. 4.2E).

Embora restritos e de fraca atuação, vestígios da percolação de fluidos hidrotermais podem ser temporalmente ordenados da seguinte forma: (1) moderada a completa cloritização da biotita, com geração de clorita anômala; (2) alteração sericítica sobre o plagioclásio, com formação de sericita + muscovita; e (3) epidotização pervasiva, com epídoto fino a grosso, sub-euédrico e que normalmente substitui a mineralogia acessória.

Biotita tonalito foliado

O biotita tonalito foliado ocorre em lajedos ou afloramentos compostos por blocos ovalados sub-métricos, em áreas de topografia suavizada por pequenos morrotes arredondados (Fig. 4.3A). Além de exibir contatos intrusivos no Gnaisse Nova Guarita, apresenta xenólitos angulares a sub- arredondados com dimensões entre 0,6 e 0,8 m de rocha anfibolítica (Figs. 4.3C).

O tonalito foliado apresenta granulação média a grossa, é hololeucocrático, inequigranular a porfirítico e de textura hipidiomórfica (Fig. 4.3B e 4.3F). A textura porfirítica não excede 10% do volume da rocha, sendo dominantemente representada por fenocristais de plagioclásio que exibem contatos côncavo-convexos com a matriz (Fig. 4.3D), e raramente por microclínio anédrico. De modo restrito, finas inclusões anédricas de quartzo e sub-euédricas de biotita podem ser observadas nos fenocristais.

Fig. 4.3. Biotita tonalito foliado: (A) Afloramentos em lajedos métricos correspondem a uma das principais formas de ocorrência do litotipo; (B) Rocha hololeucocrática, de tonalidade branco leitosa, com bandamento metamórfico e foliação impressa pela biotita; (C) Contato intrusivo do biotita tonalito foliado no Gnaisse Nova Guarita; (D) Enclaves de 40-50 cm de dimensão de anfibolito no tonalito foliado; (E) Textura porfirítica eminentemente representada por fenocristais de plagioclásio euédrico a sub-euédrico; (F) Rocha inequigranular com textura hipidiomórfica em que os cristais se articulam em contatos serrilhados e do tipo côncavo-convexo; (G) Fases acessórias representadas pela paragênese biotita + apatita + titanita + zircão. Fotomicrografias: F: polarizadores cruzados; G: luz natural. Legenda: (Bt) biotita; (Pl) plagioclásio; (Qtz) quartzo; (Ttn) titanita.

Esse litotipo usualmente exibe fraco gradiente de deformação, exemplificado por uma fraca anisotropia estrutural, com gradual aumento na concentração de biotita recristalizada, da segregação metamórfica assim como redução na granulação com consequente formação de texturas em sub-grãos. A rocha é composta por plagioclásio (46-51%), quartzo (28-33%), microclínio (<10%), além de biotita (4-13%), apatita, titanita, zircão e magnetita como fases acessórias (5-14%; Fig. 4.1), e epídoto, clinosoizíta, sericita e clorita como fases hidrotermais.

O quartzo forma cristais anédricos de granulação fina a média com moderada a forte extinção ondulante e contatos difusos com formação de sub-grãos. Está essencialmente concentrado em um bandamento composicional pouco desenvolvido. O plagioclásio exibe granulação média a grossa, hábito anédrico a sub-euhédrico, textura vermiforme, está frequentemente sericitizado e por vezes exibe lamelas de geminação levemente arqueadas (Fig. 4.3F). A frequente associação entre quartzo e plagioclásio forma zonas enriquecidas nesses minerais, e que são responsáveis pelo fraco desenvolvimento de seu bandamento composicional.

O microclínio é pertítico, fino a médio, intersticial a raramente sub-euédricos. O zircão está frequentemente associado às porções ricas em biotita, exibe granulação fina a grossa e com zoneamento oscilatório bem desenvolvido. Embora não seja comum, a titanita (< 1-2%) usualmente ocupa os interstícios da biotita. Embora apatita possa estar na matriz quartzo- feldspática, a associação biotita + titanita + apatita + zircão ± magnetita é comum.

A anisotropia está mais bem impressa pela iso-orientação de biotita, a qual forma cristais de granulação média, hábitos euédricos a sub-euhédricos com forte pleocroísmo amarronzado (Figs. 4.3B e 4.3G). A comum substituição de biotita por clorita rica em ferro forma concentrados de magnetita fina em suas bordas externas. De acordo com Deer et al., (2000), esse fato é um reflexo da constante expulsão de ferro ferroso da estrutura da biotita.

Indícios de alteração hidrotermal, embora restritos e de fraca atuação, são temporalmente representados por: (1) alteração potássica pervasiva do plagioclásio por microclínio, responsável pela ligeira tonalidade rósea a rocha; (2) cloritização da biotita ígnea; (3) fraca a moderada sericitização dos cristais de plagioclásio da matriz, com eventual muscovita hidrotermal; e finalmente uma (4) fraca epidotização do plagioclásio e biotita, representada pela paragênese epídoto + clinosoizíta ± titanita.

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