Les approches d'estimation de l'illuminant
3.3.1 Approches lambertiennes
CURSO ELEMENTAR CURSO COMPLEMENTAR
Primeiro ano
Dobrados: fazer com o auxílio do papel objetos usuais. Marca e Crochê.
Primeiro ano
Primeiros pontos de tricô: sapatinhos simples. Costura: camisas, calças, camisolas, saias, corpinhos, etc.
Segundo ano
Dobrados de fitas ou tiras de papel. Recorte. Crochê: pontos de alinhavos, pospontos no claro, pontos fechados e abertos e pontos de remate.
Terceiro ano
Primeiros pontos de costura. Preparação e modo de franzir. Franzidos duplos. Casear e pregar botões, colchetes, etc.
Segundo ano
Tricô: sapatinhos, capotes, toucas, etc. Bordados fáceis e trabalhos de singela fantasia.
Quarto ano
Costura branca: toalhas, fronhas, lenços e aventais. Remendos diversos. Pontos russos e de ornamentos. Pontos de marca, letras e nomes.
FONTE: Regulamento geral do Ensino Primário do Estado/Nova organização, 1910.
113 Estas práticas estão analisadas mais adiante neste mesmo capítulo.
114 Schelbauer (2005) observa que a compreensão em torno do método intuitivo ou das lições de coisas geraram, entre alguns teóricos de outros países, discordâncias quanto a sua aplicabilidade. “As lições de Coisas – primeira forma de intuição ou intuição sensível – poderiam ser aplicadas através de dois sistemas: como exercício à parte, tendo sua hora no programa e seu quadro sistemático ou, ao contrário, inserido em todo o programa de ensino” (p. 135). A autora observa ainda que no Brasil, essa discussão foi evidenciada a partir dos debates entre Leôncio de Carvalho e Rui Barbosa.
Observamos que os conteúdos aplicados eram direcionados para uma aprendizagem prática, que primava pela eficiência em negação ao método tradicional, que estava ancorada em uma aprendizagem contemplativa e verbalista e com pouco significado prático para o aluno. Para se atingir essa eficiência desejada, seria necessário disponibilizar nas escolas um vasto mobiliário e objetos pedagógicos adequados, para que as alunas fossem capazes de experimentar, na prática, as disciplinas do programa.
Neste aspecto, o Orphanato se enquadrava bem nos propósitos da Municipalidade, pois mesmo enfrentando muitos problemas relativos ao espaço físico, sempre pode contar com uma variedade de móveis e equipamentos pedagógicos, vistos como essenciais para a formação geral das internas. Nestes espaços educativos, era comum haver uma diversidade de equipamentos utilizados na aprendizagem das educandas.
Em relação à cultura material escolar, Souza (2007), observa que o surgimento de um moderno e diversificado mobiliário escolar e de novos materiais de ensino, se proliferam para dar visibilidade e sustentação aos novos processos pedagógicos que seriam disseminados nas instituições educativas projetadas no final do século XIX no Brasil. O ambiente asilar para meninas internas nesse sentido foi desde sua origem um espaço privilegiado de recursos pedagógicos e acompanhou as transformações nessa área, uma vez que contava com uma variedade de artefatos que fizeram parte do convívio e do processo de aprendizagem das internas.
QUADRO 19: Móveis e materiais pertencentes ao Orphanato Municipal
SALA E AULA115 CAPELA
02 retratos do Senador Lemos, 01 dito do Exmo. Sr. Dr. Lauro Sodré, 35 bancos, 44 cadeiras simples, 02 pianos, 02 poltronas, 01 sofá, 02 consolos, 02 aparadores, 02 estantes envidraçadas para livros, 02 ditas pequenas sem vidros, 17 guarda-roupas, 11 mesas, 02 toucadores, 10 lavatórios de ferro, 90 camas de tela, 05 cômodas, 01 filtro inglês, 10 bidês, 33 bancos- carteira, 02 quadros de contabilidade, 02 machinas para meia, 05 ditas de costura, 01 dita de passar roupa, 03 ferros de engomar, 03 aparadores comuns, 01 geladeira, 01 fogão, 02 relógios de parede, 256 compêndios de aula.
01 via sacra, 03
genuflexórios, 01
confessionário, 01
harmonium, 02 imagens de nossa senhora, 01 dita do coração de Jesus, 01 dita de Sant’Anna, 07 estampas de santos molduradas.
FONTE: Elaborado pelo autor a partir do Relatório da intendência Municipal de Belém, 1904.
115 Essa denominação está de acordo com as referências do Relatório Municipal e diante disso, não podemos afirmar se se trata de erro gráfico. Acreditamos que esses equipamentos estão dispostos nas salas de aula e em outros ambientes da instituição.
Apesar de alguns móveis e equipamentos estarem listados na primeira coluna da tabela denominada “Sala e Aula”, estes, à primeira vista, não poderiam ser considerados, como pedagógicos, no entanto, eram objetos fundamentais para a formação geral das internas, especialmente, se levarmos em consideração os preceitos religiosos que sustentavam instituições congêneres espalhadas por todo o Brasil nesse período.
A formação das meninas que viviam em situação asilar no Orphanato Municipal mesmo estando sob a égide da legislação do ensino primário do Município e do Estado não se distanciava da sua principal missão que era a de formar donas de casa prendadas e com alto conhecimento sobre as práticas domésticas.
Os equipamentos pedagógicos utilizados para a aprendizagem na instituição eram o diferencial em relação às demais escolas municipais, tendo em vista que o processo de aprendizagem, preconizado pelos trabalhos manuais e domésticos, era condição essencial para não só formar, mas também dar condições de que as órfãs viessem a desenvolver uma profissão futura.
Nesse sentido, Souza (2007), ao relacionar esses aspectos aos contextos vivenciados pelas escolas ao longo dos tempos, observa que:
Embora tomados como quase sempre como um pressuposto natural, os artefatos materiais vinculam concepções pedagógicas, saberes, práticas e dimensões simbólicas do universo educacional constituindo um aspecto significativo da cultura escolar. (p. 169).
Após alguns anos de vigência da Lei Estadual de 1910, assim como da Lei de 1918, de nº 3.356, o ensino primário do Estado passa por mais uma reestruturação. No que tange às disciplinas do programa de ensino, a Lei estabelece no artigo 3º, capítulo I, seção única, designada “Do ensino Primário de letras”, as seguintes prescrições:
O ensino primario comprehende: leitura, escripta e calligraphia; lingua nacional; arithmetica, auxiliada pelo estudo elementar das equações algebricas; noções de geographia e historia, especialmente do Brasil e do Pará; licções de coisas, comprehendendo noções comcretas de zoologia, botanica e physica; instrucção moral e civica e elementos de hygiene individual (licções occasionaes); noções praticas de geometria; desenho; exercicios militares e de callisthenia sueca, apropriados á idade e ao sexo dos alumnos; prendas domésticas (para meninas); canto (a uma, a duas e a muitas vozes); hymnos patrioticos e escolares. (PARÁ, Estado do./Decreto que altera o Regulamento do Ensino Primário do Estado, 1918, p. 03).