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Approches ab initio

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C ONCLUSION GENERALE

I.1 Approches ab initio

Através das trajectórias de vida que pudemos registar, obtivemos confirmações da existência de inúmeras questões que se nos depararam ao longo do trabalho, para além de outras que nem suspeitaríamos. Não é nossa intenção fazer desta parte um momento alongado de reflexão, mas antes darmos conta de apontamentos que se nos afiguraram ilustrativos.

Convém, ainda, referir que apenas conseguimos constituir dois registos auto-biográficos, de pessoas da área do Porto, e que foi com imensa pena nossa que não nos foi possível, conforme tínhamos previsto, conseguir igual número da zona de Lisboa, mais propriamente de pessoas cujo percurso se tivesse cruzado com o Projecto AMLLis. Pensamos que este seria um contributo particularmente válido, na medida em que permitiria "ver por dentro" algo que é hoje uma referência na inserção profissional da pessoa surda.

Problemas de vária ordem, que se prenderam sobretudo com a impossibilidade de coordenação de horários, deslocações a Lisboa, e a impossibilidade de disponibilização atempada de um intérprete, foram a causa dessa impossibilidade. Ficou, de ambas as partes, o compromisso de que isso se constituísse numa prioridade de investigação posterior, uma vez que da parte da Coordenação

do Projecto AMLLis nos foi verbalizado o desejo de que se visse esse propósito cumprido.

Vejamos, então os pontos mais relevantes deste tipo de abordagem.

Trajectória de vida 1

Após ter frequentado uma turma de surdos, foi afastado pelo pai, porque estava a "aprender a falar por gestos". Fez, então o percurso em escolas regulares, sempre acompanhado de aulas particulares, tendo terminando o 122 ano na Escola Soares dos Reis. Nessa altura foi trabalhar para a Associação de Surdos como 32 escriturário. Entretanto resolveu fazer uma sociedade de ourivesaria (cravação de pedras) com mais dois colegas. A sociedade não resultou e respondeu a um anúncio do jornal. Começou então a trabalhar como aplicador de tacos. Ao fim de algum tempo ficou com problemas de saúde por alergia à cola. Quando regressou ao trabalho o patrão ofereceu-lhe um emprego no escritório. Mas o patrão era demasiado nervoso e, após as férias, resolveu não voltar a ir trabalhar. Respondeu a outro anúncio e foi aprender a trabalhar em serigrafia. Teve o mesmo problema com as tintas e passou a trabalhar numa firma de computadores (tinha tirado um curso de computadores, de um mês, na TECLA), emprego que a Associação lhe arranjou.

Nessa altura começou a tirar um curso de Língua Gestual na Associação, por pensar que seria uma profissão com futuro. Após o curso teve que abandonar o emprego na firma de computadores porque começou a ser muito solicitado

Entretanto, tirou, em Lisboa, o certificado de Monitor/formador em LG. Neste momento lecciona cursos na Associação de Surdos, no FOCO e em diversas escolas. Gosta de dar aulas de Língua Gestual mas pensa um dia vir a ter uma firma só para si. Sente-se realizado por dar formação para surdos e poder aumentar o interesse pela LG. Está também muito preocupado com as crianças pequenas que não conseguem comunicar. Acha que a profissão é bem paga e que no nosso país ainda tem que se caminhar muito nesse sentido. 0 curso que desejava tirar era arquitectura, porque foi influenciado na Escola Soares dos Reis, mas depois desistiu porque era muito tarde e os pais precisavam que ele trabalhasse. É casado com uma surda que trabalha no escritório da Yasaki. Considera que os surdos têm grande poder de concentração no trabalho e são muito produtivos. Normalmente estão muito concentrados e produzem mais que os ouvintes, porque falam com as mãos e têm as mãos ocupadas a trabalhar. Às vezes à surdos que se revoltam porque os ouvintes fazem parar a linha de montagem e trabalham devagar.

Trajectória de vida 2

Não sabe se nasceu com a deficiência, pois ela apenas foi detectada aos quatro anos. Nessa altura começou a usar aparelho, mas rejeitou-o sempre. Frequentou sempre turmas de ouvintes mas sentia-se complexada, problema que ultrapassou aos 16 anos, quando ingressou numa turma de

ser capaz de conviver sem problemas com colegas surdos e ouvintes. No 102 ano foi para a Escola Infante D.Henrique frequentar um curso profissional. Acha que as pessoas não sabem dar o valor às capacidades e linguagem dos surdos, que eles são pessoas compreensíveis, brincalhonas, gostam de contar piadas, e por isso, não se arrepende de ter estado em turmas só de surdos. Neste momento está a tirar um curso de LG, porque pretende ajudar as pessoas deficientes, seja qual for o tipo de deficiência, e porque tem prazer de ensinar LG a crianças surdas. E também a ouvintes, para no futuro serem intérpretes para apoiar o surdo. Faz parte da direcção da Associação, mas está no desemprego. Tirou o curso na área de

informática e está à procura do primeiro emprego. Está também a ser subsidiada pelo Instituto da Juventude, que lhe paga quinze horas semanais. A profissão que gostava mesmo de ter era monitora de LG. Faltam ainda dois anos e meio para acabar. Tem boas capacidades de leitura labial porque ninguém em seu redor sabia LG. Na Escola da Senhora da Hora, onde esteve até ao 92 ano, teve imensos problemas e dificuldades. Não adiantava nada dizer aos professores que tinham que estar sempre de frente para ela. Eles esqueciam- se sempre. Reprovava sempre um ano, e só no ano seguinte é que tinha direito a apoios. Quando passava tinha sempre boas notas. Acredita nas suas capacidades, o único problema é a audição. Na escola primária teve sempre que ser apoiada pela mãe. Na Escola Soares dos Reis e na Escola Infante D.Henrique notava mesmo que os professores lutavam pelos

No curso de Monitores de LG que e s t á a frequentar

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