Production en tonnes (2010)
II. 1.1.1.4.1.Les stratégies des acteurs
II.1.1.2. Approche par le territoire
investigado há mais de 40 anos, isto porque nos inícios dos anos 50 houve mudanças no ênfase do tratamento psiquiátrico variando do modelo hospitalar para o modelo comunitário.
Um grupo de pesquisadores ingleses, liderados por George Brown (1959), iniciou uma série de estudos com pacientes com esquizofrenia que haviam recebido alta de instituições psiquiátricas e voltaram a viver na comunidade. No primeiro estudo, observou que pacientes do sexo masculino, que tinham alta hospitalar após pelo menos 2 anos de hospitalização e passavam a viver com os pais ou cônjuges, tinham uma evolução pior em termos de reinternamentos e de ajustamento social do que aqueles que passaram a viver sozinhos. Esse resultado não pôde ser atribuído ao factor estado clínico tendo levado George Brown a concluir que a diferença na evolução da doença podia ser reflexo das atitudes familiares em relação ao paciente.
A partir destes resultados, Brown et al. (1962), elaboraram um segundo estudo com o objectivo de examinar se a qualidade do relacionamento entre pacientes e familiares estavam associados ao prognóstico do paciente. De este estudo foram também extraídos elementos para a elaboração de um instrumento - a
Entrevista Familiar de Camberwel (EFC) - que avalia aspectos do
relacionamento interpessoal entre o paciente e seus familiares associados a uma maior probabilidade de recaída sintomática dos pacientes (Brown e Rutter, 1996).
No terceiro estudo (Brown et al., 1972) a expressão alta emoção expressa (EE) foi adoptada para indicar características dos familiares que se mostraram preditoras de recaída sintomática.
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A Entrevista Familiar de Camberwell é, principalmente, um instrumento de pesquisa, sendo o seu uso recomendado em estudos que examinam o impacto de aspectos psicossociais, como o ambiente familiar, na evolução de vários transtornos mentais.
O objectivo é obter um relato do familiar sobre os acontecimentos ocorridos em sua casa durante os três meses anteriores ao internamento, particularmente sobre o início e o desenvolvimento do episódio actual da doença e o seu impacto nos diversos aspectos da vida familiar, considerando as seguintes áreas: história psiquiátrica, irritabilidade e desavenças, sintomas clínicos, tarefas domesticas, lazer, relacionamentos, e questões sobre a medicação. Dois tipos de informação são colhidos: informação descritiva sobre os acontecimentos ou actividades concretas da família, história psiquiátrica, rotina e funcionamento social do paciente (material objectivo). Ao mesmo tempo obtém-se informação a partir de observação directa das atitudes e dos sentimentos dos familiares em relação ao paciente e à sua doença (material subjectivo).
De acordo com Leff e Vaughn (1985), essa entrevista é feita a um familiar poucas semanas após o internamento do paciente, ou à pessoa mais próxima do paciente - A entrevista é conduzida, preferencialmente, na casa do familiar, que é considerado o local onde o familiar se pode sentir mais relaxado e confortável. A entrevista é gravada, após a autorização do familiar, e a sua análise é feita posteriormente. Cinco escalas são utilizadas para a avaliação de EE: número de comentários críticos e positivos, presença de hostilidade, nível de super envolvimento emocional e calor afectivo.
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Comentários críticos:
Comentários desfavoráveis sobre a personalidade ou comportamento da pessoa expressos num tom critico. O comentário crítico torna-se evidente pelo conteúdo do que é falado e pelos aspectos vocais empregados, em observações desfavoráveis sobre a pessoa.
Superenvolvimento emocional:
Pode ser identificado pelo comportamento de preocupação exagerada, respostas emocionais exageradas no passado, comportamento de protecção excessiva, descontrole emocional do familiar enquanto fala do paciente durante a entrevista, uso de tom de voz dramático ou de numerosos detalhes para descrever a situação.
Hostilidade:
É considerada presente quando a pessoa é criticada pelo que ela é, e não pelo que ela faz. Os sentimentos negativos são generalizados e expressos contra a pessoa, e não contra um determinado comportamento da pessoa.
Calor Afectivo:
São importantes para a avaliação do calor afectivo, o tom de voz usado pelo informante para falar da pessoa; a expressão espontânea do sentimento de afeição que sente por ela; preocupação e empatia em relação à mesma; demonstração de entusiasmo e interesse pelas actividades e conquistas por aquela conseguidas.
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Comentários positivos:
Comentários que expressam orgulho, aprovação ou reconhecimento da personalidade ou do comportamento da pessoa, sem nenhuma ambiguidade. O comentário positivo é definido, principalmente, pelo seu conteúdo, o tom de voz utilizado serve para clarificar o conceito positivo do comentário.
O índice de emoção expressa (EE) e seus componentes não são estáveis no tempo. Mudanças no índice de EE e seus componentes podem ocorrer ao longo do tempo. Embora mudanças de alta para baixa EE ocorram mais frequentemente, também são observadas mudanças de baixa para alta (Brown
et al., 1972; Leff et al., 1990; Mc Creadie et al., 1993).
Duas revisões recentes sobre estudos que investigaram a associação entre EE e recaídas sintomáticas em esquizofrenia, em diversos países, utilizando a
Entrevista Familiar de Camberwell para a avaliação de emoção expressa,
mostraram que este índice de EE é um preditor robusto de recaídas, independentemente do estado clínico do paciente (Parker e Hadzi-Pavlovic, 1990; Bebbington e Kuipers, 1994).
Parker e. Hadzi-Pavlovic (1990), estimaram uma probabilidade de recaída 3,7 vezes maior para os pacientes do grupo de alta emoção expressa, do que para os pacientes do grupo de baixa emoção expressa.
As investigações sobre EE permitiram o desenvolvimento de propostas terapêuticas visando modificar a interacção familiar de forma a melhorar a aceitação do paciente.
Uma das intervenções propostas, a partir dos estudos sobre emoção expressa, é a abordagem psicoeducacional, que é educativa, não confrontadora e oferece suporte aos familiares, visando mudanças comportamentais.
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