3. LA RSE ET LA GOUVERNANCE D’ENTREPRISE : UNE LÉGISLATION ACCRUE
3.2. L’approche normative canadienne
A visão dos pesquisadores quanto ao Consórcio foi explorada nas entrevistas e no questionário. Essa seção será voltada aos resultados do questionário. Optou-se por favorecer a apresentação gráfica, tomando-a como mais propícia e econômica ao entendimento.
O primeiro retrato traz o resultado da questão que remetia diretamente a visão do pesquisador frente a categorias antagônicas. A Figura 5 apresenta a freqüência com que os respondentes do questionário inscreveram o CBP&D/Café entre as categorias polares apresentadas a eles na questão 5. Considerando-se a percepção majoritária, o Consórcio seria democrático, centralizado, opaco, voltado ao pesquisador, abrangente, favorecido pelo ambiente, com foco prático, alocador ineficiente de recursos, condicionado externamente, político, dotado de impulso inovativo e em ascensão (essa última característica, por maioria de uma opinião). Eventualmente mais relevante que a constituição de uma percepção majoritária, admite-se que os dados acima em concurso com os demais parecem indicar a estratificação dos respondentes em duas facções. Uma ressabiada, decepcionada e pessimista. Outra, mais confiante, entusiasmada e otimista. A estratificação dos pesquisadores em dois grupos foi testada
91 mediante análise de conglomerado e é motivo de discussão na seção 4.2.2. No caso, aqueles ressabiados, decepcionados e pessimistas foram inclusos no grupo “Descrente”, enquanto os demais compuseram o grupo “Confiante”.
Figura 5. Percepção dos respondentes sobre o CBP&D/Café
Democrático
Centralizado
Transparente
Voltado ao produtor
Favorecido pelo ambiente
Foco prático Alocador eficiente Definidor de rumos Meritocrático Impulso inovativo Em ascensão
Ameaçado pelo ambiente Pulverizado Abrangente Oligárquico Em declínio Continuísmo Político Condicionado externamente Alocador ineficiente Foco acadêmico Dispersivo Voltado ao pesquisador Opaco (150) (100) (50) 0 50 100 150 200 Qtde. de respondentes
92 Esses pesquisadores, que têm uma visão dividida sobre o Consórcio, foram submetidos a uma série de afirmações sobre o arranjo e sobre a pesquisa do café. Para cada afirmação foi feito o seu histograma79
Cada afirmativa testada mereceu uma análise específica. No geral, como apresentado na Figura 6, chama-se a atenção para o fato que em apenas 11 das 26 das afirmativas (1, 9, 8, 26, 13, 7, 17, 10, 5, 21, 15) em que os respondentes tenderam para alguma convergência. Pontos de vistas conflitantes aparecem como regra.
. A forma do histograma, em conjunto com algumas funções estatísticas (média, desvio, curtose e distorção) permitiram classificar os dados como indicação de “Polaridade”, “Dissenso”, “Convergência à esquerda”, “Convergência à direita”, e “Convergência ao centro”, tal como na Figura 6. Cada ponto, dado pelo par (Curtose, Distorção), representa uma afirmação. Com o concurso dos histogramas do APÊNDICE H, os dados indicaram reações às afirmações. Essas reações foram classificadas em “Polaridade” (histograma tendendo para um formato em “U”, curtose negativa alta, pequena distorção); “Dissenso” (histograma irregular, curtose e distorção próximo de zero) e “Convergência – à direita, à esquerda, ou ao centro” (histograma com alguma tendência de concentração de pontos, valores absolutos elevados de distorção).
79 Os histogramas das afirmações são apresentados no APÊNDICE H.
93 É interessante ressaltar aquelas afirmativas que polarizaram a opinião dos respondentes: 22,18,14 25, 3 e 2. Há um grupo que vê problemas na atuação simultânea da EMBRAPA como coordenadora do Consórcio e proponente de projetos – enquanto outro grupo a aceita (afirmativa 2). Enquanto alguns apóiam a exigência da multi-institucionalidade (afirmativa 18), outros lhe são contrária. Se para um grupo, os líderes exercem uma coordenação efetiva dos projetos, o outro grupo não concorda (afirmativa 25). Alguns acham inadequado que o Consórcio funcione como instituição auxiliar da EMBRAPA na prestação de serviços de
pesquisa aprovados pelo CDPC – outros concordam com a proposição (afirmativa 22). A
afirmação 14: “não há diferença significativa entre propor e executar um projeto financiado pelo Consórcio ou financiado por outra fonte” também foi encontrada polêmica. Um centro nacional de pesquisas do café (afirmativa 3) não conta com a simpatia de muitos pesquisadores, mas mesmo assim, tem seus apoiadores.
Ao longo da próxima seção é apresentada a ligação entre a visão dos pesquisadores e a sua reação às afirmativas, bem como se discute a existência de correlações entre a visão, reação às afirmativas, os diversos capitais e alguns atributos dos respondentes.
Antes porém, é oportuno verificar os dados das questões 10 e 11 referentes aos critérios de julgamento das propostas – onde pode residir parte da explicação para as divergências observadas entre os pesquisadores.
Mesmo se o sistema de análise de propostas (através dos núcleos, mediante a utilização de consultores ad hocs) fosse blindado a qualquer outra interferência e assim exclusivamente
técnico80, haveria espaço para a divergência. A EMBRAPA define os pesos relativos de
diversos critérios81
80 Essa condição não é real para metade dos respondentes, que percebem conotações políticas nas decisões do Consórcio.
81 Como apresentado (1) no formulário: ROTEIRO PARA AVALIAÇÃO DA ESTRUTURAÇÃO,
CONTEÚDO E MÉRITO TÉCNICOCIENTÍFICO DA PROPOSTA DE PROJETO PELOS MEMBROS DOS NÚCLEOS DE REFERÊNCIA DO PNP&D/Café e CONSULTORES AD HOCs e (2) na chamada 01/2006 do PNP&D/Café. Analisando os dois documentos: o formulário e a chamada, é possível notar divergências já neste ponto. Não há correspondência estrita entre os dois documentos pois aparecem critérios que estão no primeiro e que não estão no segundo, e vice-versa. Aparentemente, o formulário confere peso a itens de metodologia e apresentação da proposta (alinhamento entre título, resumo, problema, objetivos, metas, metodologia) que não fazem parte da relação de critérios da chamada. Como se não bastasse não há uma redação única entre os critérios presentes tanto no formulário quanto na chamada, o que dá margens a interpretações distintas.
, mas os pesquisadores possuem a sua própria definição dos pesos. Os pesos conferidos pelos pesquisadores têm uma variação significativa entre si, como apontado pelo coeficiente de variação, na quarta coluna da Tabela 6. Com tamanha dispersão, não há como abrigá-los dento da hierarquia defendida pela EMBRAPA.
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Tais variações são parte da explicação do gráfico da Figura 7, que representa a avaliação dos respondentes sobre a coincidência entre a hierarquia de critérios implementada pelo Consórcio, na sua chamada de 2006, e a recomendada por eles. Apenas 3 em 10 dos respondentes acreditam que há coincidência entre os critérios, ao menos na maior parte das vezes. Por outro lado, 2 em cada 10 acham que existem outros critérios ou que não há coincidência entre a hierarquia do respondente e aquela do Consórcio. Também aqui os respondentes foram achados divididos, numa questão que é importante na medida em que o Consórcio se justifica em parte pela sua arbitragem na alocação de recursos.
Média M Desvio
D CV= D/7 (%) Faixa 1D
1 Questões técnico-científicas colocadas. 6,43 1,06 15,2 5,37 - 7,00
2 A relevância do problema e sua relação com os objetivos do PNP&D/Café. 6,28 1,14 16,2 5,14 - 7,00
3 A qualidade geral e o caráter inovador do projeto. 6,27 1,11 15,9 5,16 - 7,00
4 A clareza e pertinência dos objetivos, metas e estratégias. 6,22 1,13 16,2 5,09 - 7,00
5 Resultados e impactos esperados. 6,04 1,19 17,0 5,85 - 7,00
6 Ações de transferência de tecnologia. 5,28 1,56 22,3 3,71 - 6,84
7 A capacidade de correção de desníveis regionais. 4,64 1,61 23,0 3,03 - 6,25
8 Os impactos sociais, econômicos, tecnológicos e ambientais decorrentes da execução do projeto. 5,61 1,42 20,3 4,19 - 7,00
9 Infra-estrutura, qualificação e experiência das instituições integrantes, da equipe e parceiros nos temas do projeto. 5,68 1,25 17,9 4,43 - 5,68
10 Adequação dos arranjos sobre Propriedade Intelectual. 4,40 1,68 24,0 2,72 - 6,08
11 Adequação da proposta orçamentária e duração do projeto. 5,42 1,53 21,8 3,89 - 6,95
Critérios da chamada 01/2006 do PNP&D/Café
Tabela 6 – Hierarquia de critérios para seleção de projetos apontada pelos respondentes do questionário
Figura 7. Hierarquia de critérios de seleção de propostas: respondente & Consórcio 53 = 23% 74 = 32% 58 = 25% 23 = 10% 22 = 10% 0 20 40 60 80 Não sabe. Na maior parte das vezes. Em algumas vezes. Não, a hierarquia de critérios do Consórcio é diferente da sua. Não, existem outros critérios que não aparecem na relação e
que são tão ou mais importantes.
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