2. LA NOTION DE CONFORT DANS LES STADES
2.4 APPROCHE DU CONFORT ACOUSTIQUE DANS LES STADES
As dificuldades encontradas ao nível da amamentação podem estar adstritas ao próprio bebé. Sendo as primeiras horas do pós-parto cruciais para o estabelecimento do vínculo mãe- bebé, estudos têm sido conduzidos no sentido de mostrar a importância do processo de AM na primeira hora após o nascimento, concluindo que se esta prática ocorrer, a mãe terá uma maior probabilidade de amamentar por tempo prolongado (Coelho, 2015; Oddy, 2013; Ribeiro et al., 2015).
Está provado que se o recém-nascido for colocado junto à sua mãe logo na primeira hora após o nascimento, os laços vinculativos com a sua mãe se estreitam, aumentando a
confiança da mãe e o cuidado com o seu filho, mostrando-se mais afetuosa e acelerando a adaptação metabólica do bebé. Consequentemente, terá uma maior probabilidade de fazer uma sucção correta, facto que se relaciona com uma maior duração do AM (Papí, 2004).
Para além da importância do estabelecimento do vínculo relacional mãe-bebé (Rea, 2004; Valero, 2009), a sucção frequente na mama é assumida como um dos melhores estímulos para a secreção do leite, com benefícios comprovados para o bebé (Aguiar & Silva, 2011; Ferreira, 2005; Gartner et al., 2005; IP et al., 2009; Levy & Bértolo, 2012; Real, 2010; Taveras et al., 2004; WHO, 2000) e para a própria mãe (Aguiar & Silva, 2011; Cardoso, 2006; Galvão, 2006; IP et al., 2009; Lévy & Bértolo, 2012; Rea, 2004; Real, 2010).
Dados têm igualmente sugerido que o recém-nascido, nos primeiros dias de vida, dorme quase a totalidade do tempo, acordando apenas por breves momentos que deverão ser aproveitados para o AM (Papí, 2004). Por conseguinte, um regime nutricional com um esquema rígido de horários e de duração de cada mamada altera por completo a rotina do recém-nascido (Cardoso, 2006; Vilas Boas, 2013).
Os comportamentos e temperamentos dos recém-nascidos são todos diferentes, no entanto, Morales (2004) refere que as evidências mostram que os bebés normais apresentam duas fases de comportamento após o parto: nas primeiras 2-4 horas podem estar em alerta e atividade, seguidas de um período entre 24-36 horas de sonolência, pouco interesse em comer e àquilo que se passa ao seu redor, com alguns despertares. Segundo a autora, é importante aproveitar as horas de atividade do recém-nascido para o amamentar, sem esperar que ele chore, pelo que é importante reconhecer alguns sinais, como movimento da cabeça, da língua, das extremidades, sons, entre outros. No caso daquelas crianças mais sonolentas e que dormem seguido entre 3 a 4 horas, a autora sugere que o bebé seja despertado suavemente e que lhe seja aproximado o peito para iniciar a mamada.
Alguns bebés, no entanto, apresentam durante as primeiras horas períodos de irritabilidade e choro, pelo que colocá-los a mamar nem sempre resulta nestes casos, sendo que inclusivamente podem rejeitar o peito materno. Esta situação pode ser angustiante para a mãe, que se sente impotente para amamentar o seu filho (Morales, 2004).
De facto, a irritabilidade do recém-nascido pode não estar associada à fome, mas sim ao seu temperamento mais irritado, provavelmente como resposta a todas as mudanças sensoriais associadas ao pós-parto. Nestas situações é importante a ajuda de um profissional
de saúde, do pai ou de outro familiar que seja capaz de acalmar o bebé e tranquilizar a mãe (Morales, 2004).
O choro e irritabilidade do recém-nascido podem levar a mãe a equacionar a quantidade e a qualidade do seu leite, pensando na introdução de um suplemento alimentar. Nestes casos, a mãe deve ser esclarecida de que os bebés são todos diferentes e, portanto, o choro e irritabilidade presentes prendem-se com outros fatores de desconforto para o bebé que não têm que ver com o AM, por isso, devem ser incentivadas a continuar a amamentação, procurando identificar o significado destes sinais do recém-nascido (Cardoso, 2006).
A mãe deve ser ensinada a amamentar o seu bebé sempre que este tenha fome, deixando-o esvaziar uma mama até ao fim e só depois lhe oferecer a outra, alternando na mamada seguinte. Da mesma forma, deve ir acordando o bebé e não mantê-lo muito agasalhado para que ele não adormeça durante a amamentação. Durante a noite, deve procurar amamentá-lo, pois a libertação de prolactina é maior neste período. Caso o bebé não mame tanto durante a noite, a mãe deve procurar retirar o leite manualmente ou com a ajuda de uma bomba, para continuar a estimular a produção de leite (Cardoso, 2006; Morales, 2004; Papí, 2004; Vilas Boas, 2013).
Um outro aspeto que também poderá assumir-se como dificuldades associadas ao bebé é a recusa deste para mamar. Este aspeto pode ser causador de stresse para a mãe, levando-a a sentir-se frustrada com o ato de amamentar desencadeando o abandono do AM (Vilas Boas, 2013).
Segundo Pereira (2006) alguns bebés apesar de fazerem a pega correta, o seu reflexo de sucção e deglutição ainda é débil, pelo que pode rodar a cabeça de um lado para o outro à procura de fazer a pega correta, levando a mãe a pensar que o bebé não quer mamar. Outras vezes, o bebé mama durante uns minutos e depois interrompe brusca e repetidamente, sendo que pode mamar numa mama e recusar a outra. Todos estes sinais comportamentais do recém- nascido devem ser entendidos com tranquilidade, pois o bebé ainda se encontra num processo de adaptação a algo novo para si, necessitando de mais tempo para que se instaure o processo do hábito.
Por último, um outro aspeto importante remete-nos para a síndrome de confusão "tetina-mamilo" abordada por diversos autores (Cadwell et al., 2004; Cardoso, 2006; Dodd &
Chalmers, 2003). Esta síndrome surge quando o bebé confunde o mamilo da mãe com a tetina/chupeta.
A utilização de biberão e/ou chupeta nos primeiros dias de vida pode levar ao aparecimento desta síndrome, pelo que o bebé pode sugerir que está a recusar o peito quando na verdade, está a confundir a mama com a tetina/chupeta e, consequentemente a forma de sucção, ou seja, ele vai procurar aplicar a técnica de mamar na tetina ao mamilo materno, o que pode gerar dificuldades na pega e na sucção, deixando-o frustrado, assim como à mãe (Cadwell et al., 2004; Morales, 2004).
É importante que as mães tenham conhecimento sobre estes comportamentos dos bebés, devendo ser ajudadas nas primeiras mamadas e clarificadas nas suas dúvidas. Na verdade, apesar do bebé reagir à amamentação de forma espontânea, a maioria opta por se adaptar com o menos esforço possível, pelo que é importante insistir para uma pega correta e consequentemente uma sucção adequada (Cardoso, 2006; Vilas Boas, 2013).