Numa perspetiva de desenvolver competências relacionadas com a participação em estudos e projetos de investigação estreitamente ligados ao contexto escolar, o Núcleo de Estágio decidiu dar continuidade à procura na identificação de indicadores explicativos do sucesso escolar dos alunos, que tem sido apanágio de alguns Núcleos de Estágio desta escola.
Assim, numa estreita articulação com o acompanhamento da Diretora de Turma, foi identificado o problema através da análise de um inquérito aplicado pela mesma. Neste surgia uma questão que sugeria aos alunos a identificação de três fatores explicativos do impedimento de uma melhor prestação nos seus resultados académicos. Na análise feita a estes resultados optámos por dividir os mesmos em dois grupos de variáveis explicativas de insucesso: as variáveis intrínsecas e extrínsecas. As variáveis intrínsecas estariam subjacentes ao aluno e as variáveis extrínsecas representar-se-iam como todas aquelas que são alheias ao aluno. Aquilo que os dados nos propuseram foi a prevalência das variáveis intrínsecas relativamente às variáveis extrínsecas, encabeçando a “falta de atenção” como o fator mais selecionado.
Ao mesmo tempo surgiu a oportunidade de acompanhar um doutorando da Faculdade de Motricidade Humana, que estaria a desenvolver parte do seu estudo na nossa escola. Este propôs-se a testar, entre outras, algumas variáveis intrínsecas das quais fazem parte os processos cognitivos de atenção e planificação. Numa perspetiva de cooperação e entreajuda com o mesmo, decidimos participar na aplicação de alguns instrumentos aproveitando dados que servissem o propósito do nosso estudo.
Assim, usufruindo desta dinâmica cooperativa, tentámos perceber qual a relação entre sucesso académico e os processos cognitivos de atenção e planificação em crianças do 8º e 9º ano de escolaridade da Escola Secundária Fernando Namora. A atenção refere-se ao processo cognitivo através do qual a pessoa, de um modo seletivo, se orienta para um estímulo particular e inibe a orientação para um estímulo que compete
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com o primeiro. Por sua vez, a planificação é o processo mental pelo qual a pessoa determina, seleciona, usa e avalia uma estratégia ou método para resolver um problema, simples ou complexo, de um modo eficiente (
Naglieri & Das, 1997)
.Mais tarde optámos por aditar a relação do género com as duas variáveis supramencionadas, desmistificando possíveis variáveis intrínsecas do foro cromossomático sobre as quais não é possível haver alteração. No entanto por não ter demonstrado qualquer tipo de dado relevante, achámos que não mereceu pertinência a extrapolação conclusiva sobre estes dados.
Durante a apresentação do estudo à comunidade escolar conseguiu-se manter uma boa dinâmica e através da discussão alargada/debate, que se realizou no final da sessão e foi possível retirar importantes conclusões sobre o estudo.
Com isto, o facto de neste estudo a atenção, enquanto processo cognitivo, ser a variável mais associada ao sucesso escolar, obriga-nos a refletir sobre alguns procedimentos que podem ser tomados em conta pelo pedagogo. Desta forma e no âmbito da ação de atuação pedagógica é relevante referir o papel que o professor poderá assumir no reforço desta competência cognitiva.
Deste modo, questionamo-nos sobre a forma como o professor pode potenciar a concentração/focus atencional numa determinada tarefa, eliminando todos os fatores distratores da mesma. Julgamos que a eficiência pedagógica terá um papel relevante neste aspeto. Desta forma, poderemos equacionar um conjunto de ações que se resumem pela ação ou atuação assertiva por parte do professor mantendo elevados os níveis de atenção do aluno.
No âmbito de atuação referida destacamos o bom uso da comunicação, sendo que a habilidade comunicacional poderá desempenhar um papel relevante. Assim, uma instrução bem-sucedida compreende o uso de um conjunto de estratégias que permitem que a mensagem seja transmitida e percebida com sucesso. O bom uso da terminologia e a sua adequação à capacidade de entendimento do público-alvo, assim como, o tom e volume de voz, as pausas e as dinâmicas discursivas, são algumas das características que destacamos como promotoras de atenção nos alunos.
Outro aspeto que merece a nossa análise, no que diz respeito à atuação do professor, será o diagnóstico e atuação prévia preventiva relativa aos comportamentos de desvio e fora da tarefa. Sabe-se que os comportamentos referidos têm um peso distrator elevado para quem os produz e rapidamente podem-se generalizar à classe. Desta
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forma, parece-nos que a atuação dos professores mais experientes e eficientes sanam comportamentos potencialmente desviantes, no que diz respeito à atenção, ainda antes destes se instalarem.
Na análise das variáveis de eficiência pedagógica da atuação do professor destacaríamos, também, o importante papel da gestão das motivações. Parece-nos que o nível de atenção poderá ser alcançado mais facilmente e mantido durante mais tempo se a motivação for elevada. Deste modo, os professores mais eficientes são aqueles que melhor motivam os seus alunos para as aprendizagens sendo que, sem se esgotarem nesta (e.g. ajuste das tarefas aos alunos – Ponto 1.3.6), uma das estratégias mais recorrentes passa pelo envolvimento dos alunos no processo de ensino e aprendizagem, co-responsabilizando-os.
Dentro das medidas implementadas na escola onde foi realizado o nosso estudo destacamos as tutorias. Esta pode ser descrita como a ação de acompanhamento mais próxima e vocacionada para o acompanhamento e intervenção em pequenos grupos de alunos com dificuldades no processo de estudo. Julgamos que este processo se apresenta como um bom potenciador de sucesso na manutenção da atenção e por consequência na promoção do sucesso escolar. Assim, a intervenção em pequenos grupos de três ou quatro alunos permite a criação de laços emocionais, bem como uma atuação mais centrada do professor relativamente a todas as variáveis referidas anteriormente.
As tutorias, no nosso entender, têm ainda um papel mais relevante nos casos onde o acompanhamento parental é diagnosticado como pouco presente. Uma vez que, como referido no ponto 4, o acompanhamento das atividades escolares por parte dos pais é um fator relevante e associado aos alunos de sucesso. Talvez esta estratégia possa colmatar essa falha quando diagnosticada.
Embora, no nosso estudo, a variável planificação não se tenha mostrado tão relevante como preditor de sucesso escolar, foram no entanto encontradas evidências associadas à disciplina de matemática, bem como, uma tendência genérica quase significativa. Assim, gostaríamos de referir que a planificação enquanto processo cognitivo, que requer estratégia prévia para abordar determinado problema e/ou tarefa, nos parece ser mais fácil como alvo de intervenção visando reforço de competências no que a este processo diz respeito. Desta forma, a atuação dos professores na escola, bem como, a ação parental assumem igual importância. É necessário que haja ganho de competências relativas à gestão do tempo e agenda dedicado ao estudo e ao ócio, bem
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como a separação dos elementos distratores do tempo dedicado ao estudo, que, hoje em dia, são recorrentes e assumem diversas formas, sobretudo de âmbito tecnológico tais como: telemóveis, redes sociais e outros.
Assim concluo referindo que os processos cognitivos, objeto de análise neste estudo, são fatores relevantes na análise de processos que podem ser alvo de intervenção visando a promoção do sucesso escolar. No âmbito educativo, estes processos, dependem de vários fatores que podemos categorizar em relação aos atribuíveis ao individuo (qualidades inatas) e outros de âmbito contextual onde seguramente os profissionais do ensino desempenham um importante papel.
De todo o modo, parece-me que é de extrema relevância referir que, a procura na melhoria das aprendizagens dos alunos não deve ser deixada ao acaso e, este tipo de estudos urge com o intuito de se completarem mutuamente, para que haja um melhor entendimento sobre os processos promotores de uma aprendizagem de sucesso. Ao professor, na sua vertente de investigador cabe, não só, analisar o seu desempenho para a obtenção deste fim, mas também, o de toda uma comunidade educativa por forma a aconselhar os seus constituintes sobre estratégias que potenciem o sucesso escolar dos alunos.
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Reflexão final
Este relatório conclui um processo de estágio mas nunca um processo de formação. Sei que para desempenhar a função de docente, que já há algum tempo almejo, necessitarei de procurar ativamente novas experiências, novos contextos e novas aprendizagens. Este documento apenas analisa e reflete, sobre o meu primeiro ano de formação de prática docente, capacidades que pretendo fazer valer em toda a minha prática futura.
Numa altura em que se propõe o aumento do número de alunos por turma, no aumento da carga horária não letiva de todos os docentes e da eliminação das reduções de carga horária letiva atribuída a docentes com mais anos de experiência, parece-me que rotular os formandos de ciências da educação, que pretendam seguir carreira de docente, como indivíduos com grande coragem ou paixão que se possa confundir com uma ligeira “insânia”, não está muito desfasado da realidade.
No entanto, é com a ajuda destas características que concluo um ano, em que associado à carga de trabalho veio, também, uma boa porção de prazer. Sem dúvida que, de todos os anos de formação que devo à Faculdade de Motricidade Humana, este será aquele que elejo como mais prazeroso e trabalhoso.
Contudo, este foi dividido com outra instituição, a Escola Secundária Fernando Namora. Esta escola, para além de me ter fornecido materiais e espaços físicos de excelência para o desenvolvimento da minha capacidade como docente ligeiramente “insano”, forneceu-me, também, um contacto com docentes e pessoal não docente de nível igual ou superior ao das suas estruturas.
Durante este ano de estágio, apercebi-me, prematuramente, da igual importância que constitui a qualidade e o clima dos recursos humanos num ambiente pedagógico. O ambiente vivenciado entre pessoal docente, e pessoal docente e não docente contribui em grande escala para a promoção do processo ensino-aprendizagem. Assim, poderemos começar a ponderar, não só, em estratégias de promoção de um clima de aula positivo, mas também, na sua extensão a toda uma comunidade escolar. Esta ambiência positiva fez-se transparecer neste Núcleo de Estágio, que demonstrou uma grande cooperação entre os seus membros e com todos os membros da comunidade escolar.
No desenvolvimento da minha atividade como professor de Educação Física, este tipo de cooperação, em Núcleo de Estágio, demonstrou-se essencial e muitas vezes
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tornou-se parte ativa da minha evolução. Foi nesta perspetiva de sugestão de um bom clima, que surge a nossa ação de intervenção, concorrendo ao mesmo tempo para o processo formativo contínuo em que deverá estar envolto o pedagogo. Esta ação produziu uma estreita relação com o trabalho desenvolvido na condução do ensino, mobilizando alguns dos nossos conhecimentos prévios adaptados ao contexto escolar. Ainda assim, fazendo um balanço geral da minha atividade docente, admito que existe ainda um longo caminho a percorrer que poderei estreitar, apenas, com a acumulação de experiência.
Deste modo, sei que a capacidade de responder ao cansaço físico e psicológico deverá ser objeto de análise durante a minha prática futura. Ao mesmo tempo, reconheço que na verticalidade dos diferentes níveis de planeamento, permiti que a operacionalização recaísse demasiado sobre os planos de aula. Facto, que levou a que surgissem, também, algumas lacunas a nível do planeamento, de níveis verticalmente superiores, no que respeita à diferenciação. Sei que no futuro será aconselhável associar objetivos específicos a cada aluno, individualizando o processo de diferenciação.
Todavia, adquiri importantes capacidades ao nível da condução, nomeadamente, no controlo da disciplina, onde me tornei mais intransigente e persistente nas minhas intervenções sem prejudicar o clima de aula positivo característico da minha maneira de estar. Adquiri, também, grande capacidade na definição de estratégias de organização e instrução associadas aos materiais pedagógicos, como a utilização do “quadro branco” para posicionar os alunos e fornecer celeridade aos momentos de instrução inicial. Desenvolvi, ainda, uma boa capacidade de proporcionar bons momentos de preleção, adaptando a minha dinâmica discursiva aos diferentes ciclos de ensino (neste caso 1º ciclo, ensino básico e secundário), consciencializando-me da importância que os materiais pedagógicos e a definição de rotinas poderão ter sobre os mesmos. Dinâmica discursiva, esta, desenvolvida durante a condução do ensino-aprendizagem, mas também, durante a apresentação do estudo de investigação, numa perspetiva formal e académica, e durante a ação de intervenção, de uma maneira formal dirigida para a prática. Esta adaptação da instrução pressupõe maiores níveis de atenção por parte do público-alvo. A atenção, por sua vez, é, como demonstrado no estudo de investigação, um importante preditor do sucesso escolar. Assim, parece-me que esta capacidade preletora deverá continuar a ser desenvolvida numa prática futura, visto que um docente que capte a atenção dos seus discentes produzirá maior eficácia nas aprendizagens dos últimos.
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Ao mesmo tempo, parece-me interessante a análise da interdependência entre o planeamento e os momentos de instrução e a condução da aula. Por forma a conseguir criar uma unidade de ensino, interessará desenvolver um conjunto de aulas idênticas durante um espaço de tempo que concorram para objetivos, igualmente, idênticos. Assim, urge a necessidade de planear também momentos de instrução distribuindo-os por forma a garantir a dinâmica da aula sem que esta se torne maioritariamente teórica.
A realidade com que os professores se deparam hoje em dia, em que o número de tarefas e responsabilidades aumenta, exige que estes se desenvolvam num âmbito multidisciplinar. A minha formação durante este ano letivo não escapou a esta exigência e como tal, sei que a mesma me proporcionou um crescimento quantitativamente considerável e qualitativamente inigualável, como professor, treinador, promotor, investigador e membro inseparável, a partir desta data, da comunidade escolar.
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