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Approche bas´ ee sur la construction d’un mo-

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1.3 Contexte d’application

1.4.2 M´ ethodes pour la r´ esolution du probl` eme multi-´ echelle 15

1.4.3.2 Approche bas´ ee sur la construction d’un mo-

Conforme descrito acima, as primeiras comunicações entre o bebê surgem do contato com pessoas de sua família, sobretudo aquelas responsáveis por atender suas necessidades e prover-lhe afeto. São os olhares, o contato físico, algumas vocalizações que vão, ao longo do tempo, se intensificando à medida que o bebê passa a conhecer os adultos que com ele se relacionam. Esta comunicação é baseada em uma relação de empatia26 do adulto com o bebê. A relação entre um adulto familiar e o bebê pode favorecer o seu momento de entrada na creche. Isso porque, o adulto que lhe é familiar, ao acompanhar o bebê na inserção e com ele se relacionar no espaço da creche,

fornire una base descrittiva che consente all’educatrice di accostarsi ai nuovi bambini e ai loro genitore com quell’attenzione osservativa che consentirà al bambino di uscire, gradualmente, dalla totalità del sistema diadico per aprirsi verso

nouve relazione (MANTOVANI; SAITTA;

BOVE, 2007, p. 132).27

O primeiro dia de inserção do bebê participante da pesquisa na creche consistiu em uma permanência de 1 hora e meia na sala do grupo, acompanhado de sua mãe. Na creche, o bebê e sua mãe participaram dos momentos de alimentação, de troca e interações, principalmente com as professoras. Mãe e bebê foram recebidos pelas professoras que os

26

A empatia consiste, em linhas gerais, numa predisposição para o outro, para compreendê-lo e ser afetado por seus sentimentos e emoções.

27“Fornece uma base descritiva que permite que o educador se aproxime das novas crianças e seus pais, com a atenção que permitirá a observação do sistema didático e se abrir para novos relacionamentos” (MANTOVANI; SAITTA; BOVE, 2007, p. 132, tradução da pesquisadora).

apresentaram aos demais bebês do grupo. Não houve interação do bebê com as demais crianças neste dia, ele ficou no colo da mãe, que o ofereceu alguns brinquedos e, por alguns momentos, foi no colo da professora. No segundo dia, o bebê permaneceu o mesmo tempo na creche, porém, desta vez, ele ficou por um tempo na sala sem a sua mãe, momento que aconteceu logo após ter sido alimentado por ela. A mãe saiu da sala e circulou pela creche, aguardando a professora chamar, caso fosse necessário. A professora não a chamou, o bebê permaneceu em choro durante essa 1 hora em que esteve na sala com o grupo e as professoras.

No terceiro dia, o bebê permaneceu o mesmo período de tempo, desta vez, sem a presença de sua mãe. Chorou muito e não aceitou a alimentação, agitando-se na hora da troca. A professora o manteve em seu colo, tentando fazer com que se acalmasse. Quando completou o período de 1 hora e meia a mãe chegou, como previamente combinado, para levar o bebê para casa.

No quarto dia, o bebê foi trazido para a creche pelo pai, que o entregou à professora e ambos combinaram que, caso ele chorasse muito, como no dia anterior, seria feito um contato com a família, caso contrário, ele ficaria na creche por um período de 2 horas. Neste dia, quando o pai entrega o bebê à professora, ele começa a chorar, mas ao ser recebido por ela, começa a se acalmar e aceita o colo da professora, deixando de chorar. Neste mesmo dia, o bebê aceitou ser trocado e alimentado pela professora.

A partir de então, a permanência do bebê em inserção começou a aumentar gradativamente. Ao perceber que o choro ia diminuindo e que ele ficava bem (aceitava a alimentação, aceitava a troca de fraldas, conseguia descansar), começou então a permanecer por 3 horas, depois, esse tempo foi sendo gradualmente ampliado. Primeiro, o bebê permaneceu meio período (das 7h às 13h), posteriormente, ampliou essa permanência (das 7h às 15h) e, a partir do 10º dia, o bebê passou a permanecer em tempo integral na creche (das 7h às 19h).

Percebeu-se, durante os primeiros dias de inserção, que à medida que os dias iam passando, o que até então era muito novo, o espaço, os adultos, as crianças, os barulhos, os cheiros, as expressões, etc., vai, pouco a pouco ganhando ares mais familiares para o bebê, que expressa isso a partir da diminuição do choro, dos movimentos mais calmos, da permissão para que seja tocado por outras pessoas e da disposição para se relacionar com outros bebês do grupo. Supõe-se, porém, que ainda que seja um mundo novo ao bebê, sua maior angústia se associa com o

fato de se separar de sua família, sem que ainda tenha a noção de quando essa separação terminará. Apenas com a estruturação de uma rotina de ida à creche é que, mais tarde, transformará a separação em um distanciamento consentido, em que o bebê começa a perceber que o afastamento é temporal e que, mais tarde, verá sua família novamente.

Em se tratando mais especificamente da separação do bebê com a figura materna, uma questão na relação entre os dois pode ser ainda mais difícil para o bebê, durante a inserção: a amamentação. Acerca desse assunto, Mello (2007 apud RAPOPORT, 2005) defende que a amamentação não deve ser interrompida e que, na impossibilidade da mãe se deslocar até a creche, uma alternativa é mandar o leite materno para que seja oferecido ao bebê. Embora seja fato que a alimentação do bebê vai, gradativamente, passar por mudanças: mesmo que ele continue mamando em casa, na creche passará a se alimentar diferenciadamente.

No caso investigado, o leite materno não foi possível de ser oferecido na creche, então, além da mudança de passagem de um espaço a outro, o bebê vivenciou a mudança na relação com sua mãe e na sua alimentação: da amamentação ele passou a tomar mamadeira. Da relação mais direta do alimento ligado a sua mãe, ele passou a receber por meio da mamadeira. Este artefato cultural que é a mamadeira encerra uma relação íntima com apenas uma figura familiar, que é a figura materna e ampliam as possibilidades de outras relações, outras figuras podem alimentar, cuidar e prover afeto, que não apenas a mãe, mas o pai, a avó, o avô, o irmão ou irmã mais velha/o e as professoras. Na pesquisa, a transição da amamentação para a mamadeira teve-se início em casa, envolvendo, evidentemente, a família do bebê.

Os adultos da família podem ser entendidos aqui como importantes figuras que apresentam o mundo ao bebê, aos poucos essas referências se ampliam, expandindo também sua dimensão relacional à medida que aumenta o seu convívio com os demais contextos que passa a frequentar. Quando refere-se a uma figura adulta familiar, procura-se com isso tomar o cuidado para não fazer recair todas essas questões apenas na figura da mãe, seja ela biologicamente mãe ou não. A tentativa é de ampliar as imagens acerca dessa figura, atentando também para mais de uma pessoa, tão importante em apresentar o mundo ao bebê quanto à outra. Essa relação pode se dar com mais de um adulto da família e não precisa ser necessariamente a mãe uma delas. Trata-se da pessoa que convive de forma familiar com o bebê, provendo-lhe o afeto e o cuidado de que ele necessita. Essa(s) figura(s) de referência para o bebê tem/têm um papel importante no processo de inserção.

A inserção acompanhada durante a pesquisa de campo permitiu observar como a presença de uma figura familiar do bebê, no caso a figura da mãe, foi importante para ele e a professora, além de fundamental para sua inserção no grupo e na creche. Também ficou evidente o interesse da mãe em construir relações com as professoras e com o espaço educativo, o que tem implicações diretas na construção de uma relação de confiança, diminuindo assim as sensações de insegurança e dúvida que o momento de mudança de uma situação impõe. O bebê, da mesma forma, precisa se sentir acolhido, respeitado em suas necessidades pelas professoras, pelo espaço e pelo grupo.

É preciso levar em consideração e ter a empatia necessária que o momento requer, para compreender que a inserção significa um período, uma passagem, a qual o bebê passa a transitar de um espaço social a outro, passa a estabelecer relações com diversos outros que vão complementando sua educação, e a se envolver em uma trama de múltiplas relações ao longo de suas vivências na creche e no convívio familiar. Com a mudança do espaço que o bebê vivencia, as relações mudam, e a interação entre ele e aquele responsável por lhe prover afeto e atender suas necessidades na esfera familiar diminui. Assim, o bebê vivencia uma passagem de uma atenção mais individualizada e privada para dar lugar ao estabelecimento de novas relações com pessoas que não são do seu convívio familiar, passando, então a se envolver em um coletivo à medida que se separa de sua família.

4.3 RELAÇÕES SOCIAIS: CRECHE-FAMÍLIA, DA TENSÃO E

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