européenne en vertu des accords bilatéraux II et leurs développements
H. Limites de l’obligation d’assistance
I. Approbation par la Suisse de la Convention du Conseil de l’Europe l’Europe
A máxima metodológica do desenvolvimento tecnológico para a CST é seguir os sujeitos, para, empiricamente, descrever os processos que geraram as tecnologias, em nosso caso, o sistema tecnológico. Dadas às noções iniciais sobre a ontologia do nosso trabalho teórico, partimos para o primeiro estágio da CST, como elaborado por Bijker (1995), que é identificar os grupos sociais relevantes.
Para identificá-los, o investigador deve “rolar uma bola de neve” (BIJKER, 1995, p.46). O pesquisador entrevista alguns sujeitos no começo, solicitando-os a identificar grupos sociais relevantes, para, a partir daí, eventualmente construir os grupos. Um segundo passo para identificar grupos sociais relevantes é ler documentos históricos, anotar cada sujeito que aparece e todo grupo social mencionado, para poder acompanhar suas ações.
Diante disso podemos afirmar que a categoria analítica “grupo social relevante” é ao mesmo tempo, um sujeito e uma categoria para o pesquisador, ou seja, o grupo social relevante é também relevante para o analista. Lembramos aqui a importância da reflexividade do pesquisador no processo de pesquisa (c.f. Mello e Sá, 2006). Para PAIVA; LEÃO e MELLO (2011, p. 9), a reflexividade:
é um critério de confiabilidade da pesquisa qualitativa e diz respeito ao antes e ao depois do acontecimento, gerando transformação no pesquisador, uma vez que vai se tornando uma pessoa diferente por considerar as inconsistências do estudo ao longo do processo permanente
de realização. Trata-se de se voltar ao processo investigativo tendo em vista suas possibilidades não apenas a partir do pesquisador, mas devido ao informante, à audiência e ao próprio texto (JOY et al., 2006). Assim, o “sujeito”, historicamente fazedor da ação social, contribui para significar o universo pesquisado exigindo uma constante reflexão e reestruturação do processo de questionamento do pesquisador.
Então, em um primeiro momento definem-se os grupos sociais relevantes para os sujeitos que desenvolvem o sistema tecnológico e para o pesquisador que o está problematizando e tentando gerar outras interpretações para o mesmo. Algumas críticas foram elaboradas para o primeiro estágio da CST. A primeira é o problema com o método da bola de neve, que não fornece completude e garantia da acuracidade, podendo introduzir distorções nos estudos.
Outra crítica é sobre o uso do conceito “grupos sociais relevantes”. Pergunta, Winner (1993): onde ficam os irrelevantes? Onde ou como a teoria apresenta o tratamento dado ao pluralismo e as consequências políticas do mesmo? Quem diz quem são os grupos sociais relevantes e os interesses sociais? Como ficam os grupos que não tiveram voz, mas que serão afetados pelos resultados da mudança tecnológica? E sobre os grupos que foram suprimidos ou deliberadamente excluídos? Como se contabiliza as escolhas potencialmente importantes que nunca apareceram como problemas aos debates e às escolhas? É importante notificar não somente que decisões são tomadas e como, mas também que decisões nunca apareceram na agenda; que possibilidades são relegadas à esfera das não decisões.
Outra crítica no que se refere aos grupos sociais relevantes vem de Klein e Kleinman (2002) que enfatizam os conflitos inter e intragrupais existentes no processo de desenvolvimento do artefato tecnológico. Pois, os autores da CST assumem que os grupos são iguais e que todos os grupos sociais relevantes estão presentes no processo de design. Entretanto, conforme mencionam Williams e Edge (1996) alguns grupos são privados de participar do processo, então, se houvesse uma preocupação sobre a posição dos grupos a assimetria do poder seria mais evidente.
Pinch e Bijker (1986) respondem às críticas, mencionando que todas as formas de explicação sociológica nas quais grupos ou estruturas são identificadas nunca podem ser adequadas, já que todos os grupos e estruturas são em si imbricados dentro de uma teia sem fim de outros grupos e estruturas. Então, trazer à luz todos os contextos é claramente impossível. Tudo o que pode ser alcançado é evidenciar o contexto de forma suficiente para os propósitos em questão.
Sabemos que as sociedades são estruturadas em torno de assimetrias de poder e que suas bases podem ser encontradas nas interações dos grupos (SCHOT; RIP, 1996; FEENBERG, 1999). As características estruturais dos grupos moldam suas capacidades de interação. A TD pode oferecer conceitos para compreender a relação entre estruturas sociais e agência política, o papel dos interesses e identidades em explicar a ação social, o entrelaçamento entre significados e práticas (HOWARTH; NORVAL; STAVRAKAKIS, 2000).
Ao tomar o desenvolvimento do sistema tecnológico como sendo um projeto político observa-se que haverá diferentes vertentes do discurso se esforçando para dominar ou organizar um campo de significado de modo a fixar as identidades dos objetos e práticas de uma forma particular e se tornar uma hegemonia.
A forma que o sistema tecnológico se institucionaliza é a que foi consensuada entre os grupos relevantes o que não significa que o tratamento das demandas de cada grupo, ou partes dos grupos, seja direcionado em partes iguais na forma pela qual o consenso foi obtido. Certos grupos sociais desempenharão um papel fundamental na formação do consenso do sistema tecnológico em questão.
Os quadros tecnológicos dos grupos sociais relevantes são formados por sujeitos políticos e possuem identidade que, para Laclau e Mouffe (1985) é o resultado da articulação/ rearticulação de elementos significantes em um discurso. Pode-se dizer que
qualquer identidade e, também, qualquer discurso deve ser compreendido e explicado em sentido relacional, como menciona Mendonça (2002; 2010). Cada grupo social relevante representa um discurso, uma identidade e busca impor suas vontades na concorrência com as outras, visando, com isso, universalizar seus conteúdos particulares.
O discurso é uma consequência de articulações concretas que unem palavras e ações, que produzirão sentidos que vão disputar espaço no social (MENDONÇA, 2010). Os discursos e identidades dos grupos sociais são articulados pelos sujeitos. A disputa no social se dá a partir da prática articulatória que estabelece uma relação entre elementos onde suas identidades são modificadas (LACLAU; MOUFFE, 1985).
Diante disso podemos afirmar que a construção de discursos envolve o exercício de poder e uma consequente estrutura das relações entre agentes sociais diferentes (DYRBERG, 1997). Um grupo social relevante é um sujeito que não tem substância prévia e emerge nos espaços e fissuras da textura social aberta pelos efeitos dislocatórios do antagonismo.
Trabalhamos com a noção do sujeito como falta, em termos Lacanianos, não como um sujeito voluntarista da metafísica ocidental e nem como reflexo passivo dos constrangimentos estruturais e das interpelações. Ressaltamos que o sujeito ao qual nos referimos é aquele antagonista, que exerce uma subjetividade política a partir da falta na estrutura.
É no processo de identificação que as subjetividades políticas são criadas e formadas. Os sujeitos se articulam para formarem grupos sociais relevantes no desenvolvimento dos sistemas tecnológicos e criam seus discursos e identidades. Uma vez formada e estabilizada, as subjetividades políticas se tornam aquelas posições de sujeito que produzem indivíduos com certas características e atributos (HOWARTH; NORVAL; STAVRAKAKIS, 2000).
Quando identidades estão em crise e as crises precisam ser recriadas, o sujeito político é forçado a tomar decisões ou a se identificar com certos projetos políticos e discursos que eles articulam. Sendo assim, as ações dos sujeitos emergem por causa da contingência das estruturas discursivas nas quais o sujeito obtém sua identidade. O processo de desenvolvimento do sistema tecnológico se inicia a partir do momento em que um quadro tecnológico é formado e o discurso que significa determinado sistema tecnológico é questionado.