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What Approaches Have Been Investigated

Diante do que vimos, parece haver um último recurso: alegar que não temos conheci- mento indutivo nos casos de que tratamos, porém que isto não é tão desastroso como parece à primeira vista. Esta é a posição defendida por Becker (2007). Segundo o autor, o fato de que a teoria do rastreamento sugere que o sujeito não possui conhecimento nos exemplos que vimos não deve ser tomado como um defeito ou problema para a teoria: nós realmente não temos conhecimento indutivo nesses casos, e o fato do princípio de sensibilidade gerar tal resultado conta em seu favor. Referindo-se ao caso da lixeira, ele afirma: “ nós podemos plausivelmente dizer isto: S não sabe que o saco de lixo logo alcançará o chão; ao invés disso, ele sabe que muito provavelmente ele chegará lá” (Becker, 2007, p. 55).

32 Mais detalhes acerca da falha do silogismo hipotético para condicional contrafactual podem ser en- contrados em Bennet (2003). Um exemplo de falha do silogismo hipotético para condicionais contrafactuais é relatado por Bennet (2003, p. 160): se você tivesse caminhado sobre o gelo, enquanto apoia todo o seu peso em alguém que não se encontra sobre o gelo, então você teria caminhado sobre o gelo. Se você tivesse caminhado sobre o gelo, então o gelo teria partido. Logo, se você tivesse caminhado sobre gelo, apoiando todo o seu peso em alguém que não se encontra sobre o gelo, então o gelo teria partido.

Diante da previsível recusa de alguns em aceitar a sua tese, ele apresenta o seguinte argumento, sugerindo que a sua tese é mais amplamente compartilhada do que parece à pri- meira vista:

Esta pode parecer uma alegação drástica, mas é apoiada até mesmo por li- vros introdutórios de lógica, pois quase todos eles definem um argumento indutivo como aquele que torna a conclusão provavelmente verdadeira. Isto, eu sugiro, é ra- zão suficiente para negar que S sabe que o saco lixo logo alcançará o chão, e que o policial sabe que o bandido errou o alvo [ aqui Vogel refere-se a outro contraexem- plo], ao mesmo tempo em que se preserva o conhecimento indutivo (BECKER, 2007, p. 55).

Da minha parte, não vejo por que livros introdutórios de lógica, com todos os proble- mas e simplificações que são encontradas em manuais introdutórios, deveriam servir de auto- ridade para guiar nossos juízos acerca da natureza das inferências. De qualquer modo, vamos aceitar que a definição aludida por ele está correta. O problema é que afirmar que argumentos indutivos tornam a suas conclusões provavelmente verdadeiras não é o mesmo que afirmar que (nem implica que):

(i) a conclusão de um argumento indutivo é sempre uma sentença da forma provavel- mente p;

(ii) argumentos indutivos não geram conhecimento de que são verdadeiras as suas res- pectivas conclusões.

É difícil ver como a tese de Becker poderia ser apoiada pela evidência apontada por ele.

Além do mais, existem outras duas dificuldades com o tratamento dado por Becker às crenças formadas por meio da inferência indutiva. Substituir o conhecimento indutivo de que p pelo conhecimento de que provavelmente p não preserva ou salva o conhecimento indutivo. Afinal de contas, o conhecimento indutivo não é idêntico ao conhecimento de que são verda- deiras proposições que dizem respeito a probabilidades. Na melhor das hipóteses, apenas al- guns casos, uma fração pequena da totalidade do nosso estoque de conhecimento indutivo, diz respeito a probabilidades. Se este é o caso, então a proposta de Becker não é muito distinta de outras formas de ceticismo quanto ao conhecimento indutivo. Eu não poderia saber, por exemplo, que o sol nascerá amanhã, independentemente do fato que eu poderia saber outras coisas, por exemplo, que é provável que o sol nascerá amanhã.

Pois bem, se a proposta de Becker leva ao ceticismo sobre indução (exceto quando tra- ta de proposições sobre probabilidades), então ela é dificilmente conciliável com as motiva- ções originais da teoria do rastreamento. Uma das principais razões em favor da teoria do ras- treamento é a sua alegada capacidade de responder ao ceticismo filosófico, em especial a sua variante cartesiana. Nozick concede bastante ao ceticismo, devemos reconhecer, porém ele pensa ser possível reter grande parcela das nossas alegações ordinárias de conhecimento. To- davia, se Becker estiver certo, então a teoria do rastreamento nos coloca na situação descon- fortável de ter de rejeitar uma ampla parcela das nossas alegações ordinárias de conhecimento indutivo, o que é uma forma de ceticismo sobre a indução. Para uma teoria motivada pela preocupação cética, este não parece um resultado aceitável, nem uma opção viável.

Ciente das resistências que a resposta anterior poderia suscitar, Becker sugeriu que existe uma maneira alternativa de conciliar sensibilidade e conhecimento indutivo. Ele coloca da seguinte forma:

Entretanto, alguns irão pensar que recusar o conhecimento de que algum evento específico irá ocorrer nesses casos é ir longe demais, talvez especialmente no que diz respeito ao caso do nascimento do sol. Para responder a essas reclamações, nós podemos tentar rejeitar o dilema em questão (a sensibilidade é falsa ou conhe- cimento indutivo não existe). Para fazer isto, nós precisamos esclarecer o método de formação da crença. Nós dissemos que S acredita que o sol irá nascer com base no fato de que ele nunca experimentou um dia em que isto nunca aconteceu. Talvez nós devêssemos acrescentar: e não existe nenhuma evidência em contrário. Certamente, se existisse tal evidência, S a utilizaria (esta é a base da réplica de Nozick). Em ge- ral, é da própria natureza da inferência indutiva que o método não apenas considera toda evidência positiva, mas, ao menos implicitamente, considera possíveis contrae- vidências. O método de S, portanto, consiste em inferir que o sol irá nascer basean- do-se em toda evidência, positiva e negativa. Se o sol não fosse nascer amanhã, en- tão, usando este método, S não acreditaria que o sol irá nascer amanhã (assumindo que a evidência da alteração da rotação da terra teria sido "refletida nos fatos", con- forme diz Nozick) (BECKER, 2007, p. 55-56).

O problema da proposta é que a solução de Becker não difere essencialmente da pro- posta de Nozick, conforme o próprio Becker parece admitir. A exigência de que a falsidade da proposição alvo seja refletida no passado é precisamente a solução proposta por Nozick, e emprega os mesmos contrafactuais reversos, que mostramos ser problemáticos. Na medida em que a solução nozickiana não se mostrou, em última instância, uma alternativa viável, também não deve ser esta proposta por Becker.