O professor no quotidiano de sala de aula depara-se com um conjunto variado de funções que, em interação, devem contribuir para a formação integral dos seus alunos. Uma das funções atribuídas aos professores é a de construtores de ambientes de aprendizagem que, tendo em conta as caraterísticas da sua turma, devem possibilitar a construção de conhecimentos e de competências que contribuam para a formação de cidadãos capazes de dar resposta às exigências da sua sociedade. Ou seja, pretende-se que os professores eduquem os seus alunos através de um processo de ensino- aprendizagem que envolva ativamente crianças e professores e que tenha em conta as necessidades da sociedade em que a escola se encontra inserida.
A avaliação surge também como uma das funções do professor e encontra-se diretamente relacionada com a função educativa anteriormente referida pois existe uma relação de dependência entre ambas. Assim, se considerarmos que o ato de avaliar corresponde a “(…) um juízo através do qual nos pronunciamos sobre uma realidade, ao articularmos uma certa ideia ou representação daquilo que deveria ser, e um conjunto de dados factuais respeitantes a esta realidade” (Hadji, 1994, p.178) podemos constatar que a mesma deve estar presente no quotidiano de sala de aula para que a ação do professor possa ser adequada às necessidades educativas da turma.
Deste modo, ao longo do estágio foram realizadas avaliações formais e informais dos alunos da turma do 3ºB e, ainda, da ação por mim desenvolvida, para poder adequar a ação pedagógica e os estímulos de aprendizagem às necessidades e interesses da turma. Como tal, tendo em conta as diferentes situações educativas que surgiram, foi necessário recorrer a diferentes tipos e instrumentos de avaliação para, deste modo, ser possível obter dados que possibilitassem a identificação das dificuldades, potencialidades e progressos dos alunos.
Contudo, para que possamos avaliar as aprendizagens e competências das crianças é necessário definir metas que evidenciem a intencionalidade educativa das atividades propostas pelo professor e, por conseguinte, evidenciem as competências que se espera que os alunos desenvolvam através dos estímulos de aprendizagem promovidos. Assim, para as atividades propostas foram tidos em conta os descritores de desempenho definidos nos programas destinados ao 1º CEB e correspondem a
(…) um enunciado sintético, preciso e objectivo, indicando o que se espera que o aluno seja capaz de fazer. Cada descritor cruza conteúdos programáticos com
operações de diversa natureza (da ordem do saber-fazer, do saber-ser, do saber- estar, do saber-aprender e do saber declarativo); (Reis et al., 2009, p.17).
Após serem selecionadas as metas que se espera que os alunos alcancem através dos ambientes de aprendizagem proporcionados, importa definir como é que as mesmas serão avaliadas e em que momentos. Como tal, é fundamental definir os instrumentos e tipos de avaliação que serão utilizados pelos professores ou alunos para avaliar as aprendizagens construídas. Deste modo, ao longo do estágio recorremos à avaliação diagnóstica, formativa e sumativa em diferentes momentos da intervenção pedagógica desenvolvida.
A avaliação diagnóstica, segundo Leite e Fernandes (2003), permite que o professor identifique os conhecimentos e competências que o aluno já possui e possa partir daí para adequar a sua ação às necessidades e interesses das crianças. Ao longo do estágio esta forma de avaliação foi utilizada de forma informal onde, durante a aula, antes da introdução de novos conteúdos, recorria-se ao questionamento para que os alunos pudessem evidenciar os seus conhecimentos e, daí, pudesse adequar as atividades ou explorações de conceitos aos conhecimentos prévios da turma.
A avaliação formativa, um processo contínuo que pretende evidenciar o percurso de aprendizagem das crianças (Vilar, 1993), esteve presente em todas as aulas desenvolvidas onde a observação e o registo foram os instrumentos que lhe serviram de suporte. Assim, a observação dos comportamentos, ações e trabalhos realizados pelos alunos permitiu a identificação de algumas das competências desenvolvidas pelas crianças possibilitando, desta forma, a avaliação quer dos alunos quer das ações desenvolvidas.
Contudo, as avaliações resultantes da observação necessitam de ser documentadas para que seja possível analisar os progressos e retrocessos dos alunos ao longo de todo o seu processo educativo. Para tal, foram construídas grelhas de avaliação que, tendo por base os descritores selecionados, possibilitavam o registo de algumas das observações realizadas. A grelha de avaliação permite “(…) avaliar o desempenho dos alunos com base na consideração de uma gama completa de critérios ou parâmetros, ao invés de com um único resultado numérico” (Lopes & Silva, 2012, p. 93). Posto isto, as grelhas de avaliação foram, não só utilizadas na avaliação formativa (Apêndice 31) mas também na avaliação sumativa (Apêndice 32), sendo, deste modo, um recurso frequente da avaliação realizada durante o estágio.
A avaliação sumativa, que recorre a uma escala classificativa para classificar as aprendizagens dos alunos num determinado momento e perante um instrumento de avaliação previamente definido (Vilar, 1993), foi utilizada numa das aulas realizadas, a pedido da professora cooperante. Assim, com o propósito de classificar as aprendizagens dos alunos a nível do conhecimento explícito da língua, foi elaborada uma ficha de trabalho (Apêndice 43) que foi avaliada e classificada de acordo com critérios previamente definidos. Para além de classificar as aprendizagens evidenciadas a partir da ficha de trabalho, a avaliação sumativa realizada foi utilizada para verificar onde residiam as principais dificuldades dos alunos e, partir daí, para promover atividades que tentassem colmatar as lacunas detetadas. Deste modo, a avaliação sumativa assumiu um caráter formativo pois os resultados obtidos foram utilizados para “(…) selecionar e voltar a ensinar partes dos conteúdos que os alunos revelaram ainda não dominar” (Lopes & Silva, 2012, p.23).
Desta forma, através dos diferentes tipos de avaliação e instrumentos utilizados pretendia-se valorizar o processo e produto final (Lopes & Silva, 2012) produzidos pelos alunos com o objetivo de obter o máximo de informações possíveis para que a ação desenvolvida pudesse satisfazer as necessidades dos alunos e potenciar as competências já existentes. Assim, a avaliação foi encarada ao longo do estágio como uma forma de melhorar as aprendizagens dos alunos e, ainda, de adequar a ação pedagógica às necessidades da turma.