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8. AGEING MANAGEMENT PROGRAMME

8.2 Application guidance

Como uma trajetória não é composta por fatos isolados e lineares, mas, sim por circunstâncias que se interligam e norteiam os acontecimentos, que, à primeira vista, podem nos parecer separados, através de pistas conjecturamos possíveis motivações e causas dos acontecimentos que estavam por vir. Referimo-nos, assim, ao revés ocorrido no final da tão movimentada década de 1980, em que as telas foram furtadas.

O infortúnio do furto de cinco obras aguçou a visão de cuidado e precaução da nova guardiã. O legado (pinturas e estampas) deixado por Henry Lynch entre o final da década de 1980 e extensão da década de 1990, passou por tratamento museológico. Em pauta, a preservação e disseminação dessa coleção.

109 Não apenas os agentes desfrutam dos bons frutos desse aniversário, as coleções usufruem, nesses anos e nos que se

seguiram, de tratamentos mais técnicos e especializados, além de acrescentarem às suas trajetórias as exposições e publicações.

A conjuntura das coleções na Sociedade começa a modificar em 1998, quando o escritório central da Cultura Inglesa é transferido do endereço em Copacabana para a Rua São Clemente, n° 258, 3° e 4° andares, em Botafogo. A estrutura da nova sede era distinta da antiga, nos relata Afonso Costa111. A SBCI viu-se diante da necessidade de organizar nova Reserva Técnica para abrigar as obras, além de arcar com os custos de segurança, preservação, seguro e armazenagem. O acesso para as obras, na reserva, era autorizado pelo museólogo responsável. As obras se encontravam disponíveis para a pesquisa ou para concessões de empréstimo para exposições temporárias. A coleção, assim, ficou sob controle e cuidados técnicos especializados112.

Os processos técnicos e manutenção da armazenagem e preservação dessas obras demandavam gastos e tornavam-se cada vez mais onerosos para a Cultura Inglesa, que passava por um momento de reestruturação, investindo em novas filiais e na informatização de suas ações.

A partir dessa nova sede, na Rua São Clemente, as coleções foram separadas definitivamente. Não contamos com evidências documentais que nos forneçam dados concretos sobre a venda das coleções, contudo Afonso Costa nos informa sobre os elevados custos para a preservação e salvaguarda da Coleção Cultura Inglesa, o que possivelmente motivou a venda desse conjunto e da Coleção Sir Henry Lynch.

A conhecida Rua São Clemente parece ter sido um destino comum em momentos distintos da trajetória das coleções e seus guardiões, desde Henry Lynch no Palacete Lynch n° 388. No mesmo logradouro estavam a Pinakotheke Cultural n° 300, que expôs a Coleção

Cultura Inglesa e a nova sede da SBCI, n° 258. Ali, onde estiveram interligadas também

foram repartidas, seguindo destinos diferentes: a Coleção Cultura Inglesa, vendida em 2000, e a Coleção Sir Henry Lynch, cedida em consignado para a Livraria Carioca Rio Antigo (antiga Livraria Cosmos), para venda, alguns anos depois, entre 2001 e 2009113.

Catálogos de leilões da Livraria Rio Antigo anunciavam exemplares individuais ou em volumes completos da Coleção Sir Henry Lynch disponíveis para compra, evidenciando a presença do ex libris de Henry Lynch nas obras (XVI LEILÃO, 2009; XIX LEILÃO, 2010).

Quanto ao conjunto de pinturas e estampas, a Cultura Inglesa decidiu, num primeiro momento, vender as duas pinturas a óleo de Frans Post. Mas desistiram e prefiram manter a coleção coesa conforme desejo expresso por Henry Lynch, que, entendemos, era o de

111 Marchand e colecionador de obras de arte.

112 Sobre a permanência das coleções, em especial a Coleção Cultura Inglesa, na sede da SBCI da Rua São Clemente, n° 258,

Rio de Janeiro, não encontramos até o presente fontes com maiores informações.

perpetuar a sua memória. No entanto, foram feitos contatos para uma possível venda. Afonso Costa avaliou a coleção e foi autorizado a representar a Sociedade no processo da venda. Nesse período Sérgio Gomes de Vasconcellos era o diretor-presidente e Henrique da Silva Saraiva diretor-superintendente-geral da Sociedade.

Afonso Costa, marchand e colecionador, conhecia compradores em potencial: Paulo Geyer no Rio de Janeiro ou Ricardo Brennand em Pernambuco. Nesse momento entrou em contato com o antiquário Mario Fonseca, que, por sua vez, já conhecia o colecionador Ricardo Brennand, para quem vendera algumas obras e auxiliara nas aquisições de outras, inclusive obra de Frans Post, que não da coleção em questão (LAGO, 2010).

Ricardo Brennand se interessou pela Coleção Cultura Inglesa, com as 95 obras pertencentes à SBCI, muito estimulado pelos dois Frans Post que integravam esse conjunto. Em novembro de 2000, o colecionador adquire da Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa toda a coleção de pinturas e estampas de Henry Lynch (DANTAS In LEITE, 2015, p. 5).

A compra da coleção por Ricardo Brennand demarca o fim de uma importante passagem das coleções doadas por Henry Lynch que permaneciam na SBCI. Àquela altura, as coleções (pinacoteca e biblioteca) já haviam adquirido relevância pelo valor artístico, literário e histórico, além de terem passado por processos técnicos de catalogação e preservação. Ambas as coleções participaram de exposições e publicações rememorando Henry Lynch e, ao mesmo tempo, a imagem da Cultura Inglesa, conquistando assim ainda mais projeção social e cultural e aderindo novos significados, marcando irrefutavelmente suas trajetórias. Caso dos exemplares de livros da Coleção Sir Henry Lynch, além do ex libris deste carioca britânico, ganhando o carimbo da SBCI.

Figura 35. Carimbo da Biblioteca da Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa, contendo o número de registro e

ano de entrada.

As pinturas e estampas de Henry Lynch na SBCI ganharam outra denominação e seriam referenciadas, a partir de então, como Cultura Inglesa, levando consigo o nome e a memória da instituição. A imagem da Sociedade torna-se mais um legado a perpetuar. A

Coleção passou por novas divisões e associações, outras mudanças viriam com a compra e

transferência da coleção para o universo colecionista de Ricardo Brennand, no Recife.

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