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1. Les applications avec Interface Homme-Machine
1.2 Des fenêtres à la console
1.2.4 Que faire avec Application.DoEvents( )
A escolha por uma determinada terminologia demonstra os princípios e os objetivos de cada pesquisador (LONGARAY, 2009), ou seja, expressa a maneira como ele percebe a relação estabelecida entre a língua inglesa e o mundo globalizado e se posiciona nesse contexto. Na visão de Rajagopalan (2012a, p. 374), “[...] o nome importa, sim, e muito. Isso porque o nome que escolhemos frequentemente carrega consigo associações e implicações que têm consequências maiores para a forma como abordamos o próprio fenômeno”.
Diante da situação do inglês na contemporaneidade, em sua condição de língua global, surgiram, ao longo do tempo, algumas denominações para o fenômeno como, por exemplo,
World English, World Englishes, international English / English as international language, global English, English as a lingua franca. Entre os termos existentes atribuídos ao inglês como
uma língua global, acredito que aqueles citados anteriormente são os mais significativos nesse contexto de estudo. Por isso, farei uma breve exposição sobre cada um deles a seguir, sendo que a discussão sobre a terminologia Inglês como Língua Franca (English as a lingua franca) será feita em um tópico específico por se tratar de um ponto fundamental no referencial teórico desta pesquisa. Vale ressaltar que são nomenclaturas convergentes em diversos aspectos, mas
que também apresentam suas especificidades que, de alguma forma, os distanciam.
World English (WE)
Segundo McArthur (1999), essa foi a primeira denominação utilizada para definir o inglês devido ao seu status de língua universal, surgida na década de 1920, mas manifestada com mais força na década de 80 do século passado. Para o autor, trata-se de um termo para o inglês como uma língua mundial, porém chama a atenção para o fato de que muitos estudiosos utilizavam o termo com cautela ou, até mesmo, evitavam o seu uso, considerando que poderia indicar uma dominância da língua inglesa e de seus países de origem.
Ademais, McArthur (2004) defende que essa terminologia, desde 1967, serve para representar tanto o inglês padrão como todos os ‘ingleses’, conforme deixa explícito na afirmação abaixo:
Para mim, desde 1967, World English significa todos os ingleses: padrão e não padrão, língua materna e outra língua, dialeto, pidgin, crioulo, língua franca e, sobretudo, aqueles ‘anglo-híbridos’, como Hindlish e Spanglish, especialmente onde o anglo elemento é forte, o uso é comum e os propósitos sociais significativos são atendidos (MCARTHUR, 2004, p. 5)22.
Rajagopalan (2011), pesquisador que optou por fazer uso dessa terminologia, porém dentro de uma perspectiva muito mais crítica, argumenta que o World English é um fenômeno que necessita de esclarecimentos, pois, em sua visão é muito mal compreendido. Segundo o autor, a maneira mais apropriada para definir WE é enfatizando exatamente as características e definições que não lhe cabem, ou seja, não se trata de um ‘arranjo quebra-galho’, não é um fenômeno passageiro nem, tampouco possui falantes nativos, sendo propriedade de todos que o utilizam. Na visão do autor, trata-se de um fenômeno cultural por excelência, afinal é resultado da geopolítica mundial pós o período colonial britânico e a Guerra Fria e das interações daqueles que necessitam se comunicar independentemente das suas origens culturais, sociais ou geográficas.
International English / English as international language
O termo international English surge na década de 1930 e, assim como o World
English, emerge de forma vigorosa nos anos 1980, referindo-se ao uso multinacional do inglês,
22 For me, since 1967, world English has meant all English: standard and non-standard, mother-tongue and other tongue, dialect, pidgin, creole, lingua franca, and, importantly, such ‘Anglo-hybrids’ as Hindlish and Spanglish, especially where the Anglo element is strong, use is communal, and significant social ends are being served.
especialmente no ensino da língua (MCARTHUR, 2004). Consoante McArthur (1999), refere- se à forma padrão da língua inglesa (Standard English) utilizada como uma língua franca mundo afora ou em oposição ao inglês britânico, americano, sul-africano, entre outros. Entretanto, Seidlhofer (2009) chama a atenção para o fato de que essa terminologia, normalmente, é utilizada para definir a distribuição do inglês padrão, sem fazer referência ao modo como a língua inglesa vem se transformando a fim de se ajustar às necessidades do falante internacional. Na visão da pesquisadora, trata-se de um equívoco utilizar o termo international
English, uma vez que ele sugere a existência de uma variedade codificada unitária e distinta
(SEIDLHOFER, 2004; 2009).
A pesquisadora McKay (2002), que emprega a terminologia English as International
Language (EIL), defende que para que uma língua seja internacional ela deve ser utilizada por
um grande número de falantes, servindo de amplo meio de comunicação entre comunidades de línguas nativas distintas oriundas dos diversos cantos no planeta. Baseada nesse contexto, a autora afirma ainda que a língua inglesa assume esse papel na contemporaneidade. Nesse sentido, Llurda (2004) argumenta que o termo ILI é o mais apropriado referindo-se à maioria dos usos do inglês atualmente, especialmente em situações que envolvem falantes não nativos interagindo tanto com falantes nativos quanto com falantes não nativos. Entretanto, é relevante destacar que o termo English as an International Language é utilizado por alguns estudiosos (JENKINS, 2000; SIQUEIRA, 2008; MCKAY, 2002; por exemplo), com a mesma essência do
English as a Lingua Franca (ELF), sendo que a escolha pelo primeiro termo ocorre, na maioria
das vezes, a fim de evitar a confusão provocada inicialmente pelo ILF (JENKINS, 2000; 2007).
Global English
Assim como os dois termos abordados anteriormente, McArthur (2004) destaca que se trata de um dos nomes-chave para o inglês no mundo globalizado, mesmo tendo surgido muito tempo depois dos outros dois em meados dos anos 1990. Na visão deste pesquisador, esse termo implica não só amplo uso, mas também relaciona a língua com a globalização socioeconômica, em alguns casos, de forma negativa.
Para que uma língua alcance o status de língua global, na visão de Crystal (2003), é necessário que ela desempenhe um papel que é reconhecido em todas as nações e não apenas que tenha um número grande de falantes como língua materna. Em sua opinião, o que importa é o número de falantes e não quem são esses falantes. Segundo o autor, apenas um em cada quatro usuários da LI no mundo são falantes nativos dessa língua.
apenas às características globais que marcam o conceito, mas também ao regaste de características locais. Nesse contexto, o autor aborda o conceito de hibridização em contextos multilíngues, uma característica observada em situações de contato entre línguas. Contudo, na visão de Jenkins (2007), os termos English as a global language ou Global English são vagos em relação ao tipo de comunicação que representam assim como implicam, equivocadamente, que o inglês é falado por todos ao redor do globo.
World Englishes (WEs)
Esse termo está diretamente vinculado aos estudos de Kachru (1985) sobre os círculos concêntricos, que fornecem as bases para a compreensão da expansão geográfica da língua inglesa sob a perspectiva dos diferentes ingleses no mundo. A visão proposta por este pesquisador chama a atenção, de certa forma, para o fato de que a maioria dos falantes dessa língua encontra-se no Expanding Circle, ou seja, são falantes não nativos (Figura 12).
Jenkins (2006), ao rememorar Bolton (2004), apresenta três interpretações para o termo WEs. A primeira entende essa terminologia como um termo guarda-chuva, que abrange todas as variedades do inglês encontradas nas diversas regiões do planeta, bem como as abordagens utilizadas a fim de descrevê-las e analisá-las. A segunda diz respeito à utilização num sentido mais restrito para se referir aos chamados new Englishes na África, Ásia e Caribe. E, por fim, a terceira interpretação representa a abordagem pluricêntrica dos estudos da língua inglesa associada aos estudos de Kachru, muitas vezes tratada como abordagem kachruviana. A autora destaca que a primeira interpretação algumas vezes é representada por outros termos como, por exemplo, World English, international English(es) e global English(es). Conforme Jenkins (2006), os links existentes entre as variadas interpretações do WEs são fortes que parece haver uma pequena confusão no referencial pretendido. Consoante Jenkins (2015), os estudos de Kachru, que buscavam descrever e defendiam a legitimação dos ‘ingleses’ pós-coloniais, ou seja, pertencentes ao Outer circle, serviram de referência para os estudos voltados para o inglês como língua franca.
Diante da existência de terminologias diversas, é preciso que professores estejam conscientes sobre as variadas formas de uso da língua inglesa e percebam as questões que estão inter-relacionadas23. É significativo entender a relação entre a escolha por um determinado
23 Acredito ser relevante destacar aqui que práticas translíngues ou translingualismo (translanguaging) refere-se a
uma perspectiva teórica que vem sendo desenvolvida relacionada ao ensino de LI em seus diversos contextos (CANAGARAJAH, 2013; GARCÍA; LI WEI, 2014; LI WEI, 2017). Para Li Wei (2017), translingualismo diz respeito à prática que envolve o uso dinâmico e integrado de diferentes linguagens e ao processo de construção de
modelo e, por exemplo, a questão da identidade, a fim de poderem decidir sobre os conhecimentos básicos que devem respaldar a aprendizagem pretendida em sua prática pedagógica.
Por fim, Erling, citada por Rajagopalan (2012a), defende que
Mais importante que encontrar um nome apropriado para o inglês é assegurar que os profissionais de ELT ao redor do mundo se afastem de uma ideologia que privilegie variedades L1 (‘círculo interno’). A língua deve ser ensinada como um meio de comunicação intercultural, análise crítica e, de fato, quando necessário, resistência (ERLING, 2005, p. 43 apud RAJAGOPALAN, 2012a p. 377).24