• Aucun résultat trouvé

Réalité Virtuelle

6.4 Application des outils de la Réalité Virtuelle

Embora o modelo conceitual e a metodologia utilizada na pesquisa não tenham sido apoiados diretamente nas teorias da Cooperação, enquanto área de estudo multidisciplinar em Ciências Sociais, entendeu-se que uma breve reflexão sobre os aspectos gerais do tema poderia contribuir para uma compreensão mais ampla do comportamento cooperativo em provedores de informação. As idéias básicas desta seção foram extraídas do livro Cooperation: the basis for sociability, de Michael Argyle (1991).

De acordo com o autor, cooperar é um ato inerente à vida, já que é importante para o reino animal e central ao comportamento social e à existência humana. O senso comum diz que todo comportamento social é cooperativo, porque implica a relação de duas ou mais pessoas que se aproximam de forma ordenada para executarem atividades que as levem a alcançar um produto final, formando com isso um sistema social. A definição de cooperação mais encontrada nos dicionários é a que se segue “Ato ou efeito de operar ou obrar simultaneamente, trabalhar em comum; colaborar”. (FERREIRA, s.d.)

O The Oxford Universal Dictionary Illustrated definiu cooperação como:

1) trabalhar junto, agir em conjunto (com outra pessoa ou coisa com uma finalidade ou um trabalho);

2) praticar cooperação na área econômica.

Para Argyle (1991), no entanto, a cooperação no campo social pode ainda se manifestar-se de outras duas formas. Uma é o tipo de cooperação associada com as relações de amizade e amor motivados pelo desejo de fortalecer ou perpetuar a relação. No outro tipo, a cooperação ocorre em circunstâncias em que a atividade não pode ser executada de forma isolada, uma vez que requer uma perfeita coordenação entre as partes envolvidas, como é o caso de certos jogos, atividades musicais e em todos os tipos de comunicação.

Analisando resultados de estudos sobre Cooperação, o autor classificou as atividades cooperativas em três categorias principais, conforme a finalidade: (a) realização de atividades conjuntas; (b) relacionamentos sociais; e (c) coordenação de atividades compartilhadas e de comunicação. A partir dessas observações, o autor propôs uma definição mais ampla de cooperação: “Atuar junto, de forma coordenada, para o trabalho, lazer ou relacionamento social, para o alcance de objetivos comuns, divertimento ou simplesmente aprofundamento de uma relação.” (ARGYLE, 1991, p. 4)

No campo das Ciências Sociais, os estudos de Cooperação foram de grande interesse no passado. Posteriormente, o termo desapareceu do vocabulário por algum tempo, voltando atualmente a interessar como tema de pesquisa, porque se revelou ser a chave para um grande número de problemas práticos.

A pesquisa em Cooperação divide-se em dois momentos. O primeiro momento é anterior à Segunda Guerra Mundial, quando o tema despertou o interesse de cientistas sociais, no campo da Psicologia do Desenvolvimento, da Psicologia Educacional e da Antropologia, com destaque para as contribuições de Margaret Mead sobre sociedades primitivas, e da Sociologia clássica de Tönnies e Durkheim sobre os estudos teóricos de integração na sociedade.

Após a Segunda Guerra Mundial, a atividade de pesquisa ficou muito limitada, com alguns trabalhos de destaque na literatura (não especificamente em cooperação), mas que trouxeram grande contribuição ao tema.

No campo da Psicologia Social, o enfoque teórico da pesquisa até a década de 1970, quando foi abandonado, orientou-se para a aplicação de jogos baseados na comunicação, na formação de coalizões e na prática da negociação e barganha. Destacou-se nesse período as pesquisas baseadas no jogo conhecido como Dilema

do Prisioneiro (Prisioner’s Dilemma Game - PDG), em que indivíduos que não se

conheciam, sem se verem e se falarem deveriam, motivados por uma recompensa material, desempenhar tarefas de natureza cognitiva. A teoria que resultou desses estudos recebeu críticas por ser eminentemente cognitiva, por estudar as pessoas em isolamento e por assumir que as pessoas só agem quando motivadas por recompensas pessoais.

Os experimentos desenvolvidos por M. Deutch (1949) basearam-se em um novo modelo teórico, que analisava a cooperação associada à aderência aos objetivos do grupo e a motivações próprias dos indivíduos. Estes estudos foram considerados mais realísticos porque estimulavam a cooperação e a competição, por meio de diferentes incentivos externos. Em situação de cooperação, todos os indivíduos do grupo vencedor eram igualmente recompensados e na situação de competição apenas o indivíduo de maior sucesso em cada grupo era recompensado.

Os experimentos de Deutch (1949) levaram à formulação de uma teoria bastante conhecida, que afirma: (a) as pessoas cooperam em torno de objetivos coletivos compartilhados, os quais estão ligados a objetivos individuais; e (b) as pessoas decidem cooperar como resultado de decisões cognitivas racionais. Esta teoria foi considerada apropriada para o estudo da cooperação em ambientes de trabalho, porque neste ambiente a cooperação se dá entre pessoas que já têm algum tipo de relacionamento.

Trabalhos sobre altruísmo foram pouco a pouco substituindo os estudos de cooperação no interesse dos psicólogos sociais. As pesquisas identificaram que a empatia e as regras sociais apresentavam soluções para algumas das questões de cooperação, que estavam sendo levantadas. Os resultados revelaram que a empatia é um estado importante para que haja cooperação. Embora a ajuda desinteressada não seja exatamente o mesmo que cooperação, o comportamento altruísta usualmente é observado quando a cooperação ocorre.

Estudos sobre relacionamentos sociais, embora não tenham contribuído diretamente para o conceito de cooperação ajudam ao entendimento das principais formas de cooperação, seja na família, nas equipes de trabalho ou entre amigos. Em todos os relacionamentos existem regras, e regras em ambientes de trabalho servem para reforçar a cooperação.

Pesquisas sobre interação social e comunicação, intensamente desenvolvidas desde a década de 1960, estudam a linguagem não apenas como palavra escrita, mas como uma expressão das situações sociais. O objetivo da linguagem ao ser expressa é a de ser entendida e a de exercer influência. O processo de interação social requer estreita sincronia entre os envolvidos. Esta sincronia, que é o resultado da comunicação, é um outro tipo de cooperação, chamada algumas vezes de coordenação.

Pesquisadores no campo da Psicologia do Desenvolvimento, entre eles Piaget, sugeriram que o comportamento cooperativo surge por volta dos sete ou oito anos de idade. No entanto, pesquisas sobre fantasia social identificaram que este comportamento surge muito mais cedo, por volta dos três anos de idade. O que na verdade estes investigadores inferiram como comportamento cooperativo vai muito além da busca de recompensas materiais. As pesquisas revelaram comportamentos considerados evidências de cooperação já desde a mais tenra idade, como a ajuda mútua, a divisão do trabalho e o alcance de objetivos coletivos.

As pesquisas mostram que indivíduos cooperam motivados por, pelo menos três, diferentes razões: (a) a busca de uma recompensa material; (b) a manutenção de relacionamento em grupo familiar ou de amizade; e (c) a necessidade de coordenação em atividades compartilhadas.

A cooperação por uma recompensa externa tem sido vista como a única razão para a cooperação, sendo esta inclusive a acepção mais aceita nos dicionários. No mundo animal e nas sociedades primitivas, a preservação da espécie leva animais e homens a cooperarem com seus semelhantes em um organizado sistema social com o objetivo de defesa, busca de alimento e abrigo.

É, no entanto no mundo moderno que a cooperação por recompensa é mais visível. A linha de montagem de uma fábrica pode ser vista como um exemplo de cooperação por recompensa. Embora a maioria dos indivíduos aja segundo seus interesses individuais, como o salário e promoções, eles têm que alinhar seus objetivos e coordenar suas atividades de tal modo que o produto do grupo possa ser realizado. Neste caso, a busca pelo produto do grupo, que é o objetivo da empresa, pode ser considerada como cooperação. Na ausência de objetivos compartilhados estabelecidos diretamente pelos indivíduos, a empresa pode criá-los por meio de um esquema de concessão de incentivos ou bônus para o grupo como um todo. É importante ressaltar, no entanto, que esse esquema de incentivos cooperativos é tão mais efetivo quanto menor for o grupo.

A realização de uma tarefa requer freqüentemente a cooperação de indivíduos em diferentes papéis em que cada qual possui seus próprios objetivos. O desenvolvimento de habilidades cooperativas irá requerer uma liderança efetiva e a construção de uma relação de colaboração, por meio do que Argyle (1991) denominou “barganha integrativa”.

A cooperação no trabalho não ocorre a menos que haja um relacionamento social entre os envolvidos. Por isso, cooperação baseada exclusivamente em recompensa

venda. Ainda assim esta situação requer um nível mínimo de confiança antes que qualquer negócio seja fechado. Em algumas culturas, particularmente em países árabes e de terceiro mundo, a prática da negociação é freqüentemente precedida de um encontro informal para que este nível mínimo de confiança possa se estabelecer entre as partes.

Outro tipo de cooperação no trabalho é visto na co-propriedade, como é o caso das cooperativas e comunidades (tipo kibutz). As cooperativas são empreendimentos de trabalho, inspiradas nos ideais de cooperação e igualdade, e onde os membros possuem alguma parte do capital e participam em igualdade de condições do processo decisório.

Esses esquemas são cooperativos porque a propriedade é compartilhada. As principais fontes de capital são contribuições feitas pelos próprios membros, o que em geral cria compromissos para com a empresa. O controle é democrático, isto é, se o número de membros é pequeno (até 20, por exemplo) todos podem participar das decisões. Afiliações maiores necessitam de representantes eleitos, o que pode gerar alguns problemas como a participação de membros inexperientes, membros sem capacidade para entender críticas construtivas e falta de habilidade na condução de reuniões.

A cooperação no trabalho ocorre nas seguintes situações:

a) cooperação para a execução de uma tarefa – a tarefa pode ser desempenhada de modo paralelo ou independente por diversos indivíduos; pela seqüência de diferentes tarefas (nesse caso a coordenação é importante para que um indivíduo na linha de montagem não espere por outro); pelo desempenho cooperativo para uma mesma tarefa; pelo desempenho cooperativo ou simultâneo de tarefas diferentes, porém complementares;

b) relacionamentos de supervisão - nesse caso uma pessoa não executa o trabalho, mas se incumbe de que outras o façam de modo apropriado, como é o

caso da supervisão, inspeção e assistência a terceiros, como é, por exemplo, o caso do supervisor-empregado e médico-enfermeiro;

c) outros relacionamentos sociais - outros tipos de habilidades sociais são encontrados nos sistemas sociotécnicos, como a transferência de informação ou bens; a discussão entre membros de um grupo de solução de problemas; a negociação onde há conflito de interesses; e a prestação de consultoria especializada, sem o exercício de autoridade.

A cooperação no trabalho pode ter como causas: (i) a demanda feita pela própria tarefa, em que um indivíduo sozinho não seja capaz de realizar ou quando ela deva ser realizada por meio de etapas interdependentes; (ii) a necessidade de agregação do ser humano; (iii) um sistema de incentivo; (iv) uma decisão tomada pelo grupo para mudança de comportamento; (v) o sentimento de “pertencimento” ao grupo quando este se sobressai na auto-imagem mais do que a personalidade individual (despersonalização); (vi) as regras de convivência no trabalho; (vii) as habilidades cooperativas sociais entre chefes e subordinados que demonstrem consideração, participação e apoio; (viii) e os ritos e cerimônias criados para manter a coesão do grupo, como seminários seguidos de encontros informais, festas, jogos, ou ofícios religiosos.

Estudos demonstraram que o sucesso dos grupos de trabalho cooperativo pode ser explicado pelo grau de motivação, coordenação, ajuda, comunicação e eqüidade na divisão do trabalho a que os membros do grupo estão sujeitos.

A cooperação em atividades compartilhadas pode ser induzida por meio da realização de atividades interdependentes, isto é, quando membros de uma equipe de trabalho realizam diferentes tarefas. Tanto esse tipo de cooperação quanto à cooperação que sustenta relacionamentos requer comunicação e atividade conjunta. Os jogos, assim como a maioria dos esportes, requerem dois ou mais participantes. Os participantes competem entre si, mas também cooperam, no sentido de manter

as regras do jogo, e se envolvem em um alto grau de coordenação, para que todos tenham a sua vez de jogar. Freqüentemente há cooperação entre os jogadores e, se é um jogo de equipe, a cooperação deve existir também dentro do time.

Apenas objetivos compartilhados levam à cooperação, enquanto objetivos individuais mais freqüentemente levam à competição. Há casos, porém em que a cooperação e a competição ocorrem simultaneamente. Exemplos tirados de jogos como o tênis, pingue-pongue e squash demonstram que, mesmo competindo, a atividade requer um alto grau de cooperação, de modo que as regras sejam obedecidas, e um alto grau de coordenação e aceitação mútua, porque cada jogador precisa prever e reagir ao jogo do adversário.

A comunicação seja ela verbal ou não, é uma das formas mais importantes de atividade conjunta e é necessária para a realização de tarefas e relacionamentos. A cooperação no processo de comunicação é vista como uma forma intricada de coordenação entre dois ou mais participantes. Nesse caso, há o envolvimento conjunto de órgãos do corpo responsáveis pela emissão e recepção da comunicação assim como expressões, posturas, vocalizações e sinais não verbais.

Fatores externos, já existentes ou criados pelo homem, podem encorajar e fortalecer o comportamento cooperativo. A proximidade física seja no trabalho ou na vida familiar é a mais básica. A propriedade conjunta também contribui para a cooperação. As redes sociais mantêm os indivíduos unidos, criam um fluxo de informação, a ajuda mútua e o compartilhamento de atividades.

Pesquisas apontam que o coletivismo e o individualismo são características culturais. Hofstede, citado por Argyle (1991) estudou o comportamento individualista em ambientes de trabalho de 40 países, envolvendo cerca de 116.000 respondentes. Os resultados revelaram um alto grau de correlação entre o individualismo e o PIB - Produto Interno Bruto - e concluiu: o coletivismo correlaciona-se com economias menos desenvolvidas, próximas da linha do Equador, com menor mobilidade social, menor desenvolvimento na classe média, tradição agrícola, menor industrialização e

urbanização, famílias com o maior número de crianças, sistema educacional tradicional para uma minoria da população. Neste estudo, cuja média foi de 51 pontos, o Brasil obteve um índice de individualismo de 38, enquanto a Grã-Bretanha alcançou 89 e os Estados Unidos 91, o país mais individualista do mundo. A exceção foi encontrada no Japão, apesar do alto índice de industrialização, o comportamento cooperativo encontrado nas empresas apóia-se nas estruturas sociais tradicionais, isto é, na liderança hierárquica, em grupos coesos e na forte identificação dos indivíduos com os objetivos da empresa.

2.3 COOPERAÇÃO BIBLIOTECÁRIA E COMPARTILHAMENTO DE

Documents relatifs