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APPENDIX D ERROR MESSAGES

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O município de Guarulhos encontra-se na grande São Paulo. Sua população atual é estimada em cerca de 1.300.000 habitantes20. A cidade marcada pela transformação econômica da década de 70, passou rapidamente de cidade pacata, que em determinados locais conservava características rurais à pólo industrial. Com o advento da industrialização do município, a cidade viu sua população ampliada, eminentemente por migrantes oriundos de outras regiões do país, que buscavam emprego nas fábricas principalmente instaladas na Rodovia Presidente Dutra. Visando suprir a demanda por moradia, rapidamente a cidade vivenciou a implantação inúmeros loteamentos, onde nem sempre a infra-estrutura básica (água, esgoto, iluminação pública, asfalto, e equipamentos públicos diversos que garantiriam o acesso a serviços básicos como saúde e educação) estavam entre as prioridades. A inauguração do Aeroporto Internacional de São Paulo, em 1985, garantiria o sucesso

econômico da cidade, trazendo modernidade e sofisticação às suas instalações, preparando-se para a recepção do público internacional. A cidade viu-se rapidamente cercada por hotéis luxuosos, novas estradas (Rodovia Airton Senna e Hélio Schimidt) além do ruído ensurdecedor que passou a interagir com o município. Os motivos que levariam à uma melhora da qualidade de vida da população guarulhense proporcionados pela inauguração do aeroporto, na verdade só aumentariam a discrepância entre a prosperidade e a pobreza. O Aeroporto Internacional, tornou-se uma ilha de prosperidade, cercado por imensas áreas invadidas por famílias de baixa-renda, que recebiam como indenização o barulho produzido pelas aeronaves. Um dos exemplos da discrepante situação envolvendo modernidade e retrocesso, pode ser verificado no caso da queda do avião cargueiro da empresa Transbrasil em 1989, sobre uma favela do município situada na cabeceira do aeroporto, que culminou com a morte de 25 pessoas e mais de cem feridos21.

Tragédias a parte, o modelo político estabelecido na cidade deu continuidade ao padrão iniciado durante o regime militar, período em que o município esteve sob intervenção federal. Um grande empresário da região assumiria a prefeitura municipal. Ao final de sua gestão elegeria como seu sucessor um administrador de uma de suas empresas. Essa continuidade política que perdurou por doze anos só mudaria em 1997, com a aposta por parte da população em um novo modelo que romperia com a continuidade na gestão do município. Para decepção generalizada da população essa gestão duraria apenas dois anos, após denuncias de corrupção que culminariam com a cassação do prefeito, assumindo seu vice oriundo do Partido Verde – PV. Ressabiada, porém apostando em um novo modelo político, pela primeira vez em sua historia a população guarulhense viria a eleger um partido de esquerda (Partido dos Trabalhadores – PT): “desde 2001, quando assumiu a administração do município de Guarulhos, em São Paulo, a gestão do prefeito Eloy Pietá comprometeu-se em dar prioridade à educação, tendo como base as seguintes diretrizes: democratização do acesso e da permanência, democratização da gestão e valorização dos profissionais da educação” (Cardoso 2008, p. 17). Assume nesse período como secretária municipal de

21 Extraído do site: http://aeroportodeguarulhos.blogspot.com/2008/12/acidentes-e-incidentes-no-

educação a Profa. Eneide Maria Moreira de Lima, advinda do movimento sindical dos professores. Começa assim a impressão de uma nova diretriz para a educação de Guarulhos, prezando pela formação integral do educando e a valorização do profissional da educação, refletindo principalmente na melhoria salarial, plano de carreira e formação continuada: “constrói-se uma boa escola para todos com base em políticas públicas de educação que reconheçam e valorizem as práticas significativas dos educadores, considerando-os como mediadores do processo ensino-aprendizagem e, por decorrência, do desenvolvimento humano, fortalecendo o diálogo e a formação permanente dos educadores na integração com o educando” (Cardoso 2008, p.18). Rusche (apud Cardoso, 2008) complementa o pensamento da autora: “para isso, constituiu-se desde o início dos trabalhos, uma proposta de formação permanente dos educadores, fundamentadas nos mesmos pressupostos da educação estética” (p. 24).

Outra marca que diferenciaria a atuação da secretaria municipal de educação de Guarulhos estaria no redimensionamento dos aspectos pedagógicos que transpunham a alfabetização: “o projeto político-pedagógico dessa gestão fundamenta-se na afirmação da escola como espaço privilegiado para o desenvolvimento integral do educando, que contempla as diferentes dimensões do processo de humanização e o trabalho com as diversas linguagens... no horizonte desse projeto, a escola é concebida como espaço de sistematização, descoberta e criação de saberes; de diálogo de culturas e de afirmações de valores democráticos e solidários... dessa forma busca-se a criação de uma escola criativa, que faz da sala de aula um espaço de múltiplas experiências sociais e culturais, partindo da realidade local e avançando para o conhecimento crítico e transformador do mundo” (Cardoso 2008, p.18).

Até aquele momento a escola estabelecida no município de Guarulhos não se distinguia em nada das demais escolas brasileiras fundamentadas no modelo educacional concebido historicamente, no tocante ao espaço que se destinava à alfabetização de crianças competentes, à reprovação dos menos aptos e no melhor dos casos, onde muitas delas complementam suas necessidades mais prementes, matando a fome: “uma das características mais deletérias do pensamento que vem embasando a maioria dos projetos

educacionais brasileiros diz respeito ao conceito de utilidade, de serventia, de praticidade” (Duarte-Júnior apud Cardoso 2008, p. 12).

Novas perspectivas surgiram a partir da implementação de uma proposta pedagógica focada na formação integral do educando. Proposta essa que cede lugar à emoção, que possibilita e estimula os sentidos e sentimentos, tudo isso através da implementação da arte e das línguas estrangeiras. Duarte- Júnior (apud Cardoso, 2008) descreve com precisão esse modelo estabelecido a partir de 2001: “a inserção dos projetos de artes e línguas na proposta curricular das escolas de Guarulhos tem a finalidade de transformar a organização dos tempos e espaços escolares, contribuindo para a efetivação de uma proposta pedagógica que respeite os tempos da vida dos educandos e tenha como foco do processo educativo o ser humano, sua trajetória, identidade e formação... trabalhando, no decorrer desses anos, para redimensionar o currículo escolar, construímos projetos tais como: violino nas escolas públicas... canto coral... práticas teatrais nos processos educativos... contador de histórias... danças folclóricas brasileiras... artes plásticas... (Cardoso 2008, pp. 19-20). Duarte-Júnior (apud Cardoso 2008) referindo-se à proposta desenvolvida nas escolas públicas de Guarulhos no que se refere ao estudo das línguas estrangeiras observa: “além disso, merecem destaque dois elementos desse projeto com as línguas estrangeiras... o primeiro diz respeito a estar nele contemplado o estudo das libras, língua brasileira de sinais, esse de comunicação com os deficientes auditivos, cujo maior sentido encontra-se na política de inclusão... e o segundo consiste na parceria firmada com os consulados daqueles países onde se falam as línguas abordadas no trabalho, a qual, além de prover subsídios e materiais para emprego em sala de aula, também aponta para uma atitude de desenclausuramento da escola, vinculando-a mais efetivamente a outras instituições da sociedade” (pp. 14-15)

Como “nem tudo são flores”, garantir a efetivação de uma proposta tão ousada quanto essa não foi uma tarefa fácil, pois rompe com paradigmas estabelecidos historicamente; promove movimento. Desestabiliza os modelos cristalizados, focado eminentemente na alfabetização do individuo. Durante o período de quatro horas, tempo que o educando passa na escola, este tem seu espaço contingenciado à carteira. O único momento de ampliação do espaço

limita-se à quinze minutos durante o lanche, onde a criança tem o direito de brincar (desde que não corra) comer, usar o banheiro. Artes e línguas ampliam o espaço do educando na escola, forçando a reestruturação do projeto político- pedagógico da escola: “nesse sentido, a instalação de um projeto de tal quilate encontra sempre resistências, as quais infelizmente, estão presentes também no interior das próprias escolas, imbuídas desde há muito do rasteiro espírito do pragmatismo” (Duarte-júnior, apud Cardoso 2008, p.13).

Na proposta pedagógica desenvolvida pela Secretaria Municipal de Guarulhos fica evidenciada uma intencionalidade na inserção das artes e das línguas estrangeiras nas matrizes curriculares das escolas. Arroyo (apud Cardoso, 2008) se referindo ao projeto político pedagógico da rede pública municipal observa o seguinte: “a intenção é que a escola propicie aos educandos oportunidades significativas de aprendizagem, ampliando suas experiências e possibilitando o acesso à diversidade que caracteriza a cultura... dessa forma, estará dotando o educando de repertório para que possa se desenvolver como humano e participar ativamente da vida social” (p.58).

Duarte-Júnior (apud Cardoso 2008) chama a atenção para outro aspecto de garantir a inserção de artes e línguas nas escolas públicas municipais de Guarulhos, a garantia plena de acesso aos bens culturais da humanidade, possibilitando o encontro com determinadas linguagens, antes limitadas às classes mais abastadas: “o que também opera no sentido da derrubada de severos preconceitos de classe, como aquele que afirma que tais composições musicais eruditas não estarão ao alcance das classes populares ou ainda que é inacessível ao estudo de instrumentos sofisticados feito o violino” (p.13).

Além de uma possibilidade pedagógica diferenciada, o caráter artístico que resulta dessa abordagem, e ainda a realização do educando, educador e sue reflexo na comunidade e consequente transformação pôde ser aferido em dois momentos distintos; o primeiro no comentário de Duarte-Júnior (apud Cardoso, 2008) em que diz: um dado de fundamental importância, todavia, revela-se na qualidade dos trabalhos apresentados, especialmente na área de artes... tão-só quem tem o prazer de assistir a alguns espetáculos de música, teatro ou dança, ou de visitar as mostras de artes plásticas resultantes dos

processos empreendidos... pode aquilatar a seriedade e o empenho daqueles neles envolvidos, especialmente os estudantes... porque, sem muitas concessões, a qualidade estética sempre constituiu um norte para as ações desenvolvidas... ao contrário do que muitas vezes se acredita, que basta envolver as crianças e os jovens em atividades artísticas, consideradas em si mesmas e sem a preocupação com resultados palpáveis, um produto final de evidente valor estético constitui em si próprio um elemento profundamente educativo e transformador, além de ser um indicador palpável para avaliações e auto-avaliações dos que se acham com ele comprometidos” (p.15); o segundo momento que trata das realizações ocorridas na rede pública municipal de Guarulhos encontra-se na pesquisa “Arte Educação na escola: em busca do sucesso”, desenvolvida pela Professora Dra. Mitsuko Aparecida Makino Antunes, do Programa de Estudos Pós-graduados em Educação: Psicologia da Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP, Brasil. Esta pesquisa foi realizada em 2008, ano em que Guarulhos recebeu o prêmio concedido pela OEA (Organização dos Estados Americanos), no qual abordava: práticas que vencem o fracasso escolar; concluiu-se que a arte seria um importante instrumento nesse processo que perpassa educadores e educandos. Na pesquisa estão expressas algumas frases dos educadores entrevistados: “A Professora Miriam conta como ocorre o processo de criação e produção da atividade artística: A partir do texto fazemos a adaptação, montamos o diálogo e os alunos realizam a leitura. Quando iniciamos a parte cênica, os alunos já não vão com o texto; cada criança dá o próprio significado para as falas, que vão se modificando de acordo com o que cada criança assimilou. Das brincadeiras de improviso são retiradas as marcas e a construção dos personagens. Interfiro nos gestos, expressões dos sentimentos; brincando construímos. O interessante é que tem uma criança que faz um personagem, mas todos os outros sabem sobre esse personagem. Quando uma criança falta, os outros podem assumir o seu papel.” (p. 12); em outro momento da pesquisa é demonstrado a percepção da família em relação à proposta desenvolvida na rede municipal: “Minha filha iniciou no Projeto Violinos aos 9 anos. Ela melhorou muito o raciocínio, educação e disciplina. A minha filha hoje está com 13 anos, estuda na escola estadual... Meu filho está com 13 anos e começou a fazer aulas de violino aos 9 anos. Foi um incentivo

para a música. Melhorou mais na escola: a disciplina, o raciocínio, a responsabilidade. Hoje estuda na escola estadual... Meu filho iniciou na escola municipal aos 9 anos e começou a tocar violino. Desenvolveu muito a criatividade, o raciocínio, a socialização e o interesse por outros estilos de música. Hoje tem 14 anos, estuda na escola estadual.” (p.31) A pesquisa ainda demonstra alguns depoimentos dos educandos: “Sim, eu era meio arteiro, agora sou mais sossegado, mais por causa do violino. O violino ajuda a querer estudar mais, porque ajuda a desenvolver a mente e você se esforça mais para atingir seu objetivo... Na minha família, quando tem um almoço, alguma coisa, eles pedem: ‘toca alguma coisa’. E eles gostam. Tanto na escola como no violino eu fiz mais amizades. Todos nós aqui somos uma família: todos nós somos irmãos, primos, é muito legal!” (p.26).

Através da experiência desenvolvida pela rede pública municipal de Guarulhos nota-se um exemplo concreto de políticas públicas alicerçadas nos fundamentos propostos na educação estética. Arroyo (apud Cardoso 2008) resume o trabalho desenvolvido pelo poder público em Guarulhos: “vale lembrar que artes e línguas não surgiram por acaso como proposta na rede municipal de educação de Guarulhos... sua inserção faz parte de um movimento de reorientação curricular iniciado em 2001, e é consequência das concepções e diretrizes que fundamentam o projeto político-pedagógico da rede. Representam portanto não apenas uma decisão pedagógica, mas, essencialmente uma decisão política... artes e línguas foram, de fato, assumidas como política pública, e há um grande investimento afim de efetivar a proposta... há uma intencionalidade política que fundamenta a existência desses projetos, explicitada no objetivo de democratizar o acesso aos bens culturais a todos os educandos, especialmente àqueles que histórica e socialmente foram/são excluídos desse acesso... artes e línguas como currículo indicam esse sentido de resistência, de rebeldia à ordem estabelecida pela sociedade neoliberal, e implicam o desejo de transformação de mudança, tendo em vista um projeto societário diferente daqueles a que fomos submetidos... acreditamos que artes e línguas como conhecimento representam um direito do ser humano, e as ações desenvolvidas tem o objetivo de potencializar esse direito” (p.58).

2.5 Experiências Estéticas – Fundamentação metodológica do

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