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APPENDIX A: SAMPLING PROCEDURES AND RESPONSE RATE

Estudos realizados no exterior não diferem muito do contexto percebido no Brasil, em relação à prática profissional do enfermeiro.

Estudos realizados com enfermeiros, na Espanha, identificaram como principais estressores, a sobrecarga de trabalho, a falta de pessoal, o contato com o sofrimento e a morte dos pacientes, as relações com o restante do pessoal, a falta de clareza a respeito das exigências do trabalho e as demandas conflitivas dos diversos grupos da organização. Destacaram-se, também, falta de reconhecimento do trabalho realizado, salário, falta de material e instalações adequadas, introdução de novas tecnologias, e ausência de um período de treinamento adequado (MÁS; ESCRIBA; CÁRDENAS, 1999).

Um estudo de grande magnitude, realizado com 43 mil enfermeiros, nos EUA, Canadá, Inglaterra, Escócia e Alemanha, mostrou que em todos esses países, exceto na Alemanha, a falta de oportunidades para promoções era um importante agente estressor e, que para mais da metade dos enfermeiros, a má organização do trabalho era o principal causador de estresse (AIKEN et al., 2001).

No Canadá foi realizada uma pesquisa com 107 enfermeiros, durante um período de significativas mudanças organizacionais impostas pelo governo. A falta de suporte organizacional e envolvimento eram os maiores geradores de estresse, segundo os enfermeiros. Foram citados como agentes estressores: falta de participação nas decisões, má interpretação de suas reais necessidades por parte dos administradores, carga de trabalho, pressão temporal, segurança no trabalho, conflitos com gerentes e falta de pessoal (TYSON; PONGRUENGPHANT; AGGARWAL, 2002).

Pesquisa sobre estresse, realizada com 120 enfermeiros do Departamento de Emergência de um hospital escola, no Irã, identificou como principais estressores: procedimentos com pacientes com dor e sofrimento, presença da família no setor de emergência, reações dos parentes, pesada carga de trabalho, pressão temporal e contato com a morte (ADEB-SAEEDI, 2002).

Outra pesquisa realizada com 171 enfermeiros, da Irlanda do Norte, atuantes em hospitais e na comunidade, identificou como principais agentes estressores: falta de tempo, racionamento de serviços ou recursos, prazos impostos por outras pessoas, lidar com as opiniões que os outros têm de seu trabalho, responsabilidade administrativa, exigências emocionais dos pacientes, relacionamentos interprofissionais e falta de autonomia. Além disso, os autores identificaram que, embora alguns enfermeiros sintam-se inadequadamente treinados ou equipados para o seu trabalho, sentem, também, que o trabalho nem sempre utiliza seu treinamento e experiência (MCGRATH; REID; BOORE, 2003).

Outro importante estudo foi publicado em 2005, composto por 206 enfermeiros da Islândia, identificando como principais estressores: excesso de trabalho falta de comunicação e de participação em decisões, falta de reconhecimento, recursos insuficientes para o trabalho e não conseguirem desligar-se do trabalho em casa (SVEINSDÓTTIR; BIERING; RAMEL, 2005).

Em 2006, foi publicado um artigo sobre a atividade laboral de enfermeiros, que identificava os principais agentes estressores de 512 enfermeiros da China. Dentre eles estavam: carga de trabalho, pressão temporal, dificuldades com pacientes, falta de pessoal, envolvimento com situações de vida e morte (LU; WHILE; BARRIBALL, 2006).

Os estressores identificados nesses trabalhos estão relacionados no Quadro 5, que mostra os tipos de estressores citados e os autores referidos.

Quadro 5 - Estressores Internacionais e Autores

Estressores Internacionais Autores

Relacionamentos interpessoais (enfermeiros, médicos, pacientes, demais profissionais e familiares)

Más, Escriba e Cárdenas (1999) Tyson, Pongruengphant e Aggarwal (2002)

Adeb-Saeedi (2002)

McGrath, Reid e Boore (2003) Sveinsdóttir, Biering e Ramel (2005) Lu, While e Barriball (2006) Sobrecarga de trabalho Más, Escriba e Cárdenas (1999)

Escriba Aguir (1991)

Tyson, Pongruengphant e Aggarwal (2002)

Adeb-Saeedi (2002)

Sveinsdóttir, Biering e Ramel (2005) Lu, While e Barriball (2006)

Pressão temporal Tyson, Pongruengphant e Aggarwal

(2002)

Adeb-Saeedi (2002)

McGrath, Reid e Boore (2003) Lu, While e Barriball (2006)

Falta de pessoal Más, Escriba e Cárdenas (1999)

Escriba Aguir (1991)

Tyson, Pongruengphant e Aggarwal (2002)

Lu, While e Barriball (2006) Envolvimento com situações

sofrimento e morte

Más, Escriba e Cárdenas (1999) Escriba Aguir (1991)

Adeb-Saeedi (2002)

Lu, While e Barriball (2006) Falta de autonomia, falta de

participações nas decisões

Tyson, Pongruengphant e Aggarwal (2002)

McGrath, Reid e Boore (2003) Sveinsdóttir, Biering e Ramel (2005) Falta de treinamento e de

equipamentos

Más, Escriba e Cárdenas (1999) McGrath, Reid e Boore (2003) Sveinsdóttir, Biering e Ramel (2005)

continuação Falta de reconhecimento Más, Escriba e Cárdenas (1999)

Sveinsdóttir, Biering e Ramel (2005) Desorganização do hospital e

dos serviços

Escriba Aguir (1991) Aiken, et al. (2001)

Falta de apoio e suporte social Tyson, Pongruengphant e Aggarwal (2002)

Prazos impostos por outras pessoas

McGrath, Reid e Boore (2003) Lidar com opiniões dos outros

em relação ao seu trabalho

McGrath, Reid e Boore (2003) Conflitos de funções

(ambigüidade de papéis, acúmulo de funções)

Más, Escriba e Cárdenas (1999)

Pouca utilização de seu treinamento ou experiência

McGrath, Reid e Boore (2003) Má interpretação de suas reais

necessidades

Tyson, Pongruengphant e Aggarwal (2002)

Administração, gerenciamento de pessoal

McGrath, Reid e Boore (2003) Inovações tecnológicas, complexidade dos procedimentos Más, Escriba e Cárdenas (1999) Incapacidade de desligarem-se do trabalho em casa

Sveinsdóttir, Biering e Ramel (2005)

Baixa remuneração Más, Escriba e Cárdenas (1999)

Falta de oportunidade de promoção

Aiken et al. (2001) Fonte: Amante et al. (2007, p. 53)

Diante disso, o que se pode notar ao realizar um estudo da arte sobre a temática de estresse no trabalho e enfermagem, nas bases de dados Scielo e Elsevier, é que os instrumentos existentes mensuram a identificação dos agentes estressores. Destaca-se aqui, os instrumentos que têm guiado os estudos na área, são eles: SWS Survey de Gutiérrez e Ostermann (1991), o qual foi validado para o Brasil por Guimarães e Fadden (1999), Instrumento para mensurar o estresse ocupacional: inventário de estresse em enfermeiros de Stacciarini e Troccoli (2002);

Occupational Stress Indicator (OSI), desenvolvido por Swan, Moraes e Cooper (1993) e Escala de Estresse no Trabalho (EET), de Paschoal e Tamayo (2004).

Observa-se, em relação aos estudos apontados, que, num contexto geral, os instrumentos de avaliação do estresse ocupacional consistem em apresentar ao indivíduo uma lista de estressores, que devem ser avaliados numa escala de freqüência, bem como uma lista de reações. Diante disso, o que se pode perceber, é que os instrumentos apresentados identificam, mensuram e categorizam os agentes estressores, em diferentes aspectos, entretanto, não relacionam o estresse ocupacional e a funcionalidade do trabalhador.

Para Paschoal e Tamayo (2004, p. 5):

[...] a maior parte das escalas de estresse ocupacional aborda os estressores, sem solicitar sua avaliação por parte dos sujeitos, e as reações físicas e psicológicas aos estressores, sem que o próprio sujeito estabeleça as possíveis relações entre as duas medidas.

Diretamente relacionado à temática existem alguns instrumentos que tratam da avaliação do estresse de maneira geral, como os Inventários para avaliação de sintomas de estresse (LIPP, 1998), Escala de Homes e Rahe (HOMES; RAHE, 1967), Breve Inventário de Stress (SBI) (RAHE, 1999), Raiva (SPIELBERGER, 2000), Escala para avaliação de qualidade de vida (FLECK et al., 2000), Habilidades Sociais (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2001), Ansiedade e Depressão (CUNHA, 2001) e Enfrentamento a problemas no trabalho (PINHEIRO; TAMAYO; TRÓCCOLI, 2003).